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Literatura

“Canalhas, calhordas e corruptos”: ex-assessor de Dilma lançará livro sobre o impeachment

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Pronunciamento de Dilma no dia 12 de maio de 2016, após seu afastamento. Foto: Roberto Stuckert Filho
 
Jornal GGN - Secretário de imprensa de Dilma Rousseff durante o segundo mandato da presidente, Olímpio Cruz Neto fazia o meio-de-campo entre Dilma e os repórteres, além de acompanhar a chefe de Estado em viagens nacionais e internacionais. 
 
Atualmente assessor de Jorge Vianna, senador pelo PT do Acre, Cruz Neto prepara um livro sobre os últimos dias da rotina presidencial, que deverá ser o nono a tratar do processo de impeachment e menos de um ano. 
 
No trecho abaixo, Olímpio faz o relato de um ano atrás, do dia 12 de maio, quando Dilma foi afastada do cargo, detalhando hábitos da presidente, estratégias de comunicação e também a reação ao ministério montado pelo então interino Michel Temer. 

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Crítico literário Antônio Cândido morre aos 98 anos

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Foto: André Gomes de Melo
 
Jornal GGN - Antônio Cândido, crítico literário e sociólogo, faleceu aos 98 anos na madrugada desta sexta-feira (12). Candido estava internado no Hospital Albert Einstein com problemas no intestino. O velório está sendo realizado no próprio hospital, no bairro do Morumbi, zona sul de São Paulo.
 
Candido escreveu livros como Introdução ao Método Crítico de Silvio Romero, Formação da Literatura Brasileira e Literatura e Sociedade. Sua obra é considerada como uma das mais fundamentais da intelectualidade no Brasil. 
 

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por candeia e por cartola, por romério rômulo

Portinari

por candeia e por cartola

por romério rômulo

 

a áfrica me chega pelas vozes

a áfrica me chega pelos couros

 

são duras as paixões. e são atrozes.

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Como um recém-operado de catarata enxerga a República-das-Bananas, por Sebastião Nunes

Como um recém-operado de catarata enxerga a República-das-Bananas

por Sebastião Nunes

Há cerca de um mês fui operado da porra do olho direito. Nada de dramático: coisa de 30 minutos e estava liberado. Pronto para enxergar o mundo azul? Não. Na República-das-Bananas não tem azul. Nem verde. Nem amarelo. Só cinza.

Durante 15 dias pinguei colírios variados no olho avariado, 15 vezes a cada 24 horas. Voltei ao médico três vezes, até que na última visita receitou óculos novos e mandou voltar seis meses depois para operar a porra do olho esquerdo.

Tudo bem? Não. O mundo continua cinza.

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A inesquecível Olga Benario, por sua filha Anita Leocadia

Olga, a ativista vítima do nazismo, é apresentada por sua filha em uma narrativa biográfica, que será lançada em maio, após 75 anos de sua morte

Jornal GGN - Após a Alemanha disponibilizar os arquivos da Gestapo, polícia secreta do Nazismo, a historiadora Anita Leocadia Prestes dedicou-se ao estudo de 2 mil páginas sobre sua mãe, Olga Benario Prestes. Como resultado deste trabalho Anita Leocadia nos brinda com biografia completa com documentos e informações inéditas sobre a resistência e luta política de Olga, vítima do nazismo. O lançamento da obra será ainda este mês, pela Boitempo Editorial.

A narrativa, feita de forma cronológica, vai desde a inserção da ativista na busca de seus ideais políticos até sua morte, na câmara de gás do campo de concentração de Bernburg, na Alemanha, em abril de 1942. Esposa do líder comunista brasileiro Luís Carlos Prestes, de quem engravidou, Olga foi afastada de sua filha ainda muito cedo.

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Ecos de Pedro Páramo, por Jota A. Botelho


Ilustração de Laurie Lipton – Family Reunion, 2005.

