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Opinião

A Miss Brasil é negra - qual é a surpresa?, por Matê da Luz

A Miss Brasil é negra - qual é a surpresa?

por Matê da Luz

Uma das coisas mais preciosas que aprendo rotineiramente com minha filha adolescente é casar discurso e prática. É claro que exige treino, vez ou outra escorrego e piso na bola mas, pode notar, me comprometo a colocar no dia a dia aquilo a que me proponho. O lugar de fala é uma dessas coisas. Uma das mais importantes, aliás. Desde que comecei a passear com mais clareza no feminismo ativo, venho compreendendo esta questão. O lugar de fala é bem isso que parece quando a gente pensa nele: uma espécie de púpito, local destinado a quem está com a questão central na ponta da língua. 

Então, no sentido de praticar o que tenho aprendido como precioso, o espaço aqui destinado ao que me é relevante, que neste dia dá conta do espanto de tanta gente sobre a Miss Brasil ser negra, bem, este espaço será destinado a replicar um dos textos mais brilhantes e lucidos sobre o tema. Potencializando o lugar de fala, deixo o link da publicação original e copio aqui embaixo, na íntegra, 

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Temer, um brasileiro ou o silêncio das ruas, por Pedro Augusto Pinho

Montagem com imagens WikiMidia

Temer, um brasileiro ou o silêncio das ruas

por Pedro Augusto Pinho

“Declaro que sempre tive no estado de solteira e por fragilidade humana tenho três filhos de pais incógnitos a saber: Vicente exposto em casa de Antônio Rangel; Luiz exposto em casa de Pedro Soares de Moura; Manoel que o criou com assento no batismo de exposto em casa de Simão de Oliveira os quais ditos meus filhos os constituo por meus legítimos herdeiros” (1793).

Qual a história do Brasil que você conhece?

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O golpe pode não terminar em 2018, mas se tornar mais violento e ilegítimo, por Jeferson Miola

O golpe pode não terminar em 2018, mas se tornar mais violento e ilegítimo

[O banimento do Lula]

por Jeferson Miola

A situação política brasileira nunca foi tão imprevisível como atualmente; são tempos de enorme imponderabilidade. Denúncias e escândalos se sucedem vertiginosamente, a Nação é desmanchada com incrível ferocidade e o Estado de Direito está sendo violentado até a morte por ataques contínuos à democracia.

Isso tudo se desenrola num ambiente de exceção jurídica e de caos institucional em que viceja a atuação anômala dos não-eleitos – os empoderados sem voto popular – na arena da política: a mídia, o judiciário, ministério público, polícia federal, sistema financeiro e o grande capital.

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Intervenção militar, já? Uma quase conversa com o cabo “N”, por Armando Coelho Neto

Intervenção militar, já? Uma quase conversa com o cabo “N”

por Armando Rodrigues Coelho Neto

Cabo “N” é como resolvi tratar meu interlocutor oculto, sobre quem escrevo à sua revelia. Circunspecto, competente, dedicado e brigão, não era o tipo sociável e acessível a todos. Não sei por que cargas d’agua, ele foi com minha cara e me tratava como um anarquista folclórico e, não sei como, costumava saber de minhas irreverências dentro da Polícia Federal.  Ele tinha especial apreço pela minha postura funcional e me tratava como disciplinador. Dividiu comigo várias cervejas que enveredavam por uma canção italiana ou desaguavam em confissões da época da ditadura, ora mostrando conhecimento, ora com perdoáveis tons de fanfarronices.

Perdi o contato com o cabo “N”, mas ao que consta continua vivo, embora com saúde frágil. Costumava dizer que atuou na região do Amazônia nos tempos da ditadura e com segurança, atestava: quem inventou o “micro-ondas” não foram os traficantes do Rio de Janeiro, mas sim os militares da ditadura. O tal “micro-ondas” de que falava, trata-se de uma pilha de pneus. Como num jogo de argolas, um a um pneus são empilhados sobre a vítima de pé, até ultrapassar a cabeça. Feito isso, os pneus são incendiados para cremação do corpo. A técnica hoje utilizada para queima de arquivo na marginalidade era utilizada pelos capitães do mato da ditadura militar. Foi assim que, como na canção  o Bêbado e a Equilibrista, muita gente partiu “num rabo de foguete” (João Bosco).

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A bestialização do povo brasileiro, por Aldo Fornazieri

A bestialização do povo brasileiro

por Aldo Fornazieri

Diante do fracasso histórico dos setores progressistas e de esquerda é forçoso reconhecer que eles mesmos foram co-artífices desse fracasso e que contribuíram significativamente para com a manutenção das subalternidade das classes populares à hegemonia das elites econômicas e políticas do país. Em outras palavras: contribuíram para com a manutenção do povo brasileiro na condição de bestializado.

