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Troca de comando e autonomia da PF são factoides da Folha, por Armando Coelho Neto

Troca de comando e autonomia da PF são factoides da Folha

por Armando Rodrigues Coelho Neto

Os ataques à Presidenta Dilma Rousseff por parte dos delegados da PF deixaram claro o alinhamento ideológico daquela categoria. Sem filtros ou escrúpulos aderiram ao discurso falso moralista, seja por ignorância ou má fé. Ignorância por conta do expressivo contingente de desinformados, muitos dos quais afiados em leis, repletos de diplomas, fartos em arrogância, mas com conhecimento zero da história do Brasil. A propósito, não conhecem bem sequer a história da própria instituição a que servem. Esse contingente sequer lê Diário Oficial. Se o fizesse, saberia quem lhe deu salário, instrumentos legais e materiais para trabalhar. A má fé fica por conta daqueles que sabendo de tudo isso, se entregaram à aventura golpista.

A PF está com a credibilidade arranhada e os mais recentes ministros da Justiça, quando conveniente, ignoram o eficiente papel instrumental dela como capitã do mato do golpe, via Farsa Jato. Preferem incensar, por medo, a Procuradoria da República - farta de convicções e contradições, que de forma direta ou indireta alimenta futrica eterna entre instituições.

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A sepultura de Temer, o exílio de Aécio e a prisão de Moro, por Armando Coelho Neto

A sepultura de Temer, o exílio de Aécio e a prisão de Moro

por Armando Rodrigues Coelho Neto

Vaidoso, safado, conspirador e ladrão tem sido alguns adjetivos com os quais o enigmático político Ciro Gomes tem presenteado o impostor Michel Temer. Às vezes, esses mimos vêm acompanhados da gentileza com a qual torcedores costumam agraciar juízes de futebol. Tudo, entretanto, muito aquém do abominável e indescritível que possa representar esse ser repudiado por 95% dos brasileiros. Das supostas falcatruas no porto de Santos às urdiduras nos bastidores do golpe, nada serve de perfil para definir um político que mandou “bilhetinho” para Dilma Rousseff, deixou vazar discurso de posse antes do golpe e hoje empenhado em defenestrar da história um partido que ousou enfrentar a miséria do País. Leia mais »

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Chapa Dilma-Temer. Guerra do Mestre das Águas contra Boitatá, por Armando Coelho Neto

Chapa Dilma-Temer. Guerra do Mestre das Águas contra Boitatá

por Armando Rodrigues Coelho Neto

Por curtíssimo período fui aluno do Herman Benjamin, na Escola Superior do Ministério Público, em São Paulo, durante breve pós-graduação. Li as primeiras páginas de sua obra Direito, Água e Vida, mas dei a ela melhor destino, quando a dei de presente a um estudante de Direito. Há tempos perdi a fé nos tribunais. Entre o Direito e a Justiça tenho preferido esta última. Perdi a fé no Direito e nas águas, sem demérito ao ilustre representante de Catolé do Rocha/PB, meu quase conterrâneo. Desconfiar dos tribunais é postura inexorável numa sociedade de R$ 1,99, Moros, Marinhos e Malafaias. Com propriedade, Marilena Chauí a trata como “aberração cognitiva” – e pouco importa o que ela queira dizer com isso!

Quando falo de fé, não me refiro às porandubas religiosas dos barnabés da Farsa Jato. Falo da perda na crença no pacto social de vida escrito na Constituição Federal. Obviamente, o espetáculo do tal “Mensalão” não foi o único fato determinante para perder a fé. Mas, foi definitivo para a percepção formal do casuísmo e contradições no caos jurídico do País (sob toque de mídia). Foi ali que o ex-ministro Joaquim Barbosa, içado à galeria dos heróis, abraçou a “Teoria do Domínio do Fato” para condenar ( sem provas) o ex-ministro José Dirceu. Ali e pelo menos ali, não havia provas contra Dirceu. Mas, predominou o domínio do fato sem que sequer se provasse o fato (troca de apoio, não se sabe a que).

