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Opinião

A inocência no ordenamento opinativo brasileiro, por Francy Lisboa

A inocência no ordenamento opinativo brasileiro, por Francy Lisboa

A inocência é o resultado de julgamentos que podem seguir dois distintos ordenamentos: o jurídico e o social. O jurídico sabemos é berço no qual recaem as regras que qualquer nação teve de construir para se separar da barbárie. O opinativo é o meu, o seu, o nosso, eivado de nuances que o tornam um verdadeiro balaio de gato, e é esse ordenamento o que mais torna desnecessária a definição padrão de inocência.

Quando a inocência passa a ser determinada pelo ordenamento opinativo, não há razão para os arroubos de sinceridade  em que agentes da Lei assumem que as abordagens são diferentes de acordo com a classe social. Também, quando o ordenamento opinativo é o guia para determinação da culpa, pouco importam provas contrárias, malabarismos jurídicos já são suficientes para o veredito.

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Gilmar Mendes age como quem pode desafiar e desacatar o que quiser, por Janio de Freitas

Foto Agência Brasil

Jornal GGN – Gilmar Mendes pode tudo? Quem pergunta é Janio de Freitas, em seu artigo na Folha, que lembra que além de orientador do denunciado Michel Temer, ele ainda é útil por suplantar Temer como figura mais comentada e reprovada.  E a desonra vai também para o modo como usa a magistratura contra a Magistratura.

Para Janio, ele personifica a ideia de desmandos da Justiça, que causa danos, principalmente ao Supremo Tribunal Federal. E mais, ele age com indiferente insegurança, que a todos desafia e a todos desacata, e nada lhe acontece. E com tudo isso vem a pergunta: não há ninguém nem o que fazer contra esse vale-tudo?

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Morte, morte, morte que talvez seja o segredo dessa vida, por Matê da Luz

Morte, morte, morte que talvez seja o segredo dessa vida

por Matê da Luz

As músicas são válvulas de escape para as dores rotineiras - e para aquelas as quais não há dimensão, tanto que latejam. Enquanto coração e mente não se alinham na mesma sintonia, mesmo que esteja há tanto exercitando ambos para este encontro necessário e de paz, musicalizar a dor é algo que fortalece o caminhar. 

Eu não sei lidar com a morte. Acho que talvez nem saiba lidar com a possibilidade da morte, veja só como eu escrevo: possibilidade, como se não fosse a única a soberana certeza que temos, todos nós, aqui nessa Terra. É, eu não sei e, durante este ano, tenho percebido que não apenas não sei mas também que desgosto. 

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Como fazer durar uma espera, por Volnei Antonio Dassoler

do Psicanalistas pela Democracia

Como fazer durar uma espera

por Volnei Antonio Dassoler

E eis que um incêndio na madrugada de 27 de janeiro de 2013 fez com que a cidade gaúcha de Santa Maria da Boca do Monte se tornasse tragicamente conhecida como Santa Maria da Boate Kiss. Um conjunto de falhas nos procedimentos de prevenção e segurança na casa noturna resultou na morte de 242 pessoas e deixou centenas de feridos, muitos deles com importantes sequelas físicas e psíquicas. De acordo com a perícia, a maioria das mortes foi causada por asfixia em decorrência da inalação de monóxido de carbono e cianeto. Desde então, esse acontecimento se incorporou, forçosamente, às histórias pessoais e da cidade que compartilharam o mesmo destino. De lá pra cá, muito do que acontece no cotidiano transcorre tendo como pano de fundo trauma e culpa.

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Classe média tradicional: reflexões a partir de um fato do cotidiano, por Alexandre Tambelli

Classe média tradicional: reflexões a partir de um fato do cotidiano

por Alexandre Tambelli

Nos anos 90 um fato cotidiano me marcou. Fui com jovens de classe média tradicional (minha classe social) jogar bola em um clube de campo.

Para chegar ao clube precisamos passar por bairro periférico, onde a característica é a ocupação de morros com moradias simplórias visíveis do plano da estrada.

De repente olhando para o lado esquerdo da estrada um desses jovens avista um galpão simplório no alto do morro com a seguinte placa escrita:

- Aluga-se para casamentos e festas.

