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Formação História - UFRGS

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Rezaram a missa sem o corpo presente

“A explosão de vontade popular que o Partido dos Trabalhadores prometia ficou apenas na vontade. (...) Lula ficou muito aquém da expectativa. Esse malogro relativo complica bastante o futuro dessa legenda; se todo o carisma do líder metalúrgico não lhe trouxe o suporte que se esperava em São Paulo, como será a organização nos demais estados, onde não há Lulas disponíveis?”

O texto acima foi veiculado na Folha de São Paulo no dia 16 de novembro de 1982. Lula ficou em terceiro colocado, com pouco mais de 10% para o governo do estado. O PT fez 8 deputados federais e 12 estaduais no Brasil inteiro. Nenhum governador, nenhum senador. Os comentaristas políticos afirmavam que seria uma legenda “natimorta”. Se em dois anos que teve para se organizar o PT não tinha colhido bons frutos, a verdade é que nada ali indicava – segundo a mídia – que o partido “vingaria”. Leia mais »

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A economia brasileira estrangulada, por Fernando Horta

A economia brasileira estrangulada

por Fernando Horta

Não existe meio espontâneo de redistribuição de renda no capitalismo.

Anote esta frase aí, ela é oriunda das teorias críticas do século XIX e foi retomada no final do século XX e XXI com a falência das teorias neoliberais. Mas guarde ela aí que nós vamos chegar a ela mais tarde.

Durante a ditadura civil-militar (1964-1985), uma das mais perversas características econômicas do período foi a concentração brutal de renda feita pelos grupos mais ricos. Este conceito “concentração de renda” é sempre mais fácil de se compreender de forma estática. Num determinado momento, faz-se um estudo dos valores apropriados pelos diversos grupos sociais do montante da renda nacional. Ali se tem uma fotografia da distribuição de renda no país. É muito mais difícil, entretanto, reconhecer os processos pelos quais a renda é apropriada. Os canais que levam a esvaziar os bolsos dos mais pobres e encher os cofres dos mais ricos são escondidos em discursos suaves.

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Um lugar chamado Brasil, por Fernando Horta

Imagem: Fotos Públicas

Eu tenho um amigo que afirma, faz tempo, que o Brasil não é um país. O Brasil é um lugar. Um lugar aprazível, é verdade. Com praias, temperaturas amenas, lindas serras, muita natureza, diversidade geográfica, ecológica, étnica ... Um lugar até encantador, precisamos reconhecer. Mas a verdade é que não somos um país. Quando falam em “nosso país” existe uma diferença sutil no termo “nosso”. O “nosso” quando dito por quem tem um sentido coletivo é um nosso abstrato. Um nosso que quer dizer que não é de ninguém. E mesmo sem ser de ninguém é de todos. É um nosso que não aceita divisão. Um nosso que acredita que sempre cabe mais gente, gente diferente, gente igual, ... gente.

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E o general falou... por Fernando Horta

E o general falou...

por Fernando Horta

Eduardo Dias da Costa Villas Bôas é um grande acerto de Dilma, e só engrandece o país.

Uma vez, atendendo a um encontro no Itamaraty, tive a oportunidade de ouvir alguns dos mais importantes tomadores de decisão em Política Externa no Brasil. A certa altura do encontro, um coronel do exército brasileiro tomou a palavra e começou a falar em “dever”, “pátria”, “ideologia”, “esquerdismo”, “Venezuela” e terminava ligando “movimentos sociais” a “baderna”. Me recordo que a fala do coronel tornou a sala em que ocorria o evento, por alguns minutos, nauseabunda. Acredito que o mesmo discurso, hoje no Itamaraty, seria efusivamente aplaudido. Naquele encontro, em 2013, o breve, mas barulhento silêncio que seguiu ao coronel, foi cortado por um embaixador que disse textualmente: “Coronel, nós, democratas latino-americanos, quando vemos uma pessoa de uniforme, com este óculos “Top Gun” que o senhor tem no bolso, falar em “dever”, “ideologia” e “pátria” na mesma frase, nós temos um calafrio”. A fala do embaixador não apenas devolveu ao ambiente dinâmica como constrangeu o coronel de forma direta. O riso, mesmo contido, que tomou conta do salão ajudou a tornar o momento menos duro.

