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Lista de Livros – História da Filosofia Ocidental: A Filosofia Antiga (Vol. I), de Bertrand Russell

Seleção de Doney

Lista de Livros – História da Filosofia Ocidental: A Filosofia Antiga (Vol. I), de Bertrand Russell

Editora: Companhia Editora Nacional

Tradutor: Brenno Silveira

Opinião: muito bom

Páginas: 336

“A filosofia, conforme entendo a palavra, é algo intermediário entre a teologia e a ciência. Como a teologia, consiste de especulações sobre assuntos a que o conhecimento exato não conseguiu até agora chegar, mas, como ciência, apela mais à razão humana do que à autoridade, seja esta a da tradição ou a da revelação. Todo conhecimento definido – eu o afirmaria – pertence à ciência; e todo dogma, quanto ao que ultrapassa o conhecimento definido, pertence à teologia. Mas entre a teologia e a ciência existe uma Terra de Ninguém, exposta aos ataques de ambos os campos: essa Terra de Ninguém é a filosofia.”

*

“Duas correntes opostas são comuns, hoje em dia, com respeito aos gregos. Uma, praticamente desde a Renascença até época bastante recente, considera os gregos com uma adoração quase supersticiosa, como os inventores de tudo o que há de melhor e como homens de gênio sobre-humano, com os quais os modernos não podem esperar comparar-se. A outra atitude, inspirada pelos êxitos da ciência e por uma crença otimista no progresso, considera a autoridade dos antigos como um íncubo, e afirma que a maior parte de suas contribuições ao pensamento deveria agora ser esquecida. Quanto a mim, não me é possível adotar nenhuma dessas posições extremas; cada uma delas, diria eu, tem a sua parte de razão e a sua parte de erro. Antes de entrar em qualquer pormenor, procurarei dizer que espécie de sabedoria podemos ainda extrair do estudo do pensamento grego.

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"O País da Suruba", um livro que retrata o Brasil pós-golpe, por Carlos Motta

​"O País da Suruba", um livro que retrata o Brasil pós-golpe

por Carlos Motta

O jornalista Ayrton Centeno incorporou o espírito do saudoso Sérgio Porto, que sob o pseudônimo de Stanislaw Ponte Preta, retratou, em vários livros, a imensa quantidade de idiotices do Brasil mergulhado numa ditadura militar - o famoso e imortal Febeapá (Festival de Besteiras que Assola o País) -, para escrever uma obra que mostra o golpe de 2016 sob um novo ângulo: o humor.

"Um partido das mulheres sem mulheres, um deputado que discursa em defesa de um bombom, um senador que se apresta a nomear uma melancia, um presidente que troca Paraguai por Portugal e confunde Noruega com Suécia. É o que acontece em um lugar que ficou muito estranho nos últimos anos. Que país é este? Ora, é o país onde o líder do governo no Senado fala assim: 'Se acabar o foro, é para todo mundo. Suruba é suruba. Aí é todo mundo na suruba, não uma suruba selecionada.' Pode-se chamá-lo então de o país da suruba”, diz trecho do release distribuído pelo autor para divulgar o seu trabalho.

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Hoje, lançamento do livro “Estado Pós-Democrático” de Rubens Casara

Jornal GGN – Rubens Casara, Doutor em Direito, Mestre em Ciências Penais e Juiz de Direito do TJ/RJ, lança hoje seu livro “Estado Pós-Democrático, neo-obscurantismo e gestão dos indesejáveis”. O lançamento será na Livraria da Vila, na alameda Lorena, 1731, em São Paulo.

Em entrevista ao Viomundo, Casara diz que o livro nasce desta percepção de mutação do Estado, o democrático de Direito, que, em nova conformação, não apresenta mais limites rígidos. Assim, os direitos e garantias fundamentais, nesta nova onda neoliberal, são tratados como mercadorias. E assim são negociáveis.

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Renan Moreira: Resenha do livro 'A Cultura e seu Contrário', de Teixeira Coelho

Resenha do livro 'A Cultura e seu Contrário', de Teixeira Coelho

por Renan Moreira

A CULTURA E SEU CONTRÁRIO: CULTURA, ARTE E POLÍTICA PÓS-2001

Coelho, Teixeira. A cultura e seu contrário: cultura, arte e política pós-2001. São Paulo: Iluminuras: Itaú Cultural, 2008.

