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Literatura

o braço de manuelzão, por romério rômulo

o braço de manuelzão

por romério rômulo

 

minas é um rio comprido

como um cachorro latido

no braço de manuelzão

 

eu olho minas de perto

como tecido coberto

pelo balaço do mar

 

manuelzão e mar tem coisas

de fazer minas chorar.

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Elizabeth Bishop: poeta, lésbica, modernista e brasileira de adoção

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Foto: reprodução

Jornal GGN - Uma biografia e uma peça de teatro reacendem o interesse pelo vida e obra de Elizabeth Bishop, poetisa norte-americana que morou no Brasil durante mais de quinze anos nos anos cinquenta. 

A escritora Megan Marshall retrata a trajetória de Bishop em sua recente biografia Miracle for Breakfast. Marshall diz que a poetisa “não acreditava que se pudesse ensinar a escrever, e dizia que os poemas, no seu caso, começavam como um mistério e uma surpresa, e que os concluía à base um de grande esforço e de árduo trabalho”.

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Documentos secretos de Pedro Nava se tornam públicos

foto: Luiz Carlos Murauskas/Folhapress
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Jornal GGN - Mais de 30 anos após a morte de Pedro Nava, a Fundação Casa de Rui Barbosa torna públicos documentos do acervo secreto do escritor. Algumas das cartas trazem anotações do autor sobre sua sexualidade, um tema que não era tratado de maneira aberta. 
 
Herdeiro e sobrinho do autor, Joaquim Nava, disse que não se opõe à divulgação dos documentos e afirma que não vê nada nas cartas que sugira que Pedro Nava fosse homossexual. 
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Um poema de Kaváfis

Enviado por Jota A. Botelho



Um poema de Konstantinos Kaváfis - Ítaca (1911)



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Vamos começar tudo de novo?, por Sebastião Nunes

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por Sebastião Nunes

Durante milênios, filósofos de todas as correntes, tendências e manias especularam sobre o funcionamento de nosso cérebro.

Ocupará a crueldade um determinado escaninho?

Onde se localiza a prudência?

A capacidade de amar nasce conosco ou é acrescentada mais tarde?

E a alma? Sua origem está no cérebro, no estômago ou no coração?

O que no princípio não passava de sucessivos saltos no escuro aprimorou-se com o tempo e novos e notáveis instrumentos de especulação e pesquisa.

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Imagens

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a vida, amigo, é um verso branco, por romério rômulo

a vida, amigo, é um verso branco

por romério rômulo

 

tivesse a comédia destes dantes

coubesse armas e barões assinalados

soubesse de camões enclausurados

bebesse da paixão que é de cervantes

 

roído no meu verso fescenino

domínio destes rasgos ancestrais

posto de regras e de regras tais

meu olho torto e torto meu destino.

 

romério rômulo

 

 

 

 

 

 

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Lista de Livros: Ortodoxia (Parte II) – G. K. Chesterton

Seleção de Doney

Lista de Livros: Ortodoxia (Parte II) – G. K. Chesterton

Editora: Mundo cristão

ISBN: 978-85-7325-505-8

Tradução: Almiro Pisetta

Opinião: bom

Páginas: 264

     “As pessoas primeiro prestaram homenagem a um local e depois conquistaram a glória para ele. Roma não foi amada por ser grande. Ela foi grande por ter sido amada.”

*

     “O suicídio não só constitui um pecado, ele é o pecado. É o mal extremo e absoluto; a recusa de interessar-se pela existência; a recusa de fazer um juramento de lealdade à vida. O homem que mata um homem, mata um homem. O homem que se mata, mata todos os homens; no que lhe diz respeito, ele elimina o mundo. Seu ato é pior (considerado simbolicamente) do que qualquer estupro ou atentado a bomba, pois destrói todos os prédios; insulta a todas as mulheres. O ladrão se satisfaz com diamantes; mas o suicida não: esse é seu crime. Ele não pode ser subornado, nem com as cintilantes pedras da Cidade Celestial. O ladrão elogia os objetos que furta, quando não elogia o dono deles. Mas o suicida insulta a todos os objetos da terra ao não furtá-los. Ele conspurca cada flor ao recusar-se a viver por ela.

     Não existe nenhuma criatura no cosmos, por mínima que seja, para quem a sua morte não é um escárnio. Quando alguém se enforca numa árvore, as folhas poderiam cair de raiva e os pássaros fugir em fúria, pois cada um deles recebeu uma afronta direta. Obviamente pode haver patéticas desculpas emocionais para o ato. Geralmente as há para o estupro, e quase sempre para o atentado a bomba. Mas quando se trata de esclarecer ideias e o significado inteligente das coisas, então, na sepultura na encruzilhada1 e na estaca cravada no corpo, há muito mais verdade racional e filosófica do que nas máquinas de suicídio do sr. Archer. Há um significado no enterro à parte de um suicida. O crime desse homem é diferente de outros crimes — pois torna até os crimes impossíveis.

