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Folha rebaixa-se a panfleto no tema Venezuela, por Luis Felipe Miguel

Folha rebaixa-se a panfleto no tema Venezuela

por Luis Felipe Miguel

Como várias pessoas já apontaram, a Venezuela anda sumida do noticiário. A tentativa de gerar o caos no país não alcançou o resultado desejado. Um largo contingente de insatisfeitos com o governo Maduro não se dispõe mais a alimentar a oposição de ultradireita guiada pelo imperialismo estadunidense. As eleições de amanhã prometem alta participação popular. Em suma, uma vez que os acontecimentos não se encaixam mais na narrativa desejada, deixam de ser "notícia".

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A hora do reentulho, por Luís Felipe Miguel

A hora do reentulho

por Luís Felipe Miguel

Quando terminou a ditadura militar e uma nova Constituição foi escrita, uma das tarefas principais que se colocaram para as forças democráticas foi a remoção do chamado "entulho autoritário", isto é, de toda a legislação ordinária vinculada à ordem ditatorial.

Tarefa difícil, inconclusa, já que cada item do entulho encontrava protetores, seja nos grupos beneficiados, seja nos inconformados com a democratização. Uma vitória particularmente importante foi o fim do julgamento de militares pela Justiça Militar quando cometem crimes contra civis, o que ocorreu apenas na metade dos anos 1990.

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Das responsabilidades pela morte de Cancellier, por Luís Felipe Miguel

Das responsabilidades pela morte de Cancellier

por Luís Felipe Miguel

Não há dúvida de que uma grande parte da responsabilidade pela morte do reitor Luiz Carlos Cancellier de Olivo cabe ao Judiciário, na figura da juíza Janaina Cassol Machado. Ela decretou uma prisão absolutamente desnecessária, cujo único objetivo discernível era abater moralmente e humilhar. Uma prisão decretada antes de que o preso tivesse sequer sido convocado a prestar esclarecimentos! A prisão foi revogada, mas a juíza manteve o reitor incomunicável, a despeito de um claro diagnóstico de depressão. Estava impedido de entrar no campus e, fora advogados e médicos, só podia falar com seu irmão, o jornalista Júlio Cancellier. Quando concedeu que ele retomasse algumas atividades acadêmicas, foi introduzindo uma nova humilhação: sua presença na universidade seria estritamente cronometrada, duas horas e meia, como se fosse um elemento tóxico ou radioativo.

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Entre Lula, o Datafolha e a casa-grande, por Luís Felipe Miguel

Entre Lula, o Datafolha e a casa-grande

por Luís Felipe Miguel

Pesquisa do Datafolha, publicada na Folha de hoje, mostra que, apesar da intensificação da perseguição contra ele, Lula continua vencendo em todos os cenários para a presidência da República. Na verdade, suas marcas melhoraram e a taxa de rejeição caiu. Creio não ser por acaso que o jornal não apresenta nenhum gráfico de linha, que permitiria observar a evolução das intenções de voto no tempo.

O fato é que, havendo eleição, Lula ganha. Se já ganharia hoje, imaginem com campanha eleitoral, quando ele terá acesso à mídia e poderá apresentar sua versão dos fatos e contrabalançar um pouco a campanha colérica que é feita há anos contra ele.

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Mourão e Villas Bôas são partes de um mesmo pensar, por Luís Felipe Miguel

Mourão e Villas Bôas são partes de um mesmo pensar

por Luís Felipe Miguel

A famosa disciplina militar parece que funciona de forma bem seletiva. Vale para os que estão na parte de baixo da pirâmide e continuam a ser submetidos a todo o tipo de humilhação por seus superiores, devido a faltas insignificantes, reais ou imaginárias: alunos de escolas militares, recrutas, soldados rasos.

Já o general Antonio Hamilton Mourão defende publicamente um golpe militar e não recebe nenhuma punição. Em vez disso, o comandante do Exército, Eduardo Villas Bôas, disse em entrevista que ele é "um grande soldado, uma figura fantástica, um gauchão". Entendo que a evocação do estereótipo regional serve para minimizar a fala de Mourão, caracterizando-a como mera manifestação de uma fanfarronice atávica.

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Do jornalismo de rasa banalidade à cultura do estupro no Brasil, por Luís Felipe Miguel

Do jornalismo de rasa banalidade à cultura do estupro no Brasil

por Luís Felipe Miguel

Talvez algumas pessoas já tenham percebido que tenho certa implicância com o Hélio Schwartsman. De fato, ele me parece a expressão máxima do Kitsch no jornalismo - Kitsch no sentido que Eco dava ao termo, a tentativa de passar por alta sofisticação o que não passa de rasa banalidade. São referências sem fim a livros de divulgação científica, a filósofos (em geral lidos de maneira muito contestável), tudo isso para chegar ao mesmo senso comum conservador do restante da Folha. Não perde oportunidade para dar "carteiradas intelectuais", enfiando termos pomposos e chiques mesmo quando não cabem. E o que ele defende, afinal, é uma versão extrema da tese liberal da autonomia dos indivíduos (que nega qualquer relevância à estrutura social na produção das preferências), com simpatias evidentes pela sociobiologia - uma combinação particularmente reacionária.

