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Formação Direito - UFMG

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A delação premiada de Pedro Malasartes – Delírios noturnos do velho caduco

Intervenção sobre pintura de Domenico Ghirlandaio

Por Sebastião Nunes

Um grito de arrepiar alma penada atravessou as abóbadas do palácio do... Qual é mesmo o nome daquele bicho de perna comprida, pescoço vermelho e cabecinha preta? Ah, deixa pra lá. Bota aí tapujaca, jabiru, jaburu, tuiuiú, qualquer coisa do tipo.

Quem assim gritou, devastado de medo, foi o noivo-senador, apavoradíssimo, pulando da cama na luxuosa alcova presidencial-golpista.

Acabava de sonhar com uma figura sinistra de dentes compridos e sangue à beça escorrendo pela cara. Assustadora mesmo.

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A delação premiada de Pedro Malasartes – Conversa fiada antes do casório, por Sebastião Nunes

A delação premiada de Pedro Malasartes – Conversa fiada antes do casório

por Sebastião Nunes

Resumo da ópera:

Morrera a mãe do pequetito Pedro em meio aos angustiantes tédios da riqueza mal adquirida. Apenas dois dias após a morte da primeira consorte, mãe de Malasartes, o muxibento pai, poderoso senador da República, de 70 e muitos outonos, arregalou as butucas para cima de bonita ex-miss de apenas 22 primaveras. Como se vê, estava mais é procurando sarna para se coçar. Enfim, trata-se de versão tupiniquim-mambembe do clássico “A bela e a fera”. Estamos na terceira fase dos preparativos de tal casamento.

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A delação premiada de Pedro Malasartes – Preparativos para o casório do pai, por Sebastião Nunes

A delação premiada de Pedro Malasartes – Preparativos para o casório do pai

por Sebastião Nunes

A defunta mãe de Malasartes nem tinha dois dias de enterrada quando o pai do bebê, poderoso senador da república, apontou os bugalhos para cima de deliciosa ex-miss, loira de 20 e poucos anos e olhos de ressaca.

Aliás, o bode velho, passado dos 70, cara mais engelhada do que leito de rio sertanejo durante seca braba, já vinha botando olhares lânguidos na donzela casadoira bem antes da defunta sucumbir aos tédios da gravidez e da riqueza inútil.

Aliás, a donzela casadoira, depois de eleita miss, aventurou-se nalguns cursos de voo curto, daqueles que são chamados, no interior, caça-marido.

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A delação premiada de Pedro Malasartes – O nascimento do herói, por Sebastião Nunes

por Sebastião Nunes

Pedro Malasartes é podre de rico.

Fez fortuna, como a maioria dos brasileiros multimilionários, utilizando com liberalidade os costumeiros instrumentos de enriquecimento rápido de nossa elite: chantagem, fraude, corrupção, grilagem, intimidação, estelionato, sonegação, notas frias, troca e venda de favores, extorsão, agiotagem, formação de quadrilha e, quando não havia recurso mais barato, encomendando assassinatos e queimas de arquivo.

Em pesquisas recentes (2016), realizadas por órgãos internacionais, Malasartes foi eleito um dos 100 maiores canalhas brasileiros de todos os tempos.

Desde criancinha revelou inúmeros talentos para o exercício do poder, talentos que o transformaram em um de nossos mais brilhantes homens públicos.

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Diálogo sobre traidores antigos e traidores modernos, por Sebastião Nunes

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Imagem: Reprodução

Por Sebastião Nunes

Cochilando debaixo de um coqueiro numa praia de Itamaracá, Joaquim Silvério dos Reis foi acordado por um galopar furioso.

Ergueu-se de um pulo, agarrando a espada na mão esquerda e a garrucha de dois canos na direita: “O que vier eu traço”, resmungou convicto.

O cavaleiro, descalço e vestido com trapos, chegou esbaforido, saltou do cavalo e aproximou-se de Joaquim Silvério, caindo de joelhos diante dele:

– Me acuda, pelo amor de Deus! Me salva, porque vão me garrotear!

Sem entender nada, o traidor mineiro olhou aquele mulato baixo, troncudo e moço, que implorava socorro.

– Acalme-se, meu amigo – disse ele. – Aqui você não corre perigo algum.

– Tem certeza? – duvidou o recém-chegado. – Olha que essas terras estão mais do que vigiadas. Os portugueses estão por toda parte, armados até os dentes. Leia mais »

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Chico, meu papagaio de estimação, é danado de sabido, por Sebastião Nunes

Chico, meu papagaio de estimação, é danado de sabido

por Sebastião Nunes

Ouvi um toc-toc-toc no vidro da janela e lá estava ele: meu papagaio verde do bico dourado.

Me levantei para abrir e ele entrou, voando lentamente até seu poleiro.

