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Literatura

O Humanismo está morto. Viva o Individualismo à Brasileira!, por Sebastião Nunes

O Humanismo está morto. Viva o Individualismo à Brasileira!

por Sebastião Nunes

Socratião, expulso a vassouradas por Xantipa, reuniu-se na Ágora com seus parças para mais uma sessão de papo furado e bebedeira: Platião, Fedontião, Antistião e Cebestião. Seu maior pobrema (como dizem os mineiros) era compreender os sofismas usados pela Estupidez para virar o país de cabeça para baixo, botando o Individualismo em cima e o Humanismo embaixo. Difícil de entender? Por isso tantos sabichões sebastiúnicos reunidos na Ágora onde, apesar da balbúrdia, era possível pensar. Não dava para pensar era com Xantipa na cola, brandindo aquela horrorosa bassoura (como diziam os antigos) de bruxa malvada.

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Epílogo, de Charles Baudelaire

Enviado por Gilberto Cruvinel

 

Tradução de Manuel Bandeira


De coração contente escalei a montanha,
De onde se vê – prisão, hospital, lupanar,
Inferno, purgatório – a cidade tamanha,

Em que o vício, como uma flor, floresce no ar.
Bem sabes, ó Satã, senhor de minha sina,
Que eu não vim aqui para lacrimejar.

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a arte morre de manhã, como num beijo, por romério rômulo

a arte morre de manhã, como num beijo

por romério rômulo

 

1.

cada vida tem seu punhado de mortos,

suas canções de desapego.

a todo instante a luz fisga

e arremata.

 

fosse a vida um punhado de amores

o homem cavaria a terra

e mostraria seu fígado sem mácula.

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Lista de Livros: O homem que amava os cachorros, de Leonardo Padura

Seleção de Doney

Lista de LivrosO homem que amava os cachorros – Leonardo Padura

Editora: Boitempo
ISBN: 978-85-7559-445-2
Tradução: Helena Pitta
Opinião: ruim
Páginas: 592

     “A dor e a miséria figuram entre aquelas poucas coisas que, quando repartidas, tornam-se sempre maiores.”

*

     “O ódio é uma doença incontrolável.”

*

     “O olhar de Liev Davidovitch, no entanto, tentava ver para lá dos edifícios, das igrejas pontiagudas, das mesquitas arredondadas: tentava ver a si próprio naquela cidade (turca) onde não tinha um único amigo, um único seguidor de confiança. E não se encontrou. Sentiu que, naquele preciso instante, começava o seu exílio: verdadeiro, total, sem ter onde se agarrar. Para além da família e de alguns poucos amigos que lhe tinham reiterado a sua solidariedade, era um homem aflitivamente só. Seus únicos aliados úteis numa luta que devia iniciar (como?, por onde?) continuavam isolados em campos de trabalho ou já tinham claudicado, mas permaneciam todos dentro das fronteiras da União Soviética, e a relação com eles ia se apagando com a distância, a repressão e o medo.

