Revista GGN

Assine

Literatura

Lista de Livros: Tratado do Primeiro Princípio – João Duns Escoto

Seleção de Doney

Lista de LivrosTratado do Primeiro Princípio – João Duns Escoto

Editora: Edições 70

ISBN: 978-97-2440-981-8

Opinião: ruim

Tradução: Mário Santiago de Carvalho

Páginas: 144

     “Num cão a sabedoria não é melhor do que a não sabedoria, porque nele não há bondade a contradizer.”

*

     “Há algum mal nos seres, logo, o primeiro eficiente causa contingentemente; e, por conseguinte, como antes (11). Prova da consequência: o que age por necessidade de natureza age com toda a sua potência, e, portanto, produz toda a perfeição possível de ser produzida por si mesmo. Logo, se o primeiro, e em consequência do que se deduziu, todo outro agente, age necessariamente, segue-se que toda a ordem de causas causará neste universo tudo aquilo que é possível que elas causam nele. Logo, não lhe faltará nenhuma perfeição que lhe possa ser dada por todas as causas agentes; logo, não lhe faltará nenhuma capaz de receber, e portanto não haveria nele nenhuma maldade. Estas consequências são evidentes: porque toda a perfeição receptível pelo universo é causável por alguma ou por todas as causas ordenadas. A última consequência é evidente pela noção de mal, e a prova conclui para o vício nos costumes da mesma maneira que para a falha na natureza.

     Dirás: “a matéria não obedece”. De nada serve; um agente poderoso venceria a desobediência. Esta conclusão, prova-se, de uma quinta maneira, porque ser vivo é melhor que tudo o que não vive, e entre os seres vivos o inteligente é melhor do que tudo o que não é.

     Porque eles supõem como evidente que o entender, o querer, a sabedoria e o amor são perfeições absolutas.

     Mas não se vê por que razão é que se pode concluir que se trata de perfeições absolutas, mais do que a natureza do primeiro anjo. Se de facto tomas “sabedoria” denominativamente, ela será melhor do que todo o denominativo incompossível com ela, mas não provaste que o primeiro é “sábio”. Digo que cais numa petição de princípio. Só podes concluir que o “sábio” é melhor do que o “não sábio”, excluindo o primeiro. Deste modo o primeiro anjo é melhor do que todo o ser tomado denominativamente, incompossível com ele, à exceção de Deus. E o que é mais, a essência do primeiro anjo, em abstrato, pode ser melhor do que a “sabedoria” em absoluto.

     Dirás: “a essência do primeiro anjo repugna a muitos; portanto não é melhor denominativamente para todos”. Respondo: nem sequer a sabedoria é melhor para todos denominativamente; repugna a muitos.

Leia mais »

Média: 5 (1 voto)

meu agudo teorema, por romério rômulo

meu agudo teorema

por romério rômulo

 

se eu te encontrar, mulher

e me comeres

se eu te falar, mulher

e me beberes

serei, então, o prato principal?

Leia mais »
Média: 5 (4 votos)

Bob Dylan, quem diria, nasceu cresceu e morreu no Cariri, por Sebastião Nunes

Bob Dylan, quem diria, nasceu cresceu e morreu no Cariri

por Sebastião Nunes

Com a enxada no ombro, o jovem Bob Dylan palmilhava a tórrida estrada que levava ao algodoal raquítico. Suava que nem peba. O sol queimava, os beiços gretados pediam água. A estrada parecia interminável. Para aguentar, começou a entoar a cantiga que andava matutando nas horas de folga:

– Quantas istrada havera um home de parmilhá

Inté qui de home havera de ser chamado

Quantos mar havera uma pomba branca de sobrevuá

Inté pudê na areia drumi...

Cantava e marcava o compasso com os pés descalços. Mal percebeu que estava chegando. Música era bom por isso.

