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cinema brasileiro

As cidades funcionam em torno de interesses, diz diretor Tyrell Spencer

Morador de Humberstone, no Chile, visita as ruínas da cidade | Foto: Divulgação/Galo de Briga Filmes

 
do Sul21

‘As cidades funcionam em torno de interesses’, diz diretor de filme sobre ‘Cidades Fantasmas’

por Fernanda Canofre

As primeiras imagens de “Cidades Fantasmas” mostram um cemitério que os vivos já não visitam mais. Cruzes enferrujadas, areia cercando todo o local, pedaço de mar que está a poucos metros e uma voz em off que fala de alguém voltando à cidade de seu passado para buscar um pedaço seu que só existe na memória. “Já sentiram alguma vez a melancolia profunda e amarga que se sente e desprende de uma casa abandonada e de um muro em ruínas?”, pergunta o narrador.

Pelas memórias de ex-moradores de quatro cidades na América Latina que viveram ápices de sucesso e um esvaziamento repentino, o documentário dirigido pelo gaúcho Tyrell Spencer busca resgatar as histórias das cidades fantasmas. Começando por Humberstone, no Chile, que depois do fim do ciclo econômico da extração de salitre não teve mais razão de existir, passando pela icônica Fordlândia, na Amazônia paraense, para a andina Armero, na Colômbia, que morreu depois de ser atingida pela erupção de um vulcão, até Villa Epecuén, na Argentina, cidade que um dia fora uma famosa estação de águas medicinais.

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Carta aberta aos realizadores que abandonaram o festival Cine PE 2017, por Cleonildo Cruz

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Realizadores retiraram seus filmes do festival em protesto contra inclusão de documentário sobre Olavo de Carvalho e de longa sobre o Plano Real (acima) Foto: Divulgação

Jornal GGN - Cleonildo Cruz, Cleonildo Cruz,  historiador e cineasta, assina carta aberta criticando os realizadores de filmes que decidiram que seus trabalhados fossem retirados do festival Cine PE 2017, em Recife (PE). O abandono do festival foi um protesto dos cineastas contra a inclusão dos filmes “O jardim das aflições”, documentário sobre Olavo de Carvalho, e do longa “Real: o plano por trás da história”.

Por meio de nota pública, os realizadores disseram que “[a edição deste ano] favorece um discurso partidário alinhado à direita conservadora e aos grupos que compactuaram e financiaram o golpe ao estado democrático de direito ocorrido no Brasil em 2016. Para nós, isso deixa claro o posicionamento desta edição, ao qual não queremos estar atrelados”. 

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João Moreira Salles vence prêmios na França com documentário No Intenso Agora

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Foto: Ana Luiza Muller/divulgação
 
Jornal GGN - O documentário No Intenso Agora, de João Moreira Salles, conquistou três prêmios no Cinéma Du Réel - Festival Internacional de Documentários, na França. O filme venceu na melhor trilha (Rodrigo Leitão) e melhor filme pela Scam (Sociedade civil dos autores multimídia) e pelo júri das bibliotecas.
 
O filme teve sua estreia no Festival Internacional de Berlim deste ano e será exibido no Brasil no festival É Tudo Verdade, que ocorre entre os dias 20 a 30 de abril no Rio de Janeiro e em São Paulo. Ao mesmo tempo, ele será apresentado no Buenos Aires Festival Internacional de Cine Independiente e foi convidado a participar de mais de 20 festivais internacionais.
 

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Festival exibe curtas da nova geração de cineastas brasileiras

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Da Rede Brasil Atual

 
Coletivo Vermelha promove a mostra "Curta as Minas" de 7 a 10 de março no Sesc Campo Limpo. Evento gratuito também realiza oficina de roteiro exclusiva para mulheres e roda de bate-papo

Segundo o Anuário Estatístico do Cinema Brasileiro de 2015, produzido pela Agência Nacional do Cinema (Ancine), obras brasileiras dirigidas exclusivamente por mulheres são minoria entre os filmes nacionais. "Dos 129 títulos lançados em 2015, 100 foram dirigidos exclusivamente por homens, o que representa 77,5% do total". Isso significa que no Brasil, a produção cinematográfica ainda é predominantemente dominada pelo sexo masculino.

