Revista GGN

Assine

Literatura

Thomas Mann no Brasil (II), por Walnice Nogueira Galvão

Thomas Mann no Brasil  (II)

por Walnice Nogueira Galvão

A propósito da reedição de Thomas Mann pela Companhia das Letras, nunca é demais enfatizar a contribuição de Herbert Caro para a elevação do nível das traduções feitas no Brasil.

Já entre os críticos que mediaram a recepção do grande romancista alemão, destacam-se Otto Maria Carpeaux e Anatol H. Rosenfeld, ambos aqui chegados nos anos 30.

O eruditíssimo Carpeaux  inicialmente não manifestava muita afinidade com Thomas Mann, mas é bom lembrar que isso se deu quando essa obra ainda estava em andamento. Trinta anos depois, à medida que suas leituras acompanhavam o que Mann ia escrevendo, e culminando em Doutor Fausto, já tinha passado a admirador.  Afirmou várias vezes que Thomas Mann era ímpar na posição de maior autor alemão do séc. XX.

Leia mais »

Média: 5 (1 voto)

Lista de Livros: O clube dos anjos – Gula, de Luis Fernando Verissimo

Por Doney

Lista de Livros - O clube dos anjos: gula, de Luis Fernando Verissimo

Editora: Ponto de Leitura (Objetiva)

ISBN: 978-85-7302-988-8

Opinião: muito bom

Páginas: 143


          “As histórias de mistério são sempre tediosas buscas de um culpado, quando está claro que o culpado é sempre o mesmo. Não é preciso olhar a última página, leitor, o nome está na capa: é o autor.”

Leia mais »

Média: 5 (3 votos)

era um era dois era cem, para geddel, por romério rômulo

era um era dois era cem, para geddel

por romério rômulo

 

mais milhões de dólares armados

mais milhões de reais já embutidos

que meus olhos se viram fracassados

e meus dedos se deram por feridos

Leia mais »
Média: 5 (4 votos)

Tristezas do Jeca: agonia e morte de dois escritores marginais brasileiros, por Sebastião Nunes

A cancela gemeu. Comprida trilha estreita, pavimentada de pedras irregulares, conduzia à pequena casa em ruínas. Entrei. Bafo de mofo.

Entrou comigo a multidão tristonha de fantasmas arrependidos. Fantasmas de poetas, ficcionistas, cineastas, músicos, atores, fotógrafos, pintores.

Lá dentro, em cima da cama tosca de madeira carcomida, o velho cabeludo estertorava. Sangue coagulado empapava a camisa branca puída. Hemoptise, buraco de bala ou faca, hemorragia gástrica. Eu não sabia o quê. A morte rondava.

Aos 69 anos – era julho de 2007 – José Agrippino de Paula agonizava.

Leia mais »

Imagens

Média: 3.7 (3 votos)

Felipe Pena e as Crônicas do Golpe

Jornal GGN – 31 de agosto fez um ano do golpe do impeachment da presidente eleita Dilma Rousseff. Neste dia, o escritor Felipe Pena lançou “Crônicas do golpe”, pela Editora Record, em primeira mão no Rio de Janeiro. Diz ele que perdeu amigos, espaços de trabalho e o convívio com parte da família. “O golpe não foi apenas político”, diz, “o golpe foi na cognição pública e nas relações pessoais e profissionais”.  E ele faz um registro destes 12 meses que sucederam o dia fatídico.

Diante de tudo isso Felipe Pena, que é escritor, jornalista, psicólogo e professor de roteiro da Universidade Federal Fluminense (UFF), considera que apenas fez a coisa certa. E, no caso dele, a coisa certa foi escrever. O que não foi fácil, considerando que escreveu em disputa com os vencedores a narrativa da História, ali, acontecendo.

Leia mais »

Média: 5 (3 votos)

Lista de Livros: Em busca do tempo perdido – No Caminho de Swann, de Marcel Proust

Seleção de Doney

Lista de Livros:  Em busca do tempo perdido – No Caminho de Swann, de Marcel Proust

Editora: Ediouro
ISBN: 978-85-0002-553-2
Opinião: muito bom
Páginas: 331

     “O hábito! arrumadeira hábil mas bastante morosa e que principia por deixar sofrer nosso espírito durante semanas numa instalação provisória; mas que, apesar de tudo, a gente se sente bem feliz ao encontrá-la, pois sem o hábito e reduzido a seus próprios meios, seria nosso espírito impotente para tornar habitável qualquer aposento.”

*

      “Já adulto pela covardia, eu fazia o que todos fazemos, quando somos grandes, e há diante de nós sofrimentos e injustiças: não queria vê-los.”

*

      “Acho bem razoável a crença céltica de que as almas das pessoas que perdemos se mantêm cativas em algum ser inferior, um animal, um vegetal, uma coisa inanimada, e de fato perdidas para nós até o dia, que para muitos não chega jamais, em que ocorre passarmos perto da árvore, ou entrarmos na posse do objeto que é sua prisão. Então elas palpitam, nos chamam, e tão logo as tenhamos reconhecido o encanto se quebra. Libertas por nós, elas venceram a morte e voltam a viver conosco.

     O mesmo se dá com o nosso passado. É trabalho baldado procurar evocá-lo, todos os esforços de nossa inteligência serão inúteis. Esta escondido, fora de seu domínio e de seu alcance, em algum objeto material (na sensação que esse objeto material nos daria), que estamos longe de suspeitar. Tal objeto depende apenas do acaso que o reencontremos antes de morrer, ou que o não encontremos jamais.”

