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Opinião

Desenvolvimento e a semântica das palavras, por Matê da Luz

Desenvolvimento e a semântica das palavras

por Matê da Luz

Semântica é o estudo sincrônico ou diacrônico da significação como parte dos sistemas das línguas naturais. Está intimamente relacionada aos simbolismo que as palavras carregam, quer dizer, ligada com força ao significado que interpretamos profundamente sobre determinada combinação de letras.

Mas acontece que a vida passa e a Lusitana roda e a gente, tão acostumado ao falar-ouvir-absorver, acaba esquecendo deste detalhe tão importante: o impacto deste simbolismo na formação de quem somos e todo o florescer disso, passando inclusive sobre moldes de caráter e estima que, ao meu ver, estão intimamente relacionados.

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O apito da panela de pressão, por Paulo Kliass

Frente ao atual quadro, é compreensível a indagação de quem não entende a passividade da maioria. Até quando aguardar para que ouçamos o apito da panela?

na Carta Maior

O apito da panela de pressão

por Paulo Kliass

O primeiro semestre deste ano marca o quadragésimo aniversário de uma importante etapa do movimento de luta contra a ditadura militar, que havia se instalado em nosso País em 1º de abril de 1964. Entre maio e junho de 1977 os estudantes foram às ruas em várias capitais denunciando prisões arbitrárias, a repressão generalizada e também as questões específicas da pauta na área da educação. As primeiras manifestações ocorreram na capital paulista. 

Parte dessa mobilização, até então inédita desde as passeatas de 1968, foi registrada na forma de um importante documentário realizado por estudantes da USP no calor dos acontecimentos. O filme recebeu o título de “O apito da panela de pressão” e foi divulgado pelo Brasil afora, apesar de proibido pelo governo do General Geisel. O exemplo vindo das imagens registradas em São Paulo operou como catalisador do sentimento generalizado de repúdio ao regime, mostrando que havia espaço para ampliar as lutas.

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Aliança antinacional faz de Rodrigo Maia o “Temer de Temer” e deflagra o “golpe dentro do golpe”, por Daniel Samam

Aliança antinacional faz de Rodrigo Maia o “Temer de Temer” e deflagra o “golpe dentro do golpe”

por Daniel Samam

A aliança antinacional, formada pela Rede Globo, pela Banca (capital financeiro) e a “tigrada” (setores da burocracia estatal como Ministério Público (MP), Polícia Federal (PF) e do Judiciário) não dá ponto sem nó. Toda essa ofensiva contra Michel Temer (PMDB-SP), desde a publicização das gravações do vagabundo Joesley Batista, da J&F, tem o objetivo de derrubá-lo e colocar em seu lugar o atual presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), para dar continuidade às contrarreformas. Em suma, é radicalizar a agenda de retirada de direitos e de desmonte do Estado proveniente da vendeta neoliberal.

Nesse sentido, o jornal Valor (7) explicita a tática da aliança antinacional: na matéria "Temer perde apoio e Maia já se articula com mercado", o jornal revela que “Maia tem tido encontros com investidores e analistas dos bancos Santander, Itaú e Banco Société Générale Brasil, de corretoras como XP Investimentos e BGC Liquidez, de empresas de análise, e economistas, como o diretor-presidente do Insper, Marcos Lisboa.”

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O populismo bem entendido, por Rui Daher

Há pouco mais de três anos, perdíamos o cientista político argentino Ernesto Laclau. A partir da leitura de “A razão populista” (2005 - Editora Três Estrelas, 2013), me enfurecia sempre que luminares do jornalismo político nacional tratavam o termo populista de forma pejorativa, na base do Pires, um mal em si.

No Brasil, contraposta à oligarquia rural, a condução populista foi benéfica ao desenvolvimento e, portanto, em certas circunstâncias, necessária a relação direta entre um líder carismático e as massas. Mesmo em períodos quando fora dos preceitos da democracia representativa. Foi entre 1950 e 1980, em meio a ditadores, caudilhos e militares populistas, que o Brasil mais avançou em modernização.