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Três cenários para 2018, por Luís Felipe Miguel

Três cenários para 2018

por Luis Felipe Miguel

(1) Com eleição e com Lula. Mesmo com o jogo pesadíssimo que virá, Lula é o favorito. A questão é saber o que será o seu governo. O golpe mostrou que as condições para reeditar o pacto lulista estão aviltadas; Lula seria constrangido a adotar políticas compensatórias no quadro institucional dado pelos retrocessos de Temer. A única maneira de combater essa situação é com a pressão popular, reequilibrando a relação de forças e fazendo com que o realismo político de Lula tenha que levar em conta não só as exigências das classes dominantes, mas também do campo popular. Em suma: diante deste cenário, a tarefa urgente é retomar a mobilização popular.

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Gould e a derrubada das teses racistas, por Luis Felipe Miguel

Gould e a derrubada das teses racistas

por Luis Felipe Miguel

Nos programas de minhas aulas no curso de Ciência Política, os cientistas políticos são minoria. Há muitos historiadores e sociólogos; filósofos, economistas, antropólogos, geógrafos e psicólogos também têm espaço. E um biólogo: Stephen Jay Gould, que faleceu em 2002, aos 60 anos, e foi um dos intelectuais mais admiráveis do nosso tempo.

Não tenho, é claro, nenhuma competência para apreciar o trabalho que fez em sua especialidade, a paleontologia. (Gould dizia que toda criança de dez anos quer ser paleontóloga e o que o diferenciava é que ele nunca tinha superado essa fase.) O mesmo em relação à sua principal contribuição à teoria da seleção natural, a ideia de “equilíbrio pontuado” – segundo a qual a mudança nas espécies ocorre sobretudo em momentos de crise, quando muitos desaparecem e só os melhor adaptados conseguem legar sua carga genética. Espécies com população grande e estável transmitem uma carga genética variada às gerações seguintes, motivo pelo qual permanecem basicamente imutáveis. Em suma, nós, humanos, não estamos “evoluindo” e, se a gente conseguir não ferrar com tudo, nossos descendentes daqui a 50 mil anos serão geneticamente idênticos a nós, assim como o somos em relação a nossos antepassados, 50 mil anos atrás. Acho um argumento convincente, mas careço do conhecimento para fazer uma avaliação ponderada da questão.

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Semidistritão, tomada de três pinos e jabuticaba, por Luis Felipe Miguel

Semidistritão, tomada de três pinos e jabuticaba

por Luis Felipe Miguel

Ao criticar a proposta do chamado "semidistritão", Bernardo Mello Franco a chama de "a nova tomada de três pinos", por ser "uma solução tupiniquim, de autoria desconhecida, que ajudará seus poucos criadores a se dar bem às custas da maioria".

É comum falar mal da tomada de três pinos e realmente a mudança do padrão do plug causou e ainda causa aborrecimentos, mas a crítica vulgar que Franco reproduz é baseada em desinformação. O padrão que o Brasil adotou não é exclusivo. Pelo contrário, é o padrão proposto pela Comissão Eletrotécnica Internacional para se tornar universal. Além do Brasil, já está em uso em países como Suíça e África do Sul.

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Mais uma rodada da conta do golpe sendo paga, por Luis Felipe Miguel

Foto Tijolaço

Mais uma rodada da conta do golpe sendo paga

por Luis Felipe Miguel

O "Estado inchado" é outra das tantas mentiras que, repetidas à exaustão, ganham foros de verdade no Brasil. Os dados mostram que, em comparação com outros países, o funcionalismo público brasileiro é pequeno e a carga tributária é pequena. Apesar dos casos aberrantes amplamente divulgados pela mídia, até mesmo o salário médio do funcionalismo público é pequeno.

O que há são distorções: inchaços localizados da máquina administrativa quando há carências grandes de pessoal em muitos outros lugares, juízes com vencimentos nababescos, uma carga tributária que é muito maior para os pobres do que para os ricos (a porção da renda familiar que é consumida em tributos pelas famílias que ganham mais de 30 salários mínimos mensais é praticamente a metade daquela das famílias com renda de até dois salários mínimos).

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Distritão transformará disputa em uma 'corrida do ouro', por Luis Felipe Miguel

Distritão transformará disputa em 'corrida do ouro'

por Luis Felipe Miguel

Ainda acho pouco provável uma vitória em plenário, sobretudo porque precisa de maioria qualificada, mas a aprovação do voto único não transferível (o chamado "distritão") na comissão da Câmara é, em si mesma, uma demonstração de que faltam, a muitos de nossos "representantes", preocupação com a qualidade do processo eleitoral ou capacidade cognitiva para compreender os efeitos das regras - ou ambas.

