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O império da lei, da força bruta ou o fim do Estado Nacional?, por Rafael Pizzato Vier

O império da lei, da força bruta ou o fim do Estado Nacional?

por Rafael Pizzato Vier

Na tentativa de contribuir com a análise da atual conjuntura nacional, teço as seguintes considerações. Antes, uma observação.

Há várias maneiras de se analisar a realidade. Uma delas é vê-la cartesianamente. Descrever os fatos ao longo da história e, a partir disso, deduzir como a atual conjuntura poderá se desdobrar.

Começando pelos primeiros passos. Somos seres gregários, inteligentes e sonhadores disputando recursos escassos que precisam ser transformados pelo trabalho para serem apropriados e, assim, garantir nossa sobrevivência.

Após longa caminhada descobrimos que a melhor maneira para provermos alimento, abrigo e prazer, era nos fixarmos num território.

Mas, sendo escassos os recursos, além de exigirem trabalho para sua apropriação, como administrar isso com a nossa ilimitada disposição aos mais diversos prazeres da vida? Em outras palavras, como gerir nesse território a busca por mais recursos, a segurança pelos recursos existentes, o trabalho árduo para transformá-los e o desejo de cada um de ter uma dolce vita?

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A identidade nacional e a sabedoria do “povão”, por Rafael Pizzato Vier

A identidade nacional e a sabedoria do “povão”

Por Rafael Pizzato Vier

Ouvindo a entrevista de Renato Meirelles aqui no GGN me convenci, mais uma vez, que os pobres têm razão. Essa é uma briga das elites.

Sempre foi assim, desde Getúlio Vargas quando, para assumir o Poder de fato, teve que enfrentar a “revolta dos paulistas” em 1932. E, por conta disso, implantar um regime autoritário.

Essa disputa entre as elites seguiu nos anos seguintes entre o PTB/PSD Getulista e a UDN. A disputa entre um projeto “desenvolvimentista, inclusivo e soberano” e outro “moderno, elitista e subalterno”.

O grande problema dessa disputa é que, quando as elites não entram em acordo, cria-se um impasse e dele surge sempre uma “terceira via”, para piorar ainda mais as coisas.

Foi assim em 1964. E a prova dessa “terceira via” (autoritária) foi a criação da Frente Ampla em 1966, quando as elites políticas se unem para ensaiar uma volta ao Poder. Como resposta a essa tentativa, após darem-se conta da burrada que haviam feito, tem-se o AI – 5. Logo em seguida, em 1968, Lacerda, que havia contribuído decisivamente para se criar um impasse político, é cassado.

Em 1985 Tancredo Neves, filiado ao antigo PSD Getulista, ex-primeiro-ministro do governo de João Goulart assume o Poder. Com seu falecimento assume novamente uma “terceira via” - Sarney. Por conta disso, inicia-se um novo período de crises e instabilidade.

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Jessé de Souza e a necessidade de criarmos uma nova identidade, por Rafael Pizzato

Por Rafael Pizzato Vier

Li aqui no Blog o artigo de Jessé de Souza na Folha e resolvi fazer o seguinte comentário sobre suas reflexões. Sem entrar em maiores detalhes sobre os governos de Getúlio e Geisel, mas tentando entender a essência do pensamento de Jessé sobre a sociedade brasileira.

Ninguém resolve um problema que não existe.

E qual foi o problema que o Jessé criou?

Ele jogou fora nossa identidade.

Agora, precisamos arrumar outra.

Se Jessé não tivesse destruído a “Casa grande”, a “Cordialidade”, os “Donos do Poder” e nossa suposta incapacidade de distinguir entre a “Casa e a rua”, entre outros mitos; nunca saberíamos que nossa identidade, na verdade, é um documento falso. Além disso, tampouco, teríamos descoberto que precisamos de uma nova identidade.

E a razão dessa identidade ser falsa, era porque se via subjetividade – maus hábitos – onde havia objetividade – desigualdade extrema. Em outras palavras, não eram os vícios que produziam a miséria, mas a opulência frente à miséria que permitia o afloramento dos vícios.

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A tolice da inteligência brasileira e o papel da mídia, por Rafael Pizzato

Por Rafael Pizzato Vier

Qual é a tolice da inteligência brasileira?

Acabo de ler o livro de Jessé Souza e vou arriscar fazer um resumo de sua tese principal.

Indo direto ao ponto, a ideia síntese do livro é que todas as sociedades modernas são iguais, uma vez que foram forjadas pelas mesmas instituições – Estado burocrático e mercado capitalista. Assim, sociedades de países como, Japão, EUA, Alemanha, França, Inglaterra, ou mesmo, Paraguai, Brasil, Argentina, México, Guatemala, etc; são, modernamente falando, idênticas.

