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Literatura

A tradução integral de Ivo Barroso

“Faço da tradução um programa de vida, amor fiel, constante e desesperado”, diz o tradutor dos sonetos de Shakespeare.

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A tradução integral de Ivo Barroso

por Gilberto Cruvinel e Emmanuel Santiago

agradecimento à Denise Bottmann pela colaboração imprescindível

Quando a hora dobra em triste e tardo toque
E em noite horrenda vejo escoar-se o dia,
Quando vejo esvair-se a violeta, ou que
A prata a preta têmpora assedia;
Quando vejo sem folha o tronco antigo
Que ao rebanho estendia a sombra franca
E em feixe atado agora o verde trigo
Seguir o carro, a barba hirsuta e branca;
Sobre tua beleza então questiono
Que há de sofrer do Tempo a dura prova,
Pois as graças do mundo em abandono
Morrem ao ver nascendo a graça nova.
    Contra a foice do Tempo é vão combate,
    Salvo a prole, que o enfrenta se te abate.

William Shakespeare, Soneto 12 

O mineiro Ivo Barroso é um dos nossos maiores tradutores de prosa e poesia para a língua portuguesa. É o responsável por traduções definitivas para o português de poetas como Arthur Rimbaud, Eugenio Montale, T.S.Eliot, Charles Baudelaire e William Shakespeare.

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Catarina e Jarirí - uma paixão sobre-humana, por Cafezá

Arte Naïf - Ivonaldo Ciranda

Catarina e Jarirí - uma paixão sobre-humana, por Cafezá

Maisi mestre Bódim falô qui eiles num pudia ir nacuele memo dia, purqui a noite ia sê muito chuvosa. I tumém éira muitu arriscadu ir tudos eiles duma veiz só, uilsso facilitaria qui argum deiles fossi incontradu pelus assassinus. U corrétu éira siguí a mesma lista da otra veiz qui eiles foru.

- Ucê tá cá razão, mestre. Vamo divagar cum o andor. Maisi cumé qui ucê sabi qui vai chuvê à noite?

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Lista de Livros: A Utopia ou O Tratado da Melhor Forma de Governo – Thomas Morus

Seleção de Doney

Lista de Livros: A Utopia ou O Tratado da Melhor Forma de Governo – Thomas Morus

Editora: L&PM

ISBN: 978-85-2540-673-6

Tradução: Paulo Neves

Opinião: bom

Páginas: 160

     “O cadáver sem sepultura tem o céu por mortalha.”

*

     “Há por toda a parte caminho para chegar a deus.”

*

     “O acaso me fez encontrar um dia, à mesa desse prelado, um leigo reputado como douto legista. Este homem, não sei a que propósito, se pôs a cumular de louvores a rigorosa justiça exercida contra os ladrões. Narrava gostosamente como eles eram enforcados, aqui e ali, às vintenas, na mesma forca.

     Apesar disso, acrescentava, vejam que fatalidade! Mal escapam da forca dois ou três desses bandidos, e, no entanto, na Inglaterra, eles formigam por toda parte!

     Com a liberdade de palavra que gozava na casa do cardeal, disse eu, então: Nada disso devia surpreender-vos. Neste caso a morte é uma pena injusta e inútil; é bastante cruel para punir o roubo, mas bastante fraca para impedi-lo. O simples roubo não merece a forca, e o mais horrível suplício não impedirá de roubar o que não dispõe de outro meio para não morrer de fome. Nisto, a justiça de Inglaterra e de muitos outros países se assemelha aos mestres que espancam os alunos em lugar de instruí-los. Fazeis sofrer aos ladrões pavorosos tormentos; não seria melhor garantir a existência a todos os membros da sociedade, a fim de que ninguém se visse na necessidade de roubar, primeiro, e de morrer, depois?”

*

     “Olhemos o que se passa cada dia ao redor de nós. A principal causa da miséria pública reside no número excessivo de nobres, zangões ociosos, que se nutrem do suor e do trabalho de outrem e que, para aumentar seus rendimentos, mandam cultivar suas terras, escorchando os rendeiros até à carne viva. Não conhecem outra economia.

     Mas, tratando-se, ao contrário, de comprar um prazer, são pródigos, então, até à loucura e à mendicidade. E não menos funesto é o fato de arrastarem consigo uma turba de lacaios e mandriões sem estado e incapazes de ganhar a vida.”

