Revista GGN

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poesia

olho que me arde no tempo -quanto?-, por romério rômulo

olho que me arde no tempo -quanto?-

por romério rômulo

 

olho que me rompe

em trompa e fogo

carne que me come

em dado e jogo

traço que me fala

em mão e mágoa

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quando o poeta não faz mais sentido, por romério rômulo

quando o poeta não faz mais sentido

por romério rômulo

 

e quando a tua mão me derrotasse

e quando o teu amor me percorresse

e quando a tua carne me encontrasse

e quando a tua faca me rompesse.

 

se acaso a tua raiva me matasse

se acaso a tua dor em mim doesse

e eu, vão, na tua pele então ficasse

e um tiro de paixão me derretesse.

 

se acaso a tua boca me furasse

o grosso do meu olho e me esquecesse.

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fragmento avulso, por romério rômulo

fragmento avulso

por romério rômulo

 

uns graus de febre eterna,

estados do pulso.

a vida hiberna:

eu, avulso.

 

a mão firme se enterra

no meu pescoço.

uns graus de febre eterna:

eu, osso.

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(poemas de vinicius comem o espaço) por romério rômulo

(poemas de vinicius comem o espaço)

por romério rômulo

 

"quem vai pagar o enterro e as flores

  se eu me morrer de amores?"

 

quem, de longe, vai chorar pavores

quando eu, puto de mim, morto de horrores

 

sondar a tinta amarela do teu olho

curvar a linha seca do teu traço

romper a extensão do meu bagaço

me enterrar na virtude do teu braço?

 

e se eu me mantiver morto e escasso

eu que sou filho de um anjo torto?

 

e se eu me mantiver escasso e morto?

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ovos no vestido bordado, curitiba, paraná, por romério rômulo

ovos no vestido bordado, curitiba, paraná

por romério rômulo

 

meu bolo de 6 andares

minha parede de rosas

12 lustres de cristal

 

sua panela vazia

sua falta de emprego

sua mão a me pedir

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por portugal, camões e outros pessoas, de romério rômulo

por portugal, camões e outros pessoas

de romério rômulo

 

te entrego a minha febre -que me roas!-

venho de tantos rudes navegares

por portugal, camões e outros pessoas

 

eu só espero o rasgo dos teus mares.

 

fosse eu, agora, o cálido que sobra

sobre teu corpo, esfera prenha e rude

no incêndio todo a comer tua dobra

 

eu me deixei no mar mais do que pude.

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meu coração é o mundo, por romério rômulo

meu coração é o mundo

por romério rômulo

 

1.

todo sábado eu inundo

a ponta do meu desejo

no rio onde eu me vejo

o mais exato e profundo.

2.

todo sábado amanheço

com o coração duro e fundo

dos amores que padeço.

 

meu coração é o mundo.

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o corpo de joesley, um trocadilho sem rumo, por romério rômulo

o corpo de joesley, um trocadilho sem rumo

por romério rômulo

 

quantas estradas devo remover

com meu canhão de rosas alteradas

pra ver, rever e ainda reviver

as carnes que se vão abandonadas?

 

nas noites que me chegam já gravadas

pelos planaltos idos de não ser

entrego o olhar em doces emboscadas

por todos que a mim hão de querer

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meu anjo do sertão, 1, por romério rômulo

Manuelzão e Romério Rômulo - foto de Germano Neto

meu anjo do sertão, 1

por romério rômulo

 

sobre mim há um olhar de só paixão

e um olhar bem maior que me odeia.

 

manuelzão traz cavalos numa peia

com as éguas, estrelas do desvão.

sua mão me defende e me rodeia.

 

fui benzido nas águas do sertão.

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"o resto não pode ser o silêncio", por romério rômulo

"o resto não pode ser o silêncio"

por romério rômulo

 

quando o mundo acabar

vou mutilar meus braços

meu hálito, meu desacerto

 

quando o mundo acabar

vou desatar a glória

dos deuses correntes

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a vida só é bela para os ressuscitados, por romério rômulo

"a vida só é bela para os ressuscitados"

por romério rômulo

 

o meu verso é um estrago

na linha do meu pescoço

o meu dente, só um bago

o meu corpo, puro osso

 

minha boca de ariranha

minha mão atropelada

minha ferida medonha

a minha pele rasgada

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clarice arrancou os meus segredos, por romério rômulo

clarice arrancou os meus segredos

por romério rômulo

 

cachorros e cavalos do meu corpo,

meus olhos, minha estrada, meus enredos,

são vastas as entranhas desta casa:

 

clarice arrancou os meus segredos.

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pedaços de paixão morrem na estrada, por romério rômulo

Foto Sebastião Salgado

pedaços de paixão morrem na estrada

por romério rômulo

 

sou outro. minha carne se remonta

ao pleno da canção tumultuada

onde uma vida pode pouco ou nada

quando a morte embebeda e tonta.

 

pedaços de paixão morrem na estrada.

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eu só entrego a margem do meu rosto, por romério rômulo

eu só entrego a margem do meu rosto

por romério rômulo

 

quem se rendeu à sólida manhã?

 

perdeu-se  pela carne e pelo rito

todo que viu a luz ser habitante

da sua pele escassa e já dormida.

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por candeia e por cartola, por romério rômulo

Portinari

por candeia e por cartola

por romério rômulo

 

a áfrica me chega pelas vozes

a áfrica me chega pelos couros

 

são duras as paixões. e são atrozes.

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