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O filme Trago Comigo e a construção da memória sobre a ditadura, por Rianete Botelho

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Do Grupo Cinema Paradiso

 
Por Rianete Botelho
 
publicado em 30.10.2016
 
Trago Comigo, o mais recente filme de Tata Amaral, tem como pano de fundo a ditadura militar no Brasil, embora a história se passe nos dias atuais.
 
Vários cineastas brasileiros têm realizado filmes sobre aquela época, contribuindo para o processo de manutenção da memória de um regime opressivo, onde não havia liberdade de expressão, possibilidade de discordância política ou de manifestação de indignação, sob pena de prisão, tortura ou morte. A importância desses filmes não está - como alguns podem pensar - num prazer masoquista de ficar remoendo morbidamente o passado. Seu mérito está no papel que a memória histórica representa na constituição da identidade de um povo. Assim como a memória é fundamental na formação de cada individualidade humana, é através da conscientização do passado que um povo pode se reconhecer e avaliar seus erros e acertos. Isso o leva a ser mais vigilante, mais capaz de perceber a tempo a tomada de um caminho inadequado que poderá levá-lo a repetir erros antigos.
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Sônia Braga ganha prêmio em San Diego por trabalho em Aquarius

 
Jornal GGN - Sônia Braga foi eleita a melhor atriz pela Associação de Críticos de Cinema de San Diego pelo sua atuação no filme Aquarius. A atriz brasileira desbancou as favoritas norte-americanas Emma Stone, Nathalie Portman e Annette Bening, e também Ruth Negga, nascida na Etiópia.

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Gregório Duvivier: Não se mate ainda, não

da Folha

Gregorio Duvivier: Não se mate ainda, não

O pessimista fica feliz duas vezes: quando acerta e quando erra." Por incrível que pareça, Millôr foi das pessoas mais otimistas que conheci. Nunca me esqueço um dia em que alguém contou um caso bárbaro de violência televisionada, concluindo que "o mundo tá a cada dia mais violento". Ao que o Millôr retrucou: "Você já ouviu falar na técnica de empalamento? Já ouviu falar no genocídio armênio? Já viu fotos de um gulag? O mundo nunca foi tão pouco violento; a gente é que nunca foi tão bem informado."

Não se mate ainda, não. Apesar de tudo de ruim que pode haver no mundo, dos Bolsonaros e Temers e Trumps, é sempre bom lembrar que, salvo exceções, o mundo está progredindo, sim. Devagarinho, claro. Mas está. Claro que está.

Quem acha que a juventude está perdida não frequentou nenhuma escola ocupada. Quem acha que o machismo venceu não está acompanhando a multiplicação de blogs feministas bons. Quem acha que o Rio não tem jeito ainda não deve saber que o Freixo vai para o segundo turno, e vai ganhar.

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As mulheres que pautam o país na questão da primeira infância

Jornal GGN – No último mês, a equipe do Jornal GGN entrevistou Estela Renner e Ana Estela Haddad, mulheres que estão representando o debate nacional sobre a primeira infância.

Estela Renner é diretora do documentário “O Começo da Vida” que vem ocupando a rede e estimulando debates sobre o tema. O documentário contou com um amplo trabalho de distribuição e hoje está nas salas de cinema comercial em dezenas de capitais brasileiras. Foi também narrado em seis línguas e legendado em treze!

Ana Estela Haddad coordena o programa São Paulo Carinhosa, uma agenda intersecretarial para identificar e fortalecer ações da prefeitura em relação à primeira infância. O programa chegou a organizar reuniões mensais com as 14 secretarias envolvidas e publica esse ano um balanço de suas ações.

As duas entrevistas foram feitas no início de abril quando "O Começo da Vida"  foi exibido na rede pública do município. Mais especificamente, nos circuitos de cinema gratuito que vem acontecendo pelos Centros de Educação Unificada da cidade (CEUs). Ao longo das entrevistas exclusivas concedidas ao Jornal GGN, elas descrevem seus projetos e trabalhos de pesquisa durante a realização.

