Revista GGN

Assine

poesia

o mar é uma tropa de cavalos, por romério rômulo

o mar é uma tropa de cavalos

por romério rômulo

 

o mar é uma tropa de cavalos

que berram toda noite pelo escuro

cavalo é cruel, cavalo é duro

se você quiser ver, eu vou chamá-los.

 

minha carne, infiel e transparente

se propõe nesta vida a interrogá-los

como atos do mar que de repente

fossem atos do mundo. mas cavalos

 

e mar são uns seres indecentes.

Leia mais »
Média: 5 (2 votos)

como morrer se a tarde é um bolero?, por romério rômulo

como morrer se a tarde é um bolero?

por romério rômulo

 

algo vivo que recolhe a noite

um corte de uma pele que te abraça

uma razão que no olho é agonia

um trato de entender o que não sabe.

Leia mais »
Média: 5 (4 votos)

que fossem rios dos meus pesadelos, por romério rômulo

Matisse

que fossem rios dos meus pesadelos

por romério rômulo

 

meus modos de amores são tão frios

mordidos de razões e atropelos

que travam todas carnes como gelos

e bebem as estradas como rios.

Leia mais »
Média: 5 (1 voto)

como todo poeta bandido, por romério rômulo

como todo poeta bandido

por romério rômulo

 

o mundo acaba amanhã

e nem pecados eu tenho.

 

peço a benção de todos

deixo um abraço a vinicius

me declaro a clarice

e vou me embaralhar por aí.

Leia mais »
Média: 5 (3 votos)

doutora querida, trate-me leão. por romério rômulo

doutora querida, trate-me leão.

por romério rômulo

 

belo juiz doutor, eu vos precedo

em temas, sobremodos de antemão:

vossas maneiras tais são os meus medos.

Leia mais »
Média: 3.8 (5 votos)

sem maria, eu nunca sou. por romério rômulo

sem maria, eu nunca sou.

por romério rômulo

 

1.

maria me disse: vou!

maria, eu lhe disse, vem!

só restaram nossos ecos

nossos amores além.

Leia mais »
Média: 5 (3 votos)

era um era dois era cem, para geddel, por romério rômulo

era um era dois era cem, para geddel

por romério rômulo

 

mais milhões de dólares armados

mais milhões de reais já embutidos

que meus olhos se viram fracassados

e meus dedos se deram por feridos

Leia mais »
Média: 5 (4 votos)

em treva tão escura que amargasse, por romério rômulo

em treva tão escura que amargasse

por romério rômulo

 

se a vida me rompesse e me rasgasse

em terras onde vivo e não escolho

em treva tão escura que amargasse

em reino tão cruel que me recolho

 

se a vida me escolhesse e me matasse

eu beberia a água do teu olho.

Leia mais »
Média: 5 (2 votos)

cantiga de roda (para beatriz e dora, 2008), por romério rômulo

cantiga de roda (para beatriz e dora, 2008)

por romério rômulo

 

é uma cantiga só

de um poeta na estréia

nasceram bibi e dodó

as flores da paulicéia.

Leia mais »
Média: 4.2 (5 votos)

Os colunistas do GGN: Romério Rômulo e a solidão da poesia

Romério Rômulo e a solidão da poesia

O contato do poeta Romério Rômulo com o Blog tem mais de dez anos. Nesse período todo, Romério tornou-se um colaborador precioso, com seus poemas e suas histórias. Sua série sobre Maradona e outros poemas encantam permanentemente os leitores do Blog.

Doze poemas de Romério Romulo

Hoje, Romério conversou longamente comigo, trazendo informações preciosas sobre o mundo da poesia, para um levantamento que estamos fazendo sobre os colunistas do GGN.

Leia mais »

Média: 5 (7 votos)

olho que me arde no tempo -quanto?-, por romério rômulo

olho que me arde no tempo -quanto?-

por romério rômulo

 

olho que me rompe

em trompa e fogo

carne que me come

em dado e jogo

traço que me fala

em mão e mágoa

Leia mais »
Média: 3.7 (6 votos)

quando o poeta não faz mais sentido, por romério rômulo

quando o poeta não faz mais sentido

por romério rômulo

 

e quando a tua mão me derrotasse

e quando o teu amor me percorresse

e quando a tua carne me encontrasse

e quando a tua faca me rompesse.

 

se acaso a tua raiva me matasse

se acaso a tua dor em mim doesse

e eu, vão, na tua pele então ficasse

e um tiro de paixão me derretesse.

 

se acaso a tua boca me furasse

o grosso do meu olho e me esquecesse.

Leia mais »
Média: 3.6 (8 votos)

fragmento avulso, por romério rômulo

fragmento avulso

por romério rômulo

 

uns graus de febre eterna,

estados do pulso.

a vida hiberna:

eu, avulso.

 

a mão firme se enterra

no meu pescoço.

uns graus de febre eterna:

eu, osso.

Leia mais »
Média: 5 (4 votos)

(poemas de vinicius comem o espaço) por romério rômulo

(poemas de vinicius comem o espaço)

por romério rômulo

 

"quem vai pagar o enterro e as flores

  se eu me morrer de amores?"

 

quem, de longe, vai chorar pavores

quando eu, puto de mim, morto de horrores

 

sondar a tinta amarela do teu olho

curvar a linha seca do teu traço

romper a extensão do meu bagaço

me enterrar na virtude do teu braço?

 

e se eu me mantiver morto e escasso

eu que sou filho de um anjo torto?

 

e se eu me mantiver escasso e morto?

Leia mais »
Média: 5 (2 votos)

ovos no vestido bordado, curitiba, paraná, por romério rômulo

ovos no vestido bordado, curitiba, paraná

por romério rômulo

 

meu bolo de 6 andares

minha parede de rosas

12 lustres de cristal

 

sua panela vazia

sua falta de emprego

sua mão a me pedir

Leia mais »
Média: 5 (3 votos)