Leia mais »

Imagens

Média: 4.1 (9 votos)

Lista de Livros: Pensamentos – Blaise Pascal

Seleção de Doney

Lista de Livros: Pensamentos – Blaise Pascal

Editora: Martin Claret

ISBN: 978-85-7232-566-0

Tradução: Pietro Nassetti

Opinião: regular

Páginas: 512 

     “Não há ninguém capaz de falar razoavelmente do destino. Ouso mesmo dizer que jamais alguém o fez.”

*

     “Que se reflita sobre isso e se diga, depois, se não é indubitável que o único bem da vida presente é a esperança de uma vida futura; que só somos felizes na medida em que dela nos aproximamos; e que, não havendo mais infelicidades para os que têm uma inteira certeza da eternidade, também não há felicidade para os que não possuem luz alguma.”

*

     “O mesmo homem que passa tantos dias e tantas noites cheio de cólera e de desespero por ter perdido um cargo, ou por alguma ofensa imaginária à sua honra, sabe também que vai perder tudo com a morte, sem que por isso se inquiete ou se comova. É uma coisa monstruosa ver, num mesmo coração e ao mesmo tempo, essa sensibilidade pelas menores coisas e essa estranha insensibilidade pelas maiores.”

*

     “Nada acusa tanto uma extrema fraqueza de espírito como não conhecer qual é a desgraça de um homem sem Deus; nada marca tanto uma disposição má de sentimentos como não desejar a verdade das promessas eternas; nada é mais covarde do que mostrar valentia contra Deus.”

*

Leia mais »

Média: 3 (6 votos)

o braço de manuelzão, por romério rômulo

o braço de manuelzão

por romério rômulo

 

minas é um rio comprido

como um cachorro latido

no braço de manuelzão

 

eu olho minas de perto

como tecido coberto

pelo balaço do mar

 

manuelzão e mar tem coisas

de fazer minas chorar.

Leia mais »
Média: 5 (1 voto)

Elizabeth Bishop: poeta, lésbica, modernista e brasileira de adoção

bishop.jpg

Foto: reprodução

Jornal GGN - Uma biografia e uma peça de teatro reacendem o interesse pelo vida e obra de Elizabeth Bishop, poetisa norte-americana que morou no Brasil durante mais de quinze anos nos anos cinquenta. 

A escritora Megan Marshall retrata a trajetória de Bishop em sua recente biografia Miracle for Breakfast. Marshall diz que a poetisa “não acreditava que se pudesse ensinar a escrever, e dizia que os poemas, no seu caso, começavam como um mistério e uma surpresa, e que os concluía à base um de grande esforço e de árduo trabalho”.

Leia mais »

Média: 4.1 (9 votos)

Documentos secretos de Pedro Nava se tornam públicos

foto: Luiz Carlos Murauskas/Folhapress
pedro_nava.jpeg
 
Jornal GGN - Mais de 30 anos após a morte de Pedro Nava, a Fundação Casa de Rui Barbosa torna públicos documentos do acervo secreto do escritor. Algumas das cartas trazem anotações do autor sobre sua sexualidade, um tema que não era tratado de maneira aberta. 
 
Herdeiro e sobrinho do autor, Joaquim Nava, disse que não se opõe à divulgação dos documentos e afirma que não vê nada nas cartas que sugira que Pedro Nava fosse homossexual. 
Leia mais »
Média: 5 (3 votos)

Um poema de Kaváfis

Enviado por Jota A. Botelho



Um poema de Konstantinos Kaváfis - Ítaca (1911)



Leia mais »

Média: 5 (2 votos)

Vamos começar tudo de novo?, por Sebastião Nunes

centros-cerebrais-ok.jpg

por Sebastião Nunes

Durante milênios, filósofos de todas as correntes, tendências e manias especularam sobre o funcionamento de nosso cérebro.

Ocupará a crueldade um determinado escaninho?

Onde se localiza a prudência?

A capacidade de amar nasce conosco ou é acrescentada mais tarde?

