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Literatura

para raduan nassar, por romério rômulo

Raduan Nassar

meu copo de cólera

minha lavoura arcaica

meus deuses de papel e tinta

quero-os todos na alma e na tesão.

romério rômulo

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Lista de Livros: O sofrimento de Deus (parte I), de Slavoj Žižek e Boris Gunjević

Lista de Livros – O sofrimento de Deus: inversões do Apocalipse (parte I) – Slavoj Žižek e Boris Gunjević

Editora: Autêntica

ISBN: 978-85-8217-463-0

Tradução: Rogério Bettoni

Opinião: bom

Páginas: 240

A mistagogia da revolução – Boris Gunjević

     “A divina comédia foi escrita no exílio, um produto da vida nômade de Dante. Desse modo, não admira que a própria Comédia descreva a jornada pelo Inferno, pelo Paraíso e pelo Purgatório na companhia de viajantes incomuns que têm um significado especial para o autor. Depois de uma cisão no partido político dos Brancos, do qual Dante era membro, e de um ataque por parte dos vassalos do papa, chamados de Negros, Dante foi banido de Florença em 1302 e subsequentemente condenado in absentia à morte na fogueira. Essa sentença transformou Dante em um nômade poeta e político que jamais voltaria para sua cidade natal. Depois de perambular pela Europa, ele chegou a Ravena, onde finalmente morreu. Boccaccio diz que Dante queria descrever em vulgata, e em rimas, todas as obras de todas as pessoas e seus méritos na história. Tratava-se de um projeto notadamente ambicioso e complexo, que requeria tempo e trabalho, principalmente porque Dante era um homem cujos passos eram seguidos pelo destino a cada esquina, cercados pela angústia da amargura.
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Soneto de todas as putas, por Manuel Maria Barbosa du Bocage


 

Por Gilberto Cruvinel 

Não lamentes, ó Nize, o teu estado;
Puta tem sido muita gente boa;
Putíssimas fidalgas tem Lisboa,
Milhões de vezes putas teem reinado:

Dido foi puta, e puta d'um soldado;
Cleópatra por puta alcança a c'roa;
Tu, Lucrécia, com toda a tua proa,
O teu conno não passa por honrado:

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O que nos reserva o futuro: como se divertirão nossos filhotes inclames, por Sebastião Nunes

Por Sebaestião Nunes

Continuando minha análise do futuro controlado pelos inclames, eis uma pequena amostra de uma festança entre eles, talvez num clube particular e exclusivo, quem sabe num condomínio fechado. Se não for assim, será quase assim.

O PRAZER DE CHURRASQUEAR

Grupo numeroso de inclames, funcionários de multinacional, costumava reunir-se semanalmente em animadíssimo churrasco. Levavam família toda: consortes e sogros e filhos e pais e avós. Bisavós e cunhados e concunhados e genros. E noras e carros e gatos e cachorros.

As carnes do famoso churrasco eram sorteadas na hora, entre os participantes.

As picanhas (sempre em número de quatro) eram extraídas da bunda de duas das buclames-sogras.

As maminhas, dos peitos de quatro das buclames-avós.

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Imagens

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Cárcere das Almas, por Cruz e Sousa

Enviado por Gilberto Cruvinel

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Ah! Toda a alma num cárcere anda presa,
soluçando nas trevas, entre as grades
do calabouço olhando imensidades,
mares, estrelas, tardes, natureza.

Tudo se veste de uma igual grandeza
quando a alma entre grilhões as liberdades
sonha e sonhando, as imortalidades
rasga no etéreo Espaço da Pureza. Leia mais »

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Face Hipocrática, por Alexandre Pandolfo

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Do Psicanalistas pela Democracia

“Face hipocrática”

Por Alexandre Pandolfo

Em meio à folha de papel rabiscada, o pensamento às vezes para. Emaranhado às valas comuns ou ao vasto oceano. Desgraça inominável e vergonhosa. Ainda outras advirão amanhã e depois. Repetindo palavras contestáveis, talvez obliteradas. É uma só a linguagem jurídica do golpe civil e midiático e a linguagem precária do justiçamento feito por meio dos diversos tribunais. A linguagem da burla. A linguagem da impostura. 
 
Não se deixa atordoar pelos murros que outros levam na cabeça. Apenas senta-se sobre o mundo. Aparenta ausentar-se. E entre visões concretas esboçam-se fantasmagorias. Uma mal disfarçada ditadura, um congresso de lacaios figurados, absolutamente interessados em conservar privilégios. Desenvolvem a conversação como vício. Junto às sentenças dos tribunais, que são formalidades inconsequentes. Incrivelmente amparados por determinados conhecimentos filosófico-biomoleculares. E pelo interesse exclusivo na propriedade e na miséria do mundo. 