*

     “Com efeito, os ladrões não são os piores soldados, como os soldados não são os ladrões mais tímidos; há muita analogia entre esses dois ofícios. Infelizmente, esta praga social não é particular à Inglaterra; corrói quase todas as nações.”

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Lançamento de livro debate a ‘uberização’ das profissões

Jornal GGN - Considerando o impacto das novas tecnologias nas relações que envolvem o trabalho, as editoras Autonomia Literária e Elefante​, em parceria com a  Fundação Rosa Luxemburgo, convidam para o lançamento do livro “​​Cooperativismo de Plataforma: Contestando a economia do compartilhamento corporativa​​​”, do americano ​Trebor Scholz​. O encontro, marcado para a próxima segunda-feira, 3 de abril, no Ateliê do Gervásio, em ​São Paulo, será um grande bate-papo sobre economia do compartilhamento e a ‘uberização’ das profissões.

Além das novas propostas governamentais que ameaçam os direitos trabalhistas, é preciso considerar a influência da tecnologia nas relações laborais, como a economia de compartilhamento de aplicativos como o Uber.

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preciso de um só dos teus espantos, 2, por romério rômulo

preciso de um só dos teus espantos, 2

por romério rômulo

 

se eu te encontrar, mulher

e me comeres

se eu te falar, mulher

e me beberes

serei, então, o prato principal?

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Gilberto, Darcy e a semiótica no LIDE, por Rui Daher

Gilberto, Darcy e a semiótica no LIDE, por Rui Daher

Viva Sérgio Porto e Ivan Lessa!

Tenho que a leitura que hoje em dia mais me agrada são as colunas do sociólogo e professor da Federal de Juiz de Fora, Gilberto Felisberto Vasconcellos, na revista Caros amigos.

A mais recente tem o título “Darcy Ribeiro Piccoloburguese Petucano Conciliador Republicano”. Quem não se assustaria? Ainda mais eu, que já confessei ter longas conversas com o espírito de Darcy na Redação do BRD e sucursal no FB, O Fígado Diário.

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Lista de Livros: A Sabedoria dos Antigos, de Francis Bacon

Lista de LivrosA Sabedoria dos Antigos, de Francis Bacon

Editora: Unesp

ISBN: 978-85-7139-396-7

Tradução: Gilson César Cardoso de Souza

Opinião: bom

Páginas: 100

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Dois capítulos de “Somos todos assassinos”, minha ficção sobre publicidade, por Sebastião Nunes

Dois capítulos de “Somos todos assassinos”, minha ficção sobre publicidade

por Sebastião Nunes

Enquanto os livros antigos não são reeditados, cato de vez em quando alguns textos que publico como amostra e, sem um pingo de vergonha, certo de sua atualidade nestes tempos de golpe e de golpistas. Hoje são duas páginas do STA.

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Livro sobre o movimento estudantil na ditadura militar é tema do Sábado Resistente

O evento contará com a participação do autor Geraldo Jorge Sardinha; do diretor da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas, Matheus Nunes; e do jornalista Edilberto Veras

Lançamento de Geraldo Jorge Sardinha, pelo Núcleo dos Irredentos

Jornal GGN - O lançamento do livro “Calabouço – Rebelião dos Estudantes contra a Ditadura Civil-Militar em 1968”, de Geraldo Jorge Sardinha, será atração da próxima edição do Sábado Resistente, um projeto realizado pelo Memorial da Resistência, em parceria com o Núcleo de Preservação da Memória Política. A programação, com Mesa Redonda e música ao vivo, acontece em São Paulo, dia 25 de março, a partir das 14h.

A narrativa de “Calabouço" se baseia na  trajetória de Edson Luis, estudante secundarista assinado em 1968. Sua morte, que completa 49 anos dia 28 de março, levou milhares de jovens à primeira grande manifestação pública da época.

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Lista de Livros: Vida Nova & Monarquia, de Dante Alighieri

Seleção de Doney

Lista de Livros: Vida Nova / Monarquia, de Dante Alighieri

Editora: Nova Cultural

Tradução: Paulo M. Oliveira e Blasio Demetrio (Vida Nova) e Carlos do Soreval (Monarquia)

Opinião: Vida Nova (regular) / Monarquia (ruim)

Páginas: 90

Vida nova (1293)

Vós, que a via de Amor vejo seguir,

Procurai distinguir

Se há dor alguma, quanto a minha, grave;

E consenti apenas em me ouvir,

Para então decidir

Se não sou da desgraça abrigo e chave.