Ecos de Pedro Páramo

por Jota A. Botelho

Sobre este tema, recorremos a interessante conferência do já falecido jornalista, escritor e crítico mexicano Germán Dehesa sobre Juan Rulfo, que nos ilumina a obra deste singular autor da literatura mexicana. Dehesa faz uma leitura tão bem apurada do livro Pedro Páramo que nos leva à reflexão tanto pelo significado da obra quanto pela sua transcendência para o nosso país. Mas, em particular, sobre a realidade do México, principalmente depois que o país abriu o século XX com uma revolução única e inusitada, sobretudo ao se tornar eminentemente popular em sua fase mais aguda, onde seus dois principais líderes neste campo chegaram a ocupar a sede do governo, sem contudo ocupar o poder. 

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O português diverte-se em espanhol, por Fernando Venâncio

O português diverte-se em espanhol

por Fernando Venâncio

A palavra involucrar é portuguesa? Não é. Os dicionários ignoram-na unanimemente, as bases de dados não a registam. E, no entanto, nada impediria que fosse. Temos invólucro, era só questão de arranjar-lhe um verbo. Em espanhol, pelo contrário, involucrar é um termo comum. Quando nós dizemos que alguém se envolveu numa situação, numa causa, ou está envolvido com outra pessoa, um espanhol dirá que se involucró, que está involucrado.

Palavras com esta frequência e esta utilidade, sobretudo se forem achadas ‘expressivas’, serão uma tentação contínua para o falante de dois idiomas muito próximos. Se não se precata, cedo ou tarde acabará por utilizá-las na língua indevida. Entre portugueses utentes de francês, o fenómeno é corriqueiro, e poderíamos chamar-lhe o ‘efeito vacanças’. Com o espanhol, essa transferência é mais tentadora ainda, já que as formas são, muitas vezes, imediatamente utilizáveis. Foi o que sucedeu, um dia, a Luís Figo.

Em inícios de 2010, o ex-futebolista viu-se enredado numa manobra eleitoral de certo governo português em apuros. A TSF guardou registo de uma entrevista à comunicação social, de 18 de fevereiro desse ano, em que Figo informava ter entregado queixa às instâncias judiciais, dizendo haver agido, na ocorrência, «como cidadão público», sem qualquer tipo de contrapartidas. Inquirido por uma jornalista sobre ‘o que sentia’, respondeu: «Para mim, neste momento, um pouco de revolta pela situação em que me vejo involucrado. Mas só posso afirmar que são notícias falsas».

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Lista de Livros: Ética (Os Pensadores) – Benedictus de Spinoza

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Lista de Livros: Ética (Os Pensadores) – Benedictus de Spinoza

Editora: Nova Cultura

Tradução: Joaquim Ferreira Gomes e Antônio Simões

Tradução e notas: Joaquim de Carvalho

Opinião: muito bom

Páginas: 214

*

     “Diz-se livre* o que existe exclusivamente pela necessidade da sua natureza e por si só é determinado a agir; e dir-se-á necessário, ou mais propriamente, coagido, o que é determinado por outra coisa a existir e a operar de certa e determinada maneira (ratione).”

*: Estas definições são fundamentais. Pode receber-se como paráfrase a seguinte passagem da carta (LVIII) de Espinosa a Shuller: “... Digo ser livre o que existe e age exclusivamente pela necessidade da sua natureza; e coagido o que por algo (ab alio) é determinado a existir e a operar de certa e determinada maneira (ratio). Deus, por exemplo, existe livremente embora exista necessariamente, porque existe pela única necessidade da sua natureza... Note bem: eu não faço consistir a liberdade numa decisão livre, mas na livre necessidade......Desçamos, porém, às coisas criadas, que todas são determinadas por causas externas a existir e a agir de maneira certa e determinada. Para tornar isso claro e inteligível, conceba-se uma coisa muito simples. Por exemplo: uma pedra recebe uma causa externa que a impele certa quantidade de movimento; se vier a cessar a causa externa do impulso ela continuará a mover-se necessariamente. Consequentemente, a permanência da pedra em movimento é coagida, e tem de ser definida não como necessária mas pelo impulso da causa externa...” Como se vê, chama liberdade à necessidade intrínseca, isto é, a determinação que tem por causa a própria essência. Daqui resulta que a noção espinosana de liberdade nada tem que ver com a noção de livre arbítrio e com a de contingência, e que o conceito que lhe é antitético é o da coação, isto é, de determinação extrínseca. Assim entendida, a liberdade não é uma propriedade do sujeito, mas um estado do ser. (N.T.)