Nesta quinta feita (22), Villas Boas esteve no senado para falar sobre Relações Exteriores e Defesa Nacional. E o general não usou nenhuma das palavras acima, não usou clichês característicos das falas de oficiais mal preparados e deu um tremendo exemplo de um militar com alta capacidade analítica. O general usou conceitos como “identidade”, “imperialismo”, “anacronismo” e voltou a criticar o governo declarando que o Brasil está “à deriva, sem rumo”. O conhecimento do general a respeito de algumas questões teóricas de História impressiona tanto quanto suas posições a respeito do Brasil atual. Não me pegaria de surpresa se o comandante das forças armadas fosse substituído por Temer, pois claramente há um fosso entre o “ministério de notáveis” que cercam o vice-presidente e Villas Boas.

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Teleguiados sim, ingênuos não, por Fernando Horta

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Foto: Franco Bouly

Por Fernando Horta

Foi publicado pela Universidade de Oxford um estudo sobre a propaganda na rede feita no Brasil de 2013 até 2016. O autor é Daniel Arnaudo pesquisador da Universidade de Washington. O tema é ainda muito novo, grande parte das referências de Arnaudo ainda são jornalísticas, mas isto não tira a importância das informações contidas no documento.

Segundo o estudo, o Brasil tem uma população com quase 210 milhões de habitantes e apenas 26 milhões tem acesso regular à internet via computador. Isto poderia parecer pouco e jogar contra a tese de que a atuação nas redes sociais poderia influir na política brasileira. Ocorre que temos quase 250 milhões de celulares aptos ao uso da internet. Em qualquer ponto aberto estes aparelhos se conectam ainda que por um período de tempo curto e seus aplicativos fazem o resto. Neste sentido, privilegiam-se os textos em migalhas (curtos), memes e vindos locais (sites) previamente escolhidos. Apesar da imensa quantidade de fontes de informação na internet, estes 250 milhões de celulares buscam nos mesmos espaços, previamente delimitado, suas informações. Não há busca, não há pesquisa, não há diversidade. É quase um público cativo de determinados fóruns e sítios.

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Por que Temer não cai?, por Fernando Horta

Por que Temer não cai?

por Fernando Horta

A razão principal da manutenção de Michel Temer na presidência é Lula. Não é segredo que o ex-presidente apresenta boas chances de vencer eleições (em 2017 ou 2018) ainda no primeiro turno. Diante disto, a direita e a classe média anti-lula (que não diminuiu um centímetro) veem na figura rota e estropiada de Temer um escudo contra Lula. Houvesse uma chance real de um candidato da direita de disputar o pleito e, creio, Temer já teria sido propriamente defenestrado.

Só esta avaliação, entretanto, não é suficiente. Temer perdeu o apoio do capital, tem a Globo contra si, suas reformas impopulares colocam trabalhadores de diversos setores contra o vice-presidente, e tudo isto se manifesta bem nas pesquisas de opinião que dão-lhe entre 3 e 4% de aprovação – com margem de erro de 3 a 4%. Ou seja, o governo Temer é a margem de erro. Depois da decisão do General Villas Boas de desautorizar o uso das forças armadas não se pode dizer que o exército esteja sustentando o vice. Mesmo que Etchegoyen se encontre com a versão norte-americana do 007 (o espião midiático), colocando isto em sua agenda pública.

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O divórcio da política e do capital: o caso Temer, por Fernando Horta

O divórcio da política e do capital: o caso Temer

por Fernando Horta

Desde a década de 50 até a de 70 a CEPAL (Comissão Econômica para América Latina e Caribe) tem pensado o desenvolvimento econômico da região. Especialmente na década de 70 duas grandes correntes se formaram. A “Teoria da Dependência” (defendida por André Gunder Frank, Celso Furtado e outros) dizia que o problema da América Latina (e do Brasil) era “capitalismo demais”. Afirmava que nós funcionávamos como a periferia de um sistema centralizado nos países ricos. Este sistema tinha como base a condição de manter áreas periféricas pobres, carreando as riquezas para o centro do sistema. Assim, pela própria dinâmica do capitalismo, nós seríamos sempre “subdesenvolvidos”. A solução seria romper com o sistema centro-periferia, através de um vigoroso processo de industrialização que dependia da proteção de mercados e dos investimentos estatais.

De outro lado, se formou a chamada “Teoria do Capitalismo tardio” (defendida por Cardoso de Mello, Fernando Henrique Cardoso e outros) que dizia que o problema da América Latina (e do Brasil) seria “capitalismo de menos”. Como nossas estruturas se formaram a partir de sistemas de trabalho escravistas, semi-servis e relações espúrias entre donos de terra e o Estado, nunca havia se consolidado, de fato, o capitalismo no continente. Sem ocorrer uma ruptura entre os antigos sistemas econômicos e o capitalismo, portanto. O subdesenvolvimento seria, assim, uma falha histórica da região e não um efeito sistêmico, como dizia a “Teoria da Dependência”. A solução seria um “choque de capitalismo” em que se internalizasse uma industrialização baseada no capital privado com a plenitude do livre-mercado.