O distritão é a regra pela qual as cadeiras de deputado ficam com os candidatos de maior votação individual, independentemente dos partidos. A regra atual (representação proporcional com listas abertas) prevê a distribuição proporcional das cadeiras entre os partidos e depois, dentro de cada lista partidária, a atribuição das vagas disponíveis de acordo com a votação individual.

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Nunca tivemos um país justo e agora perdemos a esperança, por Luis Felipe Miguel

Nunca tivemos um país justo e agora perdemos a esperança

por Luis Felipe Miguel

É muito triste acompanhar a destruição de um país.

De um lado, o retrocesso nos direitos, cuja expressão maior é a revogação da CLT. Os efeitos do fim das proteções legais ao trabalho já se fazem sentir, condenando uma quantidade cada vez maior de pessoas a situações de extrema vulnerabilidade. O trabalho precarizado serve simultaneamente a dois objetivos: amplia a parcela da riqueza apropriada pelos capitalistas e reduz o trabalhador à luta pela sobrevivência imediata.

Do outro lado, o desmonte do Estado. Há uma ação deliberada para sucateá-lo, por meio do desinvestimento, da desvalorização de seus servidores, da redução do pessoal. O discurso vazio do "Estado inchado e ineficiente", que troca o debate sobre os problemas reais do setor público por um punhado de slogans, é mobilizado de maneira quase indolente. Os donos do poder percebem que não precisam prestar contas a ninguém, uma vez que a discussão na sociedade está completamente sufocada.

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Do possibilismo raso à ausência de debate, por Luis Felipe Miguel

Foto PT

Do possibilismo raso à ausência de debate

por Luis Felipe Miguel

As reações à fala de Lula à rádio paraibana mostram um pouco da miséria da esquerda brasileira.

Há quem opta pela negação, sugerindo que tudo não passa de uma mentira do Valor (mas está no Youtube, basta procurar "Lula dá entrevista à rádio Arapuan, da Paraíba" e assistir a partir de 25:25).

Há quem acuse os críticos de "dividir a esquerda". Como se a união exigisse a ausência de debate. Como se o "deslize" de Lula fosse necessariamente só um deslize, não um recuo na pauta central que pode e deve promover a união das esquerdas no Brasil, que é o desfazimento do golpe. Mas isso é típico deste discurso, que mobiliza a acusação de "dividir a esquerda" contra quem ousa criticar o líder e, enquanto isso, bate à vontade em companheiros com outras posições. Como se a união da esquerda significasse, na prática, a adesão cega e automática às posições de Lula.

O eixo principal, porém, é o possibilismo raso. A velha máxima conservadora "a política é a arte do possível" é assumida acriticamente, sem se questionar como se produz, em cada situação histórica, este "possível" e sem lembrar que a tarefa da esquerda sempre foi estender os seus limites.

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Folha derrapa entre conceitos e feitos, por Luis Felipe Miguel

Folha derrapa entre conceitos e feitos

por Luis Felipe Miguel

A Folha dá outra manchete para os surveys de seu instituto de pesquisa e observa um crescimento da "esquerda" na população brasileira. O resultado é baseado em índice criado a partir das respostas a 16 perguntas. É de esquerda, por exemplo, quem responde que a pobreza "está ligada à falta de oportunidades iguais". A resposta da direita é que a pobreza "está ligada à preguiça de pessoas que não querem trabalhar". A resposta de que a pobreza é consequência de desequilíbrios estruturais do capitalismo não é uma alternativa.

Questões sobre economia, sobre direitos e sobre valores são misturadas livremente. Foi considerado de direita quem concordou com a afirmação "quanto menos eu depender do governo, melhor será minha vida", interpretada como uma oposição aos programas sociais. Mas quem discordaria dela, sabendo que os benefícios recebidos do Estado podem a qualquer momento ser ameaçados por algum governo golpista? Melhor não depender mesmo.

Em suma, a pesquisa é um planetário dos erros metodológicos e da ingenuidade epistemológica que caracteriza grande parte dos surveys e da construção de índices, algo sobre o qual falei outro dia. Creio que seu valor como perscrutação das posições "ideológicas" (posição no eixo esquerda-direita não é "ideologia", mas essa é outra discussão) dos brasileiros tende a zero.

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Algo acontece no reino da Lava Jato, por Luis Felipe Miguel

Algo acontece no reino da Lava Jato

por Luis Felipe Miguel

O fato político mais importante de ontem não foi o discurso com as bravatas de Michel Temer, que simplesmente seguiu o script. Foi a decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, revertendo o veredito de Sergio Moro e absolvendo João Vaccari.

Quatro elementos tornam a decisão memorável. Primeiro, Vaccari não é personagem secundária da história. Se a Lava Jato tem apenas um alvo prioritário, que é o ex-presidente Lula, Vaccari certamente vem logo depois, no segundo batalhão. Trata-se de um revés importante para Moro, ainda mais porque (e este é o segundo elemento) a condenação anulada é a mais pesada das cinco que o juiz do PSDB paranaense aplicou a Vaccari.

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