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Formação História - UFRGS

CONTEÚDOS DO USUÁRIO

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A Era da Desumanidade, por Fernando Horta

A Era da Desumanidade

por Fernando Horta

Uma das mais sórdidas ferramentas que o ser humano tem contra outro é a desumanização.

Toda a nossa sociedade foi erigida dentro da perspectiva que somos todos humanos. Todos oriundos dos mesmos descendentes. Todos feitos da mesma matéria, com mesmos cromossomos e – depois do século XVIII – admitimos que temos todos os mesmos direitos. Não vou fingir que desconheço a realidade, ou a luta que houve para que os pressupostos humanistas do século XVIII viessem a se transformar nos “Direitos Humanos”. Não vou desaver toda a luta atual para incrementar e defender a humanidade no século XXI. É claro que no mundo real as pessoas não são iguais. Nem no nascimento e em nenhum momento deste caminho até a morte. Mas a pergunta é: deixam de ser humanas?

A desumanização do outro é uma ferramenta comum do ser humano. Normalmente, colocamos pessoas dentro de substantivos coletivos e adjetivamos de forma pejorativa: corja, bando, cambada e por aí vai ... usamos adjetivos substantivados como os terroristas, os aproveitadores, as putas, os canalhas ... Usamos neologismos com o mesmo efeito, as bixas, os lgbt, os petralhas, os evanjegues ... A língua desumaniza antes que os olhos possam verificar o que, de fato, é aquilo.

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Uma solução, por Fernando Horta

Uma solução

por Fernando Horta

O pensamento conservador nunca teve apelo para as massas. Sempre precisou de um veículo no qual imbutido conseguia tornar-se palatável para aqueles – maioria – que não recebem do mundo material nenhum indicativo de facilidade e nenhuma ideia de melhora para sua vida. Há uma maioria de pessoas para as quais as benesses do capitalismo nunca chegaram e nunca chegarão. Qualquer ideal conservador (que procura manter as coisas como estão) não atende, pois, minimamente os interesses deste grupo.

Daí que sempre o Estado precisa de uma força coercitiva física. Para lidar com os descontentes de forma direta. Tanto maior é este aparato quanto maior a diferenciação social de um país ou de um local. Se a polícia gasta em spray de pimenta, bala de borracha e cacetete, fica claro que não é uma policia contra o criminoso que está em oposição à lei. É uma polícia contra o cidadão que quer mudança política. Está em oposição ao grupo que governa.

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Precisamos falar da direita, por Fernando Horta

Precisamos falar da direita

por Fernando Horta

Há quem diga que não existe direita ou esquerda no Brasil. Eu discordo.

Há quem diga que não há mais diferença entre direita e esquerda no mundo. E eu, também, discordo.

Mesmo que as coisas tenham se tornado muito mais complexas no final do século XX e início do XXI do que no XIX ou início do XX, ainda é possível diferenciar direita e esquerda pelo antagonismo mais básico da economia: trabalho e capital. Aqueles que valoram o trabalho de forma mais essencial que o capital se colocam no que chamamos de “esquerda”. Os que valoram o capital acima do trabalho ficam à direita.

É claro que existe um termo-médio aí. Difícil de definir, mas ele existe. E é também evidente que não se pode derivar todo um conjunto de valores apenas destas percepções. Daí que podemos ter uma direita ecológica, que prega sustentabilidade, assim como podemos ter uma esquerda que aceite e nutra algum respeito pelo “mercado”. Podemos ter uma esquerda reformista e uma direita que quer romper com o status quo (as coisas como estão). Claro que querem romper para trazer mais à direita, mas não deixa de ser uma defesa de rupturas ... não digo “revolução” porque guardo este termo em especial lugar ... especialmente nos Cem Anos da Revolução Russa.