Leia mais »

Média: 5 (1 voto)

em treva tão escura que amargasse, por romério rômulo

em treva tão escura que amargasse

por romério rômulo

 

se a vida me rompesse e me rasgasse

em terras onde vivo e não escolho

em treva tão escura que amargasse

em reino tão cruel que me recolho

 

se a vida me escolhesse e me matasse

eu beberia a água do teu olho.

Leia mais »
Média: 5 (2 votos)

Um poema satírico brasileiro comentado pelo erudito presidente-golpista, por Sebastião Nunes

Um poema satírico brasileiro comentado pelo erudito presidente-golpista

por Sebastião Nunes

O Brasil, como palco de dramalhões, não tem paralelo no mundo. Colonizado e explorado com voluptuosa preguiça por uma confusa mistura de criminosos e herdeiros da pequena aristocracia portuguesa, perdeu-se no caos. Terra de elites podres, corrupção antiga e velhos golpes que se repetem como se fossem novos. Lá em cima, os poderosos de hoje (crias dos poderosos de ontem) dividem o butim, sempre gordo. Aqui embaixo, a ralé e a classe média baixa (a média alta é tropa de choque dos poderosos) tentam sobreviver, juntando os cacos, os farrapos e a esperança. Ou, como filosofou um amigo esperto, quem tem coragem vai ser traficante; quem não tem, entra para a polícia. A alternativa é jogar futebol ou cantar música brega em programa de auditório, únicas praias em que preto pobre pode ter sucesso e encher o metafórico chapéu.

Leia mais »

Imagens

Média: 5 (4 votos)

Thomas Mann no Brasil (I), por Walnice Nogueira Galvão

Thomas Mann no Brasil  (I)

por Walnice Nogueira Galvão

Em boa hora a Companhia das Letras empreita uma nova edição da obra de Thomas Mann, a cargo do especialista em letras alemãs Marcus V. Mazzari, da USP, que tem um respeitável acervo na área.

Destacamos a edição bilingüe, com revisão da tradução que Jenny Klabin Segall fez nos anos 50 do Fausto de Goethe, acrescida de notas e novo prefácio, num total de 1.700 páginas, pela Editora 34. E a dos Contos de Grimm pela Cosac Naify, outra de perto do milhar de páginas.

Leia mais »

Média: 5 (2 votos)

Castro Alves, 1871: A última entrevista do poeta da liberdade

do Blog de Paulo Fonteles Filho

Castro Alves, 1871: A última entrevista do poeta da liberdade

Vale a pena lembrar a última entrevista de Castro Alves, concedida ao escritor e professor, Augusto Sérgio Bastos, em 1871, no Palacete do Sodré, em Salvador. Cecéu, como o poeta dos escravos era chamado pelos amigos baianos, morreu às 15:30h do dia 6 de julho de 1871, um mês após haver concedido essa franca e comovente entrevista, onde aborda temas ainda hoje atuais, como a escravidão e a liberdade.

Leia mais »

Média: 4.6 (5 votos)

Catarina e Jarirí - uma paixão sobre-humana, por Cafezá

Arte Naif - Francisco Domingos da Silva

Catarina e Jarirí - uma paixão sobre-humana, por Cafezá

Entoncis, eiles mi bateru tanto qui eu dismaiei. Cuando eu récobrei os sentidu, meu cuórpo intero tava doendo muito, dos pé inté a cabessa eu éra uma só dor. I foi indaí qui eu iscuitei eles cunversanu cum arguém no quarto du ladu.

- Eile abriu o bico?

- Abriu não, chefe. Eile é durão, mesmo inbaixo di muita pancada, aguentô firme.

Leia mais »

Média: 5 (3 votos)

cantiga de roda (para beatriz e dora, 2008), por romério rômulo

cantiga de roda (para beatriz e dora, 2008)

por romério rômulo

 

é uma cantiga só

de um poeta na estréia

nasceram bibi e dodó

as flores da paulicéia.

Leia mais »
Média: 4.2 (5 votos)

Paulo Sérgio Vieira: diálogo das horas, por Aderaldo Luciano

Paulo Sérgio Vieira é econômico e pródigo. Poemas curtos, poesia vasta. Ao aproximar o olhar de suas criaturas, tenho receio de machucá-las de tão delicadas, como se acabassem de ter nascido e nem bem soubessem dos perigos do mundo: cravos e martelos, penhascos e fúlgidas intempéries. O Diálogo das Horas é benfazejo como todos os diálogos, tem tempo certo, cronometrado, como quem espera a hora, esquece e é, imediatamente, pelo momento, surpreendido.

Leia mais »

Sem votos

Os colunistas do GGN: Romério Rômulo e a solidão da poesia

Romério Rômulo e a solidão da poesia

O contato do poeta Romério Rômulo com o Blog tem mais de dez anos. Nesse período todo, Romério tornou-se um colaborador precioso, com seus poemas e suas histórias. Sua série sobre Maradona e outros poemas encantam permanentemente os leitores do Blog.

Doze poemas de Romério Romulo

Hoje, Romério conversou longamente comigo, trazendo informações preciosas sobre o mundo da poesia, para um levantamento que estamos fazendo sobre os colunistas do GGN.

Leia mais »

Média: 5 (7 votos)

olho que me arde no tempo -quanto?-, por romério rômulo

olho que me arde no tempo -quanto?-

por romério rômulo

 

olho que me rompe

em trompa e fogo

carne que me come

em dado e jogo

traço que me fala

em mão e mágoa

Leia mais »
Média: 3.7 (6 votos)