Como se sabe, a ideia de um povo bestializado foi criada pelo jornalista, jurista e político Aristides Lobo no contexto da passeata militar que proclamou a República. Ao testemunhar aquela passeata, comandada por um marechal monarquista, Lobo escreveu: "O povo assistiu àquilo bestializado, atônito, surpreso, sem saber o que significava". A coisa do povo - a res publica - nascia, desta forma, sem povo. Pior ainda, nascia sem povo, sem armas e sem terras, logo após a Abolição, levada a efeito por uma princesa que era mais uma carola de sacristia do que propriamente uma estadista.  

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Do tempo em que o PMDB tinha pudores e era republicano, por Fernando J.

Do tempo em que o PMDB tinha pudores e era republicano

por Fernando J.

Em 1982, o PMDB conquistou os principais governos estaduais: Montoro em SP, Tancredo em MG, José Richa no Paraná, e Iris Rezende, em Goiás. No Rio, Brizola levara pelo PDT. O PDS, sucedâneo da ARENA, tonava-se assim o partido dos grotões, conforme definiu Tancredo à época.  

Além dos governadores, 9 senadores pelo PMDB e 1 pelo PDT; na Câmara, o PDS ficava com 50,27% dos deputados, enquanto que o PMDB com 42,66% e o PDT, com 3,80%. Em 1986, na esteira do “sucesso” do Plano Cruzado, viria nova vitória acachapante.

No Mato Grosso do Sul, que realizava a primeira eleição pós-divisão do Estado, não foi diferente. A onda oposicionista elegeu pelo PMDB o simpático, bonachão, equilibrado e civilizado Wilson Barbosa Martins, removendo do poder um ícone da ditadura, Pedro Pedrossian, governador nomeado no período 1980-1982. Pedrossian já havia governado o então Mato Grosso, nomeado pela ARENA entre 1966-1971. Voltaria ao governo do Estado, pelo voto, entre 1991-1995.

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O golpe do parlamentarismo, um golpe contra o golpe de Estado em 2019?, por Cesar Cardoso

O golpe do parlamentarismo, um golpe contra o golpe de Estado em 2019?

por Cesar Cardoso

Os golpes e as crises políticas - na expressão do Renato Rovai - não são, vão sendo; os ventos mudam, as forças mudam, as correlações mudam, e cenários vão se formando. E, entre todos os planos, correlações e maquinações, sempre aparece a realidade, teimosa como ela só.

E a realidade tem sido particularmente incômoda com as alas golpistas: sem conseguir disfarçar que o Brasil é um país pior do que era em 2013, início da campanha golpista, começam a assistir a população se dividir entre dois grupos: a saudade de um Lula (ou quem for seu Héctor Cámpora) cada vez mais transformado em algo entre mártir e messias e candidatos contra "tudo isso que está aí".

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A derrocada americana, por Gustavo Gollo

A derrocada americana, por Gustavo Gollo

Tenho profetizado a queda do ocidente paralelamente à diluição do dólar e a implosão dos Estados Unidos. Essa expectativa já se encontra generalizada e compartilhada por muitos, sem haver, no entanto, estimativas para a intensidade da catástrofe. O que esperar?

A derrocada americana será uma consequência da mudança de poder. Um pequeno grupo tem dado as cartas e definido, há décadas, as regras do jogo no mundo inteiro, em quase todos os níveis. Apenas enclaves marginais têm resistido, em certa medida, às suas imposições descritas como globalização. A influência desse grupo se exerce em todas as esferas, sustentada por seu imenso poder econômico, centralizado nos Estados Unidos. A superação econômica americana permitirá que os chineses lhes arrebatem as rédeas e passem a dominar o mundo, ditando novas regras, monitoradas por novos árbitros.

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Ao contrário dos EUA, o Brasil não sabe o que é defesa do interesse nacional, por José Carlos Lima

Ao contrário dos EUA, o Brasil não sabe o que é defesa do interesse nacional

por José Carlos Lima

Mesmo estando errados, os EUA seguem a lógica do "farinha pouca, primeiro o meu pirão".

Eu nem diria que estão errados.

Errado está o povo brasileiro e o Brasil por nao saberem o que é defesa do interesse nacional...muito menos Instituiçoes e Judiciário e demais poderes sabem o que é isso...

Outro caso que demosntra isso: os EUA não puniram o piloto do Legacy que derrubou o avião da Gol e matou mais de 150 brasileiros.....o caso foi levado a tribunais internacionais. Leia mais »

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Dilaceramento tático e crise estratégica, por Ion de Andrade

Dilaceramento tático e crise estratégica

por Ion de Andrade

O cenário incerto do curto prazo vem submetendo a esquerda a um jogo de tensões que torna difícil optar por uma alternativa unitária para enfrentar o governo ilegítimo. Vão e vêm as propostas de Fora Temer e Diretas Já e de Anulação do Impeachment e Volta Dilma. Porém o que parece despudoradamente consolidar-se é a permanência de Temer até 2018, o que nos obriga a um exaustivo enfrentamento do governo zumbi, indiferente às ruas, alimentados quase que unicamente pela hipótese Lula.