– De onde está vindo, Chico? – perguntei.

– Da ONU – respondeu ele.

– E o que estava fazendo na ONU, Chico?

– Aprendendo como ganhar dinheiro sem fazer nada.

– Ahhh... disse eu.

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O menino Brasil, a menina Brasília, a galinha e o pé de feijão, por Sebastião Nunes

O menino Brasil, a menina Brasília, a galinha e o pé de feijão

por Sebastião Nunes

Sentindo-se à beira da morte, a bondosa mãe reuniu seus dois filhos pequenos e disse, com voz chorosa:

– Meus queridos, sinto que é chegada a hora. Infelizmente, só tenho para deixar-lhes esta galinha, mas é uma galinha muito especial. Cuidem bem dela.

Entregou-lhes a galinha e, estremecendo, esticou as canelas.

Dias depois, o bondoso pai sentiu-se à beira da morte e chamou os filhos:

– Meus queridos, sinto que de hoje não passo. Infelizmente, só posso lhes deixar estes grãos de feijão. Cuidem bem deles, porque são muito especiais.

Entregou-lhes um saquinho, soltou um último suspiro e bateu as botas.

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A proliferação de ratos em Brasília depois do golpe, por Sebastião Nunes

A proliferação de ratos em Brasília depois do golpe

por Sebastião Nunes

– Pedro! – trovejou Deus, quase matando de susto os anjos e os querubins que rodeavam Seu trono.

– Droga – resmungou São Pedro, que jogava porrinha com o arcanjo Gabriel. – Isto aqui já foi mais tranquilo.

Enquanto Gabriel, suspirando, recolhia os palitos e a caixa de fósforos, São Pedro disparou rumo ao trono divino.

– Pois não, Senhor – disse o guardião das chaves celestiais. – Às Suas ordens!

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Um dia na vida conturbada do urubu que tinha o rabo preso, por Sebastião Nunes

Um dia na vida conturbada do urubu que tinha o rabo preso

por Sebastião Nunes

O almoço chegara ao fim. Deliciado, o urubu-rei-do-planalto-central raspava os derradeiros fiapos da carniça que ele e seu bando devoravam. Era uma carniça enorme, fedorenta como ela só. Talvez a carniça da Previdência Social. Quem sabe a carniça da Educação Fundamental. Ou ainda a carniça dos Direitos dos Trabalhadores. Mas que era deliciosa, fosse a carniça que fosse, lá isso era.

Saciado, o urubu-rei-do-planalto-central arrotou. Bocejou. Abriu as longas asas escuras espreguiçando-se com prazer. Apoiou as patas no chão e, bico erguido, lançou-se no espaço azul da manhã que findava.

– Diacho! – resmungou ele, constatando que as asas lhe pesavam que nem chumbo. – Estarei ficando mais velho do que sou? Nunca me pesou tanto o corpo nem jamais tive tanta dificuldade para alçar voo. Alguma coisa está errada.

Virou o bico para trás e viu que, logo ali perto, voava o urubu-secretário-geral-do-planalto-central.

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O nariz de Pinóquio e os narizes dos figurões da república, por Sebastião Nunes

O nariz de Pinóquio e os narizes dos figurões da república

por Sebastião Nunes

Preocupadíssimo, Geppetto se postou diante do espelho mágico e indagou:

– Espelho, espelho meu, haverá nariz mais comprido que o de Pinóquio?

– Ah, ah, ah! – riu-se o espelho da ingenuidade do velho marceneiro. – Só no Brasil, meu caro, existem milhares de narizes mais compridos que o de seu filho.

– Não acredito, seu pedaço de vidro estúpido – irritou-se o velho. – E como eles conseguiram narizes tão compridos?

– Mentindo, uai! – respondeu o espelho à moda mineira. – Não foi colecionando mentiras que o nariz de Pinóquio cresceu tanto?

– Tá danado – resmungou Geppetto, e foi bater na porta do filho.

– Pinóquio, meu filho, abre essa porta. Não adianta nada esgoelar!

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Como foram assassinados os moleques João Huck e Luciano Dória Jr., por Sebastião Nunes

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Foto: Tania Rego/Agência Brasil

Eram gêmeos univitelinos: cara de um, focinho de outro. Nasceram num dia de sol quente na favela do Quebra-Pau – qualquer um sabe onde fica, não sabe?

Na hora de escolher os nomes, o maior fuzuê: a mãe, fanática pelo maridão da Angélica, exigia que um se chamasse Luciano Huck. Já o pai, vidrado no bon-vivant das noitadas paulistanas, não abria mão de João Dória, inclusive com o Jr.

Por que não fizeram assim, um nome chique e midiático para cada um? Não sei: mistérios insondáveis de pobres turrões.