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Críticas, temperança e o Brasil de hoje, por Fernando Horta

No final da década de 70 e início da de 80, existia uma série chamada “Ilha da Fantasia”. Ricardo Montalban fazia o papel do “senhor Roarke”, o anfritrião de uma ilha-resort que tinha seus encantos e uma boa dose de filosofia. Auxiliando o Sr. Roarke, Hervé Villechaize fazia o papel de Tatoo, um simpático faz-tudo que, normalmente, trazia a história para a realidade. Enquanto Roarke era o pensamento mágico das coisas que aconteciam sem explicação, mas sempre com uma finalidade, Tatoo era o fechamento materialista. Como um condutor dos indivíduos novamente à sua realidade. Desta viagem, os diversos indivíduos que se submetiam, levavam como prêmio apenas o conhecimento, que era desvelado em algum diálogo próximo do fim.

Na Academia somos treinados para vivermos uma eterna viagem à Ilha da Fantasia. A partir de uma determinada base de conhecimento teórico, deixamos o pensamento alçar voo para, em seguida, tentar captura-lo dentro da realidade objetiva, a qual nos cabe viver e conviver. Nas últimas horas eu publiquei quatro textos sobre o mesmo tema. Minha posição é que os EUA não são o “cérebro” articulador por trás das vicissitudes brasileiras desde 2013. Veja que não digo que não colaborou, não digo que não tenha se beneficiado, não digo que não tenha efetivamente participado de alguma forma, não digo. Apenas questiono uma linha de interpretação histórica que remonta à Guerra Fria. No primeiro texto (http://jornalggn.com.br/blog/blogfernando/nao-foram-as-listras-nem-as-estrelas) apresento uma série de argumentos teóricos que fazem parte das críticas que a própria ciência Histórica vem fazendo sobre si mesma. No segundo texto (http://jornalggn.com.br/blog/blogfernando/texto-2-o-velho-senhor-do-pijama-listrado) apresento uma série de argumentos mais empíricos voltados especificamente contra o senso comum.

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S.A.L. Fernando Horta

S.A.L. Fernando Horta

O S.A.L Fernando Horta (Serviço de Atenção ao Leitor) usa este espaço para informar o que se segue:

Acima serão encontrados dois textos. O primeiro, com título "A culpa é das estrelas" deve ser lido pelas pessoas que têm certeza de que os EUA são o principal agente nos fatos que assolam o Brasil desde 2013. O segundo texto, com título "O velho senhor do pijama listrado" deve ser lido por aqueles que têm dúvida.

Informamos que a leitura do texto não direcionado para o seu caso pode provocar vertigens, um certo desconforto e ira. Estes sentimentos podem vir a se tornar mais e mais fortes terminando com palavras ríspidas ou mesmo ódio latente pelo autor. O autor, desde já, informa que entende e que perdoa os nobres leitores. Já pede desculpas antecipadas pelos eventuais sentimentos em caso de descumprimento das indicações acima.

Grato.

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Texto 2 - O velho senhor do pijama listrado, por Fernando Horta

Texto 2 - O velho senhor do pijama listrado, por Fernando Horta

Em 2008, o prejuízo mensurado pela crise financeira foi de US$ 22 trilhões apenas nos EUA. Quando o mundo tentava sair da imensa crise, em 2010 houve a crise da dívida da zona do Euro. O comércio mundial teve um refluxo de quase 40% em valor.  O preço médio da gasolina no varejo norte-americano no período, que estava a US$ a 4,12 em junho, chegou a US$1,61 em novembro de 2008, para se estabilizar em US$2,86 até 2010. O desemprego nos EUA que estava na ordem de 5 a 6% em 2007, atinge 10% em 2008 e se mantem no patamar acima de 8% até 2012. Para piorar a crise econômica norte-americana, a dívida interna fez com que entre setembro e outubro de 2013 ocorresse o “shutdown” da máquina pública. Por 16 dias o governo dos EUA deixou de pagar salários e pensões a todos os funcionários públicos, em todo o país e no exterior. A situação só é contornada com a votação do aumento do teto da dívida pelo congresso no final de outubro.