Esse cenário de incertezas contribui também para a permanência de Temer fato que vai nos levando para a quarta fase do luto como o vê Elisabeth Kubler-Ross, a depressão. Aos interessados, há muita coisa sobre as fases do luto de Elisabeth Kubler-Ross na internet.

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STJ mantém condenação de Bolsonaro e o absurdo da possibilidade dele recorrer, por Matê da Luz

STJ mantém condenação de Bolsonaro e o absurdo da possibilidade dele recorrer

por Matê da Luz

Pronto. Era o que faltava pra confirmar que a vida é uma enorme quinta-série C. Façamos um exercício de imaginação: estamos todos em sala de aula, meninos e meninas, na presença de um professor. Vamos supor que temos cerca de 13 anos, pra dar um contexto no qual entendemos a força de nossas palavras e alguns significados relevantes. Um dos meninos levanta e diz, na frente de todos os outros, que tal menina não merece ser estuprada porque é muito feia. Precisa dizer mais ou dá pra entender que este contexto é agressivo o suficiente pro garoto ser expulso de sala de aula com advertência e suspensão? 

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Otimista Desesperado: Por um Movimento pelo Resgate da Alma Brasileira, por Edmundo de Moraes

Otimista Desesperado: Por um Movimento pelo Resgate da Alma Brasileira

por Edmundo de Moraes 

René Dubos foi uma das mentes mais brilhantes do século passado. Cientista, foi responsável pelo trabalho pioneiro que levou à descoberta dos antibióticos: isolou a gramicidina, antibiótico que antecedeu a penicilina. Escritor brilhante, recebeu o Prêmio Pulitzer pelo seu livro “Um animal tão humano”. Foi um dos primeiros grandes ambientalistas, na acepção primordial da palavra, ao reconhecer a importância de se considerar a interferência mútua entre o ambiente e os seres vivos, humanos incluídos. É dele a frase “pensar globalmente, mas agir localmente”, título de um dos capítulos do seu último livro, “Celebrations of life”, infelizmente não traduzido para o Português. Durante algum tempo, René Dubos foi responsável por uma coluna no periódico “The American Scholar” denominada “O Otimista Desesperado”. Refiro-me aqui a René Dubos, pois diante da situação em que se encontra o nosso país, eu entendo perfeitamente o que ele queria dizer com o otimista em desespero.

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O nó na garganta dos ministros do STF

Em virtude da ausência motivada por doença do ministro Dias Toffoli, o STF suspendeu o julgamento de um processo que pode afetar negativamente a vida dos quilombolas e dos indígenas. O nó do Tribunal me parece evidente.

Os ministros do STF deram ao bandido Eduardo Cunha tempo para iniciar e concluir o Impedimento mediante fraude de Dilma Rousseff. Depois, eles se recusaram a suspender o processo por causa da evidente cerceamento de defesa. Por fim, apesar do evidente prejuízo da vítima do abuso, o Tribunal está protelando o julgamento do Mandado de Segurança interposto por causa da nulidade do processo e da decisão. Leia mais »

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Os Filhos de Cornélia ou a História como Tragédia, por Pedro Augusto Pinho

Os Filhos de Cornélia ou a História como Tragédia

por Pedro Augusto Pinho

Os irmãos Graco são parte da História da Roma antiga e mais conhecidos, talvez, pelo exemplo de sua mãe. Conta a lenda que recebendo em sua casa uma socialite, vaidosa e oca, como vocês conhecem várias bate panelas, coberta de joias, pergunta à Cornélia: onde estão suas joias? E a mãe de Tibério e Caio chama seus filhos e responde: estas são minhas joias.

E ambos mostraram a assertiva de sua mãe no futuro comportamento político.

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Era uma vez um país, por Carlos Motta

Era uma vez um país, por Carlos Motta

As más notícias não cessam.

Nem é mais possível medir o tamanho da crise, uma crise econômica, política e moral jamais vista nestas terras.

Alguns ainda têm esperanças, vislumbram a bonança depois da tempestade, como se estivessem vendo uma produção hollywoodiana açucarada, uma daquelas com final feliz.

Outros já jogaram a toalha e sentem que o Brasil não é mais uma nação, mas um ajuntamento de pessoas que vivem apenas pelos seus próprios interesses, num salve-se-quem-puder no qual não existe espaço para um pingo de civilidade.

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