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Lista de Livros: Os ensaios, uma seleção (Parte II), de Michel de Montaigne

por Doney

Lista de Livros: Os ensaios, uma seleção (Parte II), de Michel de Montaigne

Editora: Penguin – Companhia das letras

ISBN: 978-85-6356-006-3
Tradução: Rosa Freire D’aguiar

Opinião: muito bom

Páginas: 616  

     “Os homens são tão ligados à sua existência miserável que não há condição tão dura que não aceitem para conservá-la. (...)

     Tamerlão encobria com uma tola humanidade a fantástica crueldade que exercia contra os leprosos, mandando matar tantos quantos chegavam a seu conhecimento, para (dizia) livrá-los da vida tão penosa que viviam. Pois não havia nenhum deles que não preferisse ser três vezes leproso a não existir. E Antístenes, o estoico, estando muito doente, exclamava: “Quem me livrará desses males?”. E Diógenes, que fora vê-lo, ao apresentar-lhe uma faca dizendo: “Esta, se quiseres, e bem depressa”, o outro replicou: “Não falo da vida, falo dos males”.”

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Lira Neto resgata as origens do samba em seu novo livro

Jornal GGN – Mapeando a origem de uns dos gêneros musicais que mais representa a cultura brasileira, o biógrafo e jornalista Lira Neto lança “Uma história do samba”, nesta quinta-feira, 9 de março. A tarde de autógrafos, na Livraria da Vila da Fradique Coutinho, em São Paulo, será embalada por uma roda de samba, a partir das 19h. Este livro é o primeiro de uma trilogia, que reúne fotografias e documentos inéditos.

A narrativa começa no Rio de Janeiro pós-abolição, no final do Século XIX, e início do Século XX (1890 – 1930), recontando o nascimento do samba. A obra é concluída em 1930, quando acontece o primeiro desfile das escolas de samba do Rio.

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o poema, moça bela, é um entulho, por romério rômulo

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Por romério rômulo

o poema, moça bela, é um entulho

que peço me caber em cada canto

do corpo, essa estrada, meu espanto,

meu quebranto de escuros, meu engulho.

o poema, moça bela, é um reboco,

uma tela que cobre a tarde nua.

cada poema que piso é uma rua

imensidão de mãos, como num soco. Leia mais »

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A poetisa russa Marina Tzvietáieva e a tradução de Augusto de Campos

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Do Psicanalistas pela Democracia

"2017"

 

Em 2011 foi publicada uma coletânea de poemas traduzidos para o português da lavra de poetas de primeira grandeza de língua alemã, russa, inglesa, francesa. O título da coletânea: Poesia da Recusa; o tradutor: Augusto de Campos. Psicanalistas pela Democracia retoma aqui a tradução desse importantíssimo tradutor, poeta e escritor vanguardista brasileiro e relembra a polêmica recente, envolvendo Augusto de Campos quando seu poema VIVA A VAIA foi utilizado pela Folha de São Paulo para aludir ao movimento pró-impeachment, numa situação bastante específica e grotesca.

Na ocasião, Augusto indignado desautorizou o jornal a fazer tal uso flagrando o jornal em explícita campanha política, o que colocava em cheque a qualidade da reportagem e feria a ética jornalística. Reproduzimos abaixo a carta de Augusto enviada na ocasião à Folha que não a publicou, embora não tivesse tido qualquer pudor em publicar um de seus poemas sem pedir autorização ao autor da missiva. Belo episódio do poeta contra a máquina que queremos aqui relembrar.

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Mais uma vez

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por Maíra Vasconcelos

Talvez, escrever seja como estudar a própria morte. Habitando cada segundo de tanta vida, tanta vida. E de novo escrever, mais uma vez escrever. E de novo esses cansaços que tocam a pele. E meu corpo aqui sendo uma coisa entre as coisas. Considerados os absurdos da autogestão de uma vida, uma vida tão expoente e bem cuidada. Uma vida ao sol ao amarelo. Lambendo-me como a um felino, quieta e à espreita. Limpando a pele, todos os dias. E, ainda assim, prevejo não ter alcançado um lugar um não-lugar a ser descrito nesta narrativa inconclusa. Qual narrativa, precisamente? Dou passos, apenas. E menor dimensão que esta não há: um-passo-atrás-do-outro. Qual a medida dos passos de toda uma vida?