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O que conta o diário fictício que Eduardo Cunha tenta censurar na Justiça

Foto: PMDB Nacional/Flickr
 
 
Jornal GGN - "Diário da cadeia", a ficção que deveria ser lançada no final de março, mas que foi suspendida em caráter liminar a pedido de Eduardo Cunha, é uma "coleção de sugestionamentos" sobre o que o deputado cassado "saberia e teria a revelar, mas não revela". Para Rodrigo Zuqui, a sátira foi forçada e acabou criando um personagem "pouco crível".
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Lista de Livros: Ortodoxia (Parte I) – G. K. Chesterton

Seleção de Doney

Lista de Livros: Ortodoxia (Parte I) – G. K. Chesterton

Editora: Mundo cristão

ISBN: 978-85-7325-505-8

Tradução: Almiro Pisetta

Opinião: bom

Páginas: 264

     “Quem quer que se disponha a discutir o que quer que seja deveria sempre começar dizendo o que não está em discussão. Além de declarar o que se quer provar é preciso declarar o que não se quer provar.”

*

     “Eu sou o homem que com a máxima ousadia descobriu o que já fora descoberto antes.”

*

     “Tentei fundar uma heresia só minha; e quando lhe dei o último acabamento descobri que era a ortodoxia.”

*

     “Pessoas completamente mundanas nunca entendem sequer o mundo; elas confiam plenamente numas poucas máximas cínicas não verdadeiras. Lembro-me de que, certa vez, fiz um passeio com um editor de sucesso, e ele fez uma observação que eu ouvira muitas vezes antes; é, na verdade, quase um lema do mundo moderno. Todavia, eu ouvi essa máxima cínica mais uma vez e não me contive: de repente vi que ela não dizia nada. Referindo-se a alguém, disse o editor: “Aquele homem vai progredir; ele acredita em si mesmo”.

     Lembro-me de que, quando levantei a cabeça para escutar, meus olhos se fixaram num ônibus no qual estava escrito “Hanwell”1. Disse-lhe eu então: “Quer saber onde ficam os homens que acreditam em si mesmos? Eu sei. Sei de homens que acreditam em si mesmos com uma confiança mais colossal do que a de Napoleão ou César. Sei onde arde a estrela fixa da certeza e do sucesso. Posso conduzi-lo aos tronos dos super-homens. Os homens que realmente acreditam em si mesmos estão todos em asilos de lunáticos”.

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Machado de Assis e Carolina visitam o MASP num dia festivo, por Sebastião Nunes

Machado de Assis e Carolina visitam o MASP num dia festivo

por Sebastião Nunes

– É, para mim, motivo de especial satisfação inaugurar este magnífico Museu de Arte – arengou a rainha Elizabeth II, em seu discurso de inauguração da nova sede do MASP, em 8 de novembro de 1968. E continuou: – A sua beleza, simplicidade e a perícia com que foi construído tornam-no mais um impressionante exemplo do espírito de iniciativa dos paulistas.

Os convidados aplaudiram com entusiasmo, excelentes puxa-sacos que eram. Todo sorrisos, o príncipe Filipe examinava com prazer as paulistanas bonitas.

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A tradução integral de Ivo Barroso

“Faço da tradução um programa de vida, amor fiel, constante e desesperado”, diz o tradutor dos sonetos de Shakespeare.

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A tradução integral de Ivo Barroso

por Gilberto Cruvinel e Emmanuel Santiago

agradecimento à Denise Bottmann pela colaboração imprescindível

Quando a hora dobra em triste e tardo toque
E em noite horrenda vejo escoar-se o dia,
Quando vejo esvair-se a violeta, ou que
A prata a preta têmpora assedia;
Quando vejo sem folha o tronco antigo
Que ao rebanho estendia a sombra franca
E em feixe atado agora o verde trigo
Seguir o carro, a barba hirsuta e branca;
Sobre tua beleza então questiono
Que há de sofrer do Tempo a dura prova,
Pois as graças do mundo em abandono
Morrem ao ver nascendo a graça nova.
    Contra a foice do Tempo é vão combate,
    Salvo a prole, que o enfrenta se te abate.

