Revista GGN

Assine

Literatura

Lista de Livros: Em busca do tempo perdido – No Caminho de Swann, de Marcel Proust

Seleção de Doney

Lista de Livros:  Em busca do tempo perdido – No Caminho de Swann, de Marcel Proust

Editora: Ediouro
ISBN: 978-85-0002-553-2
Opinião: muito bom
Páginas: 331

     “O hábito! arrumadeira hábil mas bastante morosa e que principia por deixar sofrer nosso espírito durante semanas numa instalação provisória; mas que, apesar de tudo, a gente se sente bem feliz ao encontrá-la, pois sem o hábito e reduzido a seus próprios meios, seria nosso espírito impotente para tornar habitável qualquer aposento.”

*

      “Já adulto pela covardia, eu fazia o que todos fazemos, quando somos grandes, e há diante de nós sofrimentos e injustiças: não queria vê-los.”

*

      “Acho bem razoável a crença céltica de que as almas das pessoas que perdemos se mantêm cativas em algum ser inferior, um animal, um vegetal, uma coisa inanimada, e de fato perdidas para nós até o dia, que para muitos não chega jamais, em que ocorre passarmos perto da árvore, ou entrarmos na posse do objeto que é sua prisão. Então elas palpitam, nos chamam, e tão logo as tenhamos reconhecido o encanto se quebra. Libertas por nós, elas venceram a morte e voltam a viver conosco.

     O mesmo se dá com o nosso passado. É trabalho baldado procurar evocá-lo, todos os esforços de nossa inteligência serão inúteis. Esta escondido, fora de seu domínio e de seu alcance, em algum objeto material (na sensação que esse objeto material nos daria), que estamos longe de suspeitar. Tal objeto depende apenas do acaso que o reencontremos antes de morrer, ou que o não encontremos jamais.”

Leia mais »

Média: 5 (1 voto)

em treva tão escura que amargasse, por romério rômulo

em treva tão escura que amargasse

por romério rômulo

 

se a vida me rompesse e me rasgasse

em terras onde vivo e não escolho

em treva tão escura que amargasse

em reino tão cruel que me recolho

 

se a vida me escolhesse e me matasse

eu beberia a água do teu olho.

Leia mais »
Média: 5 (2 votos)

Um poema satírico brasileiro comentado pelo erudito presidente-golpista, por Sebastião Nunes

Um poema satírico brasileiro comentado pelo erudito presidente-golpista

por Sebastião Nunes

O Brasil, como palco de dramalhões, não tem paralelo no mundo. Colonizado e explorado com voluptuosa preguiça por uma confusa mistura de criminosos e herdeiros da pequena aristocracia portuguesa, perdeu-se no caos. Terra de elites podres, corrupção antiga e velhos golpes que se repetem como se fossem novos. Lá em cima, os poderosos de hoje (crias dos poderosos de ontem) dividem o butim, sempre gordo. Aqui embaixo, a ralé e a classe média baixa (a média alta é tropa de choque dos poderosos) tentam sobreviver, juntando os cacos, os farrapos e a esperança. Ou, como filosofou um amigo esperto, quem tem coragem vai ser traficante; quem não tem, entra para a polícia. A alternativa é jogar futebol ou cantar música brega em programa de auditório, únicas praias em que preto pobre pode ter sucesso e encher o metafórico chapéu.

Leia mais »

Imagens

Média: 5 (4 votos)

Thomas Mann no Brasil (I), por Walnice Nogueira Galvão

Thomas Mann no Brasil  (I)

por Walnice Nogueira Galvão

Em boa hora a Companhia das Letras empreita uma nova edição da obra de Thomas Mann, a cargo do especialista em letras alemãs Marcus V. Mazzari, da USP, que tem um respeitável acervo na área.

Destacamos a edição bilingüe, com revisão da tradução que Jenny Klabin Segall fez nos anos 50 do Fausto de Goethe, acrescida de notas e novo prefácio, num total de 1.700 páginas, pela Editora 34. E a dos Contos de Grimm pela Cosac Naify, outra de perto do milhar de páginas.

Leia mais »

Média: 5 (2 votos)

Castro Alves, 1871: A última entrevista do poeta da liberdade

do Blog de Paulo Fonteles Filho

Castro Alves, 1871: A última entrevista do poeta da liberdade

Vale a pena lembrar a última entrevista de Castro Alves, concedida ao escritor e professor, Augusto Sérgio Bastos, em 1871, no Palacete do Sodré, em Salvador. Cecéu, como o poeta dos escravos era chamado pelos amigos baianos, morreu às 15:30h do dia 6 de julho de 1871, um mês após haver concedido essa franca e comovente entrevista, onde aborda temas ainda hoje atuais, como a escravidão e a liberdade.