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“Moro sabia”. Contradições da subjetividade do saber, por Armando Coelho Neto

“Moro sabia”. Contradições da subjetividade do saber

por Armando Rodrigues Coelho Neto

Por mais de três décadas servi à Polícia Federal. Entre as diversas atividades, estivemos à frente de uma delegacia, cujos agentes, sob nossa responsabilidade iam para as ruas com Ordens de Missão de nossa unidade. Conforme determinações, tinham o dever de realizar diligências x ou y. Em outras palavras, iam para as ruas em nome do que era correto, legal, escrito na ordem recebida. O resultado do trabalho deles era examinado por outros profissionais. Estes, por sua vez, frente a um trabalho em aparente conformidade da lei, emitiam pareceres que serviriam de suporte para emissão de certificados que eram assinado por pelo chefe da unidade. No caso, este escrevinhador. Isso significava, em muitas vezes, quase mil assinaturas.

Era humanamente impossível um único servidor entrar em pormenores das centenas de relatórios produzidos por aqueles agentes externos e internos, de forma que, se na origem, alguma ilegalidade fosse cometida no meio da rua não seria de nosso conhecimento. Desse modo, como regra, trabalhávamos todos “Em confiança”, partindo do princípio de que todos estavam trabalhando corretamente. Uma conferência por amostragem estava longe de evitar que falhas ocorressem - graves ou não. Para nossa felicidade, nada ocorreu que precisasse ser objeto de investigações, punições. De qualquer modo, convenhamos, não é a regra.

Imaginem, por exemplo, que um dos agentes resolvesse pedir ou exigir dinheiro em nosso nome para obter certificado? E se ele recebesse? E se ao receber ele abrisse uma conta no nome dele? E se ele próprio fizesse depósito e retiradas e dissesse que o dinheiro era para o chefe da delegacia? Indo mais longe, vamos presumir que ele tivesse uma agenda, fizesse retirada e anotasse como se fosse para o seu chefe? Indo mais longe, vamos supor que isso fosse uma prática corriqueira de muitos anos. Um chefe de delegacia, que mal conseguia analisar todos os processos, precisava assinar em confiança, teria condições de conhecer particularidades da vida do servidor corrupto?

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Que fossa precisa ser aberta para chamar o golpe de golpe?, por Armando Coelho Neto

Que fossa precisa ser aberta para chamar o golpe de golpe?

por Armando Rodrigues Coelho Neto

É redundante lembrar que o Congresso Nacional está acuado por denúncias. Ao que consta, só em 2014, a JBS teria beneficiado quase dois mil candidatos de 28 partidos, tendo sido decisiva na eleição de 167 deputados federais e 18 senadores ligados a vários partidos. Em igual sentido, aparecem os beneficiados pela Odebrecht. Ao sabor de mídia golpista e vazamentos criminosos, doações legais e ilegais ganham o mesmo tom criminoso e já não se sabe quem é quem. Em meio a tudo isso, há aqueles parlamentares objetivamente investigados e suspeitos, que de alguma forma tentam salvar a pele. Tentar salvar a pele, a essa altura, significa também obedecer a ordens da misteriosa cozinha do golpe. Quem recebeu dinheiro para votar assim ou assado tem que honrar o compromisso.

Em grau maior ainda de complexidade aparece o impostor Michel Temer. A qualquer momento, o traidor e usuário fajuto da Faixa Presidencial pode deixar o posto e sair direto para o presídio da Papuda. Questões econômicas, firulas legais, interpretações restritivas ou elásticas do ordenamento jurídico ainda seguram o golpista no arremedo presidencial. Mas, não apenas isso, pois até que outros alicerces sejam redesenhados, qualquer rompimento pode ter reflexos maiores na economia, já seriamente afetada pelo amadorismo politizado da Farsa Jato. Eis que o jogo já não transparece tão calculado quanto antes. As cartas não estariam tão bem marcadas quanto pareciam. É inegável que a nebulosa cozinha do golpe transformou Fora Temer em refém.

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Entre o Raiz e o Nutela, a saudade do Estadão da ditadura, por Armando Coelho Neto

Entre o Raiz e o Nutela, a saudade do Estadão da ditadura

por Armando Rodrigues Coelho Neto

Num editorial de 19 de Maio, o jornal Estadão veiculou editorial chamando a atenção para o grave momento da vida nacional, que vai entrar para a história “como aquele em que a irresponsabilidade e o oportunismo prevaleceram sobre o bom senso e sobre o interesse público”. A crítica diz respeito à “irresponsabilidade na divulgação de trecho pontual das gravações clandestinas feitas por Joesley Batista”. Condena quem o fez, por ignorar os reflexos na economia, repetindo advertência feita pelo jornalista Luis Nassif, neste GGN, nos primórdios da operação Carne Fraca. Crítica válida, aliás, para a devastação provocada pela Farsa Jato no cenário econômico nacional e internacional.