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Mesmo com cinemas vazios, Os Dez Mandamentos bate recorde de bilheteria

Enviado por Gilberto Cruvinel

Do Pipoca Moderna

Os Dez Mandamentos bate recorde de bilheteria com cinemas vazios

por Wilson Vianna

O filme “Os Dez Mandamentos”, versão condensada da novela de mesmo nome, vendeu 2 milhões de ingressos em seus primeiros três dias, atingindo o faturamento de R$ 24,22 milhões. Os dados são da empresa ComScore e foram divulgados nesta segunda-feira (1/2).

Assim, a novela da Record bateu “Tropa de Elite 2”, que detinha o recorde anterior de maior estreia nacional, com 1,2 milhões de ingressos vendidos em seu final de semana de estreia. Os números, por sinal, aproximam a produção televisiva de blockbusters americanos, como “Vingadores: Era de Ultron”, com 2,6 milhões de ingressos, e “Velozes e Furiosos 7”, 2,3 milhões em seus primeiros três dias.

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Filmado no Ceará, longa ganha prêmio de direitos humanos

Jornal GGN - Rodado no Ceará, o filme "A Lenda do Gato Preto" foi um dos vencedores do "World Human Rights Awards", Prêmio Mundial dos Direitos Humanos. O longa tem a direção de Clébio Viriato Ribeiro e roteiro de Caio Quindere e Kennedy Saldanha,  e exalta a força da cultura cigana e sua influência na formação da identidade cultural brasileira.

Do G1

Filme cearense 'A lenda do Gato Preto' ganha prêmio na Indonésia

Filme venceu prêmio de direitos humanos 'World Human Rights Awards'. Troféu será entregue em 18 de janeiro na cidade de Jakarta.

O filme cearense "A Lenda do Gato Preto" foi um dos vencedores do “World Human Rights Awards", Prêmio Mundial dos Direitos Humanos, e receberá o troféu de Ouro em 18 de janeiro na Indonésia, na cidade de Jakarta.

O “World Human Rights Awards (WHRA)  é um dos eventos mais importante do mundo em difusão e promoção dos direitos humanos.

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Imagens

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Apesar dos 20 anos de atraso, Chatô consegue ser atual e profético

Apesar dos 20 anos de atraso, o surpreendente Chatô consegue ser atual e profético

por Jairo Arco e Flexa

Noite de ontem, sexta feira. Saio do cinema onde fui assistir a Chatô, o Rei do Brasil, o tão comentado longa metragem de Guilherme Fontes de trajetória fora das telas tão conturbada que muitos chegaram a proclamar que o filme, na verdade, antes de ser uma produção cinematográfica, era uma ficção que nem existiria de verdade.

Não é para menos: Chatô levou vinte anos até ser lançado nos cinemas. Visto o filme, ao chegar em casa, depois da meia-noite, dou minha conferida habitual nos “blogs sujos” - como os grandes meios de comunicação referem-se aos espaços da Internet em que se pode encontrar alguma informação diferente daquela que os jornalões e as redes de rádio e televisão arremessam ao público numa linguagem que, de tão monocórdica, mais parece um cantochão.

E o que leio, de que fico sabendo? Entre outras notícias, sou informado que o senador Delcídio Amaral não irá agüentar 30 dias na prisão e logo mais estará pronto para abrir o bico e delatar todo mundo. No caso, todo mundo inclui todo mundo mesmo, desde os antigos integrantes do governo Fernando Henrique Cardoso, passando obrigatoriamente pelos caciques do PMDB até chegar (como desejam ardentemente os condutores da Lava Jato) ao ex-presidente Lula e à atual presidente Dilma Roussef.

Além das notícias, as especulações, muitas: segundo alguns analistas, o quadro político cada vez mais sombrio que se desenha pode significar a pá de cal nas esperanças de Lula de vir a disputar a presidência em 2018. Notícia (ou previsão) ruim para o ex-presidente? Pois há uma previsão (ou notícia?) ainda pior: a essa altura, alguns analistas especulam que se Lula escapar da prisão já deverá comemorar e dar graças a Deus.