O que veio depois foi alucinação ignorante sobre o que acontecia no mundo da globalização e, em seguida, a polarização daqueles que atônitos tentavam segurar o acordo secular de elites e os que, também atônitos, cediam à governabilidade para poder soltar franjas de emprego, renda e assistência à inserção social. Com pitadas de populismo, ainda bem. Leia mais »

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A ascensão de Rodrigo Maia e o exílio do povo, por Roberto Amaral

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Foto: Alan Santos/PR
 
 
A ascensão Rodrigo Maia e o exílio do povo
 
Por Roberto Amaral
 
A solução por cima, a do mercado, garante a permanência de uma política econômica concentradora de renda
 
Maia é a garantia dos interesses do mercado
 
Dizem os jornalões que o “mercado” decidiu desfazer-se do mamulengo que instalou no Palácio do Planalto. Já era tempo. Envolvido em sérios atos de corrupção, ademais de incompetente na gerência do papel que lhe foi atribuído, alvo de denúncias da Procuradoria-Geral da República e aguardando as delações de seu correligionário Eduardo Cunha e do doleiro Lúcio Funaro, o ainda presidente Michel Temer já teria, como esperado, se tornado peça descartável, carga pesada e inútil a ser lançada ao mar para que o essencial, as “reformas” do interesse das classes dominantes, aquelas que só atendem ao grande capital, não sofram mais abalos, na medida em que a originalmente frondosa base parlamentar do governo se esvai, na medida inversa em que cresce a rejeição popular.
 
O grande capital, ademais de jogar às urtigas seu preposto de hoje, ainda dita o que quer como modus operandi da sucessão, que deve ser operada “sob segurança” (isto é, sob sua vigilância e sob seu comando), colocando o insosso Rodrigo Maia na Presidência, mediante eleição indireta, pelo Congresso, e já adianta a ordem capital: a equipe econômica terá de ser mantida. Essa ameaça, a solução prussiana, por cima, confirma o permanente exílio do povo, afastado uma vez mais das decisões políticas que lhe dizem respeito, pois as classes dominantes, ou o “mercado” (o que quer que seja isso), não se conciliam com a democracia representativa, cujo fundamento é o voto.

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O "botafogo" da Odebrecht é a escolha da oligarquia para continuar o golpe, por Jeferson Miola

 

por Jeferson Miola

Michel Temer está próximo da sua morte política como nunca esteve em nenhum outro momento em mais de ano exercendo ilegitimamente a presidência do Brasil.

A primeira denúncia da procuradoria da república, por corrupção passiva, deixou-o em situação indefensável. Temer é o "chefe da maior e mais perigosa quadrilha do Brasil" [Joesley Batista], e deverá enfrentar ainda outras três denúncias da procuradoria: por organização criminosa, obstrução da justiça e prevaricação.

A prisão de Geddel Vieira Lima, o terceiro integrante da OrCrim [Organização Criminosa, segundo o dono da JBS] a ter o mesmo destino de Eduardo Cunha e Henrique Alves, diminuiu a esperança de Temer na salvação.

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Do possibilismo raso à ausência de debate, por Luis Felipe Miguel

Foto PT

Do possibilismo raso à ausência de debate

por Luis Felipe Miguel

As reações à fala de Lula à rádio paraibana mostram um pouco da miséria da esquerda brasileira.

Há quem opta pela negação, sugerindo que tudo não passa de uma mentira do Valor (mas está no Youtube, basta procurar "Lula dá entrevista à rádio Arapuan, da Paraíba" e assistir a partir de 25:25).

Há quem acuse os críticos de "dividir a esquerda". Como se a união exigisse a ausência de debate. Como se o "deslize" de Lula fosse necessariamente só um deslize, não um recuo na pauta central que pode e deve promover a união das esquerdas no Brasil, que é o desfazimento do golpe. Mas isso é típico deste discurso, que mobiliza a acusação de "dividir a esquerda" contra quem ousa criticar o líder e, enquanto isso, bate à vontade em companheiros com outras posições. Como se a união da esquerda significasse, na prática, a adesão cega e automática às posições de Lula.

