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A crise estrutural no Estado do Espírito Santo, por Rodrigo Medeiros

A crise estrutural no Estado do Espírito Santo

Por Rodrigo Medeiros*

Tendo acumulado passivos sociais e ambientais, o Estado do Espírito Santo precisa repensar os caminhos do seu desenvolvimento. A grave crise da segurança pública capixaba, que estourou em fevereiro, sinalizou para o fato de que devemos estar bem atentos para os problemas estruturais acumulados. Nesse sentido, diálogo, debate plural e responsabilidade social ganham um grande destaque na articulação de políticas públicas.

O documento construído pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), o “Atlas da Violência 2017”, mostrou que o Espírito Santo conseguiu reduzir sua taxa de homicídios entre 2005 e 2015, em 21,5%. Essa taxa, de 36,9 por 100 mil habitantes, ainda está acima da ruim média brasileira, que é de 28,9 por 100 mil habitantes. Esse dramático quadro é considerado como de guerra civil pelos especialistas no assunto. Portanto, não deveria causar espanto que a produtividade da economia não cresça nesse contexto de violência e que as instituições funcionem insatisfatoriamente (aqui).

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Obras paradas no Estado do Espírito Santo, por Rodrigo Medeiros

Obras paradas no Estado do Espírito Santo

por Rodrigo Medeiros

A partir da base de dados Geo-Obras, do Tribunal de Contas do Estado do Espírito Santo, A Gazeta tem feito relevantes levantamentos sobre a quantidade de obras públicas paradas e os prejuízos decorrentes para os cofres públicos capixabas. Tais levantamentos sinalizam para o fato de que é preciso melhorar a qualidade da gestão pública em terras capixabas, do planejamento até a execução do gasto público.

Em um levantamento publicado em julho, consta na página digital do G1 que “a paralisação de obras públicas no Espírito Santo soma R$ 1,6 bilhão em prejuízos ao Estado e aos municípios” (aqui). Como resultado prático, o custo de algumas obras pode até dobrar em relação ao orçamento inicial previsto. Há quem prefira contemporizar, alegando que esses problemas derivam da burocracia excessiva e de “paralizações por rescisão contratual”. Riscos e incertezas fazem parte de qualquer atividade humana. A gestão pública precisa aprender a lidar melhor com isso no Brasil.

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Responsabilidade social: reflexões sobre o caso capixaba, por Rodrigo Medeiros

Responsabilidade social: reflexões sobre o caso capixaba, por Rodrigo Medeiros

O documento construído pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) merece maior reflexão entre nós. O “Atlas da Violência 2017” traz informações relevantes para a formulação de políticas públicas que prezem pela responsabilidade social. A publicação adota os dados do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, que traz informações sobre incidentes até ano de 2015. O dramático episódio da crise da segurança pública capixaba, de fevereiro deste ano, é citado como um exemplo da fragilidade das políticas públicas nesse campo.

O Espírito Santo conseguiu reduzir a sua taxa de homicídios entre 2005 e 2015, em 21,5%. No entanto, essa taxa, de 36,9 por 100 mil habitantes, está acima da ruim média brasileira, que é de 28,9 por 100 mil habitantes. Esse dramático quadro é considerado como de guerra civil pelos especialistas no assunto. Portanto, não deveria causar espanto que a produtividade sistêmica da economia brasileira não cresça nesse contexto de violência e tampouco que as instituições funcionem mal.

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Retrocessos em curso no Brasil?, por Rodrigo Medeiros

Retrocessos em curso no Brasil?

por Rodrigo Medeiros

O processo brasileiro de desindustrialização prematura, compreendido como as perdas relativas de empregos da indústria de transformação e de sua participação no Produto Interno Bruto (PIB), é claro desde meados dos anos 1980. A partir de 1994, com o recorrente uso do câmbio para combater a inflação, vem ocorrendo a perda de sofisticação da pauta exportadora.