O jornal detona atitudes tomadas “por gente que julga ter a missão messiânica de purificar a política nacional”. Mas ignora a seu papel na Farsa Jato, quando os vazamentos foram e são convenientes e pouco importou a contribuição para “a instabilidade permanente, que trava a urgente recuperação do País e joga as instituições no torvelinho das incertezas – ambiente propício para aventureiros e salvadores da pátria”. Ora, ora! Está a reclamar de seu próprio papel na desestabilização no país, quando ajudou a criar no seio da opinião pública o clima propício para o golpe. Alheios a 54 milhões de votos, o Estadão e seus asseclas criaram o clima para “qualquer coisa menos Dilma/Lula/PT”. Hoje, o editorial quer fazer de “Michel Qualquer Coisa” uma vítima.

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Polícia Federal: nem cornetas nem trombetas, por Armando R. Coelho Neto

Polícia Federal: nem cornetas nem trombetas

por Armando Rodrigues Coelho Neto

Permitam-me entrar nos anais folclóricos da Polícia Federal. Contam-se lá pras antigas, nas eras do abafa e outras artimanhas, que um policial teria escrito um livro sobre a Polícia Federal. Ao que consta, escreveu durante anos e, por incrível que pareça, não o publicava por um detalhe insólito. Virou mexeu, entrevistados e pretensos leitores da obra questionavam – e o livro? Cadê o livro?. Ele sempre despistava, dizia estar fazendo ajustes, revisões, até que finalmente, sob muita pressão num bar, não muito sóbrio, confessou:

- O livro não sai por falta de título. Tentou explicar toda complexidade, variantes, conjunturas, medo de ofender, de ser processado. Sim! Policial Federal adora processar colega!.

Perplexo, o interlocutor redarguiu:  como não tem título? Por acaso teu livro fala de cornetas?

- Não, respondeu o escritor.

- Tua obra fala de trombetas?

- Não, disse taxativo.

- Então acabou o problema, disse o interlocutor. Acabas de encontrar um título para sua obra. Seu livro terá como título “Nem Cornetas, nem Trombetas”. O autor concordou, mas não se sabe bem se o livro foi publicado, se saiu ou não saiu, numa instituição na qual a memória não passa de falta de memória. Até a perpetuação de grandes feitos e ou personagens ilustres têm pouco estímulo e são armazenados no pouco visitado museu da Academia Nacional de Polícia, em Brasília.

Tenho uma missão ingrata: cutucar a memória de velhos policiais para alertar os novos, que não conheceram a instituição na idade da pedra. Tempos nos quais não havia sequer banheiro para as mulheres, em algumas unidades. Idos nos quais, era preciso pedir papel emprestado para a Receita Federal ou ao INSS. A troca de canetas BIC era feita com a apresentação do refil vazio e era comum recorrer ao uso de material apreendido - com ou sem autorização judicial.

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Até quarta-feira meu bem!, por Armando Rodrigues Coelho Neto

Até quarta-feira meu bem!, por Armando Rodrigues Coelho Neto

Não falo segundo quem. Não espere dessa fala grandes citações, mergulhos teóricos. Minha fala traz o empirismo de um observador perplexo, depois de uma tentativa de golpe contra uma democracia que tropeça no simples fato de tentar sê-la: pura e tão somente democracia.

Nesse afã de tentar ser, a esquálida democracia brasileira ensaiou distribuir migalhas aos mais carentes. Começou com um grito rouco e engasgado com o nome de Fome Zero e desaguou num programa social chamado de Bolsa Família. Não tardou a ser tratado de bolsa esmola, compra de votos e outros insultos, que partiram e partem de pessoas que acreditam que a corrupção é uma menina de apenas treze anos. Gente saudosa da ditadura militar e que, com 30 anos de atraso, descobriu o “panelaço argentino” e tenta desenterrar, com mais de 50 anos de atraso, a “Guerra Fria”. Aliás, o fazem quando o tabuleiro de xadrez mundial movem algumas pedras: Barack Obama já conversa com Cuba e o Papa Francisco lança olhar generoso sobre homossexuais e o “Padim Ciço”.