O eixo principal, porém, é o possibilismo raso. A velha máxima conservadora "a política é a arte do possível" é assumida acriticamente, sem se questionar como se produz, em cada situação histórica, este "possível" e sem lembrar que a tarefa da esquerda sempre foi estender os seus limites.

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O presidencialismo condominial e o parlamentarismo à brasileira, por César Cardoso

O presidencialismo condominial e o parlamentarismo à brasileira

por César Cardoso

Já podemos dizer que o Grande Acordo Nacional venceu a guerra interna do golpe de 2016 contra as corporações estatais. E, com a poeira da batalha assentando, algumas coisas que antes estavam escondidas começam a aparecer. Uma delas é o presidencialismo brasileiro se transformando num parlamentarismo à brasileira.

Por fora não houve nenhuma grande mudança: o presidente da República continua sendo chefe de Estado e de Governo, eleito diretamente por 4 anos, com direito a uma reeleição; as duas Casas do Congresso continuam eleitas do mesmo jeito; e por aí vai. Mas na prática...

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Os ratos, por Fernando Horta

Os ratos, por Fernando Horta

Comparar frações é uma das coisas mais complicadas de se fazer sem uma metodologia própria. O que é menor 7/8 ou 6/9? 7/12 avos ou 3/5? Fica sempre muito difícil sem um parâmetro, uma metodologia que nos possa servir para tornar as coisas “comparáveis”. Michel Temer é uma fração de presidente, Rodrigo Maia outra fração, como presidente da Câmara. Qual o menor?

Temer, da última vez que concorreu como candidato às proporcionais (em 2006), recebeu 99.046 votos para deputado por São Paulo. Ficou em 54º lugar naquelas eleições. Só conseguiu entrar pelo famoso “quociente eleitoral”. Seu recorde foram 252.229 votos na eleição de 2002, quando ficou em sexto mais votado por São Paulo.

Rodrigo Maia é um dos tantos “herdeiros políticos” que estão no nosso parlamento. O filho do ex-prefeito do Rio de Janeiro César Maia, começou sua carreira na Câmara em 1998 recebendo 96.385 votos. Depois, em 2002 teve 117.229, em 2006 198.770, e em 2010 caiu para 86.162 votos apenas. Nas eleições de 2014, afundou mais ainda com apenas 53.167 votos. Ficando apenas em 29º lugar entre os eleitos do RJ. Elegeu-se, também, pelo famoso quociente eleitoral.

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Crise de governo e pacto conservador, por Walter Sorrentino

Crise de governo e pacto conservador

por Walter Sorrentino

Imprevisibilidade segue como o sobrenome da crise política e institucional em busca de saídas. Seu nome, neste momento, atende por crise aguda de governo. O governo Temer já vive fora das leis da gravidade. Diminuem seguidamente as probabilidades de que permaneça: ainda se esperam outras denúncias do Ministério Público, delações como a de Lúcio Funaro e Eduardo Cunha, quem sabe Loures. Um xeque-mate será possível em poucos lances assim que a pactuação pelo alto, em curso acelerado, decidir como prosseguir sem passar mais por Temer.

O campo de forças que o sustentou, a partir do próprio impeachment, dividiu-se taticamente, porque os setores que o integram buscam sobrepor-se uns aos outros quanto à saída de nova Presidência da República em 2018. Mas segue forte e unido em frente ampla em torno do essencial: as “reformas”, impedir Diretas Já e buscar impedir a candidatura de Lula (ou no mínimo minar as condições de vencer).

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Há coisas que só acontecem com o Botafogo, por Sérgio Saraiva

Na falta de Sergio Moro, vamos de Rodrigo Maia. Pobre Manequinho, há coisas que só acontecem com o Botafogo.

Rodrigo Maia

Há coisas que só acontecem com o Botafogo

por Sérgio Saraiva

A pesquisa Datafolha que especulava sobre a intenção de votos para presidente trazia uma informação relevante que aparentemente passou sem maiores apreciações. Parece uma curiosidade, mas é sintomática no que revela. Na simulação para segundo turno, Lula só perde para Sergio Moro – um empate técnico, na verdade, mas, mesmo assim, Moro está à frente de Lula por dois pontos percentuais. É também o cenário onde há menor porcentagem de indecisos.