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Depois de 20 anos, Chatô estreia nos cinemas

Da Revista Brasileiros

 
André Sampaio
 
Baseado no best-seller homônimo de Fernando de Morais, a ficção dirigida por Guilherme Fontes conta a história de Assis Chateaubriand (1892-1968), personagem icônico na história da mídia no Brasil.

As filmagens começaram em 1995, ano em que eu chegava ao mundo. Vinte anos se passaram, o Brasil foi penta campeão, um metalúrgico se tornou presidente do Brasil, nos Estados Unidos as torres gêmeas caíram e foi eleito o primeiro presidente negro da história daquele país, eu entrei na faculdade e, finalmente agora, o filme Chatô, o Rei do Brasil chega às telas de cinema.

Baseado no best-seller homônimo de Fernando de Morais, a ficção dirigida por Guilherme Fontes conta a história de Assis Chateaubriand (1892-1968), personagem icônico na história da mídia no Brasil. O elenco conta com Marco Ricca, Paulo Betti, Leandra Leal, Letícia Sabatella, entre outros.

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Negras cenas negras, por Daniel Afonso da Silva

Negras cenas negras, por Daniel Afonso da Silva

A Cara Do Cinema Nacional”: gênero e cor dos atores, diretores e roteiristas dos filmes brasileiros (2002-2012) é dos mais recentes e importantes estudos dirigidos por Marcia Rangel Candido, Gabriella Moratelli, Verônica Toste Daflon e João Feres Júnior do Grupo de Estudos Multidisciplinares de Ação Afirmativa do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro – GEMAA-IESP-UERJ. Ele aparece mais uma vez em momento muito oportuno. As questões da questão racial estão em constante urgência. Um Brasil melhor e mais brasileiro depende de sua permanente abordagem.

O estudo do GEMAA-IESP-UERJ analisa 20 filmes brasileiros de maior bilheteria entre 2002 e 2012. Suas conclusões são as mais convencionais. Pouca novidade e triste constatação: mais de 90% dos diretores e roteiristas são brancos e mais de 80% dos atores também são brancos.

Essa constatação constrange. Ou deveria constranger.

Diz o estudo que “nas telenovelas da Rede Globo transmitidas entre os anos de 1993 e 1997, apenas 7,9% dos 830 atores eram de cor preta ou parda. O padrão de exclusão foi verificado também na publicidade: do total de 1.204 modelos que figuraram em anúncios publicitários veiculados pela Revista Veja entre 1994 e 1995, somente 6,5% eram negros. Durante esse mesmo período, os anúncios presentes na Revista Nova, voltada para o público feminino, apresentaram apenas 4% de modelos pretos e pardos”. Esse quadro foi sensivelmente modificado nos últimos 25 anos. Mas na essência pouco ou nada mudou. Negros ainda amargam negros números (ver Negros (em) números saído no GGN de de 08/12/2014).

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A transformação do cinema brasileiro

Que horas ela volta?, um filme em sintonia com o pulso do país

Enviado por Anarquista Lúcida

Do blog do Instituto Moreira Salles

 
por José Geraldo Couto

Que horas ela volta?, de Anna Muylaert, tem tudo para se tornar um marco no cinema brasileiro contemporâneo, como foram, em outros contextos, Central do Brasil Cidade de Deus. É um filme em plena sintonia com o “pulso” do país. Encara com originalidade e coragem um momento de transformações sociais mais ou menos profundas, mais ou menos traumáticas – e, por favor, não estamos falando aqui de disputas partidárias ou programas imediatos de governo ou de oposição. 

A figura central na arquitetura narrativa do filme, como se sabe, é a da empregada doméstica, aquela trabalhadora que dorme na casa dos patrões e é como que uma descendente da mucama da época da escravidão e também do “agregado”, tão frequente na obra de Machado de Assis. É aquela que “é praticamente da família” – desde que conheça o seu lugar e se conforme com ele.

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