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Literatura

Catarina e Jarirí - uma paixão sobre-humana, por Cafezá

Arte - Ivonaldo Veloso de Melo

Catarina e Jarirí - uma paixão sobre-humana, por Cafezá

Adispois di se dispiderem di todos, Jarirí, Nicanor e Cascatim entraru na mata rumo à ciudadi. Chegaru lá pur vórta das onze hóras da noite, qui tava boa pra passa dispercebido purque num tinha lua clarianu. Lógo qui eiles chegaru, Cascatim já cumessô a farejá o ar i o chão, pondo o focinho pra baixo i pra cima, cafungando.

-  Nósis tamo parecenu murcego, qui avua di noite cumo si fossi didia.

- Ié vérdadi, Nicanor. A iscuridão da noite é a nóssa cumpanheira.

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Ao Desconcerto do Mundo

Enviado por Gilberto Cruvinel

AO DESCONCERTO DO MUNDO

Luís de Camões

Os bons vi sempre passar
No mundo graves tormentos;
E para mais m'espantar,
Os maus vi sempre nadar
Em mar de contentamentos.
Cuidando alcançar assi
O bem tão mal ordenado,
Fui mau; mas fui castigado.
Assi, que só para mi
Anda o mundo concertado.

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meu coração é o mundo, por romério rômulo

meu coração é o mundo

por romério rômulo

 

1.

todo sábado eu inundo

a ponta do meu desejo

no rio onde eu me vejo

o mais exato e profundo.

2.

todo sábado amanheço

com o coração duro e fundo

dos amores que padeço.

 

meu coração é o mundo.

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O menino Brasil, a menina Brasília, a galinha e o pé de feijão, por Sebastião Nunes

O menino Brasil, a menina Brasília, a galinha e o pé de feijão

por Sebastião Nunes

Sentindo-se à beira da morte, a bondosa mãe reuniu seus dois filhos pequenos e disse, com voz chorosa:

– Meus queridos, sinto que é chegada a hora. Infelizmente, só tenho para deixar-lhes esta galinha, mas é uma galinha muito especial. Cuidem bem dela.

Entregou-lhes a galinha e, estremecendo, esticou as canelas.

Dias depois, o bondoso pai sentiu-se à beira da morte e chamou os filhos:

– Meus queridos, sinto que de hoje não passo. Infelizmente, só posso lhes deixar estes grãos de feijão. Cuidem bem deles, porque são muito especiais.

Entregou-lhes um saquinho, soltou um último suspiro e bateu as botas.

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Lista de Livros: O Grande Livro da Arte, de Roberto Carvalho de Magalhães

Neste domingo o colunista do GGN, Doney Corteletti Stinguel, sugere coletânea de obras de arte escrita pelo pesquisador e docente de História da Arte e Museologia da Unicamp, Roberto Carvalho de Magalhães

 
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o corpo de joesley, um trocadilho sem rumo, por romério rômulo

o corpo de joesley, um trocadilho sem rumo

por romério rômulo

 

quantas estradas devo remover

com meu canhão de rosas alteradas

pra ver, rever e ainda reviver

as carnes que se vão abandonadas?

 

nas noites que me chegam já gravadas

pelos planaltos idos de não ser

entrego o olhar em doces emboscadas

por todos que a mim hão de querer

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Lista de Livros: O homem duplicado – José Saramago

Neste domingo, colunista do GGN, Doney, sugere obra de suspense do escritor português que aborda questões de identidade

jose-saramago.jpg

Por Doney

Lista de LivrosO homem duplicado – José Saramago

Editora: Companhia de Bolso

ISBN: 978-85-359-1288-3

Opinião: bom

Páginas: 288

     “Tanto é o que precisamos de lançar culpas a algo distante quando o que nos faltou foi a coragem de encarar o que estava na nossa frente.”

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A proliferação de ratos em Brasília depois do golpe, por Sebastião Nunes

A proliferação de ratos em Brasília depois do golpe

por Sebastião Nunes

– Pedro! – trovejou Deus, quase matando de susto os anjos e os querubins que rodeavam Seu trono.

– Droga – resmungou São Pedro, que jogava porrinha com o arcanjo Gabriel. – Isto aqui já foi mais tranquilo.

Enquanto Gabriel, suspirando, recolhia os palitos e a caixa de fósforos, São Pedro disparou rumo ao trono divino.

– Pois não, Senhor – disse o guardião das chaves celestiais. – Às Suas ordens!

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Biografia de Lima Barreto: duas críticas e uma entrevista

Escritora compreende a vida de Lima Barreto a partir da sua relação com questões raciais

Lilia Moritz Schwarcz faz perfil biográfico que abrange o corpo, a alma e os livros do escritor

Ubiratan Brasil, O Estado de S.Paulo

Há pelo menos 20 anos, a antropóloga e historiadora Lilia Moritz Schwarcz vem flertando com a obra do escritor Lima Barreto (1881-1922). Mas foi em 2007 que ela iniciou o que viria a se tornar seu trabalho de maior fôlego e que reforçará sua imagem de uma das mais importantes pesquisadoras brasileiras - Lima Barreto: Triste Visionário, esperada biografia que traça não apenas a trajetória artística do autor, mas também seus dissabores pessoais.