No livro A cultura e seu contrário: cultura, arte e política pós-2001, Teixeira Coelho informa e instrui o leitor sobre os paradoxos e opostos da cultura, de certa forma, desconstruindo equívocos comuns para que o estudo da cultura, ou ainda, de uma política cultural, seja validada no campo da pesquisa e da prática. Em suas 153 páginas, essa obra é um estudo profundo sobre a cultura que traz, para o presente, referências pertinentes de grandes filósofos, sociólogos e estudiosos dos séculos passados, atualizando para o campo das ações culturais, ou ditas culturais, ou ainda, próprias da arte, as ideias pragmáticas e conceituais, tal como a cultura como a ampliação da esfera de presença do ser, que devem orientar uma política cultural ou para as artes, como ficará mais explícito nas páginas finais.

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Dicionários biográficos, por Felipe A. P. L. Costa

Dicionários biográficos

por Felipe A. P. L. Costa

O American Council of Learned Societies (ACLS) é uma associação estadunidense fundada em 1919, reunindo dezenas de organizações acadêmicas. Entre as obras que já publicou consta a American national biography (1999), coleção em 24 volumes com informações a respeito da vida e obra de aproximadamente 17 mil personagens que marcaram a história dos Estados Unidos. É uma obra e tanto.

Todavia, no contexto deste artigo, caberia antes citar o Dictionary of scientific biography (DSB), coleção em 16 volumes (o v. 15 é o Supplement I e o v. 16, o índice), publicada entre 1970 e 1980. A obra traz informações sobre a vida e obra de cientistas do mundo inteiro, desde a Antiguidade até meados do século 20.

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Breiller Pires entrevista Juca Kfouri

Enviado por Gilberto Cruvinel

do  El País Brasil

O jornalista Juca Kfouri conversa com Breiller Pires sobre seu novo livro 'Confesso que perdi', com memórias das principais experiências e personagens não só no mundo do futebol, mas também da política e do jornalismo.

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Lista de Livros: Viagens com o presidente – Leonencio Nossa e Eduardo Scolese

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Lista de Livros: Viagens com o presidente: dois repórteres no encalço de Lula do Planalto ao exterior – Leonencio Nossa e Eduardo Scolese

Editora: Record

ISBN: 978-85-0107-630-4

Opinião: bom

Páginas: 282

“Segundo ministros, Lula reclama do espaço “pouco acolhedor” (do Palácio do Planalto). Cristovam Buarque, da Educação, diz que o lugar é frio, propício ao “presidente que pensava ser europeu”, numa ironia a Fernando Henrique. Um ano depois, Buarque, em visita à Europa, seria demitido por telefone pelo presidente petista.

Para Lula, o Planalto é mesmo frio. Logo depois da posse, ele diz que não quer viver “trancado” ali. O presidente quer um governo itinerante, com o “pé na estrada”, nas ruas. Ao ser questionado naqueles dias se tinha medo de ser agredido por algum maluco nos contatos com o povo, ele responde:

     – Só tenho medo de ficar sozinho.”

*

      “A presença tão próxima dos militares (da segurança presidencial) causou preocupações especialmente à primeira-dama. Dona Marisa, que durante a ditadura viu o marido ser preso pelos militares, ficou preocupada se os filhos iriam aceitar a nova situação, com menos liberdade e mais vigilância. Ela estava em Brasília, nos primeiros dias de governo, quando foi informada de que um grupo de militares iria subir ao apartamento da família, em São Bernardo do Campo, para conversar com os filhos sobre o trabalho de segurança.

     – Não, não subam. Deixa eu chegar aí primeiro. Eu quero participar da conversa – disse, por telefone.

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Lista de Livros: Inclusão social e desenvolvimento econômico na América Latina

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Lista de Livros: Inclusão social e desenvolvimento econômico na América Latina – Editores: Mayra Buvinic e Jacqueline Mazza com Ruthanne Deutsch

Editora: Elsevier (Campus)

ISBN: 978-85-3521-594-6

Opinião: bom

Páginas: 368

 “Embora a insuficiência de renda seja um fator fundamental, há consenso no sentido de que a exclusão social se refere a um conjunto de circunstâncias mais abrangentes do que a pobreza. A exclusão social está mais estreitamente relacionada ao conceito de pobreza relativa do que à pobreza absoluta e, portanto, está inextricavelmente vinculada à desigualdade. A exclusão social se refere não apenas à distribuição de renda e ativos (como as análises da pobreza), mas também à privação social e à ausência de voz e poder na sociedade.

     Na América Latina, essa ausência de voz e poder talvez esteja mais fielmente refletida nos baixos níveis de representação dos grupos excluídos da tomada de decisões políticas. Em 2002, por exemplo, apenas 4,4% dos parlamentares brasileiros eram afrodescendentes, embora representassem quase a metade da população brasileira (A Tribuna de Santos, 29 de julho de 2002).”

