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Opinião

Por que tanta perplexidade?, por Guilherme Scalzilli

Por que tanta perplexidade?

por Guilherme Scalzilli

Havia razoáveis bases técnicas para o TSE rejeitar o pedido de cassação da chapa Dilma-Temer. O tribunal só prolongou a ação para garantir o afastamento da petista caso ele fosse derrotado no Congresso. Nessa hipótese, como vimos, a deposição beiraria a unanimidade da corte, mesmo que as suas fragilidades permanecessem.

Mas questões jurídicas são irrelevantes para entendermos a absolvição, que manteve o caráter político de todo o processo do impeachment. O TSE acaba de lançar a última pá de terra sobre o que restava da ilusão de legitimidade naquele episódio.

E o fez com um recado constrangedor aos fãs do salvacionismo judicial: se os mesmos critérios punitivos valessem para todos, não sobrariam governantes em exercício no país. Democracia é coisa séria quando não envolve petistas.

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A propósito de Luís Nassif em "A guerra entre os poderes", por Rui Daher

A propósito de Luís Nassif em "A guerra entre os poderes"

por Rui Daher

Se o leitor ouviu nesta semana as observações de Luís Nassif, percebeu estarmos em situação igual ou pior do que nos primeiros anos pós-ditadura. Na minha debochada opinião, apesar de tragédia, ao menos mais patética e risível, pelos personagens e corrupção nela envolvidos.

O jornalista acredita que se um grande pacto nacional não for feito, a decomposição do tecido social continuará, e esse desandar poderá terminar em nova intervenção militar.

Mas como se formará esse pacto? Neste ponto, todos nós começamos a coçar a cabeça, confusos. Com Temer a se estrebuchar em todos seus malditos atributos viscosos? Indicação indireta de Rodrigo “Luluzinha” Maia, Cármen “Nosferatu” Lúcia, ou de notas 6,5 vindas de nenhuma legitimidade? “Diretas Já”, Lula preso ou impedido de concorrer?

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Monteiro Lobato, após negar desaposentação, absolve chapa Dilma-Temer, por Murilo Aith

Monteiro Lobato, após negar desaposentação, absolve chapa Dilma-Temer

por Murilo Aith

O julgamento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) realizado no último dia 09 de junho que absolveu a chapa Dilma-Temer, mesmo após irregularidades comprovadas na eleição de 2014, demonstrou que o nosso Poder Judiciário tem uma tendência partidária e, além disso, se preocupa mais do que devia com o cenário político-econômico do país e deixa de lado as questões centrais e jurídicas dos casos em análise.

Além disso, o povo brasileiro já sabia o placar do julgamento antes mesmo dele começar. Ou seja, tratou-se de uma sessão de julgamento apenas protocolar, pois os ministros já expunham suas tendências mais políticas do que jurídicas nas páginas e imagens dos veículos de comunicação.

Outro ponto triste deste julgamento do TSE foi o presidente da Corte Eleitoral, Gilmar Mendes, citar uma passagem da obra "A Reformador do Mundo", de Monteiro Lobato. No texto mencionado, Lobato diz mais ou menos o seguinte: “um cidadão, Américo Pisca-Pisca, quer reformar a natureza, e acha que seria mais lógico pôr as abóboras na jabuticabeira, e as jabuticabas crescendo ao chão. Feito isso, vai descansar embaixo de um antigo pé de jabuticabas, quando lhe cai o novo fruto na cabeça.”

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Rodrigo Janot quer porque quer escancarar as portas do inferno!, por Lungaretti

Rodrigo Janot quer porque quer escancarar as portas do inferno!

por Lungaretti

Há muita torcida nas redes sociais pela queda de Temer. E há um empenho desmedido do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, disposto a fazer de tudo para satisfazer a galera. A insensatez e as vaidades desmedidas reinam.

Janot já pisou feio na bola ao armar uma arapuca óbvia para o presidente, cheia de ilegalidades que o ministro Edson Fachin abençoou (mesmo não tendo o direito de fazê-lo, pois estava obrigado a declarar-se impedido de intervir na delação premiada do grupo J&F, em função de haver mantido com o dito cujo notórias ligações perigosas).

A ação concertada com as Organizações Globo teria resultado caso Temer renunciasse ou se a Justiça Eleitoral cassasse o seu mandato. E o que teria então acontecido?