Nesse mover de tabuleiro, causa espécime que as pessoas que criticam a “esmola” são as mesmas que secularmente apoiou a cultura de exploração dos trabalhadores. A mesma cultura que criou os “pedintes” queixa-se de quem criou a “esmola”. Aliás, uma gente sufocada em contradições, que de tão mal informada chama o atual governo de esquerda, de comunista. A rigor, parecem não saber o que é comunismo ou querem ofender os comunistas. Algo assim como chamar Malafai e Cunha pelo nome de Jesus. Vai saber.

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A Lava Jato é como o papel higiênico rosa, por Armando Rodrigues Coelho Neto

A Lava Jato é como o papel higiênico rosa

por Armando Rodrigues Coelho Neto

Aconteceu na madrugada, dessas nas quais não se consegue muito bem explicar o dia seguinte. Sim. Gosto de escrever contando histórias do cotidiano ou fatos envolvendo pessoas que me pedem anonimato. São relatos que amenizam esse momento tenso de ódio, muito ódio.

Aconteceu. Eu disse. Era final de noite, e após estripulias alcoólicas e gastronômicas, o fulano foi parar na casa de amiga que conhecera de há pouco. Foi parar lá pras bandas de Higienópolis, região dita nobre onde mora o ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso, quando não está em Paris. Foi lá, perto do reduto do príncipe que ambos tiveram uma emergência fisiológica, quando o meu amigo precisou ir ao banheiro da empregada, já que o social (ou qualquer outro nome que queiram dar) estava ocupado pela dona da casa.

Eis que em meio da noite ele pergunta:

- O seu é de ouro?

Perplexa, respondeu gritantemente querendo saber o quê e o porquê.

Sem cerimônia, ele respondeu: o que significa essa lixa cor de rosa? Era uma referência ao papel higiênico disponível no banheiro reservado à empregada doméstica.

Pois bem. O papel higiênico rosa, que ainda não caiu de moda, faz parte da lista das incoerências da Casa Grande em sua guerra contra a Senzala. Como sociólogos e pensadores já explicaram a exaustão essas contradições, devo ser sintético nas lembranças. Sim, tínhamos elevadores sociais nos prédios, crianças meninas eram adotadas para serem empregadas domésticas e os meninos serviam como estafetas, babá de labradores ou auxiliares de caseiro de sítio.

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Da tapioca ao caviar, o golpe não vai passar, por Armando Rodrigues Coelho Neto

Da tapioca ao caviar, o golpe não vai passar

por Armando Rodrigues Coelho Neto

Nesse exato momento em que escrevo, sei que repórteres e pauteiros das emissoras de televisão da Suécia, já examinaram, examinam ou estão por examinar um documento intitulado “Till Ansvariga Nyhetsredaktioner SVT 1, SVT 2, SVT 4” (Aos Diretores de Redação dos Canais 1, 2 e 4). Trata-se de uma crítica às emissoras daquele país. A queixa é que eles estão reproduzindo, sem qualquer reflexão, o que vem sendo dito pela Rede Globo de Televisão. Quem assiste televisão na Suécia, ao conhecer a tradução, tem a nítida impressão de que se trata de um discurso de Eduardo Cunha como guardião da moral.

O documento, produzido por brasileiros, também repassado à imprensa escrita, adverte que os canais suecos estão “espalhando a notícia de que Dilma e Lula são corruptos” e que o correspondente sueco no Brasil estaria tomando partido ideológico, político, sobretudo da direita, ouvindo apenas um lado. O documento diz, como contraponto, em livre tradução do Google, que o Brasil de hoje, é exatamente, a imagem do filme “A outra mãe” (tradução que os suecos fizeram do filme “Que horas ela volta?”), uma obra “aplaudida pelo público sueco”, por mostrar um “Brasil cuja classe média sai da pobreza para uma vida melhor e, pela primeira vez, essa classe está nas universidades”.

O documento ou rascunho dele revela a dimensão da tentativa de golpe em curso. No truque mal feito dos magos, os meios de comunicação brasileiros cumprem o criminoso papel de preparar o povo a aceitar ilegalidades da na Lava Jato e o golpe. Dada por certa essa fase de sedução, a dita “grande mídia” tenta seduzir corações e mentes mundo afora. Não bastam Dilma e Lula serem odiados no Brasil. O mundo precisa odiá-los e a Suécia é um exemplo.