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Eric Hobsbawm, Wolfgang Streeck e a reconstrução do espaço político no Brasil, por Fábio de Oliveira Ribeiro

​Eric Hobsbawm, Wolfgang Streeck e a reconstrução do espaço político no Brasil

por Fábio de Oliveira Ribeiro

Numa entrevista que deu a Antonio Polito em 1999, o historiador Eric Hobsbawm, intuiu que o principal conflito no século XX se daria entre o mercado e o Estado. Todavia, ele ainda acreditava que a política teria algum papel a desempenhar num mundo que estava sendo sufocado pelos interesses econômicos.

“...a globalização é um processo que não pode ser facilmente transposto para a política. Nós já temos uma economia globalizada, podemos aspirar a uma cultura globalizada, certamente dispomos de uma tecnologia globalizada e de uma ciência globalizada, mas, em termos políticos, vivemos em um mundo que permanece de fato pluralist e dividido em Estados territoriais. Claro que esses Estados não são todos iguais. Há cerca de duas centenas de países no planeta, dos quais alguns são paraísos fiscais e, na verdade, sua única razão de ser é o fato de serem úteis para a economia global. No entanto, três quartos da população mundial vivem em cerca de 25 Estados com mais de 50 milhões de habitantes, e não existe nenhuma autoridade acima deles.

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Reforma Política: querem mudar para conservar, por Paulo Teixeira

Reforma Política: querem mudar para conservar

por Paulo Teixeira

A proposta de reforma política que está para ser votada na Câmara dos Deputados é inaceitável e traz de volta aquela velha máxima: “algo deve mudar para que tudo continue como está”.  

Seu ponto principal é o chamado Distritão, um modelo de sistema eleitoral por voto local e majoritário. É uma lei para conservar a base Cunha-Temer-Aécio, já que favorece candidatos com maior poder econômico, político e midiático e evita uma renovação na próxima legislatura.

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Desvendando a economia colonial, razões para o irredentismo, por Pedro Augusto Pinho

Desvendando a economia colonial, razões para o irredentismo

por Pedro Augusto Pinho

Em dois artigos (É culpa do PT, o Partido dos Tiradentes e Temer, um brasileiro ou O silêncio das ruas) procurei apresentar o Brasil colonial, na ótica reveladora que historiadores – majoritariamente com seus doutoramentos obtidos, a partir de 1980, em universidades públicas no Estado do Rio de Janeiro – estão nos descortinando.

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O novo pode ser o velho conhecido de todos, por Carlos Motta

O novo pode ser o velho conhecido de todos, por Carlos Motta

Dez entre dez dos chamados "analistas" que abundam em nossa mídia apostam que a eleição presidencial do próximo ano terá o protagonismo do "novo", a candidatura que não se confunde com o estraçalhado modo tradicional de se fazer política.

Esse novo que fará um sucesso estrondoso, dizem os sabichões, tanto pode ser o prefeito paulistano, com a sua inédita gestão à distância, ou o deputado fascista, com seu apelo aos instintos mais primitivos, ou a amante da natureza, com sabe-se-lá o quê.

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A emancipação do povo brasileiro, por Ion de Andrade

A emancipação do povo brasileiro, por Ion de Andrade

Recente artigo do Professor Aldo Fornazieri, “A bestialização do povo brasileiro” mostra o que ele arremata da seguinte forma: “Os partidos e movimentos sociais progressistas e de esquerda precisam ser ativos e atuantes nessa disputa de concepções de mundo e de valores através da propaganda, formação e organização dos vários grupos e segmentos sociais. Sem a criação desse terreno propício ao desenvolvimento de uma vontade e de uma força politicamente ativa nacional-popular o Brasil terá seu futuro condenado e nenhuma transformação modernizadora de sentido progressista se fará efetiva. Os campos largos da periferia ficarão a mercê da reforma religiosa conservadora e do crime organizado. Os joãos trabalhadores da demagogia e do charlatanismo e outras expressões autoritárias terão um terreno fértil para colher votos e vitórias eleitorais.”

A sua análise coincide com o que tenho defendido e é, a meu ver incontestável. Precisamos, portanto, se quisermos que o processo de democratização se torne estável e irreversível, de um robusto e consciente protagonismo das maiorias.