(Mayra Buvinic)

*

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Lista de Livros: Catecismo positivista (Os Pensadores) – Augusto Comte

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Lista de Livros: Catecismo positivista (Os Pensadores) – Auguste Comte

Editora: Abril cultural

Tradução: Miguel Lemos

Opinião: regular

Páginas: 203

“Remontando até esta origem normal, sente-se profundamente que, desde a suficiente extensão do domínio romano, as populações de elite procuram em vão a religião universal. A experiência demonstrou cabalmente que este voto final não pode ser satisfeito por nenhuma crença sobrenatural. Dois monoteísmos incompatíveis aspiraram igualmente a essa universalidade necessária, sem a qual a humanidade não poderia seguir o seu destino natural. Mas os esforços opostos de um e outro apenas conseguiram neutralizar-se mutuamente, de modo que semelhante atributo ficou reservado às doutrinas demonstráveis e discutíveis. Há mais de cinco séculos que o islamismo desistiu de dominar o Ocidente, e o catolicismo abandonou ao seu eterno antagonista o túmulo de seu pretenso fundador1.

Estas vãs aspirações espirituais nem sequer puderam abarcar todo o território do antigo domínio temporal, que ficou repartido quase igualmente entre os dois monoteísmos inconciliáveis.

O Oriente e o Ocidente devem, pois, procurar, fora de toda teologia ou metafísica, as bases sistemáticas de sua comunhão intelectual e moral. Esta fusão tão esperada, e que deverá estender-se em seguida gradualmente à totalidade de nossa espécie, não pode evidentemente provir senão do positivismo, isto é, de uma doutrina caracterizada sempre pela combinação da realidade com a utilidade. Suas teorias, por muito tempo limitadas aos fenômenos mais simples, produziram aí as únicas convicções realmente universais que têm existido até hoje. Mas este privilégio natural dos métodos e das doutrinas positivas não podia ficar sempre circunscrito ao domínio matemático e físico. Desenvolvido primeiramente quanto à ordem material, ele abraçou em seguida a ordem vital, de onde acaba enfim de estender-se até a ordem humana, coletiva ou individual. Esta plenitude decisiva do espírito positivo desvanece agora todos os pretextos para a conservação factícia do espírito teológico, que se tornou, no Ocidente moderno, tão perturbador quanto o espírito metafísico, que dele se origina histórica e dogmaticamente. Por outro lado, havia muito, aliás, que a degradação moral e política do sacerdócio correspondente destruíra toda a esperança de atalhar, como na Idade Média, os vícios da doutrina pela sabedoria instintiva de seus melhores intérpretes.

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Lista de Livros: Augusto Comte – Obras selecionadas (Os Pensadores)

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Lista de Livros: Curso de filosofia positiva / Discurso sobre o espírito positivo / Discurso preliminar sobre o conjunto do positivismo (Os Pensadores) – Auguste Comte

Editora: Abril cultural

Introdução, tradução e notas: José Arthur Giannotti

Opinião: regular

Páginas: 116

Curso de filosofia positiva

 “A inteligência humana, reduzida a ocupar-se apenas de investigações suscetíveis duma utilidade prática imediata, encontrar-se-ia por isso, como justamente observou Condorcet, inteiramente impedida em seu progresso, mesmo a propósito dessas aplicações a que teria imprudentemente sacrificado os trabalhos puramente especulativos. Pois as aplicações mais importantes derivam constantemente de teorias formadas com simples intenção científica, e que muitas vezes foram cultivadas durante vários séculos sem produzir resultado prático algum. Pode-se disso citar um exemplo bem notável, tomando as belas especulações dos geômetras gregos sobre as seções cônicas que, depois duma longa série de gerações, serviram, determinando a renovação da astronomia, para conduzir finalmente a arte da navegação ao grau de aperfeiçoamento que atingiu nos últimos tempos, ao qual nunca teria chegado sem os trabalhos tão puramente teóricos de Arquimedes e de Apolonius. Por isso Condorcet pode dizer com razão: “O marinheiro, o qual uma exata observação da longitude preserva do naufrágio, deve a vida a uma teoria conhecida dois mil anos antes, por homens de gênio que tinham em vista simples especulações geométricas”.”