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A espantosa fala do pequeno estadista, por Carlos Motta

A espantosa fala do pequeno estadista

por Carlos Motta

Por mais que a gente sinta repulsa pelo minúsculo que habita o Jaburu, é preciso reconhecer uma coisa: o homúnculo é uma figuraça.

Pois não é que ele, acusado todos os dias de alguma nova diatribe, ao ponto de não se saber mais onde e quando a sua longa carreira delituosa teve início, ainda se mostra capaz de desafiar o povo brasileiro, que o rejeita na quase totalidade?

Se não, como entender o vídeo que exibe nas redes sociais desde segunda-feira, aparentemente para exibir bravatas?

Se bem que a gravação serve também para demonstrar, mais uma vez, que sua mente sofre um processo de deterioração, cujo sintoma mais evidente é a dissociação da realidade. 

“Nas democracias modernas, nenhum Poder impõe sua vontade ao outro. O único soberano é o povo, e não um só dos Poderes. E muito menos aqueles que eventualmente exerçam o Poder. Sob meu governo, o Executivo tem seguido fielmente essa determinação: não interfiro nem permito interferência indevida de um Poder sobre o outro. Em hipótese alguma, nenhuma intromissão foi ou será consentida”, disse o traíra, sem nem corar ou demonstrar sinais de que não era ele, mas um mamulengo bem acabado que falava tais disparates.

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Temer não é um sujeito ideológico, é um negociante, por Alexandre Tambelli

Temer não é um sujeito ideológico, é um negociante. Este é o problema maior do Golpe.

por Alexandre Tambelli

Lendo o último texto do Fernando Horta no GGN - Foucault, você e Temer - me veio a ideia de comentar o post buscando simplificar os raciocínios sobre Temer e o Golpe. Coloco aqui também:

Temer não é um sujeito ideológico, é um negociante, este é o problema maior do Golpe.

Penso eu que Temer é apenas um sujeito que vive a vida com duas intenções:

Estar no Poder e ganhar dinheiro por estar no Poder.

Quando se tornou o Poder maior no Brasil não foi por motivo ideológico.

E por isto é que o Golpe não anda bem das pernas.

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A campanha salarial das universidades públicas paulistas: do déjà vu à solucionática, por Renato Dagnino

A campanha salarial das universidades públicas paulistas: do déjà vu à solucionática

por Renato Dagnino

Talvez os colegas mais jovens não saibam da culposa sensação de déjà vu que assalta os mais velhos quando vemos se aproximar a campanha salarial nas universidades públicas paulistas.

Há quase 40 anos estamos falhando ao tentar melhorar nossas condições de trabalho e defender nosso salário.

O que segue é uma mea-culpa que fraternalmente analisa a “problemática” para convidar à concepção de uma “solucionática” que aponte para cursos de ação mais eficientes para nós, eficazes para nossas universidades e efetivos para a sociedade.

Intencionalmente ou não, nosso foco tem sido convencer os que poderiam usar seu poder político e econômico para tanto da importância do que fazemos.

Inadvertidamente, nos temos orientado na direção de um conhecimento enviesado para aumentar a competitividade de suas empresas e a chance de seus filhos conquistarem bons empregos.

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Chapa Dilma-Temer. Guerra do Mestre das Águas contra Boitatá, por Armando Coelho Neto

Chapa Dilma-Temer. Guerra do Mestre das Águas contra Boitatá

por Armando Rodrigues Coelho Neto

Por curtíssimo período fui aluno do Herman Benjamin, na Escola Superior do Ministério Público, em São Paulo, durante breve pós-graduação. Li as primeiras páginas de sua obra Direito, Água e Vida, mas dei a ela melhor destino, quando a dei de presente a um estudante de Direito. Há tempos perdi a fé nos tribunais. Entre o Direito e a Justiça tenho preferido esta última. Perdi a fé no Direito e nas águas, sem demérito ao ilustre representante de Catolé do Rocha/PB, meu quase conterrâneo. Desconfiar dos tribunais é postura inexorável numa sociedade de R$ 1,99, Moros, Marinhos e Malafaias. Com propriedade, Marilena Chauí a trata como “aberração cognitiva” – e pouco importa o que ela queira dizer com isso!