No livro de Erik Reinert, “Como os países ricos ficaram ricos... e por que os países pobres continuam pobres”, editado pela Contraponto, há instigante discussão sobre o processo histórico de desenvolvimento. Cobrindo um período de cerca de quinhentos anos de reflexões e estudos econômicos, Reinert sintetiza: “países pobres tendem a se especializar em atividades que os países ricos não podem mais automatizar ou nas quais não há possibilidade de realizar inovações. Em seguida são criticados por não inovarem o bastante”. O aprofundamento da globalização neoliberal é ruim para os países de renda média, pois os impedem de emparelhar com os países desenvolvidos.

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Complexidade econômica e desenvolvimento, por Rodrigo Medeiros

Complexidade econômica e desenvolvimento

por Rodrigo Medeiros

Lançado recentemente pela editora Contraponto e pelo Centro Internacional Celso Furtado de Políticas para o Desenvolvimento, o livro “Complexidade econômica”, de Paulo Gala (FGV-EESP), descreve, a partir de relevantes referências bibliográficas e inovação metodológica, o processo de desenvolvimento. Destaca-se o “Atlas da complexidade econômica” como valiosa ferramenta para o entendimento da riqueza das nações. 

Disponível online para consultas, o “Atlas da complexidade econômica”, de César Hidalgo (MIT) e Ricardo Hausmann (Harvard), usa o big data e a ciência das redes para mostrar como aquilo que um país efetivamente exporta é relevante na determinação da renda média e do nível de desigualdade doméstica (aqui). Em síntese, o avanço da complexidade econômica, compreendida como a diversidade exportadora ponderada pela não ubiquidade, gera desenvolvimento, alta produtividade e ainda está fortemente correlacionado com menores desigualdades sociais.

A estrutura produtiva determina as possibilidades de produtividade e desenvolvimento em um país. Segundo afirma Gala, “não há caminho possível para o desenvolvimento econômico sem que se busque sofisticar o tecido produtivo. Todos os países ricos são complexos e sofisticados e todos os países pobres são não complexos e não sofisticados”.

Entre os fatores que ajudam a construir complexidade, destaca-se o nível do câmbio real. De acordo com Gala, “o nível de câmbio real tem papel fundamental na dinâmica macroeconômica de longo prazo, pois influi na determinação da especialização setorial da economia, notadamente no que diz respeito à indústria e à produção de bens complexos”. O câmbio tem efeito na dinâmica da produtividade e na viabilização do avanço da complexidade econômica.

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Incertezas no horizonte, por Rodrigo Medeiros

Incertezas no horizonte, por Rodrigo Medeiros

Entre os mais recentes lançamentos do mercado editorial brasileiro, merece destaque o livro “A era do imprevisto” (Companhia das Letras, 2017), do sociólogo e cientista político Sérgio Abranches. O livro, escrito em forma de ensaio, traz instigantes reflexões sobre as diversas dimensões da crise global. As incertezas dos resultados não devem imobilizar as sociedades.

Do ponto de vista das muitas imprevisibilidades, Abranches destaca as “falhas” nos paradigmas econômicos vigentes. Segundo pondera o autor, “na economia, os modelos de previsão, tanto acadêmicos quanto do mercado financeiro, têm errado muito mais que acertado”. Há problemas nas premissas dos modelos que estão baseados em automatismos de equilíbrio geral. Em um tempo global marcado pela crescente complexidade, quando as interações são mais intensas e o seu número maior, a estabilidade dos sistemas socioeconômicos não é garantida.

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Dia Internacional dos Trabalhadores, por Rodrigo Medeiros

Enviado por Rodrigo Medeiros

A nova edição da pesquisa Barômetro Político, realizada pela consultoria Ipsos, aponta que 75% dos entrevistados classificaram como ruim ou péssimo o governo federal e apenas 4% disseram ser esse um governo ótimo ou bom; 92% veem País no rumo errado. Nesse complexo contexto de desconfiança generalizada nas instituições e de crise de representação política, algumas questões presentes na Greve Geral do dia 28 de abril e no Primeiro de Maio merecem maior reflexão.

