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Literatura

Tanto de meu estado me acho incerto, por Luís Vaz de Camões

Enviado por Gilberto Cruvinel

Tanto de meu estado me acho incerto, 
que em vivo ardor tremendo estou de frio; 
sem causa, juntamente choro e rio, 
o mundo todo abarco e nada aperto.

.

É tudo quanto sinto, um desconcerto;

da alma um fogo me sai, da vista um rio;
agora espero, agora desconfio, 
agora desvario, agora acerto.

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pedaços de paixão morrem na estrada, por romério rômulo

Foto Sebastião Salgado

pedaços de paixão morrem na estrada

por romério rômulo

 

sou outro. minha carne se remonta

ao pleno da canção tumultuada

onde uma vida pode pouco ou nada

quando a morte embebeda e tonta.

 

pedaços de paixão morrem na estrada.

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O nariz de Pinóquio e os narizes dos figurões da república, por Sebastião Nunes

O nariz de Pinóquio e os narizes dos figurões da república

por Sebastião Nunes

Preocupadíssimo, Geppetto se postou diante do espelho mágico e indagou:

– Espelho, espelho meu, haverá nariz mais comprido que o de Pinóquio?

– Ah, ah, ah! – riu-se o espelho da ingenuidade do velho marceneiro. – Só no Brasil, meu caro, existem milhares de narizes mais compridos que o de seu filho.

– Não acredito, seu pedaço de vidro estúpido – irritou-se o velho. – E como eles conseguiram narizes tão compridos?

– Mentindo, uai! – respondeu o espelho à moda mineira. – Não foi colecionando mentiras que o nariz de Pinóquio cresceu tanto?

– Tá danado – resmungou Geppetto, e foi bater na porta do filho.

– Pinóquio, meu filho, abre essa porta. Não adianta nada esgoelar!

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Lista de Livros: Dicionário Filosófico – Voltaire

Seleção de Doney

Lista de Livros: Dicionário Filosófico – Voltaire

Editora: Domínio Público

Tradução: Líbero Rangel de Tarso

Opinião: muito bom

Páginas: 459

     “Conhece-te a ti mesmo* é excelente preceito, mas só a Deus é dado pô-lo em prática. Quem mais pode conhecer a própria essência?”

*: Esta inscrição acha-se gravada na fachada do templo de Delfos.

*

     “Inútil discutir quanto aos sentimentos secretos de Moisés. O fato é que nas leis públicas ele nunca falou de vida futura. Todos os castigos, todos os prêmios, restringe-os ao presente. Se conhecia a vida vindoura, por que não expôs expressamente tão importante dogma? E se não a conheceu, qual o objeto de sua missão? É o que perguntam muitas personagens ilustres. E respondem que o Mestre de Moisés e de todos os homens se reservava o direito de explicar a bom tempo aos judeus uma doutrina que eles não estavam em condições de compreender quando no deserto.”

*

AMOR PRÓPRIO

     Um mendigo dos arredores de Madri esmolava nobremente. Disse-lhe um transeunte:

     — O sr. não tem vergonha de se dedicar a mister tão infame, quando podia trabalhar?

     — Senhor, – respondeu o pedinte – estou lhe pedindo dinheiro e não conselhos. – E com toda a dignidade castelhana virou-lhe as costas.

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eu só entrego a margem do meu rosto, por romério rômulo

eu só entrego a margem do meu rosto

por romério rômulo

 

quem se rendeu à sólida manhã?

 

perdeu-se  pela carne e pelo rito

todo que viu a luz ser habitante

da sua pele escassa e já dormida.

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Conversas com o mestre Antonio Candido

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Foto: André Gomes de Melo

Jornal GGN - Falecido na última sexta-feira (12), o crítico literário e sociólogo Antonio Candido é considerado o dono de umas das obras mais fundamentais da intelectualidade brasileira. Abaixo, uma seleção de vídeos com depoimentos, discursos e entrevistas do crítico e ensaísta, incluindo falas de Marilena Chauí e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

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Enviado por Cristiane N. Vieira

 
Em memória do país honrado por sua vida e obra
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Como foram assassinados os moleques João Huck e Luciano Dória Jr., por Sebastião Nunes

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Foto: Tania Rego/Agência Brasil

Eram gêmeos univitelinos: cara de um, focinho de outro. Nasceram num dia de sol quente na favela do Quebra-Pau – qualquer um sabe onde fica, não sabe?

Na hora de escolher os nomes, o maior fuzuê: a mãe, fanática pelo maridão da Angélica, exigia que um se chamasse Luciano Huck. Já o pai, vidrado no bon-vivant das noitadas paulistanas, não abria mão de João Dória, inclusive com o Jr.