E meu corpo aqui sendo uma coisa entre as coisas. Um corpo que escreve como se fosse brotar. Mas quão inútil pode ser cada palavra? Alguém me escuta? Mas ainda menos inútil por deter tantas flores, menos inútil pelo poder de mentir, mentir sobre uma vida, uma vida inteirinha e mentirosa. Dotada de fantasias a serem entregues ao mundo, a esse mundinho pouco reflexivo. Sim. Escrevendo para se ter uma vida, um fruto um fruto. Alguma vida que se faz ao passo adiante, sempre adiante. Uma vida pela criação dessa mulher-animal exposta ao amarelo. Todos os dias.

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McEwan investigador, por Miguel Nassif

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McEwan investigador

Por Miguel Nassif

Ian McEwan, ganhador do Man Brooker Prize de 1998 com Amsterdam, natural de Aldershot, no sudeste da Inglaterra, e filho de um militar escocês, gosta de comparar o ofício do escritor àquele do detetive. McEwan, apelidado de Ian Macabro por causa de seu humor negro e de uma certa propensão para o gótico no início da carreira, só senta para escrever depois de extensas pesquisas, que ele prefere chamar de investigações.

McEwan, que abrigou Salman Rushdie em casa depois do Aiátola Khomeini emitir a famosa fatwa ordenando o assassinato do indiano por causa do conteúdo supostamente blasfemo e apostático de Os versos satânicos, estreou em 1978 com o fabuloso O jardim de cimento – um "Senhor das moscas urbano" adaptado para um filme com a Charlotte Gainsbourg em 93.

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As novas castas sociais e a vertiginosa ascensão dos inclames, por Sebastião Nunes

As novas castas sociais e a vertiginosa ascensão dos inclames

por Sebastião Nunes

Classe média é um estado de espírito, ao contrário do que pensam sociólogos, economistas, publicitários, juristas, políticos e estatísticos.

            As duas principais características da classe média são consumismo exacerbado e individualismo predador. A união dessas duas características cria o típico estado de espírito inclâmico, voltado para a destruição em massa de ambientes, bens e pessoas, gerando o individuo que denominei inclame.

            Foi o surgimento das grandes cidades que propiciou a amplificação dessas duas características até o grau extremado que se verifica hoje.

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Lista de Livros: Viagem ao fim da noite, de Louis-Ferdinand Céline

Seleção de Doney

Lista de Livros: Viagem ao fim da noite, de Louis-Ferdinand Céline

Editora: Companhia de bolso

ISBN: 978-85-359-1455-9

Tradução: Rosa Freire D'Aguiar

Opinião: muito bom

Páginas: 536

     “A raça, o que você chama de raça, não passa dessa grande corja de fodidos de minha espécie, catarrentos, pulguentos, espezinhados, que vieram parar aqui perseguidos pela fome, pela peste, pelas doenças e pelo frio, os vencidos dos quatro cantos do mundo. Não podiam ir mais longe por causa do mar. A França é isso e os franceses são isso.”

*

     “O amor é o infinito posto ao alcance dos cachorrinhos.”

*

     “Por toda a estrada e tão longe quanto se podia enxergar havia dois pontos pretos, no meio, feito nós, mas eram dois alemães empenhadíssimos em atirar, já fazia uns bons quinze minutos.

     Ele, nosso coronel, vai ver que sabia por que que aquelas duas pessoas estavam atirando, os alemães vai ver que também sabiam, mas eu realmente não sabia. Tão longe quanto eu escavava na minha memória, nunca tinha feito nada contra os alemães. Sempre fui muito amável e bem-educado com eles. Eu os conhecia um pouco, os alemães, tinha até estado na escola na terra deles, quando era pequeno, nos arredores de Hanover. Tinha falado a língua deles. Eram então uma cambada de boboquinhas barulhentos, com olhos pálidos e furtivos como os dos lobos; íamos juntos bolinar as garotas depois da escola, nos bosques das redondezas, onde também atirávamos com balestra e pistola que comprávamos por quatro marcos. Bebíamos cerveja açucarada. Mas daí a, agora, nos atirarem nas fuças, sem nem virem conversar primeiro e bem no meio da estrada, havia uma distância, e até mesmo um abismo. Diferença demais.

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Chico Buarque & Carlos Drummond de Andrade em "Canto do Rio em Sol"

Sugestão de Alfeu

Foto: Leo Aversa

Guanabara, seio, braço
de a-mar:
em teu nome, a sigla rara
dos tempos do verbo mar.

Os que te amamos sentimos
e não sabemos cantar:
o que é sombra do Silvestre
sol da Urca
dengue flamingo
mitos da Tijuca de Alencar.

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