Relendo o capítulo 17 do clássico “História da riqueza do homem”, de Leo Huberman, destaco a seguinte passagem: “os economistas da época da Revolução Industrial desenvolveram uma série de leis que, diziam, eram tão válidas para o mundo social e econômico como as leis dos cientistas para o mundo físico”. Portanto, completa Huberman, “se os homens fossem inteligentes e agissem de acordo com os princípios que expunham, muito bem; mas se não, e agissem sem respeito às suas leis naturais, sofreriam as consequências”. No geral, é possível dizer que essas supostas “leis naturais” representaram boas notícias para os mais abastados porque os pobres eram responsabilizados pela sua pobreza.

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Ganhando impulso?, por Rodrigo Medeiros

Foto - Divulgação

Ganhando impulso?, por Rodrigo Medeiros

Recentemente, o Fundo Monetário Internacional (FMI) revisou suas estimativas de desempenho da economia mundial. Consta no seu “World Economic Outlook”, tornado público no dia 18 de abril, que há uma recuperação cíclica em curso na economia mundial. As estimativas apontam para o crescimento global de 3,5% em 2017 e 3,6% em 2018. Entretanto, riscos diversos existem no horizonte. A hipótese da “estagnação secular” não foi afastada.

Segundo apontou o FMI, com problemas estruturais persistentes, como o baixo desempenho da produtividade e alta desigualdade social de renda, as pressões por políticas voltadas para o "interior" estão aumentando nas economias avançadas. Essas pressões domésticas, por sua vez, representam ameaças potenciais a uma integração econômica global cooperativa. Tensões geopolíticas também preocupam.

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Recessão e austeridade, por Rodrigo Medeiros

Recessão e austeridade, por Rodrigo Medeiros

Após a grande crise financeira de 1929, a década que se seguiu foi de preciosas lições para muitos estudiosos de diversos campos. De certa maneira, revivemos certos aspectos daqueles dilemas com o estouro da crise global de 2008, após a queda do Lehman Brothers. A resposta inicial conjunta de muitos países à crise foi no sentido de manter o nível da demanda agregada e evitar os efeitos adversos nos empregos e na produção.

Pouco tempo depois, iniciou-se um processo de forte “marcação” dos agentes financeiros sobre o avanço das dívidas públicas dos países e vivenciamos, desde então, o mantra da austeridade fiscal. Estamos repetindo o debate econômico da década de 1930 e ainda presenciando a emergência de extremistas e populismos. O desemprego elevado e persistente, a desesperança coletiva no futuro, as elevadas desigualdades e a irresponsabilidade social dos governos conspiram contra a democracia. Devemos, portanto, nos preocupar no Brasil. 

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Voos de galinha, por Rodrigo Medeiros

Voos de galinha, por Rodrigo Medeiros

O debate sobre o “fôlego” da economia brasileira encontra-se na ordem do dia. Desde o início da recessão, a partir do segundo trimestre de 2014, muitas visões sobre a crise foram publicadas. Divergências, quando se trata de fenômenos complexos, são naturais, saudáveis e bem-vindas. Essa discussão é muito relevante quando buscamos debater reformas institucionais.

Em um instigante artigo publicado na “Finance & Development”, de junho de 2016, Jonathan D. Ostry, Prakash Loungani, e Davide Furceri, todos do Departamento de Pesquisa do Fundo Monetário Internacional (FMI), trazem reflexões sobre o neoliberalismo (aqui). Para os respectivos pesquisadores, “em vez de gerar crescimento, algumas políticas neoliberais aumentaram a desigualdade, comprometendo a expansão duradoura”. A agenda neoliberal se apoia sobre dois pilares básicos: a desregulamentação de mercados e a limitação da capacidade dos governos de gerir déficits fiscais e acumular dívidas.