     Ao evocar aquela manhã de aspecto tão agradável, Liev Davidovitch recordaria sempre da urgência que experimentara de apertar a mão de Natália Sedova para sentir algum calor humano ao seu lado, para não asfixiar de tanta angústia diante da sensação de abandono que o acossava. Mas recordaria também que nesse momento tinha fortalecido a sua decisão de que, embora só, o seu dever seria lutar. Se a Revolução pela qual tinha combatido se prostituía na ditadura de um czar vestido de bolchevique, seria necessário nesse caso arrancá-la com raiz e tudo e semeá-la de novo, porque o mundo precisava de revoluções verdadeiras. Aquela decisão, estava ciente, o aproximaria ainda mais da morte que já o vigiava das torres do Kremlin. A morte, no entanto, podia ser considerada apenas uma contingência inevitável: Liev Davidovitch sempre pensara que as vidas de um, de dez, de cem, de mil homens podem e até devem ser devoradas se o turbilhão social assim o exigir para atingir seus fins transformadores, pois o sacrifício individual é muitas vezes a lenha que se queima na pira da revolução. Por isso lhe dava vontade de rir quando certos jornais insistiam em mencionar a sua “tragédia pessoal”. De que tragédia falavam?, escreveria. No processo sobre-humano da revolução não tinha cabimento pensar em tragédias pessoais. Sua tragédia, quando muito, era saber que para se lançar na luta não tinha à mão correligionários forjados no forno da revolução, nem meios econômicos e muito menos um partido. Mas restava-lhe aquela que sempre fora a sua melhor arma: a pena, a mesma que difundira as suas ideias nas colaborações entregues ao Iskrae que, já no seu primeiro desterro, o conduzira ao coração da luta, desde aquela noite de 1901 em que recebera a mensagem capaz de situar a sua vida de lutador no vórtice da história; a pena fora convocada para a sede do Iskra, em Londres, onde o esperava Vladimir Ilitch Ulianov, já conhecido como Lenin.”

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A linguagem banal de Bernardo Carvalho, por Miguel Nassif

A linguagem banal de Bernardo Carvalho

por Miguel Nassif

Bernardo Carvalho já disse repetidas vezes, em diversas entrevistas, que a linguagem poética não faz parte da sua linguagem, que o que lhe interessa, de fato, é a linguagem que tenta furar a linguagem: uma linguagem banal, desprovida de estilo; uma linguagem contra a literatura como instituição, logo seca, feia, rarefeita, pobre, tosca, truncada, áspera. Ao escritor carioca interessa desautorizar a língua, se sentir estrangeiro através da "implosão da linguagem pela simplicidade". Carvalho, que começou sua carreira como jornalista e estreou na literatura aos 33 anos com a coletânea de contos Aberração, abraça o lugar da contradição e do paradoxo (e das tensões que isso gera) como possibilidade de que daí, desse lugar "meio desconfortável", surja alguma verdade. No limite do literário e na urgência de, através da antiliteratura, "fazer literatura de verdade", o autor se agarra à estranheza de uma linguagem supostamente esvaziada de poesia e falsamente banal – que é, apesar do aspecto rudimentar, fruto de um trabalho minucioso – para desbravar o espaço do não domesticado.

A ideia de fazer literatura contra parece ser uma constante em sua produção. Carvalho resiste, quase quixotescamente, à hegemonia da literatura como expressão da experiência, do realismo psicológico e verossimilhante. Apesar de seus romances serem, no fundo, bastante realistas, essa recusa reflete em alguns artifícios que ele adota, por exemplo, em seu último romance, Simpatia pelo demônio, onde os personagens se escondem atrás de codinomes (Rato, chihuahua, Palhaço), em forma quase de fábula. O narrador só tem o ponto de vista do Rato como referência, de modo que os outros personagens não passam de telas foscas onde o protagonista projeta suas vontades, escarafunchadas à exaustão nas sessões de psicanálise; é uma romance sobre o terrorismo na acepção mais comum do termo e o terrorismo nas relações amorosas, não menos político e devastador que o primeiro. Em Reprodução – livro de abordagem bastante teatral, construído sobre extensos monólogos que emulam a linguagem automática da internet, onde se fala sozinho e o diálogo não é diálogo – o personagem principal, comentarista compulsivo e virulento de portais de notícia, é simplesmente o "estudante de chinês". Essa repulsa ao nome próprio aponta para a vontade de construir o que Carvalho chamou, numa conversa promovida pela Escola Letra Freudiana e posteriormente transcrita e publicada pela 7Letras, de personagens de papel, com os quais não há uma identificação psicológica e emocional imediata.