Mas como provar que essas sociedades são iguais?

Uma forma (creio eu) seria acompanhar o desenvolvimento dos filhos das famílias mais ricas e mais pobres em todos esses países, citados como exemplo.

Após um bom período de acompanhamento, uns trinta ou quarenta anos, supõe-se que em todos os países haveria uma correlação positiva (estatisticamente significativa) entre a riqueza das famílias e a “qualidade de vida” dos filhos quando adultos. Confirmada essa hipótese, seria possível afirmar que, sob esse aspecto, todas as sociedades modernas são iguais. Ou seja, todas são reprodutoras de desigualdades socioeconômicas.

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Comentários

19/02/2017 - 12:53

Quem alimenta zumbis não precisa de evidências (fatos), bastam ideias para alimentar o ódio. Um sentimento diligentemente construído para estar de prontidão e ser usado em caso de necessidade. P. ex.: derrubar um governo eleito.

As grandes empresas de comunicação prestam o serviço de deixar a minoria mobilizada. Deixar sua claque (sic) média de prontidão para servir aos interesses da plutocracia financeira e do capital estrangeiro (europeu e americano).

18/02/2017 - 16:59

Concordo.

Apenas acrescentaria que em tempos de pós verdade, convicções jurídicas, golpe e jornalismo de guerra (segundo o Paulo Nogueira), esse negócio de não ser suspeito, investigado, indiciado, processado e preso, não passa de mero detalhe. Ou seja, isso a turma da direita golpista, com todos seus instrumentos de poder, resolve em um ou dois meses.

Além disso, outra questão que eu acrescentaria em relação ao Ciro é, segundo minha leitura, sua ingenuidade. Por mais contraditório que isso possa parecer. Començando por: "niguém me derruba". Tá parecendo o Collor.

Repare sua trajetória. Luta contra a ditadura e se filia no PDS. Tem lá sua explicação, mas... é complicado. Na "mesma situação", Lula fundou um partido. Depois, se filia no PSDB e diz que foi traído pelo FHC e cia, em relação ao ideal de uma política nacionalista e desenvolvimentista social e econômica. Ora, quem ele pensavam que era essa turma? Tudo bem, podia ter suas exceções, vide o Bresser Pereira, por exemplo. Mas crer nas boas intenções, nacionalistas e sócio-desenvolvimentistas, do núcleo duro do PSDB? Depois, filiou-se no PPS do Roberto Freire!!! Depois, no PSB, acreditando que o cara do "jatiinho sem dono" ia lhe ceder o partido para ele ser (candidato a) Presidente da República em detrimento do "neto do Arraes". Agora, se filia no PDT e combate o golpe quando a maioria dos deputados e senadores desse partido votam e defendem o golpe. E ainda acha que, caso eleito pelo PDT, ninguém será capaz de derrubá-lo. Tudo bem, é retórica, mas para mim isso mais uma vez soa como ingenuidade. Por fim, para corroborar com minha análise, tem as críticas ao Lula que você muito bem apontou.

Para encerrar, contrariando a poesia, para não dizer que só falei de coisas ruins, ele tem capacidade política, demonstra lealdade as forças populares e progressistas. Suas mudanças de partido, apesar da questão da ingenuidade, guarda coerência com esse conteúdo programático - soberania, desenvolvimento e inclusão social, que é o que interessa. 

Em suma, Ciro é um excelente quadro. E é muito melhor ter dois fortes candidatos (caso acertem os ponteiros, e o Brasil sonha com isso) do que nenhum.

17/02/2017 - 12:50

Há três formas de análise da conjuntura diária.

a) "Idealista ou intencionalista" - a intenção dos agentes.

b) "Pragmática" - as consequências (no curto e médio prazo) dos atos dos agentes.

c) "Finalista ou histórica" - os resultados históricos (no longo prazo) das ações dos agentes.

Qual é o problema da primeira e da última forma de análise?

Ela dá margem para nos fazer de trouxas.

A intenção nunca poderá ser efetivamente comprovada, e a história nunca acaba.

Parabéns Nassif, por sua análise "pragmática". 

As evidências saltam aos olhos. A fé cega de alguns não permite ver. Outros, por malícia, fingem não ver.

04/02/2017 - 23:56

"Monica esconde sua inteligencia?"

Talvez este seja o preço que ela se dispõe a pagar.