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Sem rumo, por Fernando Horta

Sem rumo

por Fernando Horta

Entre 2013 e 2016 parece ter se consolidado no Brasil a ideia de que nada estava certo. Nem social, nem economicamente. Também nada certo politicamente ... enfim, tudo – absolutamente tudo – estava errado. Surgiram propostas de reformas qualquer assunto. Dilma mesmo se elegeu com propostas de reformas políticas, tributárias e etc. A FIESP tinha outro grupo de propostas, e praticamente todo agente político do país também tinha. Curiosamente, apenas o judiciário e a mídia não entraram neste “desarranjo consensual”. Não havia proposta para estes grupos, e isto é uma boa dica sobre de onde partiram as ideias de que tudo estava errado.

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A Globo, os militares e a psicologia reversa, por Fernando Horta

A Globo, os militares e a psicologia reversa

por Fernando Horta

É preciso sempre atentar para os contextos. As palavras, os sentidos dependem totalmente dos contextos e é um erro muito comum tomarmos os discursos fora do seu tempo, dos seus agentes ou sem compreendermos completamente os momentos em que foram proferidos. Há uma semana o Brasil voltou a ter pesadelos, deitado em seu berço esplêndido. Como o trauma da noite de 21 anos não fora propriamente tratado, os assombros continuam. Ocorre que a causa do medo não está sendo corretamente detectada.

O General Mourão deve ter seus méritos para ter chegado ao generalato. O sobrenome inspira cuidados, mas o comandante o chamou de “bom soldado” e “gauchão”. Para quem não conhece os meandros do Exército as falas do general Villas Boas na entrevista para a Globo podem ser mal interpretadas. Chamar um general de “soldado” é um imenso elogio. Um elogio que remonta às lendas espartanas, quando comandantes se ombreavam aos soldados nos campos de batalha, diferindo destes pela sua maior técnica. O próprio patrono do Exército, o Duque de Caxias, se dizia sempre, “um soldado, apenas”. É uma espécie de humildade verde-oliva. É claro que o general continua comendo com os oficiais (onde a comida é muito melhor) e os soldados na cantina dos soldados. Mas Villas Boas ao chamar Mourão de “bom soldado” diz, com todas as letras, que ele tem algum apoio da tropa.

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Save the Amazon, por Fernando Horta

Foto CIMI

Save the Amazon

por Fernando Horta

Desde 1500 já tivemos mais de uma centena de projetos para a Amazônia. Desde apenas exploratórios, usando o extrato das seringueiras, explorando plantas nativas, a diversidade biológica, depois ecológica, os minerais, até, mais recentemente, a bioexploração, em que tentamos que o mundo pagasse royalties do que fosse produzido a partir de extratos biológicos da região. Na Rio 92, talvez uma das poucas inciativas do governo Collor que valha a pena mencionar, a ideia não vingou pelo veto de um único país. Um doce se você souber qual foi.

Depois, tivemos projetos desenvolvimentistas, como a compra do Acre, a construção da ferrovia Madeira-Mamoré, a Belém-Brasília, o projeto militar de “integrar para não entregar” com a TransAmazônica, a Zona Franca de Manaus, chegando até Belo Monte nos governos progressistas. Além destes, temos os projetos de defesa e militares que começam desde a criação do Estado do Grão Pará (1751), até os projetos Calha Norte (1985) e SIVAM.

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Um pequeno erro, um grande estrago, por Fernando Horta

Um pequeno erro, um grande estrago

por Fernando Horta

Thomas Hobbes (1588-1679), apesar do que se anda dizendo nos últimos tempos, não era comunista. Não era “coletivista” (seja lá o que isto significar), não era vermelho, não “matou 20 bilhões (SIC) de pessoas”, não era amigo do “Mao”, do “Pol Pot” ou do Stalin. Também não teve seus livros editados “em conluio com o MEC”, não defendia a pedofilia, tampouco o “feminismo ditatorial”. Não visitou o Fidel, nem militou ao lado de Simone de Beauvoir “contra a família e os bons costumes”. Talvez, dito tudo isto, possamos acordar que Thomas Hobbes é uma boa fonte para pensarmos política. Ou para começarmos a pensar política.