E a alma? Sua origem está no cérebro, no estômago ou no coração?

O que no princípio não passava de sucessivos saltos no escuro aprimorou-se com o tempo e novos e notáveis instrumentos de especulação e pesquisa.

Leia mais »

Imagens

Média: 4 (3 votos)

a vida, amigo, é um verso branco, por romério rômulo

a vida, amigo, é um verso branco

por romério rômulo

 

tivesse a comédia destes dantes

coubesse armas e barões assinalados

soubesse de camões enclausurados

bebesse da paixão que é de cervantes

 

roído no meu verso fescenino

domínio destes rasgos ancestrais

posto de regras e de regras tais

meu olho torto e torto meu destino.

 

romério rômulo

 

 

 

 

 

 

Leia mais »

Média: 5 (2 votos)

Lista de Livros: Ortodoxia (Parte II) – G. K. Chesterton

Seleção de Doney

Lista de Livros: Ortodoxia (Parte II) – G. K. Chesterton

Editora: Mundo cristão

ISBN: 978-85-7325-505-8

Tradução: Almiro Pisetta

Opinião: bom

Páginas: 264

     “As pessoas primeiro prestaram homenagem a um local e depois conquistaram a glória para ele. Roma não foi amada por ser grande. Ela foi grande por ter sido amada.”

*

     “O suicídio não só constitui um pecado, ele é o pecado. É o mal extremo e absoluto; a recusa de interessar-se pela existência; a recusa de fazer um juramento de lealdade à vida. O homem que mata um homem, mata um homem. O homem que se mata, mata todos os homens; no que lhe diz respeito, ele elimina o mundo. Seu ato é pior (considerado simbolicamente) do que qualquer estupro ou atentado a bomba, pois destrói todos os prédios; insulta a todas as mulheres. O ladrão se satisfaz com diamantes; mas o suicida não: esse é seu crime. Ele não pode ser subornado, nem com as cintilantes pedras da Cidade Celestial. O ladrão elogia os objetos que furta, quando não elogia o dono deles. Mas o suicida insulta a todos os objetos da terra ao não furtá-los. Ele conspurca cada flor ao recusar-se a viver por ela.

     Não existe nenhuma criatura no cosmos, por mínima que seja, para quem a sua morte não é um escárnio. Quando alguém se enforca numa árvore, as folhas poderiam cair de raiva e os pássaros fugir em fúria, pois cada um deles recebeu uma afronta direta. Obviamente pode haver patéticas desculpas emocionais para o ato. Geralmente as há para o estupro, e quase sempre para o atentado a bomba. Mas quando se trata de esclarecer ideias e o significado inteligente das coisas, então, na sepultura na encruzilhada1 e na estaca cravada no corpo, há muito mais verdade racional e filosófica do que nas máquinas de suicídio do sr. Archer. Há um significado no enterro à parte de um suicida. O crime desse homem é diferente de outros crimes — pois torna até os crimes impossíveis.

Leia mais »

Média: 3.7 (3 votos)

O que conta o diário fictício que Eduardo Cunha tenta censurar na Justiça

Foto: PMDB Nacional/Flickr
 
 
Jornal GGN - "Diário da cadeia", a ficção que deveria ser lançada no final de março, mas que foi suspendida em caráter liminar a pedido de Eduardo Cunha, é uma "coleção de sugestionamentos" sobre o que o deputado cassado "saberia e teria a revelar, mas não revela". Para Rodrigo Zuqui, a sátira foi forçada e acabou criando um personagem "pouco crível".
Média: 1.8 (5 votos)

Lista de Livros: Ortodoxia (Parte I) – G. K. Chesterton

Seleção de Doney

Lista de Livros: Ortodoxia (Parte I) – G. K. Chesterton

Editora: Mundo cristão

ISBN: 978-85-7325-505-8

Tradução: Almiro Pisetta

Opinião: bom

Páginas: 264

     “Quem quer que se disponha a discutir o que quer que seja deveria sempre começar dizendo o que não está em discussão. Além de declarar o que se quer provar é preciso declarar o que não se quer provar.”