Sei, é uma hipótese preconceituosa, mas tem lá suas evidências. Afinal, não é por acaso que a Globo e outros grandes veículos de mídia lhe dão todo esse espaço.

31/01/2017 - 21:45

Prisão de Eike é um espetáculo: o palhaço no circo

 

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Eike Batista “fugiu” do país 11 dias depois de expedida ua ordem de prisão contra ele. Fugiu, entre aspas, porque saiu pelo guichê da Polícia Federal no Aeroporto do Galeão, com direito a carimbo e “boa viagem”.

Depois, Eike ficou uns dias “foragido” em Nova York, não se sabe onde, embora ele tivesse um apartamento por lá, de endereço sabido e consabido.

A seguir, Eike Batista vão para o Aeroporto John Kennedy, onde há uma providencial equipe da TV Globo, a quem ele concede entrevista lá dentro da área após o check in.

Não bastasse, um repórter de O Globo compra na hora uma passagem ao lado do ex-empresário – não sei  se e quais empresas ele ainda tem – rumo ao Rio, grava um pequeno vídeo a bordo e descreve a noite de sono angelical de Eike.

A programação da Globonews, ontem, se resumiu  a Eike: Eike de travesseiro, Eike no camburão, Eike no IML, Eike no Ary Franco, Eike careca, Eike em Bangu 9.

Nos intervalos, o registro da homologação da Odebrecht.

Hoje, de novo, Eike já está prestando depoimento, com direito a cobertura total.

Marcelo Odebrecht deveria ficar com ciúmes de seu desafeto Eike.

Ele só teve direito a prestar depoimento vários dias depois de sua prisão.

Passa do limite de coincidências, não é?

Eike tem o “physique du rôle” para o papel de delator premiadíssimo.

Afinal, quem chegou ao topo do “jet set” representando e levando “no gogó” mídia, governantes e empresários, o que não fará com estes holofotes que já não sonhava ter?

 

31/01/2017 - 21:38

Primeiramente, parabéns. Um gesto nobre, Nassif.

Mas o freio para os donos da grande mídia (são eles os responsáveis e não seus funcionários jornalistas), não está no apelo à sua benevolência, mas no enfrentamento de um poder maior que lhe imponha um recuo. E esse poder está na mão de seus pares, empresários milhonários e bilionários iguais a eles.

Quem duvida que o Marcelo e o Eike, para citar apenas dois exemplos, não fazem parte da mesma "panela", frenquentam os mesmos ambientes, têm amizades em comum? E, por conta disso, conhecem os "pecados" de todos eles.

Por que se calam?

a) Não sabem diferenciar empresa de comunicação de imprensa livre?

b) Consideram o "sistema capitalista" (sustentado pelo poder do Estado) um dogma, a ponto de abrir mão de sua honra e seus direitos universais para mantê-lo intocável?

c) São covardes, como disse o Lula? Incapazes de enfrentar seus colegas empresários de mídia, os politicos que eles financiam, seus amigos juízes? São traíras de sua pátria, preferindo agradar os gringos, mesmo que a custa da entrega dos recursos/ativos nacionais, destruição do mercado interno e potencial mercados externos?

 

 

29/01/2017 - 16:50

"Cometerão os Estados Unidos esse ato de coerência, fazendo consigo o que fazem com os demais?"

Mas isso eles já fizeram na guerra civil americana.

27/01/2017 - 22:07

Muito bom.

Porém, nem tanto ao céu, nem tanto à terra.

Se as máquinas são inteligentes para tomar decisões mais complexas possíveis, então, elas podem tudo. Ou seja, elas também podem dominar seus criadores, ou ao menos lutar contra eles. E aí, entra outra variável nessa análise.

24/01/2017 - 17:28

Tive o mesmo problema. 

Concordo com a "desburocratização". Tem apenas duas formas de pagar via Uol ou uma empresa americana(?) acredito que administradora de pagamentos.

A primeira (Uol) tenho que fazer um cadastro para ela me cobrar. Já vi uma série de reclamações no site Reclame Aqui. Prefiro declinar. Também não contribuo em outros espaços de mídia na internet porque tem apenas essa opção.

A segunda opção, pede uma senha para mim fazer o segundo pagamento e não apresenta a possibilidade: esqueci a senha. Obs.: fiz questão de pagar uma parcela de cada vez porque esse foi o terceiro mês consecutivo que tenho que entrar em contato com a administrador do cartão para estornar cobranças indevidas. 

No fim, tive que desistir de contribuir. Concordo com o pagamento à vista, direto. Ou até um boleto eu prefiro, poderia ser emitido, por exemplo, para assinaturas de seis ou doze.