*

     “Deus, ou, por outras palavras, a substância que consta de infinitos atributos, cada um dos quais exprime uma essência eterna e infinita, existe necessariamente.

     (Pois) Existe necessariamente aquilo de que não é dada qualquer razão ou causa que lhe impeça a existência.”

*

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navio da minha armada, por romério rômulo

navio da minha armada

por romério rômulo

 

por onde vai a estrada

da mulher que me atropela?

 

caminha num quase nada

navio da minha armada

como se eu fosse ela.

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Marx e Engels visitam Machado de Assis para falar de revolução, por Sebastião Nunes

Imagem: Reprodução

Por Sebastião Nunes

Corria o ano de 1882. Comodamente instalados numa velha otomana, dois alemães esperavam o dono da casa. Acabavam de chegar de Londres.

– Será que vai dar certo? – perguntara o mais velho, antes da viagem.

– Não tenho dúvida – respondeu o mais moço. – Um sujeito que escreveu uma novela como “O alienista” e um romance como “Memórias póstumas de Brás Cubas” deve compreender tudo desse país. Ou quase tudo.

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tem um reino sem um rei, por romério rômulo

tem um reino sem um rei

por romério rômulo

 

nesta vila de ouro preto

onde sempre eu naveguei

tem um mar obsoleto

tem um reino sem um rei

 

na rua do meu tormento

faça sol, escuro ou vento

a vida é força de lei

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Lista de Livros: O homem e o cavalo (teatro) – Oswald de Andrade

Seleção de Doney

Lista de Livros: O homem e o cavalo (teatro) – Oswald de Andrade

Editora: Globo
ISBN: 85-250-0829-X
Opinião: regular
Páginas: 128

“ETELVINA – Vocês estão ficando histéricas. Precisam consultar um psicopata!”

*

“O POETA-SOLDADO – Eu sou o companheiro de leito da morte! A morte é o cabaço da necessidade! Como é que um espermatozóide pretende ser imortal! Que és tu, espectador, senão um espermatozóide de colarinho! E por isto te recusas a conhecer a verdade que a guerra traz nas artérias. Cantemos o nosso hino! Entoemos a nossa loa! Kip! Kip! Burra!”

*

“QUERUBINA – Por que é que você o matou, querido?!

O POETA-SOLDADO – Eu não o matei! O desencarnei! Há muita diferença. O que vocês queriam, suas messalinas modernas, era pilhar um preto no céu! Para estragar a raça!

ETELVINA – Mas ele não era preto! Era chocolate ariano.

O POETA-SOLDADO – Com aquela cara!

ETELVINA – Ficou preto porque passou perto do sol. A três léguas! Era natural que amorenasse!

O POETA-SOLDADO – Não quero saber! Em negócio de raça, eu não transijo! Nada de misturas. Não sofro de delicadezas! Vou matando logo. Vocês sabem que as almas são brancas. Como os esqueletos das baratas! São arianas! Ora, ele mesmo, descascado como esta agora, já vai sentindo as vantagens incalculáveis do arianismo! Se você falasse a ele, antes da desencarnação, na necessidade que a gente branca tem de submeter, explorar e humilhar a gente de cor, ele talvez não compreendesse. Agora compreende. Já discreteamos sobre Civilização, Cultura, Imperialismo, Capital, Raça e outros temas brancos. Olhem, outro sujeito que me encoleriza é esse judeu...