Leia mais »

Média: 4.6 (5 votos)

Catarina e Jarirí - uma paixão sobre-humana, por Cafezá

Arte Naif - Francisco Domingos da Silva

Catarina e Jarirí - uma paixão sobre-humana, por Cafezá

Entoncis, eiles mi bateru tanto qui eu dismaiei. Cuando eu récobrei os sentidu, meu cuórpo intero tava doendo muito, dos pé inté a cabessa eu éra uma só dor. I foi indaí qui eu iscuitei eles cunversanu cum arguém no quarto du ladu.

- Eile abriu o bico?

- Abriu não, chefe. Eile é durão, mesmo inbaixo di muita pancada, aguentô firme.

Leia mais »

Média: 5 (3 votos)

cantiga de roda (para beatriz e dora, 2008), por romério rômulo

cantiga de roda (para beatriz e dora, 2008)

por romério rômulo

 

é uma cantiga só

de um poeta na estréia

nasceram bibi e dodó

as flores da paulicéia.

Leia mais »
Média: 4.2 (5 votos)

Paulo Sérgio Vieira: diálogo das horas, por Aderaldo Luciano

Paulo Sérgio Vieira é econômico e pródigo. Poemas curtos, poesia vasta. Ao aproximar o olhar de suas criaturas, tenho receio de machucá-las de tão delicadas, como se acabassem de ter nascido e nem bem soubessem dos perigos do mundo: cravos e martelos, penhascos e fúlgidas intempéries. O Diálogo das Horas é benfazejo como todos os diálogos, tem tempo certo, cronometrado, como quem espera a hora, esquece e é, imediatamente, pelo momento, surpreendido.

Leia mais »

Sem votos

Os colunistas do GGN: Romério Rômulo e a solidão da poesia

Romério Rômulo e a solidão da poesia

O contato do poeta Romério Rômulo com o Blog tem mais de dez anos. Nesse período todo, Romério tornou-se um colaborador precioso, com seus poemas e suas histórias. Sua série sobre Maradona e outros poemas encantam permanentemente os leitores do Blog.

Doze poemas de Romério Romulo

Hoje, Romério conversou longamente comigo, trazendo informações preciosas sobre o mundo da poesia, para um levantamento que estamos fazendo sobre os colunistas do GGN.

Leia mais »

Média: 5 (7 votos)

olho que me arde no tempo -quanto?-, por romério rômulo

olho que me arde no tempo -quanto?-

por romério rômulo

 

olho que me rompe

em trompa e fogo

carne que me come

em dado e jogo

traço que me fala

em mão e mágoa

Leia mais »
Média: 3.7 (6 votos)

Lista de Livros: Bíblia Sagrada – Livros Históricos

Enviado por Dorney

Lista de Livros: Bíblia Sagrada – Livros Históricos

Editora: Paulus

ISBN: Bíblia do Peregrino (BPe) – 978-85-349-2005-6 / Bíblia de Jerusalém (BJ) – 978-85-349-4282-9 / Bíblia Pastoral (BPa) 978-85-349-0228-1

Tradução, introdução e notas (BPa): Ivo Storniolo e Euclides Martins Balancin

Tradução (BPe): Ivo Storniolo e José Bortolini

Notas (BPe): Luís Alonso Schökel

Opinião: N/A

Páginas: BPe – 698 / BJ – 492 / BPa – 376

*

Livros históricos: Josué / Juízes / Rute / 1 Samuel / 2 Samuel / 1 Reis / 2 Reis / 1 Crônicas / 2 Crônicas / Esdras / Neemias / Tobias / Judite / Ester / 1 Macabeus / 2 Macabeus

*

Leia mais »

Média: 2.7 (7 votos)

A delação premiada de Pedro Malasartes – Delírios noturnos do velho caduco

Intervenção sobre pintura de Domenico Ghirlandaio

Por Sebastião Nunes

Um grito de arrepiar alma penada atravessou as abóbadas do palácio do... Qual é mesmo o nome daquele bicho de perna comprida, pescoço vermelho e cabecinha preta? Ah, deixa pra lá. Bota aí tapujaca, jabiru, jaburu, tuiuiú, qualquer coisa do tipo.