23/01/2017 - 22:26

Há uma disputa de poder entre dois grupos. Os políticos no poder (do PMDB, PSDB, DEM, e cia)  e o mercado financeiro, versus o aparelho judiciário do Estado (MPF, PF, Juízes).

Há, porém, um Poder maior. Moderador. A Globo. Em última análise é ela quem decide a pauta e portanto a condução política.

Aproveito para fazer uma observação. A Lava Jato representa o poder do aparelho judiciário estatal. E o papel dela no golpe não foi combater a corrupção, mas a soberania popular. Ela é mantida viva pelo poder moderador da Globo enquanto a democracia não estiver definitivamente morta, ou as forças populares e progressistas ainda tiverem chances de ganhar uma eleição majoritária.

Porém, mantê-la viva é alimentar um poder que não interessa ao mercado (financeiro e internacional), ou seja, um Estado forte. Mas, ao mesmo tempo, eles não podem se dar ao luxo de acabar com a arma capaz de acabar com a soberania popular. Assim, mantêm a "Lava Jato" viva. 

Outra questão que me incomoda muito. A relação causal entre "políticos corruptos" e a "Lava Jato".

Os "políticos" não deram o golpe para acabar com a "Lava Jato", foi ela quem os obrigou a dar o golpe para eles não serem presos. É essa a relação causal. Tanto é verdade que ela não acabou (embora quem tem poder sempre almeja mais) e os "políticos corruptos" não só continuaram no Poder, como ganharam mais poder.

Para que?

Para fazer o que sempre se fez durante os quinhentos anos de história, com raras e honorosas exceções, que é vender a preço de banana as riquezas do Brasil e explorar seu povo com trabalho barato e aviltante.

23/01/2017 - 21:55

"é curioso o desconhecimento das engrenagens do Supremo e da Justiça por parte dos analistas políticos. É o caso de Rubens Figueiredo em artigo publicado no Estadão com título taxativo: 'Teorias conspiratórias são ofensa ao bom senso'".

Nassif, o papel da empresa Estadão e de seus articulistas é legimitar o golpe que eles ajudaram a construir. Eles sabem muito bem o que estão fazendo.

O que eles estão fazendo? 

Legitimando o novo poder (oligargaca, plutocrata, eletista; em suma, antidemocrático - principalmente num país com uma imensa massa de pobres...).

Tumultuar agora o processo não interessa a mídia e ao mercado. Levantar suspeitas da morte de Teori é o mesmo que acusar o principais delatados. A cúpula do governo Temer e as principais lideranças do PSDB. A quem interessa isso???

Daí a razão do título taxativo: "Teorias conspiratórias são ofensa ao bom senso".

21/01/2017 - 11:14

Tem 99% de chances de ter sido um acidente e 100% de não haver uma investigação imparcial.

19/01/2017 - 22:10

Pode ter sido um acidente, mas quem acredita numa investigação séria, profunda, técnica, isenta?

Há um bom controle da narrativa no Brasil para garantir que não haja uma investigação desse tipo, lembrando que quem controla o processo investigativo é que levanta ou desconsidera os indícios, pistas, evidências; para que depois elas sejam relatadas para o grande público. Os jornalistas investigativos e independentes no máximo ficam com a repescagem e além disso, não passam de petralhas, comunistas, boliviarianos, etc - "sem credibilidade".

Para refrescar a memória.

E as investigações do metro de SP? Do helicoca? Do aeroporto de Claudio? Dos políticos do PSDB?

Do Lula e dos políticos do PT (para usar um contra exemplo)?

Ah, mas agora será diferente. Haverá uma investigação severa, técnica, imparcial.

Não sejamos ingênuos. Pode ter sido uma fatalidade do destino, mas se não foi, somente será descoberto o que se quizer descobrir - através de um bom controle da investigação e de sua narrativa.

15/01/2017 - 23:10

As leis (regras) é uma criação dos fortes para enquadrar os fracos; para isso, aqueles lançam mão de três artifícios:

a) a letra da lei (uma interpretação literal);

b) uma interpretação mais "livre" (hermenêutica);

c) a mudança da lei (inclusive para retroagir, conforme uma "inovadora interpretação hermenêutica".

Cada estratégia de emprego legal, é usada conforme a conveniência daqueles que detém o verdadeiro poder.

No passado era um poder religioso. O líder religioso era quem falava com Deus e interpretava as Leis.

Na modernidade é o poder leigo, que faz esse papel, seja ele o executivo, legislativo ou judiciário (ao controlar o monopólio da violência - força policial, e/ou da opinião pública, via mídia).