Brigaram de soco, pontapé, beliscão e mordida. Quando a ambulância chegou, chamada pelos vizinhos, gemiam ensanguentados no chão da cafua. Os filhotes? Quase se acabando de tanto esgoelar num colchonete fedorento.

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Como um recém-operado de catarata enxerga a República-das-Bananas, por Sebastião Nunes

Como um recém-operado de catarata enxerga a República-das-Bananas

por Sebastião Nunes

Há cerca de um mês fui operado da porra do olho direito. Nada de dramático: coisa de 30 minutos e estava liberado. Pronto para enxergar o mundo azul? Não. Na República-das-Bananas não tem azul. Nem verde. Nem amarelo. Só cinza.

Durante 15 dias pinguei colírios variados no olho avariado, 15 vezes a cada 24 horas. Voltei ao médico três vezes, até que na última visita receitou óculos novos e mandou voltar seis meses depois para operar a porra do olho esquerdo.

Tudo bem? Não. O mundo continua cinza.

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Marx e Engels visitam Machado de Assis para falar de revolução, por Sebastião Nunes

Imagem: Reprodução

Por Sebastião Nunes

Corria o ano de 1882. Comodamente instalados numa velha otomana, dois alemães esperavam o dono da casa. Acabavam de chegar de Londres.

– Será que vai dar certo? – perguntara o mais velho, antes da viagem.

– Não tenho dúvida – respondeu o mais moço. – Um sujeito que escreveu uma novela como “O alienista” e um romance como “Memórias póstumas de Brás Cubas” deve compreender tudo desse país. Ou quase tudo.

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O Cavaleiro da Triste Figura enfrenta o Cavaleiro da Pavorosa Carranca, por Sebastião Nunes

O Cavaleiro da Triste Figura enfrenta o Cavaleiro da Pavorosa Carranca

por Sebastião Nunes

– Veja como são as coisas, amigo Sancho – dizia Dom Quixote ao escudeiro Sancho Pança, enquanto vagabundavam por terras manchegas. – Aqui estamos em busca de aventuras e ouvi dizer que, em Brasília, um terrível nigromante apronta horríveis traficâncias contra o povo. Creio que devemos confrontá-lo e derrotá-lo em combate justo, para defesa dos ofendidos.

Sancho coçou a barbicha e perguntou:

– E que Brasília é essa, meu senhor?

– Uma espécie de Madri tropical de uma república-banana chamada Brasil, a existir no futuro remoto, habitada por 80% de papagaios e 20% de ladrões.

– Tanto papagaio assim?

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Bob Dylan, quem diria, nasceu cresceu e morreu no Cariri, por Sebastião Nunes

Bob Dylan, quem diria, nasceu cresceu e morreu no Cariri

por Sebastião Nunes

Com a enxada no ombro, o jovem Bob Dylan palmilhava a tórrida estrada que levava ao algodoal raquítico. Suava que nem peba. O sol queimava, os beiços gretados pediam água. A estrada parecia interminável. Para aguentar, começou a entoar a cantiga que andava matutando nas horas de folga:

– Quantas istrada havera um home de parmilhá

Inté qui de home havera de ser chamado

Quantos mar havera uma pomba branca de sobrevuá

Inté pudê na areia drumi...

Cantava e marcava o compasso com os pés descalços. Mal percebeu que estava chegando. Música era bom por isso.

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Vídeos

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Documentos

Quando Tiradentes arrancou um dente a Joaquim Silvério e o que aconteceu depois

Por Sebastião Nunes

Na manhã de 15 de janeiro de 1789, um homem louro e gordo entrou às pressas num sobrado da Rua Direita, em Villa Rica de Nossa Senhora do Pilar do Ouro Preto.

– Ai, ui, ai – gemia ele, enquanto batia na pesada porta de maçaranduba do segundo andar, na qual se lia em letras graúdas: DENTISTA.

– Entre – gritaram de dentro. Apertando um lenço sujo contra o lado esquerdo da cara pelada, o homem entrou.

– Olá, Silvério – disse o dentista. – Que bons ventos o trazem? Sabe que é raro me encontrar aqui, não sabe? Quase sempre trabalho na casa dos clientes, levando a tralha. Eta gentinha preguiçosa essa de Minas, sô! Sofre, mas não se mexe!

– Bons ventos, uma droga – resmungou o gordo, tirando o capote de algodão-macaco. – Este dente está me matando!

– Senta aqui – disse o dentista, mostrando a cadeira de encosto. – É a que uso quando atendo em casa. Vamos ver o que tem esse infeliz que está te matando.

– Faz três dias que começou. No princípio, foram só umas pontadas espaçadas. Depois...

– Sei – disse o dentista. – Aí você fez compressa de água quente, bochechou com água e sal e continuou doendo. Não foi assim?

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Áudio

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