Quando falo de fé, não me refiro às porandubas religiosas dos barnabés da Farsa Jato. Falo da perda na crença no pacto social de vida escrito na Constituição Federal. Obviamente, o espetáculo do tal “Mensalão” não foi o único fato determinante para perder a fé. Mas, foi definitivo para a percepção formal do casuísmo e contradições no caos jurídico do País (sob toque de mídia). Foi ali que o ex-ministro Joaquim Barbosa, içado à galeria dos heróis, abraçou a “Teoria do Domínio do Fato” para condenar ( sem provas) o ex-ministro José Dirceu. Ali e pelo menos ali, não havia provas contra Dirceu. Mas, predominou o domínio do fato sem que sequer se provasse o fato (troca de apoio, não se sabe a que).

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Sob o sol de Gilmar, por Cesar Cardoso

Sob o sol de Gilmar, por Cesar Cardoso

O Brasil foi dormir sexta-feira com a confirmação para uns e a "descoberta" para outros que Gilmar Mendes é mais do que ministro do STF e presidente do TSE, Gilmar Mendes é, hoje, o chefe da Junta Golpista, o presidente de facto da República, garantindo e tutelando um "presidente" enclausurado no Planalto ocupando seus dias brincando de dar instruções aos seus comparsas, dando entrevistas autobajulatórias a órgãos de imprensa domesticados e usando a máquina do Estado contra adversários e inimigos.

Não que Gilmar Mendes tenha aparecido ontem, ou anteontem; há pelo menos duas décadas está aí, galgando postos, desde os tempos de nomeado por FHC para a PGR, depois por obra e graça do mesmo FHC ocupando espaço no STF, e ainda depois garantindo sua quase-eternização na Corte Suprema por obra e graça da fermentação golpista. Mas, num golpe de Estado perpetrado por um grupo cujo único objetivo é não ser preso, Gilmar Mendes tem o profissionalismo político, a amoralidade (obrigado Fernando Horta!) e desenvoltura necessárias para liderar a Junta.

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Nave Brasil em turbulência, por Nilto Tatto

Nave Brasil em turbulência

por Nilto Tatto

Parece que foi ontem. Em 2013 fomos surpreendidos com uma sequência de manifestações como há muito tempo não víamos. Em São Paulo, tendo à frente o Movimento Passe Livre, grandes mobilizações tomaram as ruas e praças contra o aumento das tarifas no transporte público. Rapidamente se estendeu por outras capitais e, pelo inusitado da época, ocupou generosos espaços nos meios de comunicação.

Estas manifestações que começaram com foco específico - não ao aumento da tarifa e transporte público de qualidade - rapidamente tomaram dimensão mais ampla, porém de maneira difusa, numa espécie de contra tudo e contra todos. Uma resposta à reação de boa parte dos governantes, que receberam os manifestantes com repressão, violência gratuita e prisões injustificadas. Em especial da parte do governo Alckmin, ficaram as marcas do autoritarismo e falta de diálogo, que resultaram em expressiva revolta na sociedade.

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Anêmonas Selvagens e Gilmar Mendes, por Rui Daher

 Agência Brasil

Há dois dias, depois de um surto nervoso num evento profissional, moscas que se transformam em anêmonas selvagens invadem minha vista esquerda. Logo pensei em teoria conspiratória. Até aí, o óbvio. Nunca seriam de direita. O oftalmologista avisa que só pode me ver na próxima terça-feira. Eles vivem em congressos, bem melhor do que “no Congresso”. Sugere que eu até lá use óculos escuros e evite as telas.

- Evito a quase todas, doutor, menos as que me dão o ganha-pão para pagar os seus serviços e as do prazer.

- Não acredito! Pornôs, Rui?

- Claro que não! GGN, CartaCapital, Face com amigos, WhatsApp, ofertas do “Dominó de Botequim”, futebol, as finais da NBA ... o quê mais poderiam ser?

- É que ouvi algumas referências ao seu machismo.

- Se deixaram de fora a masculinidade, tudo bem, doutor.

- Bem, Rui, algumas exceções não o farão piorar até nossa consulta. Há alguns anos paramos com o laser para a retinopatia. Como anda sua conduta glicêmica?
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Ad perpetuam rei memoriam, por Maria Fernanda Arruda

Ad perpetuam rei memoriam

por Maria Fernanda Arruda

FEITOS HISTÓRICOS - Há os de valor épico e há os histriônicos - É citada a batalha vencida por Napoleão em Austerlitz, estudada por seu brilho estratégico em todas as escolas militares. E, segundo consta, o próprio general dizia que todos os que lutaram nesse episódio seriam considerados como bravos.