Datafolha jun2018 2turno

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Mas afinal, quem elegeu esse bando?, por Carlos Motta

Mas afinal, quem elegeu esse bando?

por Carlos Motta

Tem horas em que vejo pensando com os meus botões: mas, afinal, por que existe tanta gente indignada com os deputados, com os senadores, com o governador, com presidente da República, ou mesmo com o prefeito e os vereadores de sua cidade?

Está certo que, descontando as exceções, os parlamentares e os chefes de Executivo do Brasil são, com a maior boa vontade que possamos ter, deploráveis.

Num chute bem dado, é possível dizer que 90% deles são semialfabetizados, defendem seus próprios interesses, não fazem distinção entre o público e o privado, foram eleitos sem respeitar a legislação eleitoral, e usam o cargo como mero balcão de negócios - são corruptos, ou picaretas, como queiram.

Mas, insisto com os meus botões, quem votou nessa súcia, ou seja, quem botou essa corja nas câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, governos estaduais ou nas prefeituras?

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Do "Mineirinho, Vivo ou Morto" ao "Mineirinho, Leve e Solto", por Franklin Jr

Do "Mineirinho, Vivo ou Morto" ao "Mineirinho, Leve e Solto": curiosidades e contrastes do país campeão da desigualdade

por Franklin Jr

Muito embora tenhamos consciência das agonizantes assimetrias sociais que demarcam a realidade brasileira, é motivo de perplexidade não somente a astúcia, o ardil e a profusão de delinquências perpetradas pelo “Mineirinho” mais conhecido da atualidade, assim como a intrigante blindagem judicial que parece ratificar a intocabilidade deste homem cínico, que foi um dos principais artífices da conspirata golpista que está arruinando o Brasil.

O abismo no qual o país foi lançado pelo golpe de 2016 e pelos atos ilegais e estelionatários dele derivados, se inscreve de maneira geral na vida nacional como ruína econômica, política, social, cultural, moral e também judicial, tendo em vista o excepcionalismo punitivista que, sob as réguas de um penalismo medieval seletivo e do espetáculo midiático, chicoteia com uma mão cruel os despossuídos e também aqueles que os defendem [1], e com a outra mão adula docemente os poderosos.

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Temer, cada vez mais, o menor dos problemas, por Paulo Endo

Hora de desligar a TV e olhar o espelho

do Psicanalistas pela Democracia

Temer, cada vez mais, o menor dos problemas

por Paulo Endo

Curioso que quanto mais o tempo passa mais claro fica que Temer é um pobre coitado do ponto de vista moral e ético. Uma pessoa infame, corrupta, sem carisma e que não cessa de envergonhar o país por onde quer que passe. Suas viagens internacionais se tornaram verdadeiros périplos de humilhação e falta de bom senso e não há um lugar em que ele e seu séquito não se deparem com manifestações contra seu governo e contra sua pessoa.( https://theintercept.com/2017/06/25/desprestigio-e-vexames-marcam-turne-...)

Ficará na história como exemplo de até onde o mau caratismo, o cinismo e a covardia podem levar o país quando assumem o poder.

Um político que passou a vida arrastando as asas em torno dos poderosos sem nunca atingir protagonismo significativo e, claramente, um capacho de gravata que vira as costas para a maioria dos brasileiros para atender sem hesitação sua classe social de privilegiados que o sustenta, torce por ele e o mantém.

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Geddel, o caso de impunidade mais assombroso de nosso tempo, por Janio de Freitas

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Foto: Beto Barata
 
Jornal GGN - Preso nesta semana, Geddel Vieira Lima, um dos aliados mais próximos do presidente Michel Temer, é um dos casos mais assombrosos de impunidade e de imunidade na política nos últimos tempos.
 
A opinião é do jornalista Janio de Freitas, que lembra que Geddel fez parte do escandâlo dos Anões do Orçamento, onde sete deputados caíram em uma CPI, em 1993, com exceção do ex-ministro de Temer. 
 
Para o jornalista, a imunidade conseguida por Geddel na época revela claramente o “compadrio inescrupuloso que rege grande parte das relações e das decisões parlamentares”. 

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