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Semidistritão, tomada de três pinos e jabuticaba, por Luis Felipe Miguel

Semidistritão, tomada de três pinos e jabuticaba

por Luis Felipe Miguel

Ao criticar a proposta do chamado "semidistritão", Bernardo Mello Franco a chama de "a nova tomada de três pinos", por ser "uma solução tupiniquim, de autoria desconhecida, que ajudará seus poucos criadores a se dar bem às custas da maioria".

É comum falar mal da tomada de três pinos e realmente a mudança do padrão do plug causou e ainda causa aborrecimentos, mas a crítica vulgar que Franco reproduz é baseada em desinformação. O padrão que o Brasil adotou não é exclusivo. Pelo contrário, é o padrão proposto pela Comissão Eletrotécnica Internacional para se tornar universal. Além do Brasil, já está em uso em países como Suíça e África do Sul.

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Ser professor não é "bico". É a mais importante profissão, por Maria Izabel Azevedo Noronha

Ser professor não é "bico". É a mais importante profissão

por Maria Izabel Azevedo Noronha

Um anúncio publicitário da "Universidade Anhanguera" teve o dom de expor para toda a população alguns aspectos estruturantes do processo golpista que estamos vivendo no Brasil e que sustenta Michel Temer na Presidência da República: a quebra dos direitos trabalhistas conquistados ao longo de décadas, o desmonte da educação brasileira direcionando-a para o caminho da privatização e a desvalorização ainda maior do magistério.

No anúncio, o apresentador da Rede Globo, Luciano Huck, incentiva as pessoas a frequentarem cursos de pedagogia para complementarem sua renda. Assim, não apenas transforma a docência em um "bico", como deixa muito claro o lugar da educação no País que está sendo formatado pelos que agora ocupam o poder em Brasília, associados aos comunicadores de massa engajados politicamente neste projeto de destruição.

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É culpa do PT, o Partido dos Tiradentes, por Pedro Augusto Pinho

É culpa do PT, o Partido dos Tiradentes

por Pedro Augusto Pinho

Há uma história mítica, que nos conta o poder dominante, e uma história saída dos fatos, pesquisadas, no mais das vezes com extremo lavor, por historiadores, antropólogos e outros cientistas.

A passagem da Idade Média, do feudalismo, para Idade Moderna, para o capitalismo, é um exemplo bastante interessante. Para os discípulos fieis ao poder dominante, a Idade Média, na Europa, é uma só, igual de ponta a ponta, com briosos cavaleiros (nem sempre cavalheiros) levando a justiça e a fé na ponta de sua lança.

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A Miss Brasil é negra - qual é a surpresa?, por Matê da Luz

A Miss Brasil é negra - qual é a surpresa?

por Matê da Luz

Uma das coisas mais preciosas que aprendo rotineiramente com minha filha adolescente é casar discurso e prática. É claro que exige treino, vez ou outra escorrego e piso na bola mas, pode notar, me comprometo a colocar no dia a dia aquilo a que me proponho. O lugar de fala é uma dessas coisas. Uma das mais importantes, aliás. Desde que comecei a passear com mais clareza no feminismo ativo, venho compreendendo esta questão. O lugar de fala é bem isso que parece quando a gente pensa nele: uma espécie de púpito, local destinado a quem está com a questão central na ponta da língua. 

Então, no sentido de praticar o que tenho aprendido como precioso, o espaço aqui destinado ao que me é relevante, que neste dia dá conta do espanto de tanta gente sobre a Miss Brasil ser negra, bem, este espaço será destinado a replicar um dos textos mais brilhantes e lucidos sobre o tema. Potencializando o lugar de fala, deixo o link da publicação original e copio aqui embaixo, na íntegra, 

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Temer, um brasileiro ou o silêncio das ruas, por Pedro Augusto Pinho

Montagem com imagens WikiMidia

Temer, um brasileiro ou o silêncio das ruas

por Pedro Augusto Pinho

“Declaro que sempre tive no estado de solteira e por fragilidade humana tenho três filhos de pais incógnitos a saber: Vicente exposto em casa de Antônio Rangel; Luiz exposto em casa de Pedro Soares de Moura; Manoel que o criou com assento no batismo de exposto em casa de Simão de Oliveira os quais ditos meus filhos os constituo por meus legítimos herdeiros” (1793).

Qual a história do Brasil que você conhece?

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