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José Dirceu: um sim nesse universo de não, por Armando Rodrigues Coelho Neto

José Dirceu: um sim nesse universo de não

por Armando Rodrigues Coelho Neto

É impossível dizer algo positivo sobre esse homem sem ser um pouco advogado do diabo. Para fazê-lo, preciso ser um esse quase diabo, o que na prática me levaria a ser um pouco corrupto. Pelo menos na visão dos que assim o tratam. Como não sou um Rui Barbosa, eis-me, pois, na condição de réu confesso, para melhor me qualificar como diabo. Única forma de dizer um sim nesse universo de não.

Por que? Sinto-me como cidadão obrigado por lei a seguir as regras de uma sociedade porca e corrupta. Sigo leis que não criei, não votei e sequer sei se são boas ou más. Em síntese, quero dizer que não alimento essa sociedade, e, de forma redundante, repito que  a ela não pertenço, senão por força de lei.

Nesse sentido, sou um ser errático. Apliquem ao termo errático o sentido que lhes for conveniente. O utilizado pelo Direito Internacional no tratamento das adversidades culturais e ou como novo ator na transnacionalidade das relações; ou no sentido de um ser irreverente, que ousa olhar para dentro de si e dos outros, muito além dos condicionamentos reducionistas e objetificadores. (Marcelo Luiz Pelizolli, Reconstrução da Subjetividade).

Sinto-me como se fosse obrigado a me ajoelhar diante de um padre, sem ser católico. Como se tivesse que gritar aleluia diante de um pastor ladrão, que me obriga a pagar dízimo. Sou como um crente adorador de Deus Afro, submetido à estupidez da fé católica ou de qualquer outra religião. Sinto-me como uma mulçumana insurreta que esconde o corpo com medo da prisão ou morte, ainda que para ela  seja indiferente o fogo do inferno, pois nele não acredita. Mais crê na fogueira que pode matá-la em vida, do que no fogo satânico das Sagradas Escrituras -  que nem em morte a ameaçaria. Dizem que Deus é bom.

Vivo sob a égide do "pacta sunt servanda" (os pactos devem ser cumpridos), e por força disso, sou obrigado a cumprir uma lei que não concordo, sequer pactuei ou nem assinei e sequer fiz falso juramento de honrar cumpri-las.

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Puxem a capivara de FHC, por Armando Rodrigues Coelho Neto

Puxem a capivara de FHC

por Armando Rodrigues Coelho Neto

O avanço da idade já não me permite ser tão duro com os que viveram mais que eu. De qualquer modo, existem pessoas que, mesmo já tendo vivido além da expectativa de vida do brasileiro, se deram conta da virada do século. Aliás, gente que, como o jurista Fábio Konder Comparato antecipou-se ao novo século e de há muito tem falado no presente o que muitos sequer ensaiariam cogitar como futuro.

A citação a Comparato é aleatória e poderia estender-se a muitos outros, vivos ou não e poderia ensaiar uma lista longa e incompleta de homens e mulheres que enobreceram a história do Brasil em suas múltiplos vertentes. Mas, nesse instante, falo de idade para registrar a vergonha que sinto e que pode ser a de muitas pessoas, a propósito de um senhor chamado Fernando Henrique Cardoso, apaniguado pela denominada grande mídia.

Aliado da mídia golpista, segue a trilha de Aécio Neves, usando termos calculados e amenos, falando de trégua, criando espaço para um bote qualquer. Enquanto isso, na surdina participou da articulação do golpe em curso, e antes de receber o aval das “forças estranhas internacionais”, dizia que não queria o impeachment da Presidenta Dilma Rousseff. “Quero apenas ver a Dilma sangrar”. Eis a fala que a mídia entreguista a ele atribui.

Na condição de protegido, até um profissional de marketing de nome Mentor Neto, com muitos seguidores numa das redes sociais, chegou a registrar sua inquietação pelo interesse de muitos quanto aos supostos crimes praticados por Fernando Henrique Cardoso. Segundo ele, além de não ter importância, a essa altura da história, se ocorreram, já deveriam ou devem estar prescritos. Não necessariamente com essas palavras, mas o fato é que recebeu muitas curtições e comentários.