Trata-se do mais completo mapeamento sobre o escritor desde o pioneiro trabalho de Francisco de Assis Barbosa que, em 1952, lançou A Vida de Lima Barreto, que resgatou a importância da escrita do autor de Triste Fim de Policarpo Quaresma, injustamente esquecida desde sua morte, em 1922. Esgotado há alguns anos, o volume ganha agora oportuna reedição pela editora Autêntica.
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Hoje o Rio anoitecerá jogando dominó, no "botequim", por Rui Daher

Hoje o Rio anoitecerá jogando dominó, no "botequim", por Rui Daher

Caros amigos, este paulistano que só não foi morar na Cidade Maravilhosa por que aí não arrumou emprego, em 23/06, estará no restaurante-bar "botequim", Rua Visconde de Caravelas, 22, no Botafogo, para autografar o livro de crônicas pretensamente bem-humoradas, "Dominó de Botequim". Ajudam muito pitadas autobiobráficas e as histórias de botecos e dominó, escritas pelos especialistas Luiz Fernando Juncal e Manoel Mendes Vieira. Não sou um hit carioca, mas aos amigos que comparecerem serei eternamente apaixonado.

Como compadrio saudável e honesto ainda existe e o MPF não considerou crime que valha delatar e premiar, abaixo três opiniões:

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meu anjo do sertão, 1, por romério rômulo

Manuelzão e Romério Rômulo - foto de Germano Neto

meu anjo do sertão, 1

por romério rômulo

 

sobre mim há um olhar de só paixão

e um olhar bem maior que me odeia.

 

manuelzão traz cavalos numa peia

com as éguas, estrelas do desvão.

sua mão me defende e me rodeia.

 

fui benzido nas águas do sertão.

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Lista de Livros: A trégua – Mario Benedetti

Seleção de Doney

Lista de LivrosA trégua – Mario Benedetti

Editora: L&PM
ISBN: 978-85-254-1702-2
Opinião: muito bom
Páginas: 168

     “Não é do ócio que preciso, mas sim do direito de trabalhar naquilo que quero.”

*

      “Que me sinta, ainda hoje, ingênuo e imaturo (quer dizer, somente com os defeitos da juventude e quase nenhuma de suas virtudes) não significa que eu tenha o direito de exibir essa ingenuidade e essa imaturidade.”


*

      “Talvez, no fundo, se queiram bastante bem, ainda que esse negócio de amor entre irmãos traga consigo a cota de exasperação mútua outorgada pelo costume.”

*

      “Eu deveria me sentir orgulhoso por ter seguido adiante, viúvo e com três filhos. Não é orgulho, porém, o que sinto, e sim cansaço. O orgulho serve para quando se tem vinte ou trinta anos.”

*

      “Às vezes fazíamos contas. Nunca conseguimos equilibrá-las. Talvez olhássemos demasiadamente para os números, para as somas, para os saldos, e não tínhamos tempo de nos olharmos.”

*

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Um dia na vida conturbada do urubu que tinha o rabo preso, por Sebastião Nunes

Um dia na vida conturbada do urubu que tinha o rabo preso

por Sebastião Nunes

O almoço chegara ao fim. Deliciado, o urubu-rei-do-planalto-central raspava os derradeiros fiapos da carniça que ele e seu bando devoravam. Era uma carniça enorme, fedorenta como ela só. Talvez a carniça da Previdência Social. Quem sabe a carniça da Educação Fundamental. Ou ainda a carniça dos Direitos dos Trabalhadores. Mas que era deliciosa, fosse a carniça que fosse, lá isso era.

Saciado, o urubu-rei-do-planalto-central arrotou. Bocejou. Abriu as longas asas escuras espreguiçando-se com prazer. Apoiou as patas no chão e, bico erguido, lançou-se no espaço azul da manhã que findava.

– Diacho! – resmungou ele, constatando que as asas lhe pesavam que nem chumbo. – Estarei ficando mais velho do que sou? Nunca me pesou tanto o corpo nem jamais tive tanta dificuldade para alçar voo. Alguma coisa está errada.

Virou o bico para trás e viu que, logo ali perto, voava o urubu-secretário-geral-do-planalto-central.

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Silêncio sobre o oceano, por Fernando Venâncio

 

Apresentação de Gilberto Cruvinel

Portugal conhece Machado de Assis? O linguista, historiador da língua e pesquisador português Fernando Venâncio garante que Machado não é, em Portugal, a referência que poderia ter-se tornado. E esta constatação levou-o a concluir: “nós portugueses não merecemos tamanho autor do nosso idioma”. Na origem desta situação, Venâncio localiza as difíceis relações entre Machado de Assis e Eça de Queiroz. É sobre esta relação controversa e as críticas que ocasionou entre eles e que também produziram efeito nos escritos de ambos que versa o artigo escrito pelo pesquisador para a Revista Ler de Lisboa. Eça de Queiroz, nos diz Venâncio, queria ter estendido o contato com Machado, mas “depois depois das críticas deste ao O Primo Basílio, caiu entre eles o silêncio”.  Em tempo, nos últimos anos a situação do Bruxo do Cosme Velho em terras lusitanas melhorou um pouco, segundo o pesquisador: “Desde então houve 8 edições de Dom Casmurro e 4 de Brás Cubas. É alguma coisa. Mas Machado continua a não ser "referência", isto é, um autor que espontaneamente (!) se aduz como "um dos grandes" no nosso idioma.”

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"o resto não pode ser o silêncio", por romério rômulo

"o resto não pode ser o silêncio"

por romério rômulo

 

quando o mundo acabar

vou mutilar meus braços

meu hálito, meu desacerto

 

quando o mundo acabar

vou desatar a glória

dos deuses correntes

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