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O Cavaleiro da Triste Figura enfrenta o Cavaleiro da Pavorosa Carranca, por Sebastião Nunes

O Cavaleiro da Triste Figura enfrenta o Cavaleiro da Pavorosa Carranca

por Sebastião Nunes

– Veja como são as coisas, amigo Sancho – dizia Dom Quixote ao escudeiro Sancho Pança, enquanto vagabundavam por terras manchegas. – Aqui estamos em busca de aventuras e ouvi dizer que, em Brasília, um terrível nigromante apronta horríveis traficâncias contra o povo. Creio que devemos confrontá-lo e derrotá-lo em combate justo, para defesa dos ofendidos.

Sancho coçou a barbicha e perguntou:

– E que Brasília é essa, meu senhor?

– Uma espécie de Madri tropical de uma república-banana chamada Brasil, a existir no futuro remoto, habitada por 80% de papagaios e 20% de ladrões.

– Tanto papagaio assim?

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De como traduzi 'Os Gatos', de Eliot, por Ivo Barroso

Apresentação de Gilberto Cruvinel

Ivo Barroso, entrevistado pelo Jornal GGN no início de abril, aqui, em vista do grande interesse que o assunto tradução tem despertado, decidiu abrir as portas da oficina dele aos coleguinhas tradutores e por isso escreveu o artigo “De como traduzi ‘Os Gatos’ de Eliot”. Esta tradução remonta ao período em que Ivo viveu na  Inglaterra, entre 1983 e 1984, quando dedicou-se à poesia de T. S. Eliot. É considerada pelos especialistas como um dos momentos mais altos da tradução literária no Brasil e foi premiada com o Prêmio Jabuti (1992). O Prêmio de Tradução da Academia Brasileira de Letras (2005) foi para a a tradução do "Teatro completo" de Eliot. Este artigo é publicado com exclusividade pelo GGN.

 

 

DE COMO TRADUZI OS GATOS, DE ELIOT

por Ivo Barroso

Já contei esta história algumas vezes: eu morava em Londres nos anos ’80 e, em companhia do douto José Guilherme Merquior, fomos assistir à estreia do musical “Cats”, de Andrew Lloyd Weber, mais para ver como o compositor se havia comportado diante daqueles versos de    Eliot, que tanto admirávamos. Ficamos surpresos por ver que ele havia conseguido levar à cena os principais lances do livro sem alterar em nada os versos. Merquior argumentou comigo que seria, portanto, possível fazer uma tradução sem deturpar seus elementos constitutivos (métrica, rima, jogos de palavras, etc), desde que se encontrassem, evidentemente, equivalências de linguagem e situações que correspondessem às glosadas pelo autor. Da hipótese à intimação foi só um momento, que passou a se materializar em cobranças quase diárias sobre o andamento dos trabalhos.

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Notas sobre Aristóteles e a definição de poesia, por Gabriel Nocchi Macedo


Ilustração: Literatura grega
 
Jornal GGN - A verdadeira distinção entre a prosa e a poesia ainda gera questionamentos e incertezas, mesmo entre o universo acadêmico. Debatendo sobre estes dois gêneros literários, o professor e doutor em Línguas e Literaturas Clássicas pela Universidade de Liège, na Bélgica, Gabriel Nocchi Macedo recorda a origem das palavras para tentar responder às dúvidas. Para isso, recorre aos antigos gregos, Platão e Aristóteles.
 
Sugerido por Gilberto Cruvinel
 

Por Gabriel Nocchi Macedo

Algumas notas sobre Aristóteles e a definição de poesia

Do Estadão

O que diferencia prosa e poesia? Feita a um grupo de estudantes universitários, em uma prestigiosa universidade, a pergunta gerou hesitação. Com alguma insistência, obtiveram-se algumas tímidas respostas: a poesia é uma “expressão de sentimentos”, enquanto a prosa “conta uma história”. Qualquer distinção formal entre uma e outra categoria de composição literária, mesmo a noção de “verso”, passa despercebida. A resposta dos nossos universitários reflete, de certa forma, a ideia que o público geral tem do propósito da poesia: exprimir sentimentos, criar imagens, sugerir afetos, enquanto romances, contos e novelas narram histórias com início, meio e fim.

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