Quem assim gritou, devastado de medo, foi o noivo-senador, apavoradíssimo, pulando da cama na luxuosa alcova presidencial-golpista.

Acabava de sonhar com uma figura sinistra de dentes compridos e sangue à beça escorrendo pela cara. Assustadora mesmo.

Leia mais »

Imagens

Média: 4.7 (3 votos)

Leis que "pegam'' ou "não pegam" no Brasil de sempre, por Fernando Horta

“Africanos Livres: A abolição do tráfico de escravos no Brasil” é obra recém lançada pela professora e historiadora Beatriz Mamigonian. Uma obra riquíssima para quem quer entender a escravidão brasileira do século XIX, quando o país já discutia, há algum tempo, questões de representação e ideias liberais já faziam parte corrente nos círculos políticos. Para quem não é historiador, pode parecer estranho o liberalismo conviver ao lado da escravidão, e de forma tão cortês. Mas, na realidade, o liberalismo não apenas aceitou a escravidão no Brasil, nos EUA e em círculos europeus no tocante à África, como, no século XIX, apoiou toda sorte de ideologias segregacionistas e de superioridade racial. Muitos acham que o nazismo “surge” na Alemanha, com o verbo “surgir” quase pipocando no texto e trazendo o sentido de surpresa. Nada mais errado. O nazismo é o ponto mais visível de uma série de ideias de supremacia civilizacional do homem branco e da Europa que, se não tinham fulcro direto em teóricos liberais, conviveram harmoniosamente com estes por muito tempo.

Leia mais »

Média: 2.8 (16 votos)

Sopa de Jabuti e Jabá, por Rui Daher

Sopa de Jabuti e Jabá, por Rui Daher

Queridos seguidores, queridas seguidoras, fui avexado, situação que sempre me faz acionar a AK-47 verborrágica.

Talvez, leonino pretencioso, mas incentivado por amigos, nem todos leoninos, passei chateações quando resolvi inscrever o “Dominó de Botequim” para concorrer ao 59º Prêmio Jabuti, para livros publicados em 2016, na seção “crônicas”.

Quem me lê lembra que fui parar num hospital de Campinas até que a Câmara Brasileira do Livro (CBL) me concedesse o ISBN.

Inscrito, fiz tudo o que pediram. Taxas de inscrição, correios, tudo foi pago.

Leia mais »

Imagens

Média: 3.8 (4 votos)

Lista de Livros: Abilolado mundo novo – Carlos Maltz

Seleção de Doney

Lista de Livros: Abilolado mundo novo – Carlos Maltz

Editora: Via Lettera

ISBN: 978-85-7636-095-7

Opinião: bom

Páginas: 240

“Porque se não soubermos sentir a dor, também não saberemos sentir prazer. (...) Não tem jeito de estarmos vivos e não sentirmos dor. A dor faz parte da vida. A dor é uma de nossas maiores amigas, e o único jeito de não sentirmos dor, é nos anestesiarmos a ponto de não sentirmos nada... Quem se anestesiar não sente dor, mas, em compensação, também não sente mais nada... Fica confortavelmente anestesiado para tudo... Joga fora o bebê junto com a água do banho ou, se você preferir, joga fora a possibilidade de amar, junto com o medo de sofrer... Não existe vida sem a possibilidade do sofrimento... É aquela história do cara que “vive como se nunca fosse morrer, e morre como se nunca tivesse vivido”.”

*

“Sem dúvida, como eu vinha dizendo, concordo inteiramente com a frase do Gessinger: “Você que tem ideias tão modernas é o mesmo homem que vivia nas cavernas”. O mundo mudou muito, na superfície, na aparência, mas, no fundo, não somos tão diferentes assim dos nossos antepassados... Em termos emocionais a coisa anda muito devagar... O mundo das emoções num tá nem aí pro nosso avanço tecnológico e talz... Veja a internet: milhões de pessoas procurando alguém... Milhões de pessoas diariamente se conectando para encontrar um pouco de algo que elas sentem muita falta, mas não sabem o que é... Mudamos muito pouco mesmo nas coisas que realmente importam... Vejam esses sites de realidade virtual... Forte-apaches dos meninos e das meninas grandes... Multidões de Barbies e Kens em busca de emoções que não vão encontrar e que vão gerar mais ansiedade, e mais horas navegando no mar da ilusão... A indústria da pornografia on-line é uma das que mais crescem nesse mundo rico de coisa e pobre de alma... Um grande neg-ócio...”.

Leia mais »

Média: 5 (5 votos)