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Opinião

Cracolândias, população sobrante e reformas de base, por Roberto Bitencourt da Silva

Foto El Pais

Cracolândias, população sobrante e reformas de base

por Roberto Bitencourt da Silva

O fenômeno das cracolândias tem se revelado nos grandes centros urbanos brasileiros, como Rio de Janeiro e São Paulo, um tenebroso espetáculo midiático e humanitário. Há anos.

As medidas repressivas e destituídas de qualquer sensibilidade social, adotadas pelo prefeito paulistano, João Dória (PSDB), constituem capítulo mais recente e que incidiram na pauta jornalística, como no debate público.

O perfil das iniciativas levadas a cabo pela gestão Dória é tão grotesco que consegue recordar as diatribes do personagem Simão Bacamarte, de “O alienista” de Machado de Assis.

A diferença, bastante desfavorável ao prefeito, é que o romance foi escrito há mais de cem anos e tinha como pano de fundo certa crítica machadiana ao cientificismo da época, alçado à condição de última palavra e critério de saber e poder.

Até onde se sabe, Dória não é investido de qualquer “autoridade” nesse sentido.

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Com Doria é assim: bajula os de cima e agride os de baixo, por Paulo Teixeira

Com Doria é assim: bajula os de cima e agride os de baixo

por Paulo Teixeira

Desde o começo da sua gestão, em janeiro deste ano, o prefeito Dória vem dando provas de sua postura e jeito de trabalhar. Sempre postando e posando ao lado de empresários, não faltam tapas nas costas e sorrisos para as "parcerias" fechadas, feitas com pouca ou quase nada de transparência. O modo de trabalhar é o mesmo que lhe fez fama à frente do seu grupo, o LIDE. Conversas com os mandatários do poder em troca de diálogos privados na sequência. Agora, a justificativa dada é sempre a mesma: "Querem contribuir para São Paulo acelerar". Como se a cidade já não estivesse sempre correndo contra o tempo.

Ocorre que esta mesma boa vontade não é vista quando o assunto são as pessoas mais vulneráveis ou a população que vive fora do eixo Pinheiros - Centro. Obras na periferia foram paralisadas com a desculpa de uma suposta falta de dinheiro deixada pela gestão Haddad.

Ora, foram deixados mais de R$ 5 bilhões em caixa e todo o planejamento orçamentário para este ano foi apresentado e aprovado por Dória e sua equipe durante a transição republicana feita. O que falta mesmo é deixar o palanque e assumir que governar é fazer escolhas. Dória fez as suas. E não foi em benefício dos trabalhadores e da periferia.

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As duas Lava a Jato e o tempo do Brasil, por Fernando Horta

As duas Lava a Jato e o tempo do Brasil

por Fernando Horta

Desde antes da morte do ministro Teori Zavascki (em tempo, já investigaram?) era perceptível que existiam, ao menos, duas Lava a Jato. A operação capitaneada (sic) por Moro e os procuradores da “República de Curitiba” era uma operação. Parcial, não-constitucional, política e com foco exclusivo no ataque ao governo Dilma e em Lula. O ministro Teori deixou claro, em diversos momentos, seu desgosto com a forma com que esta operação era levada. Após sua morte, as manifestações do ex-ministro da Justiça, Eugênio Aragão, deixavam transparecer uma discordância ainda maior de Teori com tudo o que se passava. Talvez o ministro, sendo mais cuidadoso e silente, do que o juiz-justiceiro de Curitiba, não retrucasse da mesma maneira (na frente de microfones e câmeras), mas Teori deu os acordes iniciais para a outra Lava a Jato. Aquela centrada no STF e levada a cabo por um MP e uma PF muito mais imparciais e profissionais.

E foi esta segunda Lava a Jato que desmontou o governo Temer. Coisa que tinha ficado muito claro (será que para Teori também?) que Moro não faria. A desculpa do privilégio de foro não deve ser levada em conta. Dilma tinha foro privilegiado e isto não impediu que Moro criminosamente agisse de forma política vazando as conversas da presidenta em rede nacional. O que mantinha Moro tão zeloso quanto a Temer era outra coisa. Esta percepção e as fotos do juiz com figuras da oposição e mesmo com o presidente acendiam a luz vermelha na esquerda. Moro, como Gilmar Mendes, não se preocupa em disfarçar suas posições políticas, preocupam-se em negar o óbvio. Teori sabia que se a quisesse uma Lava a Jato ética e juridicamente correta, não poderia passar por Curitiba.