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Delegados federais com cara de tacho, por Armando Rodrigues Coelho Neto

Delegados federais com cara de tacho

por Armando Rodrigues Coelho Neto

Ainda não se sabe de quanto será o jeton dos delegados da PF, pelo estranho papel que assumiram durante o Golpe de 2016. O que seria uma campanha salarial virou algo impublicável. O papel da PF foi tão estranho que os delegados passaram a ser tratados por muitos como “capitães do mato do golpe”. Frente às evidências, não tive coragem de defender. A PF é comandada e gerida por delegados, mas as outras categorias dizem que ela é “desmandada e ferida” por eles. Triste, mas também não tive como defender.

Dizem que cuspo no prato que comi. Perdão. Nunca comi nesse prato. Cumpri meu dever, mas sempre fui um corpo estranho e inservível para a ditadura, “glasnost e perestroika”, novas e velhas repúblicas e menos ainda durante a esquálida democracia que se tentou implantar e que foi fulminada por um golpe. Como golpe é que nem assalto, não dá nem pra explicar pro ladrão que ele está errado.

Depois da chantagem contra a Presidente Dilma Rousseff, seja com forçadas de barras salariais ou com a “Farsa-Jato”, incorporou lépida e faceira o espectro do golpe. Com mestrados, doutorados e a arrogância que lhes é peculiar, esqueceram de uma valiosa plaquinha que existe na Academia Nacional de Polícia (Brasília): “não seja arrogante com os humildes nem humilde com os arrogantes”.

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Lula é ministro. Já a coelhinha da Playboy... por Armando Rodrigues Coelho Neto

 

Lula é ministro. Já a coelhinha da Playboy...

por Armando Rodrigues Coelho Neto

Vivemos num mundo cercado de normas, no qual ninguém é alguém para dizer coisa qualquer. No mundo jurídico, sempre que se defende uma tese, ela precisa vir amparada em no “segundo quem, segundo alguém”. A propósito, como diria a filósofa Marilena Chaui, existem as falas previamente autorizadas, os tais discursos competentes, os falantes previamente abalizados, com autoridade para falar, dizer.

Nesse sentido, recorri a ninguém menos que José Cretella Júnior, Professor Titular de Direito Administrativo da Faculdade de Direito da Universidade São Paulo. A rigor, pincei notas dele lançadas in “Teoria do ato de governo”, encontrável na biblioteca do próprio Senado Federal.

Ao examinar o tópico ato de governo ou ato de político, Cretella o descreve como toda “manifestação de vontade do poder público que, por usar condição toda especial, escapa à revisão do Poder Judiciário, constituindo esse ato de ação não uma exceção ao princípio da legalidade, mas a circunstancial incompetência do juiz, que não pode interver, nem que para isso seja provocado".

Nessa trilha, o autor lembra “certas circunstâncias de crises que facultam à Administração tomar medidas enérgicas e imediatas, as quais seriam totalmente tardias e ineficientes, se o Governo obedecesse, de modo estrito, o princípio da legalidade, submetendo-se à formulas complexas, que lhe impediriam a ação precisa, no momento oportuno”.

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Não é golpe? Eu, heim Rosa!, por Armando Rodrigues Coelho Neto

Não é golpe? Eu, heim Rosa!

por Armando Rodrigues Coelho Neto

"Na época, no Brasil, a expressão 'Direitos Humanos' era tida como palavrão", diz Jards Macalé, quando, em 1973, estava organizando o show "Direitos Humanos no Banquete de Mendigos". Segundo ele, 70% do roteiro do show foi cortado pelo Departamento de Censura da Polícia Federal, a mesma que hoje está a serviço de mais um golpe em nossa esquálida tentativa de democracia.Tempos, digo eu, que, à exceção dos tanques, não são tão diferentes dos de agora. Afinal, expressão Direitos Humanos continua distorcida.

Pois bem, tempos de censura, assassinatos, perseguições, banimentos... nos quais pelas normas ditatoriais os atos praticados com base no Ato Institucional nº 5, não eram passíveis de apreciação judicial.

Lembra disso, dona Rosa Weber? Hoje, o que se observa, é que alguns atos do Legislativo são ou não passíveis de apreciação judicial. Algo assim como tornar ministro o ex-Presidente Luis Inácio Lula da Silva é dar foro privilegiado para furtar-se à ação de juiz de primeira instância. Mas, para outros não. Tratamento distinto para o mesmo ato por Dilma e Temer. Sei que, salvo exceções, muitos capitães do mato da PF faltaram àquela aulinha de história e não se dão ao trabalho de analisar contradições contemporâneas. Mas, presumo que o STF esteja atento.

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