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O debate das reformas e a desigualdade social, por Rodrigo Medeiros

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Por Rodrigo Medeiros

Um necessário debate qualificado sobre as reformas institucionais propostas precisa ser aprofundado. Em um país no qual a desconfiança social generalizada nas instituições é alta, a aceleração do processo de discussão parlamentar não contribui para a pacificação política nacional. Nesse sentido, algumas reflexões publicadas são muito oportunas. Afinal, a "fada da confiança" não conseguiu empreender a mágica da virada na economia brasileira.

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O progresso social em risco no Brasil, por Rodrigo Medeiros

O progresso social em risco no Brasil

por Rodrigo Medeiros

Desde o segundo semestre de 2014, quando começamos a sentir os efeitos da recessão, o clima social vem mudando no Brasil. Sondagens recentes apontam para o fato de que o otimismo de então tem dado lugar ao pessimismo. Afinal, haveria alguma base para tanto pessimismo? Creio que o tom das reformas institucionais propostas explica parte dessa virada de clima social.

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A crise na segurança pública capixaba, por Rodrigo Medeiros

A crise na segurança pública capixaba

por Rodrigo Medeiros

O fenômeno global da crise se manifesta de forma geográfica diferenciada. Em “Estado de crise” (2014), o sociólogo Zygmunt Bauman disse que estamos sob o domínio das brumas da incerteza, na medida em que os cidadãos acreditam cada vez menos que os governos sejam capazes de cumprir suas promessas. No interregno, o novo não consegue nascer porque o velho não morreu completamente.

A proximidade da crise, que repercute nas angústias das pessoas, deve ser objeto de cuidados no campo analítico. Não discutirei o mérito do movimento dos policiais militares. Compreendo que a busca do diálogo para melhorar as condições gerais de trabalho faz parte da democracia, porém há responsabilidades quando um profissional assume determinados compromissos de carreira. Esse episódio traumático deve ser analisado com responsabilidade para o aprendizado.

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Pós-verdade, direita populista e globalização, por Rodrigo Medeiros

Pós-verdade, direita populista e globalização

por Rodrigo Medeiros

Muitos veículos de comunicação social abordaram bem recentemente a pós-verdade, ou seja, as circunstâncias nas quais os fatos objetivos são menos influentes na opinião pública do que as emoções e as crenças pessoais. A ascensão de uma direita populista tem a ver com esse complexo tempo. Vejamos então parte dos perigos que corremos.

Na década de 1990, o sociólogo Anthony Giddens havia alertado para o fato de que as tradições poderiam ser radicalizadas e falar mais alto em algum momento. Tal fato colocaria em risco o projeto em curso de globalização. Ele não foi uma voz isolada naquela década. O economista Dani Rodrik, por outros ângulos, compreendia haver o risco de que o crescente hiato da desigualdade social nos países colocasse em xeque o processo de mundialização.

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Um falso dilema: curto x longo prazo, por Rodrigo Medeiros

Um falso dilema: curto x longo prazo

por Rodrigo Medeiros

No final de 2016, o Brasil se deu efetivamente conta de que a rápida recuperação econômica prometida por alguns não se concretizaria. A persistente recessão, os incômodos do desemprego crescente e uma alta inflação de serviços conspiraram contra as expectativas otimistas de então. Tais fatos colocaram pressão sobre os agentes políticos, em um complexo contexto de incertezas da operação Lava Jato.

A “Carta de Conjuntura”, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas, traz, neste janeiro, instigantes reflexões de Luiz Guilherme Schymura. Segundo ponderou o economista, “as projeções de mercado para o crescimento em 2017 caíram de 1,4% em setembro para 0,6% em dezembro. Considerando-se que a trajetória do desemprego, que já atingiu 11,8% em outubro, é defasada em relação à atividade, criou-se uma situação em que os custos sociais e políticos da grande recessão tornaram-se quase insuportáveis”.

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