A maioria dos analistas internacionais e historiadores concordam que a hegemonia política e econômica mundial exercida pelos EUA está em declínio. Não apenas pela percepção de que “nenhum império é eterno”, mas também pelo fato de que, nos últimos anos, uma série de escolhas mal pensadas colocou os EUA em situação delicada. Desde o atentado ao World Trade Center, em 2001, os norte-americanos vêm ignorando organismos internacionais, tornando as suas ações cada vez mais custosas no cenário mundial. As coligações contra o Iraque, contra o Afeganistão, Líbia e Síria promoveram não apenas um desgaste político, mas também um monumental aumento nos déficits internos. Até 2014 estimativas davam conta de que os EUA teriam gasto quase 4 trilhões de dólares com as campanhas militares, com um custo diário de mais de US$ 200 milhões de dólares.

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Texto 1 - A culpa é das estrelas, por Fernando Horta

Texto 1 - A culpa é das estrelas, por Fernando Horta

Em 2008, o prejuízo mensurado pela crise financeira foi de US$ 22 trilhões apenas nos EUA. Quando o mundo tentava sair da imensa crise, em 2010 houve a crise da dívida da zona do Euro. O comércio mundial teve um refluxo de quase 40% em valor. O preço médio da gasolina no varejo norte-americano no período, que estava a US$ a 4,12 em junho, chegou a US$1,61 em novembro para se estabilizar em US$2,86 até 2010. O desemprego nos EUA que estava na ordem de 5 a 6% em 2007 atinge 10% em 2008 e se mantem no patamar acima de 8% até 2012. Para piorar a crise econômica norte-americana, a crise da dívida interna fez com que entre setembro e outubro de 2013 tivesse ocorrido o “shutdown” da máquina pública. Por 16 dias o governo deixou de pagar salários e pensões a todos os funcionários públicos em todo o país e no exterior. A situação só é contornada com a votação do aumento do teto da dívida pelo congresso no final de outubro.

Toda esta situação leva a percepção estratégica dos EUA a posições mais conservadoras com relação à concorrência internacional e ao mercado de hidrocarbonetos. Os EUA mantinham através da NSA (National Security Agency) um programa de arapongagem mundial sobre toda comunicação que pudesse ser captada por redes ou satélites. O início do programa é em 2001 tendo como desculpa a luta contra o terrorismo. Apenas em 2013 que Edward Snowden revela ao mundo a situação. A rede BBC publicou que a espionagem sobre o Brasil teria começado em 2011 (ou antes, segundo o jornal) e que estaria focada na presidenta, em seus assessores mais próximos e em pessoas do alto escalão da Petrobrás. O propósito econômico e político foi denunciado por Dilma em duro discurso em setembro de 2013 na ONU, tendo a presidenta cancelado visita aos EUA.

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Não foram as listras nem as estrelas, por Fernando Horta

Não foram as listras nem as estrelas, por Fernando Horta

É preciso ter cuidado ao pesar o papel dos EUA nos acontecimentos brasileiros desde 2013. Não estou entre os que creem que os Estados Unidos estão na base da articulação política que levou ao golpe de 2016. Penso que existem quatro grandes motivos para minha dúvida:

1)      Em primeiro lugar há que se tomar cuidado com a geopolítica. Ela costuma “provar” aquilo que queremos que ela prove. São tantas variáveis, tantos atores e tantas generalizações que podem ser feitas, que quase tudo pode ser sustentado. É claro que um país do tamanho político internacional dos EUA tem interesses em todos os lugares do mundo. Durante a Guerra Fria, por exemplo, os Democratas requeriam recursos ao parlamento para “defender os interesses” em todas as partes do mundo, “mantendo vigilância e possibilidade de agir”. Os Republicanos diziam que “apesar dos EUA serem uma nação grande e potente, ela não pretende tomar a função de Deus” já que observar e agir sobre todo o globo seria uma função apenas d'Ele. Esta pequena anedota serve para mostrar que é controverso o uso do termo “EUA” como um ator unitário.

É claro, que dentre as áreas que democratas e republicanos concordam que sejam de interesse dos EUA estão as com petróleo. O pré-sal é sim de interesse e poderia ensejar uma ação norte-americana. Entretanto, a capacidade econômica e comercial deles é tão superior à do Brasil que é mais barato para eles pagarem os dólares que o Brasil pede e tomar o controle do petróleo na forma estabelecida pelo Brasil. Talvez a entrada da Petrobrás no mercado norte-americano com a compra de Pasadena, mais o protagonismo brasileiro no Porto de Mariel, pudesse representar um incômodo maior aos “irmãos do norte” do que o pré-sal propriamente dito. Mas aqui, de novo, não há nada efetivamente claro nem concreto.