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Contracanto 22, por Marcos Bagno

Enviado por Gilberto Cruvinel

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Lista de Livros – Em busca do socialismo (Parte III), de Florestan Fernandes

Seleção de Doney

Lista de LivrosEm busca do socialismo: últimos escritos & outros textos (Parte III), de Florestan Fernandes

Editora: Xamã

ISBN: 85-85833-10-6

Opinião: muito bom

Páginas: 270

     “Para a consciência burguesa e para a economia política, o capital cria tudo: o desenvolvimento capitalista, a massa de trabalho, o progresso tecnológico, a liberdade política, o Estado democrático, o florescimento da cultura, etc. Na verdade, o capital só se produz e reproduz quando surgem as condições especiais e históricas da existência da propriedade privada, da acumulação capitalista acelerada, da constituição de um exército industrial de reserva, etc. Portanto, a burguesia se atribui a criação de condições que a produzem e a reproduzem, bem como produzem e reproduzem o trabalho como mercadoria.

Uma representação ideológica da realidade permite ao capitalista (e, em consequência, ao economista, o seu “ideólogo”) propalar essa portentosa mistificação e, ao mesmo tempo, roubar ao trabalho toda a sua importância histórica ativa e criadora. A mensagem de O Capital é clara: não existe esse mundo, no qual o capital pudesse prescindir do trabalho ou, vice-versa (como pretendia o socialismo reformista), o capital pudesse sobreviver à eliminação ou à substituição do capitalista. Trabalho e capital estão presos um ao outro no modo específico de produção capitalista, não só estruturalmente, mas dinamicamente, por meio de contradições que impõem, com o crescimento constante do capital e do trabalho, a rebelião auto-emancipadora dos trabalhadores. Por conseguinte, a dialética do trabalhador livre não se concilia com uma reforma providencial nem com qualquer regeneração do capitalismo que levassem ao melhor dos mundos possíveis. 

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O que é uma nação? Servirá o Brasil de exemplo?, por Sebastião Nunes

por Sebastião Nunes

Socratião, reencarnação brasileira de Sócrates, estava sentado de pernas cruzadas e mãos entrelaçadas, à maneira dos iogues. Acabara de voltar da Índia e pegara a mania dos velhos budistas desocupados. Em volta dele, tentando desajeitadamente sentar-se do mesmo jeito, encontravam-se os discípulos Platião (reencarnação de Platão), Fedontião (reencarnação de Fédon), Antistião (reencarnação de Antístenes) e Cebestião (reencarnação de Cebes). Na porta da sala, Xantipa olhava feio para os vagabundos.

 

LIVRO PRIMEIRO

            – O que é uma nação? – indagou o cínico Socratião. – Algum de vocês saberia me explicar o que é uma nação?

            – Eu posso – disse o linguarudo Platião, o aristocrata de ombros largos. – Nação é um enxame de pessoas vivendo em comum por vontade própria.

            – Quer dizer que cada seita evangélica constitui uma nação diferente? – retrucou Socratião. – Não te parece limitada sua definição? Alguém tem sugestão melhor?

            – Nação é uma comunidade estável, guiada por leis comuns – disse Fedontião.

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fosse eu o mais cruel dos pornográficos, por romério rômulo

fosse eu o mais cruel dos pornográficos

por romério rômulo

 

o cansaço te come

como praga

te arrebenta as bandas

como açoite

te atravanca a vida

aziaga

te atravessa a goela

como noite.

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Lista de Livros – Em busca do socialismo: últimos escritos & outros textos (Parte I), de Florestan Fernandes

Seleção de Doney

Lista de Livros – Em busca do socialismo: últimos escritos & outros textos (Parte I), de Florestan Fernandes

Editora: Xamã

ISBN: 85-85833-10-6

Opinião: muito bom

Páginas: 270

     “Os petistas não devem se deixar iludir. Eles precisam se fazer duas perguntas: 1) A socialdemocracia, adulterada para servir às nações capitalistas centrais, é viável na periferia e nela perderia o caráter de uma capitulação dos trabalhadores e dos assalariados de outros escalões ao despotismo do capital? 2) O PT manterá a natureza de uma necessidade histórica dos trabalhadores e dos movimentos sociais radicais se preferir a ‘ocupação do poder’ à ótica revolucionária marxista?”