Hobbes não chamou o Estado de “Leviatã” à toa. O Leviatã era um dos demônios que povoavam o imaginário herdado da medievalidade. Um demônio das águas que tinha a propriedade de se tornar maior sempre que engolia algo. Terminaria, por óbvio, numa condição de ter absorvido a tudo e a todos. Inescapavelmente. A este “mal” insuperável, Hobbes opunha uma situação ainda mais desesperadora. Fora do Estado o homem existiria em seu “Estado de Natureza”. Uma forma animalesca de vida que apenas os impulsos mais primais seriam dados a convidar ações. Alimentação, reprodução e, acima de tudo, sobrevivência impeliriam o homem em suas decisões. Este “Estado de Natureza” não permitiria a construção de uma sociedade, eis que ele seria resultado da “máxima liberdade humana possível”. Sem leis, sem regras sociais, sem relações de subordinação o homem gozaria do maior espaço de ação possível, com as mínimas restrições apenas de caráter físico.

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Cegos, Surdos e Loucos, por Fernando Horta

Cegos, Surdos e Loucos, por Fernando Horta

No primeiro semestre da faculdade de História, na saudosa UFRGS, tive a oportunidade de cursar uma disciplina que era geralmente direcionada aos alunos com mais bagagem: História da Cultura Ocidental. Por algum motivo, naquele ano ela não tinha pré-requisito e lá foi aquele rapaz recém-saído do segundo grau a assistir aulas sobre “cultura”, “ocidental” ... em forma de “história”. Logo de início, o falecido professor Luiz Roberto Lopez deixou clara sua preferência por uma disciplina “visual”. Haveria textos, claro e todos estavam já no “xerox”, mas em cada aula o professor iria despejar de 150 a 200 slides de sua monstruosa e belíssima coleção. Leia mais »

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Cabo de Guerra, por Fernando Horta

Foto: Agência Brasil

Há muito venho defendendo que o STF não agiu para barrar o golpe porque estava cindido. Alguns ministros eram francamente contra o golpe e queriam tirar Eduardo Cunha antes da votação, outros eram favoráveis ao golpe e deixaram a coisa acontecer. Como nenhum dos ministros quis levar a discussão para dentro do STF – e expor a vilania da corte – a cisão levou à inação e a inação ao golpe. A entrevista de Marco Aurélio dizendo da sua animosidade “muito acima do normal” para com Gilmar Mendes é mais um capítulo desta cizânia. Acredito que não seja somente Marco Aurélio a se sentir “desconfortável” com Gilmar Mendes. Uma parcela significativa da população brasileira sente o mesmo.

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Festim e catchup, por Fernando Horta

Festim e catchup, por Fernando Horta

Existe um tipo de cinema que é cultuado pelo inverso. Nos filmes de estilo “trash” o mais absurdo, mais inverossímil, mais amador convencido de grandiosidade leva os maiores aplausos. Pois o Brasil, e em especial a PGR, passaram, e muito, deste ponto. A operação abafa está completa. Se tudo o que a PGR dispõe são os áudios circulantes, Janot acaba de forçar até o mais legalista e justo ministro do STF a anular todas as delações e ilações feitas pela equipe de Brasília. Na realidade TODO o instituto da delação premiada se mostrou indecente e inútil para a prestação jurisdicional correta, mas como todos sabemos, manobras linguísticas serão usadas para manter a espúria perseguição a Lula e salvar todos os outros.