*

     “Eu sou o homem que com a máxima ousadia descobriu o que já fora descoberto antes.”

*

     “Tentei fundar uma heresia só minha; e quando lhe dei o último acabamento descobri que era a ortodoxia.”

*

     “Pessoas completamente mundanas nunca entendem sequer o mundo; elas confiam plenamente numas poucas máximas cínicas não verdadeiras. Lembro-me de que, certa vez, fiz um passeio com um editor de sucesso, e ele fez uma observação que eu ouvira muitas vezes antes; é, na verdade, quase um lema do mundo moderno. Todavia, eu ouvi essa máxima cínica mais uma vez e não me contive: de repente vi que ela não dizia nada. Referindo-se a alguém, disse o editor: “Aquele homem vai progredir; ele acredita em si mesmo”.

     Lembro-me de que, quando levantei a cabeça para escutar, meus olhos se fixaram num ônibus no qual estava escrito “Hanwell”1. Disse-lhe eu então: “Quer saber onde ficam os homens que acreditam em si mesmos? Eu sei. Sei de homens que acreditam em si mesmos com uma confiança mais colossal do que a de Napoleão ou César. Sei onde arde a estrela fixa da certeza e do sucesso. Posso conduzi-lo aos tronos dos super-homens. Os homens que realmente acreditam em si mesmos estão todos em asilos de lunáticos”.

Leia mais »

Média: 4 (4 votos)

Machado de Assis e Carolina visitam o MASP num dia festivo, por Sebastião Nunes

Machado de Assis e Carolina visitam o MASP num dia festivo

por Sebastião Nunes

– É, para mim, motivo de especial satisfação inaugurar este magnífico Museu de Arte – arengou a rainha Elizabeth II, em seu discurso de inauguração da nova sede do MASP, em 8 de novembro de 1968. E continuou: – A sua beleza, simplicidade e a perícia com que foi construído tornam-no mais um impressionante exemplo do espírito de iniciativa dos paulistas.

Os convidados aplaudiram com entusiasmo, excelentes puxa-sacos que eram. Todo sorrisos, o príncipe Filipe examinava com prazer as paulistanas bonitas.

Leia mais »

Imagens

Média: 5 (2 votos)

A tradução integral de Ivo Barroso

“Faço da tradução um programa de vida, amor fiel, constante e desesperado”, diz o tradutor dos sonetos de Shakespeare.

C:\Users\Gilberto Cruvinel\Pictures\My Screen Shots\Screen Shot 03-27-17 at 10.50 PM.PNG

A tradução integral de Ivo Barroso

por Gilberto Cruvinel e Emmanuel Santiago

agradecimento à Denise Bottmann pela colaboração imprescindível

Quando a hora dobra em triste e tardo toque
E em noite horrenda vejo escoar-se o dia,
Quando vejo esvair-se a violeta, ou que
A prata a preta têmpora assedia;
Quando vejo sem folha o tronco antigo
Que ao rebanho estendia a sombra franca
E em feixe atado agora o verde trigo
Seguir o carro, a barba hirsuta e branca;
Sobre tua beleza então questiono
Que há de sofrer do Tempo a dura prova,
Pois as graças do mundo em abandono
Morrem ao ver nascendo a graça nova.
    Contra a foice do Tempo é vão combate,
    Salvo a prole, que o enfrenta se te abate.

William Shakespeare, Soneto 12 

O mineiro Ivo Barroso é um dos nossos maiores tradutores de prosa e poesia para a língua portuguesa. É o responsável por traduções definitivas para o português de poetas como Arthur Rimbaud, Eugenio Montale, T.S.Eliot, Charles Baudelaire e William Shakespeare.

Leia mais »

Média: 5 (2 votos)