Mas, dois séculos passados, só assistimos batalhas jocosas. Mudando-se a face geográfica, ora situando Brasilia (DF), assistimos uma que deverá ficar com registro nos anais e almanaques como o desvendar de uma era em que tudo se ousa por vaidades, mesmo que para figurar em tela de TV.

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Palhaço!, por Marcio Valley

do blog do Marcio Valley

É assim que me sinto após esse julgamento do TSE. Um palhaço. Sinto em cheio, jogado na minha cara com violência, como se fosse o cassetete de um maníaco fardado quebrando na cabeça de um manifestante, o imenso papel de palhaço que faço nesse circo chamado democracia brasileira. Os insignes ministros, na verdade, não fizeram absolutamente nada que eu não soubesse de antemão que iriam fazer. Há tempos que os tribunais são absolutamente previsíveis: se for contra o PT ou algum político que se tornou cachorro morto (como Cunha), agilizarão o processo e condenarão; se for para beneficiar um político amigo ou contrariar alguém que não hesite em retaliar, retardarão até a prescrição ou absolverão. Para ser sincero, tampouco discordo tão veementemente assim do aspecto técnico do julgado. O problema das coisas, em geral, não é o "quê", mas o "quem" e o "como".

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Carmen Lúcia, a nova Marina Silva, por Danilo Thomaz

Foto Antonio Cruz/Ag Brasil

Carmen Lúcia, a nova Marina Silva

por Danilo Thomaz

O perfil da presidente do Supremo Tribunal Federal – STF, Carmen Lúcia, publicado na revista Piauí de junho, é a primeira peça relevante acerca da personagem que ocupa a cadeira mais alta do nosso egrégio tribunal. Com discrição, a reportagem revela, a cada parágrafo, um pouco menos de Carmen Lúcia. Revelando por contraponto o vazio de sua figura - que muito lembra outra especialista em platitudes, Marina Silva. 

Como sempre acontece, Carmen Lúcia descreveu um Brasil que só existe em sua fala. Disse que as instituições estão funcionando, apesar de dois presidentes – uma legítima (Dilma), um ilegítimo (Temer) – terem áudios vazados, num claro atentado à ordem institucional (para ficar em apenas dois exemplos). Afirmou que a crise política é difícil, mas talvez não seja um problema grave, apesar da iminência da queda de outro presidente no período de um ano, afinal, "viver é difícil" e "algumas vezes, é mais difícil". Mesmo que fosse grave, não há nada que ela possa fazer: "a crise é política e tem de ser resolvida politicamente. Eu sou juíza e ponto." Assim, peremptória, sem ser contestada. Como também em relação às questões problemáticas do STF – como o excesso de pedidos de vistas e liminares sem julgamento: "É claro que há um excesso de processos e um número reduzido de juízes para tanta demanda. (...) imprescindível que se resolva isso." Como? Se ela sabe, não disse.

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O TSE (Tribunal Sem Eleitores) assinou seu atestado de óbito?, por Fábio de Oliveira Ribeiro

O TSE (Tribunal Sem Eleitores) assinou seu atestado de óbito?

por Fábio de Oliveira Ribeiro

Quando Dilma Rousseff foi deposta mediante fraude a Rede Globo comemorou. A vitória de Michel Temer no TSE, contudo, não foi comemorada pelo clã Marinho. Entre a tragédia (a destruição da soberania popular como fundamento do poder) e a farsa (a proteção judiciária concedida a um usurpador que se limite a praticar artimanhas para ficar impune e para garantir a impunidade dos mafiosos que o apoiam), um país inteiro agoniza.

A economia afunda. A política deixou de ser uma fonte de esperança. A justiça gasta o pouco que lhe resta de credibilidade. A repressão se torna mais feroz e ostensiva nas ruas. A internet é vigiada pela PF, que rapidamente se transformou no antigo DOPS. A violência contra sem terra e índios se torna mais legal. A imprensa nacional afunda na irrelevância e a internacional desencoraja os investidores a colocar dinheiro novo no Brasil. As reservas cambiais são devoradas por uma política econômica errática e inconsistente. Os preconceitos raciais, sexuais, ideológicos, regionais e religiosos afloram e começam a ocupar o vácuo deixado pelos partidos políticos.

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