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Que fossa precisa ser aberta para chamar o golpe de golpe?, por Armando Coelho Neto

Que fossa precisa ser aberta para chamar o golpe de golpe?

por Armando Rodrigues Coelho Neto

É redundante lembrar que o Congresso Nacional está acuado por denúncias. Ao que consta, só em 2014, a JBS teria beneficiado quase dois mil candidatos de 28 partidos, tendo sido decisiva na eleição de 167 deputados federais e 18 senadores ligados a vários partidos. Em igual sentido, aparecem os beneficiados pela Odebrecht. Ao sabor de mídia golpista e vazamentos criminosos, doações legais e ilegais ganham o mesmo tom criminoso e já não se sabe quem é quem. Em meio a tudo isso, há aqueles parlamentares objetivamente investigados e suspeitos, que de alguma forma tentam salvar a pele. Tentar salvar a pele, a essa altura, significa também obedecer a ordens da misteriosa cozinha do golpe. Quem recebeu dinheiro para votar assim ou assado tem que honrar o compromisso.

Em grau maior ainda de complexidade aparece o impostor Michel Temer. A qualquer momento, o traidor e usuário fajuto da Faixa Presidencial pode deixar o posto e sair direto para o presídio da Papuda. Questões econômicas, firulas legais, interpretações restritivas ou elásticas do ordenamento jurídico ainda seguram o golpista no arremedo presidencial. Mas, não apenas isso, pois até que outros alicerces sejam redesenhados, qualquer rompimento pode ter reflexos maiores na economia, já seriamente afetada pelo amadorismo politizado da Farsa Jato. Eis que o jogo já não transparece tão calculado quanto antes. As cartas não estariam tão bem marcadas quanto pareciam. É inegável que a nebulosa cozinha do golpe transformou Fora Temer em refém.

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Os Brasis: ocupa Brasília, por Arkx

foto: Bruna Goularte

Os Brasis: ocupa Brasília, por Arkx

após um ano de resistência, o cerco foi rompido.

nos paneleiros globotomizados bate o arrependimento, ao se descobrirem como meros trouxinhas úteis. como ratazanas enganadas, os patos amarelos abandonam as ruas e o golpeachment começa a naufragar. já não é possível negar que o golpe nada mais é do que a guerra da lumpenburguesia brasileira contra o Povo, para exterminar com os direitos sociais e reconduzir o Brasil a um status pré Revolução de 1930.

é lançada a contra-ofensiva. numa impressionante blitzkrieg, os golpistas sofrem derrotas sucessivas.

após as grandes manifestações de 15-MAR contra as reformas regressivas e o austericídio,  realiza-se em 28-ABR a maior Greve Geral da História Brasileira.

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O momento político, caminhos a percorrer, por Walter Sorrentino

Foto El Pais

O momento político, caminhos a percorrer

por Walter Sorrentino

O presidente Temer foi posto em xeque e, em poucos movimentos mais, sabe que virá o xeque mate. Temer ainda se segura, tem ciência de sua fragilidade, procura ainda chantagear com as reformas (e a "caneta" para garantir apoios) para que o consórcio do impeachment o mantenha no cargo, mas teme por sua liberdade, que vai tentar negociar.

A Globo, com a Lava Jato minando o terreno da política, precipita essa solução. Age de modo exclusivista visando impor seu caminho - que é principalmente o de assegurar as reformas, mas também promover alternativas a 2018, que parecem ser decididamente o de nomes no campo da anti-política.

O país segue conflagrado na crise política e institucional. Ela foi aprofundada com o impeachment, que desmoralizou a nação e desnorteou a sociedade. Há um sistema de conflitos múltiplos, difíceis de alinhar entre as forças políticas e o protagonismo político indevido do Judiciário, no interior do próprio Judiciário, tendo o Congresso enfraquecido pela Lava Jato bem como sua inapetência para pensar a garantia democrática da institucionalidade.

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A subordinação do trabalho produtivo e de serviços ao capital financeiro, por Rui Daher

A subordinação do trabalho produtivo e de serviços ao capital financeiro

por Rui Daher

Este samba vai para Betty Friedan, Gloria Steinem e Germaine Greer. Aquele abraço!

Este um assunto que não precisaria ser discutido no Brasil. Vivemos séculos de predomínio selvagem do capital sobre o trabalho. No início, pelo extrativismo e depois, em sequência, pela agricultura e pastoreio por escravos, industrialização e mercantilismo exportador sem leis de proteção ao trabalho que, depois de regulamentado por Getúlio Vargas e reforçado pela Constituição de 1988, se tornou inimigo na formação de um capitalismo avançado quando, pelo contrário, deveria ser seu maior aliado.