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Foucault, você e Temer, por Fernando Horta

Foucault, você e Temer

por Fernando Horta

Na década de sessenta e setenta, Michel Foucault revolucionou diversas áreas das ciências sociais. Existem, inúmeras noções e conceitos criados pelo pensador francês que poderiam ser citados aqui, me interessa a noção de poder.

Até Foucault, a ideia de Poder parecia um atributo concreto, mensurável. Diversas teorias foram formuladas para medir o “poder”, seja ligando com capital, ou com outros recursos materiais (como armas, tecnologia, população e etc.), o Poder era, portanto, algo quase palpável. Havia a possibilidade de “tomar” o poder, “manter” o poder, “aumentar” o poder, “perder” o poder ... quase como uma caixa, um anel, um pergaminho ...

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Ética, Moral e o julgamento no TSE, por Fernando Horta

Ética, Moral e o julgamento no TSE

por Fernando Horta

No momento que escrevo estas linhas o julgamento da chapa Dilma-Temer no TSE está empatado em 3 a 3 e Gilmar Mendes terá o voto final. Em março de 2015, a relatora Maria Thereza de Assis Moura havia arquivado a “coisa para encher o saco” que Aécio e o PSDB haviam entrado contra Dilma. Naquele momento Gilmar Mendes lutou para que se reconhecessem os “fatos” sobre “irregularidades de pagamento, por parte da campanha, a empresas supostamente fantasmas”. Gilmar parecia convencido de algo, de forma muito forte. O que era, entretanto, podemos apenas sondar.

A filosofia básica nos ensina a diferença entre moral e ética. Ética vem do termo grego “éthos” que significa comportamento, costumes. O “éthos” é a forma como nos portamos na vida, na nossa materialidade cotidiana. Existem “éthos” coletivos, próprios de determinados tempos, regiões, populações, grupos específicos e etc. A ética, portanto, é a parte visível do comportamento das pessoas, grupos ou instituições no tempo. Podemos falar de uma “ética da máfia”, uma “ética do PCC” assim como a “ética judaico-cristã”. Cada termo significa um determinado conjunto de valores. A máfia, por exemplo, não aceitava que se matassem mulheres e crianças. O PCC não aceita conviver com estupradores, agressores de mulheres ou crianças. A ética “judaico cristã” é formada essencialmente por dez mandamentos recebidos, segundo a tradição, pelo profeta Moisés no monte Sinai.

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Esqueletos no armário, por Fernando Horta

 

Esqueletos no armário, por Fernando Horta

A verdade é que tem muita gente falando pelo Exército. O senador símbolo do governo Temer, Romero Jucá, foi gravado dizendo que “estava conversando com comandantes militares” e que eles “dizem que vão segurar”. E nada mais lhe foi perguntado, colocando uma enorme dúvida na cabeça de todo cidadão brasileiro sobre quem disse e sobre segurar o quê? A falta de interpelação do próprio senado às falas de Jucá mostra o quanto o Brasil ainda é um país cujas instituições de poder atuam nas sombras, longe do olhar claro do cidadão.

Ao assumir, Temer nomeia o simbólico general Sérgio Etchegoyen para o “estratégico” cargo da GSI (Gabinete de Segurança Institucional que comanda a ABIN) e os relatos em Brasília dão conta de uma perseguição sem igual, usando-se meios físicos e digitais, sobre funcionários de carreira que haviam servido no governo Dilma. Muitas pessoas tiveram suas vidas devassadas, foram removidas abruptamente de seus locais e foram até vigiadas por suas “supostas conexões”. O General já havia protagonizado momentos tristes de destempero ao atacar a Comissão da Verdade que declarou o pai do general (o também general Leo Etchegoyen) “responsável por violações de direitos humanos durante a ditadura”.

Em 2015, o General Mourão (outro nome que desperta desconforto), do comando militar do Sul, premia o torturador Ustra e pede o “despertar de uma luta patriótica”, defendendo a ditadura. Segundo o “brilhante” general o termo “período autoritário” usado para identificar o momento entre 64 e 85 estaria errado. Mourão foi imediatamente afastado pelo comandante do exército. Na prática diz-se que Mourão foi “promovido”, eis que foi para Brasília, mas a verdade é que o comandante do exército recomendou que declarações como esta “fossem evitadas por todos”.

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