Por que não fizeram assim, um nome chique e midiático para cada um? Não sei: mistérios insondáveis de pobres turrões.

Brigaram de soco, pontapé, beliscão e mordida. Quando a ambulância chegou, chamada pelos vizinhos, gemiam ensanguentados no chão da cafua. Os filhotes? Quase se acabando de tanto esgoelar num colchonete fedorento.

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“Canalhas, calhordas e corruptos”: ex-assessor de Dilma lançará livro sobre o impeachment

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Pronunciamento de Dilma no dia 12 de maio de 2016, após seu afastamento. Foto: Roberto Stuckert Filho
 
Jornal GGN - Secretário de imprensa de Dilma Rousseff durante o segundo mandato da presidente, Olímpio Cruz Neto fazia o meio-de-campo entre Dilma e os repórteres, além de acompanhar a chefe de Estado em viagens nacionais e internacionais. 
 
Atualmente assessor de Jorge Vianna, senador pelo PT do Acre, Cruz Neto prepara um livro sobre os últimos dias da rotina presidencial, que deverá ser o nono a tratar do processo de impeachment e menos de um ano. 
 
No trecho abaixo, Olímpio faz o relato de um ano atrás, do dia 12 de maio, quando Dilma foi afastada do cargo, detalhando hábitos da presidente, estratégias de comunicação e também a reação ao ministério montado pelo então interino Michel Temer. 

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Crítico literário Antônio Cândido morre aos 98 anos

antoniocandido.jpg
 
Foto: André Gomes de Melo
 
Jornal GGN - Antônio Cândido, crítico literário e sociólogo, faleceu aos 98 anos na madrugada desta sexta-feira (12). Candido estava internado no Hospital Albert Einstein com problemas no intestino. O velório está sendo realizado no próprio hospital, no bairro do Morumbi, zona sul de São Paulo.
 
Candido escreveu livros como Introdução ao Método Crítico de Silvio Romero, Formação da Literatura Brasileira e Literatura e Sociedade. Sua obra é considerada como uma das mais fundamentais da intelectualidade no Brasil. 
 

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por candeia e por cartola, por romério rômulo

Portinari

por candeia e por cartola

por romério rômulo

 

a áfrica me chega pelas vozes

a áfrica me chega pelos couros

 

são duras as paixões. e são atrozes.

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Como um recém-operado de catarata enxerga a República-das-Bananas, por Sebastião Nunes

Como um recém-operado de catarata enxerga a República-das-Bananas

por Sebastião Nunes

Há cerca de um mês fui operado da porra do olho direito. Nada de dramático: coisa de 30 minutos e estava liberado. Pronto para enxergar o mundo azul? Não. Na República-das-Bananas não tem azul. Nem verde. Nem amarelo. Só cinza.

Durante 15 dias pinguei colírios variados no olho avariado, 15 vezes a cada 24 horas. Voltei ao médico três vezes, até que na última visita receitou óculos novos e mandou voltar seis meses depois para operar a porra do olho esquerdo.

Tudo bem? Não. O mundo continua cinza.

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A inesquecível Olga Benario, por sua filha Anita Leocadia

Olga, a ativista vítima do nazismo, é apresentada por sua filha em uma narrativa biográfica, que será lançada em maio, após 75 anos de sua morte

Jornal GGN - Após a Alemanha disponibilizar os arquivos da Gestapo, polícia secreta do Nazismo, a historiadora Anita Leocadia Prestes dedicou-se ao estudo de 2 mil páginas sobre sua mãe, Olga Benario Prestes. Como resultado deste trabalho Anita Leocadia nos brinda com biografia completa com documentos e informações inéditas sobre a resistência e luta política de Olga, vítima do nazismo. O lançamento da obra será ainda este mês, pela Boitempo Editorial.

A narrativa, feita de forma cronológica, vai desde a inserção da ativista na busca de seus ideais políticos até sua morte, na câmara de gás do campo de concentração de Bernburg, na Alemanha, em abril de 1942. Esposa do líder comunista brasileiro Luís Carlos Prestes, de quem engravidou, Olga foi afastada de sua filha ainda muito cedo.

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Ecos de Pedro Páramo, por Jota A. Botelho


Ilustração de Laurie Lipton – Family Reunion, 2005.