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Lista de Livros: Introdução à História da Filosofia – Georg Wilhelm Friedrich Hegel

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Lista de LivrosIntrodução à História da Filosofia – Georg Wilhelm Friedrich Hegel

Editora: Edições 70

ISBN: 978-97-2441-346-4

Tradução: Antônio Pinto de Carvalho

Opinião: ★★★☆☆

Páginas: 256 

“De início, uma só coisa exijo: confiai na ciência e em vós mesmos. A coragem da verdade, a fé no poder do espírito é a condição primordial da filosofia. O homem, por ser espírito, pode e deve julgar-se digno de tudo quanto há de mais sublime. Da grandeza e do poder do seu espírito nunca pode formar um conceito demasiado altivo, e animado por esta fé não se negará a desvelar o seu segredo. A essência do universo, a princípio oculta e encerrada, não dispõe de força capaz de resistir à tentativa de quem pretenda conhecê-la; acaba sempre por se desvendar e patentear a sua riqueza e profundidade, para que o homem dela desfrute.”

*

“A história da filosofia representa a série dos espíritos nobres, a galeria dos heróis da razão pensante, os quais, graças a essa razão, lograram penetrar na essência das coisas, da natureza e do espírito, na essência de Deus, conquistando assim com o próprio trabalho o mais precioso tesouro: o do conhecimento racional. Na história política, o indivíduo, na singularidade da sua índole, do seu gênio, das suas paixões, da energia ou da fraqueza de caráter, em suma, em tudo o que caracteriza a sua individualidade, é o sujeito das ações e dos acontecimentos.

Na história da filosofia, estas ações e acontecimentos, ao que parece, não têm o cunho da personalidade nem do caráter individual; deste modo, as obras são tanto mais insignes quanto menos a responsabilidade e o mérito recaem no indivíduo singular, quanto mais este pensamento liberto de peculiaridade individual é, ele próprio, o sujeito criador.

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Lista de Livros: Discurso da Servidão Voluntária – Étienne de La Bóetie

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Lista de Livros: Discurso da Servidão Voluntária – Étienne de La Bóetie

Editora: Instituto Ludwig von Mises Brasil

Tradução: Laymert Garcia dos Santos e Fernando Fiori Chiocca (introdução)

ISBN: Opúsculo distribuído

Opinião: bom

Páginas: 27

          “Não há infelicidade maior do que estar sujeito a um chefe; nunca se pode confiar na bondade dele e só dele depende o ser mau quando assim lhe aprouver. Ter vários amos é ter outros tantos motivos para se ser extremamente desgraçado.”

*

           “Tal é a fraqueza humana: temos frequentemente de nos curvar perante a força, somos obrigados a contemporizar, não podemos ser sempre os mais fortes.”

*

           “Está na nossa natureza o deixarmos que os deveres da amizade ocupem boa parte da nossa vida. É justo amarmos a virtude, estimarmos as boas ações, ficarmos gratos aos que fazem o bem, renunciarmos a certas comodidades para melhor honrarmos e favorecermos aqueles a quem amamos e que o merecem. Assim também, quando os habitantes de um país encontram uma personagem notável que dê provas de ter sido previdente a governá-los, arrojado a defendê-los e cuidadoso a guiá-los, passam a obedecer-lhe em tudo e a conceder-lhe certas prerrogativas; é uma prática reprovável, porque vão acabar por afastá-lo da prática do bem e empurrá-lo para o mal. Mas em tais casos julga-se que poderá vir sempre bem e nunca mal de quem um dia nos fez bem.

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Lista de Livros: Bíblia Sagrada – Livros Sapienciais: Salmos

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Lista de Livros: Bíblia Sagrada – Livros Sapienciais: Salmos

Editora: Paulus

ISBN: Bíblia do Peregrino (BPe) – 978-85-349-2005-6 / Bíblia de Jerusalém (BJ) – 978-85-349-4282-9 / Bíblia Pastoral (BPa) 978-85-349-0228-1

Tradução, introdução e notas (BPa): Ivo Storniolo e Euclides Martins Balancin

Tradução (BPe): Ivo Storniolo e José Bortolini

Notas (BPe): Luís Alonso Schökel

Opinião: N/A

Páginas: BPe – 262 / BJ – 161 / BPa – 156

 

“Meu Deus, meu Deus,

por que me abandonaste?

Apesar de meus gritos, minha prece não te alcança!

Meus Deus, eu grito de dia, e não me respondes,

de noite, e nunca tenho descanso.

E tu habitas no santuário, onde Israel te louva!

 

Nossos antepassados confiavam em ti;

confiavam, e tu os salvavas;

gritavam a ti, e ficavam livres,

confiavam em ti, e não se desapontaram.

 

Quanto a mim, eu sou verme1, e não homem,

riso dos homens e desprezo do povo.

Todos os que me veem zombam de mim,

abrem a boca e balançam a cabeça:

“Ele recorreu a Javé... Pois que Javé o salve!

Que o liberte, se é que o ama de fato!”