Há pelo menos três décadas, entre os vários benefícios, inclusive para países produtores e exportadores de bens primários, aqui chegaram os “produtos” oferecidos pela especulação financeira.

Daí em diante, em cadeia (hoje literal) acobertada por arranjos que unem a aristocracia política e os coronéis da economia em busca de interesses próprios contrários aos do País, o pacto se fortaleceu, e do extrativismo exportador às FEBRABAN e FIESP, se sobrepôs aos direitos do trabalho, aí incluídos não apenas a paga pelo aluguel da mão-de-obra, mas a cidadania.

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Sobre ódios, por Gustavo Gollo

Sobre ódios, por Gustavo Gollo

Atentemos para os comentários odiosos que irrompem nas páginas do facebook após cada grande manifestação política, coisas do tipo: baixa o sarrafo, borracha neles, mete o pau, e demais exortações à pancadaria, algumas muito mais bizarras que essas. Talvez já tenhamos nos acostumado com elas, talvez já sejam normais.

Mas, façamos a seguinte experiência: primeiramente, observemos uma dessas imagens de selvageria, em seguida, descubramos em nós mesmos esse sentimento que nos exorta ao ódio. Para alguns isso será extremamente fácil, direto, mas todos podemos conseguir, essa sensação, ou instinto, está em todos nós. Depois, olhando as cenas, repitamos as exortações de ódio: enfia a borracha mesmo! Desce o cacete! Arrebenta! Tasca esses caras!

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Mística do poder legítimo, “Diretas Já” é Excalibur!, por Ion de Andrade

Foto - Poder 360

Mística do poder legítimo, “Diretas Já” é Excalibur!

por Ion de Andrade

Ou de por que não podemos abrir mão das diretas

Em um ano a base de apoio do golpe foi reduzida a escombros. Nem mesmo a ditadura às vésperas de sua derrocada conseguiu tamanho isolamento. A desmoralização do governo é tal que os custos do apoio que a sua base política ainda insiste em lhe emprestar serão politicamente incalculáveis. Quantos dos que apoiam Temer serão reeleitos?

E as ruas inverteram a tomada de iniciativas para o campo da oposição. A tomada de Brasília por dezenas de milhares de brasileiros vindos dos quatro cantos do Brasil é prenúncio de que outras virão. A possibilidade de que a nossa distante capital seja palco de manifestações volumosas de gente de todas as lonjuras é nova e alvissareira. Significa que finalmente consolidou-se como capital política 57 anos depois de fundada. Doravante nem a capital será refúgio seguro para políticos habituados ao marasmo daqueles espaços imensos e vazios onde talvez creiam poder tudo.

Porém no nosso campo ainda não se desenhou uma estratégia comum para construir o Fora Temer, nem o pós Temer. Diretas já? Anulação do Impeachment? Negociação de uma plataforma e de um nome de compromisso para a retomada da democracia com suspensão das reformas?

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O próximo ato da tragédia, por Carlos Motta

O próximo ato da tragédia, por Carlos Motta

E o golpe mostrou ao que veio.

Bastou apenas um ano para que as consequências trágicas da aventura corroessem a jovem e imatura democracia brasileira de tal maneira que reconstruí-la será uma tarefa não só demorada, mas extremamente difícil.

Isso porque os golpistas não feriram apenas a Constituição ao depor, sem que houvesse crime, uma presidenta eleita com 54 milhões de votos. 

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Do `coxinismo` e adjacências, por Maria Fernanda Arruda

Do `coxinismo` e adjacências

por Maria Fernanda Arruda 

Nossa sociedade em sua ânsia de seguir cultura alheia e se portar como boy ou girl em sacadas gourmet, está dando um espetáculo incrível  para um romance de estudo de decadência social. Se preza mais um quadro com certificado de conclusão de cursinho escolar do que conhecimento. O dito título de doutor já amesquinhado pelo judiciário, que o adotou ás suas funções ao arrepio da verdade está passando a ser insultuoso a quem é chamado por ele já que tem mais ironia do que respeito. Vulgarizando-se isso se fotografa a verdade - são todos doutores de fancaria. De 'facto' de que adianta um ou outro, que inclusive tenha obtido tal título dentro das regras, se ao se manifestar mostra incrível obtusidade? Se acabamos de ver a vedete dos juízes falar QUERER, quando deveria dizer 'quiser'...ou seu parceiro usar verbo intervir com flexão INTERVIU? Sendo ambos tri-formados, como eram os generais triplo-coroados e que prestavam continência aos majorengos dos EUA...que valor tem a bagagem que esconde imbecis?