Ecos de Pedro Páramo

por Jota A. Botelho

Sobre este tema, recorremos a interessante conferência do já falecido jornalista, escritor e crítico mexicano Germán Dehesa sobre Juan Rulfo, que nos ilumina a obra deste singular autor da literatura mexicana. Dehesa faz uma leitura tão bem apurada do livro Pedro Páramo que nos leva à reflexão tanto pelo significado da obra quanto pela sua transcendência para o nosso país. Mas, em particular, sobre a realidade do México, principalmente depois que o país abriu o século XX com uma revolução única e inusitada, sobretudo ao se tornar eminentemente popular em sua fase mais aguda, onde seus dois principais líderes neste campo chegaram a ocupar a sede do governo, sem contudo ocupar o poder. 

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O português diverte-se em espanhol, por Fernando Venâncio

O português diverte-se em espanhol

por Fernando Venâncio

A palavra involucrar é portuguesa? Não é. Os dicionários ignoram-na unanimemente, as bases de dados não a registam. E, no entanto, nada impediria que fosse. Temos invólucro, era só questão de arranjar-lhe um verbo. Em espanhol, pelo contrário, involucrar é um termo comum. Quando nós dizemos que alguém se envolveu numa situação, numa causa, ou está envolvido com outra pessoa, um espanhol dirá que se involucró, que está involucrado.

Palavras com esta frequência e esta utilidade, sobretudo se forem achadas ‘expressivas’, serão uma tentação contínua para o falante de dois idiomas muito próximos. Se não se precata, cedo ou tarde acabará por utilizá-las na língua indevida. Entre portugueses utentes de francês, o fenómeno é corriqueiro, e poderíamos chamar-lhe o ‘efeito vacanças’. Com o espanhol, essa transferência é mais tentadora ainda, já que as formas são, muitas vezes, imediatamente utilizáveis. Foi o que sucedeu, um dia, a Luís Figo.

Em inícios de 2010, o ex-futebolista viu-se enredado numa manobra eleitoral de certo governo português em apuros. A TSF guardou registo de uma entrevista à comunicação social, de 18 de fevereiro desse ano, em que Figo informava ter entregado queixa às instâncias judiciais, dizendo haver agido, na ocorrência, «como cidadão público», sem qualquer tipo de contrapartidas. Inquirido por uma jornalista sobre ‘o que sentia’, respondeu: «Para mim, neste momento, um pouco de revolta pela situação em que me vejo involucrado. Mas só posso afirmar que são notícias falsas».

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Lista de Livros: Ética (Os Pensadores) – Benedictus de Spinoza

Seleção de Doney

Lista de Livros: Ética (Os Pensadores) – Benedictus de Spinoza

Editora: Nova Cultura

Tradução: Joaquim Ferreira Gomes e Antônio Simões

Tradução e notas: Joaquim de Carvalho

Opinião: muito bom

Páginas: 214

*

     “Diz-se livre* o que existe exclusivamente pela necessidade da sua natureza e por si só é determinado a agir; e dir-se-á necessário, ou mais propriamente, coagido, o que é determinado por outra coisa a existir e a operar de certa e determinada maneira (ratione).”

*: Estas definições são fundamentais. Pode receber-se como paráfrase a seguinte passagem da carta (LVIII) de Espinosa a Shuller: “... Digo ser livre o que existe e age exclusivamente pela necessidade da sua natureza; e coagido o que por algo (ab alio) é determinado a existir e a operar de certa e determinada maneira (ratio). Deus, por exemplo, existe livremente embora exista necessariamente, porque existe pela única necessidade da sua natureza... Note bem: eu não faço consistir a liberdade numa decisão livre, mas na livre necessidade......Desçamos, porém, às coisas criadas, que todas são determinadas por causas externas a existir e a agir de maneira certa e determinada. Para tornar isso claro e inteligível, conceba-se uma coisa muito simples. Por exemplo: uma pedra recebe uma causa externa que a impele certa quantidade de movimento; se vier a cessar a causa externa do impulso ela continuará a mover-se necessariamente. Consequentemente, a permanência da pedra em movimento é coagida, e tem de ser definida não como necessária mas pelo impulso da causa externa...” Como se vê, chama liberdade à necessidade intrínseca, isto é, a determinação que tem por causa a própria essência. Daqui resulta que a noção espinosana de liberdade nada tem que ver com a noção de livre arbítrio e com a de contingência, e que o conceito que lhe é antitético é o da coação, isto é, de determinação extrínseca. Assim entendida, a liberdade não é uma propriedade do sujeito, mas um estado do ser. (N.T.)

*

     “Deus, ou, por outras palavras, a substância que consta de infinitos atributos, cada um dos quais exprime uma essência eterna e infinita, existe necessariamente.

     (Pois) Existe necessariamente aquilo de que não é dada qualquer razão ou causa que lhe impeça a existência.”

*

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