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Lista de Livros: A Sociedade do Espetáculo (Parte III) – Guy Debord

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Lista de Livros: A Sociedade do Espetáculo (Parte III) – Guy Debord

Editora: Contraponto

ISBN: 978-85-8591-017-4

Tradução: Estela dos Santos Abreu

Opinião: excelente

Páginas: 240

“A mercadoria já não pode ser criticada por ninguém: nem enquanto sistema geral, nem mesmo como essa embalagem determinada que terá sido conveniente aos empresários pôr nesse momento no mercado. Em todo o lado onde reina o espetáculo, as únicas forças organizadas são aquelas que querem o espetáculo. Portanto, nenhuma pode ser inimiga do que existe, nem infringir a omertá que diz respeito a tudo. Acabou-se com esta inquietante concepção que dominou durante mais de duzentos anos, segundo a qual uma sociedade podia ser criticável e transformável, reformada ou revolucionada. E isto não foi obtido pelo aparecimento de argumentos novos, mas muito simplesmente porque os argumentos se tornaram inúteis. Perante este resultado medir-se-á, em vez da felicidade geral, a força terrível das redes da tirania.

Jamais a censura foi tão perfeita. Jamais a opinião daqueles a quem se faz crer ainda, em certos países, que são cidadãos livres, foi tão pouco autorizada a tornar-se conhecida, cada vez que se trata duma escolha que afetará a sua vida real. Jamais foi permitido mentir-lhes com uma tão perfeita ausência de consequência. O espectador é suposto ignorar tudo, não merecer nada. Quem olha sempre, para saber a continuação, jamais agirá: e tal deve ser o espectador. Tudo aquilo que nunca é sancionado é verdadeiramente permitido. É pois arcaico falar de escândalo. Atribui-se a um homem de Estado italiano de primeiro plano, tendo exercido funções simultaneamente no ministério e no governo paralelo chamado P.2, Potere due, uma divisa que resume profundamente o período em que entrou o mundo inteiro, um pouco depois da Itália e dos Estados Unidos: “Havia escândalos, mas já não há”.

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Lista de Livros: A Sociedade do Espetáculo (Parte II) – Guy Debord

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Lista de Livros: A Sociedade do Espetáculo (Parte II) – Guy Debord

Editora: Contraponto

ISBN: 978-85-8591-017-4

Tradução: Estela dos Santos Abreu

Opinião: excelente

Páginas: 240

     “O raciocínio sobre a história é inseparavelmente raciocínio sobre o poder.”

*

     “Assim, a burguesia fez conhecer e impôs à sociedade um tempo histórico irreversível, mas recusa-lhe a utilização. “Houve história, mas já não há mais”, porque a classe dos possuidores da economia, que não deve romper com a história econômica, deve recalcar assim como uma ameaça imediata qualquer outro emprego irreversível do tempo. A classe dominante, feita de especialistas da possessão das coisas, que por isso são eles próprios uma possessão das coisas, deve ligar a sua sorte à manutenção desta história reificada, à permanência de uma nova imobilidade na história. Pela primeira vez o trabalhador, na base da sociedade, não é materialmente estranho à história, porque é agora pela sua base que a sociedade se move irreversivelmente. Na reivindicação de viver o tempo histórico que ele faz, o proletariado encontra o simples centro inesquecível do seu projeto revolucionário; e cada uma das tentativas, até aqui geradas, de execução deste projeto marca um ponto de partida possível da nova vida histórica.”

*

     “O tempo pseudocíclico consumível é o tempo espetacular, ao mesmo tempo como tempo de consumo das imagens, no sentido restrito, e como imagem do consumo do tempo em toda a sua extensão. O tempo do consumo das imagens, média de todas as mercadorias, é inseparavelmente o campo onde plenamente atuam os instrumentos do espetáculo e a finalidade que estes apresentam globalmente, como lugar e como figura central de todos os consumos particulares: sabe-se que os ganhos de tempo constantemente procurados pela sociedade moderna – quer se trate da velocidade dos transportes ou da utilização de sopas em pacotes – se traduzem positivamente para a população dos Estados Unidos neste fato: de que só a contemplação da televisão a ocupa em média três a seis horas por dia. A imagem social do consumo do tempo, por seu lado, é exclusivamente dominada pelos momentos de ócio e de férias, momentos representados à distância e desejáveis, por postulado, como toda a mercadoria espetacular. Esta mercadoria é aqui explicitamente dada como o momento da vida real de que se trata esperar o regresso cíclico. Mas mesmo nestes momentos destinados à vida, é ainda o espetáculo que se dá a ver e a reproduzir, atingindo um grau mais intenso. O que foi representado como vida real, revela-se simplesmente como a vida mais realmente espetacular.

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