William Shakespeare, Soneto 12 

O mineiro Ivo Barroso é um dos nossos maiores tradutores de prosa e poesia para a língua portuguesa. É o responsável por traduções definitivas para o português de poetas como Arthur Rimbaud, Eugenio Montale, T.S.Eliot, Charles Baudelaire e William Shakespeare.

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Catarina e Jarirí - uma paixão sobre-humana, por Cafezá

Arte Naïf - Ivonaldo Ciranda

Catarina e Jarirí - uma paixão sobre-humana, por Cafezá

Maisi mestre Bódim falô qui eiles num pudia ir nacuele memo dia, purqui a noite ia sê muito chuvosa. I tumém éira muitu arriscadu ir tudos eiles duma veiz só, uilsso facilitaria qui argum deiles fossi incontradu pelus assassinus. U corrétu éira siguí a mesma lista da otra veiz qui eiles foru.

- Ucê tá cá razão, mestre. Vamo divagar cum o andor. Maisi cumé qui ucê sabi qui vai chuvê à noite?

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Lista de Livros: A Utopia ou O Tratado da Melhor Forma de Governo – Thomas Morus

Seleção de Doney

Lista de Livros: A Utopia ou O Tratado da Melhor Forma de Governo – Thomas Morus

Editora: L&PM

ISBN: 978-85-2540-673-6

Tradução: Paulo Neves

Opinião: bom

Páginas: 160

     “O cadáver sem sepultura tem o céu por mortalha.”

*

     “Há por toda a parte caminho para chegar a deus.”

*

     “O acaso me fez encontrar um dia, à mesa desse prelado, um leigo reputado como douto legista. Este homem, não sei a que propósito, se pôs a cumular de louvores a rigorosa justiça exercida contra os ladrões. Narrava gostosamente como eles eram enforcados, aqui e ali, às vintenas, na mesma forca.

     Apesar disso, acrescentava, vejam que fatalidade! Mal escapam da forca dois ou três desses bandidos, e, no entanto, na Inglaterra, eles formigam por toda parte!

     Com a liberdade de palavra que gozava na casa do cardeal, disse eu, então: Nada disso devia surpreender-vos. Neste caso a morte é uma pena injusta e inútil; é bastante cruel para punir o roubo, mas bastante fraca para impedi-lo. O simples roubo não merece a forca, e o mais horrível suplício não impedirá de roubar o que não dispõe de outro meio para não morrer de fome. Nisto, a justiça de Inglaterra e de muitos outros países se assemelha aos mestres que espancam os alunos em lugar de instruí-los. Fazeis sofrer aos ladrões pavorosos tormentos; não seria melhor garantir a existência a todos os membros da sociedade, a fim de que ninguém se visse na necessidade de roubar, primeiro, e de morrer, depois?”

*

     “Olhemos o que se passa cada dia ao redor de nós. A principal causa da miséria pública reside no número excessivo de nobres, zangões ociosos, que se nutrem do suor e do trabalho de outrem e que, para aumentar seus rendimentos, mandam cultivar suas terras, escorchando os rendeiros até à carne viva. Não conhecem outra economia.

     Mas, tratando-se, ao contrário, de comprar um prazer, são pródigos, então, até à loucura e à mendicidade. E não menos funesto é o fato de arrastarem consigo uma turba de lacaios e mandriões sem estado e incapazes de ganhar a vida.”

*

     “Com efeito, os ladrões não são os piores soldados, como os soldados não são os ladrões mais tímidos; há muita analogia entre esses dois ofícios. Infelizmente, esta praga social não é particular à Inglaterra; corrói quase todas as nações.”

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Lançamento de livro debate a ‘uberização’ das profissões

Jornal GGN - Considerando o impacto das novas tecnologias nas relações que envolvem o trabalho, as editoras Autonomia Literária e Elefante​, em parceria com a  Fundação Rosa Luxemburgo, convidam para o lançamento do livro “​​Cooperativismo de Plataforma: Contestando a economia do compartilhamento corporativa​​​”, do americano ​Trebor Scholz​. O encontro, marcado para a próxima segunda-feira, 3 de abril, no Ateliê do Gervásio, em ​São Paulo, será um grande bate-papo sobre economia do compartilhamento e a ‘uberização’ das profissões.

Além das novas propostas governamentais que ameaçam os direitos trabalhistas, é preciso considerar a influência da tecnologia nas relações laborais, como a economia de compartilhamento de aplicativos como o Uber.

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preciso de um só dos teus espantos, 2, por romério rômulo

preciso de um só dos teus espantos, 2

por romério rômulo

 

se eu te encontrar, mulher

e me comeres

se eu te falar, mulher

e me beberes

serei, então, o prato principal?

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