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De volta para o futuro, por Fernando Horta

De volta para o futuro, por Fernando Horta

Uma das estratégias usada pelos norte-americanos para combater a URSS, durante a Guerra Fria, foram os chamados “conflitos de baixa intensidade”. Após o desenvolvimento pelos soviéticos de armas nucleares e de mísseis para lançar tais armas (ICBM’s), lutar na Guerra Fria tornava-se muito perigoso e com custos muito altos. Desde o final da década de 60 até o início da de 80, os EUA optaram por criar uma série de conflitos pequenos, geograficamente delimitados e normalmente lutados pelas forças militares da região (Indochina, América Central, África, Ásia Ocidental), mas com o auxílio técnico e armamentista dos EUA, para embaraçar a URSS.

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Cria corvos..., por Fernando Horta

Cria corvos..., por Fernando Horta

Há um ano se dava o famigerado golpe na democracia brasileira. Creio que já podemos avançar sobre a antiga discussão que indagava se houve golpe ou não. Temer e seu grupo de criminosos organizados na política brasileira fizeram esta discussão não ser mais necessária. Mesmo quem apoiou a farsa do impeachment, seja por ignorância, ódio ou esperança de que algo melhorasse, hoje já forma fileiras contra a máfia que cortou as amarras que lhe impunha Dilma Rousseff, para transformar o Brasil numa quitanda. Vende-se tudo, desde que no pagamento estejam incluídos votos para salvamento dos – hoje já – notórios corruptos que assaltaram o poder.

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Perdemos, por Fernando Horta

Perdemos, por Fernando Horta

Tenho inúmeros amigos que foram meus alunos em alguns momentos. Hoje, não canso de aprender com eles. Em 2014, quando a loucura social ainda estava começando no Brasil, iniciou-se uma discussão na página de um destes meus amigos ex-alunos. Os interlocutores eram de uma ignorância abissal e rapidamente levaram a discussão para o chão. Terminou que eu perdi a calma e abri a caixa de ferramentas linguísticas que estava guardada no esgoto. Imediatamente este meu amigo interveio e disse: “Perdemos”, “Perdemos Fernando, eles nos levaram onde queriam, estamos trocando racionalidade por fígado, pensamento por ódio.” Pois deixem-me devolver esta pérola para a atualidade: “Perdemos”. Nós da esquerda perdemos.

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Rafael Braga, por Fernando Horta

Rafael Braga, por Fernando Horta

Pensei em escrever um texto sobre a pobreza do nosso sistema jurídico. Sobre as milhares de pessoas (quase 40% dos presos no Brasil) que estão empilhados nas prisões de forma "provisória".

Pensei em escrever sobre a tal "política anti-drogas", que de "anti-drogas" não tem nada. Enquanto voa helicóptero com meia tonelada de pasta-base de cocaína e juíza proíbe que se fale no tema, é a população negra e pobre deste país que padece, presa por quaisquer gramas de cocaína ou maconha. Quando não plantadas por policiais.

Pensei em falar no absurdo da súmula 70, no Rio de Janeiro. Que dá a qualquer Policial Militar a condição de ser acreditado piamente em processo penal. Seu "testemunho" é verdade nos autos. E assim se prende a juventude da periferia da cidade. Assim se justificam mortes nas mãos covardes de assassinos de farda.

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Liberdade para quem, cara-pálida?, por Fernando Horta

Uma das mais bem documentadas (e romanceadas) histórias de choques culturais é a ocorrida nos EUA, entre os homens brancos ocidentais e os nativos indígenas. Desde Dee Brown e seu famoso “Enterre meu coração na ‘Wounded Knee’”, até as obras recentes de Roxanne Dunbar-Ortiz muito já se agregou à discussão sobre a história indígena dos EUA. O termo “paleface” (cara pálida para nós), entretanto, continua simbólico do choque entre duas culturas que não compartilhavam sequer dos conceitos mais básicos. Sempre que se usa “cara pálida” numa conversa está se reportando ao que a Antropologia chama de “estranhamento”. No momento em que duas pessoas travam contato e seus padrões culturais e linguísticos não conseguem achar ponto de convergência tem-se o “estranhamento”.

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