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O caminho para repactuar o Brasil: Diretas Já!, por Henrique Fontana

Foto Rede Brasil Atual

O caminho para repactuar o Brasil: Diretas Já!

por Henrique Fontana

A gravidade das revelações que envolvem o presidente ilegítimo Michel Temer, que estarreceram o país na última semana, inviabiliza qualquer condição política de sua permanência à frente dos destinos da nação. Além de ilegítimo, Temer, que é rejeitado pela imensa maioria da população, agora se tornou o primeiro presidente na história do país a ser investigado, no exercício do cargo, por corrupção passiva, organização criminosa e obstrução da Justiça, tudo com autorização do Supremo Tribunal Federal. Temer deve renunciar ou ser afastado imediatamente, não pode dispor do país para proteger a si e aos seus aliados sob o manto do foro privilegiado.

Agora, parte daqueles que apoiaram o golpe contra uma presidenta legitimamente eleita, sem crime de responsabilidade como determina a Constituição Federal, têm pressa. Querem a eleição indireta no Congresso Nacional receosos de que seja aprovada a convocação de eleições diretas para presidente. Buscam rapidamente descartar Temer na tentativa de manter o poder a qualquer custo e a continuidade das políticas de ajuste fiscal, austeridade irracional e as votações das antirreformas previdenciária e trabalhista. Desejam garantir, ainda, a política de desmonte do Estado brasileiro, com a entrega de boa parte do patrimônio nacional, como as jazidas do Pré-Sal, e o atendimento à agenda do mercado financeiro global e do rentismo, entre outros. O fracasso do golpe revela que após um ano tudo o que conseguiram foi promover um Brasil menor. Um Brasil com menos cultura, emprego, direitos, educação, enfim, um país a procura de um governo, mas que acredita e luta por seu futuro.

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Este país é a Rede Globo, por Rui Daher

Este país é a Rede Globo

por Rui Daher

em CartaCapital

Desde que no ano passado o Brasil mergulhou na instabilidade política, apenas 31 anos depois de ter voltado ao regime democrático, tenho encontrado dificuldade em escrever sobre agropecuária, agronegócio e seus atores. Até porque, predominando aí temas tecnológicos e econômicos, os babadores de crises ainda não tinham motivos ou coragem para leva-las até o setor.

Poderia até ter relegado o tema e assumido a levada política, como o faz Ronaldo Caiado, desde que estreou sua coluna “de agronegócios” na Folha de São Paulo. Não tendo nunca me filiado a partido nem assumido cargos políticos, meu berrante é diferente do dele. Afligem-me as repercussões do protecionismo diante de nossas exportações, os cuidados com a preservação ambiental e os direitos sociais dos pequenos proprietários e trabalhadores do campo. Preferi, então, insistir.

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As contradições do golpismo e a brecha para restaurar a democracia

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Foto: Marcello Casal/Agência Brasil
 
Por ml
 
Comentário ao post "Xadrez da última aposta da Globo"
 
Concordo, em linhas gerais, com o exposto nesse Xadrez. No entanto, a questão crucial é que, pela primeira vez, as contradições do golpismo resultaram numa brecha para restauração da democracia. Discuto, primeiro, a crise do golpismo; e, em seguida, a impossibilidade do consenso – e aí, penso que me afasto do Nassif.
 
O ponto fundamental da crise do golpismo é o seu fracasso econômico. O golpismo apostou suas fichas num ajuste do setor público calcado em reformas draconianas. Evidentemente, isso não poderia aumentar da demanda agregada, a não ser se houvesse um mínimo de racionalidade econômica e evidências empíricas robustas para a tese da “restauração da confiança”. Como essa tese é ridícula em ambos os aspectos, o programa do golpismo simplesmente não poderia reverter a crise recessiva, como não a reverteu.

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Milagres políticos não acontecem, eles são negociados

O governo Michel Temer está terminando. Um período da história brasileira, aquele em que o PMDB se amalgamou às estruturas do Estado para governar ao lado do PSDB e do PT, foi definitivamente superado. Todavia, a crise política e econômica não chegará ao fim. De fato ela está apenas começando, pois incertezas políticas raramente provocam estabilidade e desenvolvimento econômico.

Resta a esperança. Como disse Hannah Arendt: Leia mais »

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