*

     “No mesmo documento O PT em movimento, Florestan reivindicou para o PT uma base programática que deixasse claro que “em sua versão operária radical, o socialismo significa superação e supressão: da força de trabalho como mercadoria; da propriedade privada dos meios de produção; da separação entre trabalho manual e intelectual; da divisão do trabalho; da exploração do homem pelo homem; da deformação da educação para servir à hegemonia ideológica das classes dominantes; do preconceito, discriminação e segregação, com motivos econômicos ou não, de classe, de raça, de etnia, de nacionalidade, de sexo, de idade, de religião ou de convicções filosóficas; do imenso complexo do vício organizado; da fabricação da neurose, da psicose e da alienação social provocada; dos poderosos cartéis das drogas e de sua disseminação; do uso mercantil ou destrutivo da ciência e da tecnologia científica; da existência de classe, da dominação de classe e da sociedade de classes; da indiferença à metropolização intensiva e ao aparecimento de megalópoles, núcleos de concentração da pobreza relativa e da pobreza absoluta, bem como da difusão do vício comercializado; do armamentismo e do militarismo como pilares da tirania, do colonialismo e do imperialismo; da guerra em todas as suas modalidades, nas relações entre povos ou nações e na ‘partilha do mundo’”” (Osvaldo Coggiola)

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Novíssima proposta para dividir o Brasil em sete países independentes, por Sebastião Nunes

por Sebastião Nunes

Do jeito que está não pode ficar. Isto aqui está uma zona, ninguém se entende e as coisas tendem a piorar. Assim, proponho que se faça um plebiscito nacional para criar sete países absolutamente independentes, menores e mais administráveis.

            Os novos países serão:

            1) República da Pauliceia Desvairada (capital em São Paulo, abrangendo os  territórios de São Paulo, Paraná e Santa Catarina).

            2) República do Jaburu Maroto (capital em Brasília, abrangendo os territórios de Brasília e Região Metropolitana).

            3) República dos Inconfidentes Saudosistas (capital em Belo Horizonte, abrangendo os territórios de Minas Gerais, Goiás e metade do Espírito Santo).

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Chico Buarque conquista prêmio literário na França

 
Jornal GGN - Na próxima segunda-feira (30), o cantor, compositor e escritor Chico Buarque receberá o prêmio de literatura Roger Caillois, em Paris, na França, pelo conjunto de sua obra, na categoria literatura latino-americana. 
 
No país europeu, seus livros são publicados pela editora Gallimard, sendo que o último deles, O Irmão Alemão, foi lançado em 2016. Leia mais »
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sem um cavalo, sem um trajeto da morte, por romério rômulo

sem um cavalo, sem um trajeto da morte

por romério rômulo

 

coisa triste é caminho sem rastro

a causa sem a causa do que foi feito

um caminho sem estribo, sem viajante

sem um cavalo, sem um trajeto da morte.

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Farto de tudo, a paz da morte imploro, de William Shakespeare

Enviado por Gilberto Gruvinel

 

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Lista de Livros: O melhor livro sobre nada, de Jerry Seinfeld

Por Doney

Lista de Livros: O melhor livro sobre nada – Jerry Seinfeld

Editora: Frente

ISBN: 8586166200

Tradução: Ronald Fucs

Opinião: bom

Páginas: 160

    “Deve ser frustrante trabalhar numa livraria. Você vê alguém entrar, ficar duas horas por ali e sair com nada. Dá vontade de explodir, dar um safanão no cliente quando ele estiver saindo e dizer: “Então você acha que sabe tudo? Não há nada que você precise aqui? Deve haver alguma coisa em que você esteja pelo menos interessado. Por que você veio para cá? Nós não precisamos de você!”

     De certa forma, é isso que uma livraria é. Uma loja “mais esperta do que você”. E é por isso que as pessoas ficam intimidadas. Porque para entrar numa livraria, você precisa admitir que há algo que você não sabe.

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