Amor, não pelo bem que em mim se vir,

Mas que nele existir,

Pôs-me em vida tão doce e tão suave,

Que escutei, muitas vezes, proferir:

“Por que o vejo sempre ir,

Contente, sem tristeza que o agrave?”

Agora já perdi minha ousadia,

Que somente em amor tinha razão;

Infeliz dizer quão

Permaneço, difícil me seria.

Assim, por ser me esforço como o são

Os que escondem a sua vilania:

Sou por fora alegria

E por dentro amargor no coração.

*

Cavalgando eu seguia o meu destino,

Queixoso do trajeto que fazia,

Quando encontrei Amor em meio à via,

Com hábito vulgar de peregrino.

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tua mão que endurece, por romério rômulo

tua mão que endurece

por romério rômulo

 

teu grito mutilado, um elo solto

da substância vil que sempre morre

teu osso atormentado, aço e esgoto

tua mão que endurece e não socorre

 

escondem visgos de vida decantada

nas sobras da tua carne que escorre.

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Música Brasileira, por Olavo Bilac

Enviado por Gilberto Cruvinel

Tens, às vezes, o fogo soberano
Do amor: encerras na cadência, acesa
Em requebros e encantos de impureza,
Todo o feitiço do pecado humano.

Mas, sobre essa volúpia, erra a tristeza
Dos desertos, das matas e do oceano:
Bárbara poracé, banzo africano,
E soluços de trova portuguesa. Leia mais »

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Acalanto triste (porém esperançoso) para um país em ruínas, por Sebastião Nunes

Uma releitura brasileira de um dos textos fundamentais da poesia oriental, o “Mantiq ut-tair”

Por Sebastião Nunes

Certo dia, o rei dos pássaros deixou cair uma pena, uma simples pena, bem no centro do maior deserto da Terra.

            Mas era uma pena tão magnífica, de tal forma maravilhosa, que os pássaros que a encontraram, muitos anos depois, não tiveram a menor dúvida: era uma pena de seu rei.

            A descoberta correu de bico em bico e, dentro de mais alguns anos, todos os pássaros do mundo visitaram o deserto e viram, deslumbrados, a primeira prova verdadeira da existência de seu desconhecido rei.       

            Sabiam, por velhas lendas, que o rei dos pássaros tinha construído seu ninho no ponto mais alto da mais alta montanha da Terra.

            Também sabiam, narrado de pais para filhotes, que o nome secreto de seu rei queria dizer “trinta pássaros”.
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Raduan, o poeta e a máquina, por Psicanalistas pela Democracia

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Do Psicanalistas pela Democracia

 

No editorial ‘2017’ lembramos e chamamos a atenção para a tensão entre a verdade e a falsidade; a afirmação de princípios morais e estéticos e o descalabro ético; a palavra justa e o discurso velador. Falávamos da celeuma envolvendo o poeta e tradutor Augusto de Campos e o Jornal Folha de São Paulo ocorrido ano passado. Destacamos dessa vez outro episódio, ocorrido no ato de premiação do escritor Raduan Nassar na ocasião em que foi agraciado com o prêmio Luis de Camões. Essa passagem é citada também no texto recém publicado de Ana Costa no Psicanalistas pela Democracia.

O Brasil é privilegiado por ter Raduan Nassar. Um escritor que deu ao país o melhor da literatura. Aclamado dentro e fora do Brasil, Raduan é um cidadão que, do mesmo modo como se recusa a escrever um novo livro, a despeito das inúmeras demandas, solicitações e apelos, se recusa a se calar diante do maior golpe parlamentar, branco e cínico já sofrido no país.

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Lista de Livros: O sofrimento de Deus – inversões do Apocalipse (parte II), de Slavoj Žižek e Boris Gunjević

Lista de Livros: O sofrimento de Deus  inversões do Apocalipse (parte II), de Slavoj Žižek e Boris Gunjević

Editora: Autêntica

ISBN: 978-85-8217-463-0

Tradução: Rogério Bettoni

Opinião: bom

Páginas: 240

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