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Literatura

Lista de Livros: Danúbio (Parte I), de Cláudio Magris

Seleção de Doney

Lista de Livros: Danúbio (Parte I), de Cláudio Magris

Editora: Companhia de bolso

ISBN: 978-85-3591-337-8

Tradução: Elena Grechi e Jussara de F. M. Ribeiro

Opinião: muito bom

Páginas: 448

     “É verdade que a existência é uma viagem, como se costuma dizer, e que passamos pela terra como hóspedes.”

*

     “Quando se viaja sozinho, como acontece com excessiva frequência, é preciso pagar do próprio bolso, mas algumas vezes a vida é boa e permite passear e ver o mundo, mesmo que só de vez em quando e por pouco tempo, com aqueles quatro ou cinco amigos que testemunharão por nós no dia do Juízo Final, falando em nosso nome.”

*

     “A relva do prado esta ensopada de água, todo o terreno esta encharcado e alagado por uma quantidade de riachos diminutos. No prado as duas irmãs se movem e se molham mais graciosamente que Amedeo, cujo fascínio consiste, aliás, em grande parte, na maciça e tranquilizadora corpulência à Pierre Bezukov. Sua pena é, todavia, digna daquela graça, pousa leve e graciosa nos pormenores como uma borboleta sobre as flores, fixa a ampla nitidez do dia. A fenomenologia tem razão, o simples aparecer das coisas é bom e verdadeiro, a superfície do mundo é mais real do que as gelatinosas cavidades interiores. Santo Agostinho estava parcialmente enganado, quando aconselhava a não sair de si mesmo: quem permanece sempre no interior, divaga e se perde, acaba por queimar incenso a algum ídolo de fumaça saído do lixo dos seus temores, vazio e insidioso como os íncubos que a oração da noite intima a desaparecer.”

*

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Os Pensadores

Enviado por Gilberto Cruvinel

Os Pensadores

Do Filosofando

“Os Pensadores” é uma coleção de livros que reúne as obras dos filósofos ocidentais desde os pré-socráticos aos pós-modernos. O interessante desta coleção é que ela reúne em cada exemplar um pequeno apanhado sobre a biografia do autor em questão e um, dois ou três livros deste mesmo autor, normalmente os títulos mais conhecidos.

Publicada originalmente pela editora Abril Cultural, entre os anos de 1973/1975 era composta de 52 volumes. A edição que indicamos é de 1984 e é composta por 56 títulos (em PDF), segue abaixo a lista de títulos disponíveis. Clique AQUI para baixar.

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Três recortes da STA, minha fictícia agência de publicidade, por Sebastião Nunes

Três recortes da STA, minha fictícia agência de publicidade

por Sebastião Nunes

Entre 1980 e 2000 publiquei quatro edições de um livro que me dá saudade. Por conta dessa lembrança boa, e porque “Somos todos assassinos”, satírico e corrosivo, me parece bastante atual, estou preparando uma quinta edição. Cada “capítulo” é estruturado como um anúncio impresso, ocupando uma ou duas páginas no máximo, com título, ilustração e texto, seguindo o padrão da época em jornais e revistas. Reproduzo aqui três dos textos avulsos, ilustrados com um outdoor “patrocinado” pela STA.

 

O PROGRESSO VOCÊ É QUEM FAZ

Vim de Pernambuco sem emprego e sem coragem, mas meu pai era rico e estudei administração de empresas na PUC e doutorei-me nos Estados Unidos.

Voltei dos Estados Unidos magro e desanimado, mas ganhei apartamento no Leblon, cartões de crédito e pequeno carro esporte italiano.

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O império da dor, por Daniel Afonso da Silva

O império da dor

por Daniel Afonso da Silva

Bertrand Badie domina a arte de surpreender, provocar e cativar. Autor e professor consagrado em todo o mundo como refinado analista político e observador do meio internacional, ele vem há mais de quarenta anos ampliando nossos instrumentos de apreensão política das realidades internacionais. Sociologie de l’État (1979), La fin de territoire (1995), Un monde sans souveraineté (1999), L’impuissance de la puissance (2004), Le diplomate et l’intrus (2008), La diplomatie de connivence (2011), Quand l’Histoire commence (2013), Le temps des humiliés (2014) são apenas algumas de suas provocações-texto.

Seu último livro, « Un monde de souffrances », consiste na provocação-texto mais recente.

Nele Badie afirma e demonstra que o mundo hodierno vive sob o império da dor e do sofrimento. Pessoas de carne e osso, em sua individualidade e singularidade, alegria e frustração, adentraram essa cena social internacional para não mais sair. Viraram protagonistas incontestáveis de todos os processos políticos nacionais e transnacionais.

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"Não há como ficar calado": a íntegra do discurso de Raduan Nassar no Prêmio Camões

Da Carta Capital

 
Em seu pronunciamento na entrega do Prêmio Camões de literatura, o escritor critica o golpe, o governo Temer e o STF. Leia a íntegra
 
Às dez e meia da manhã desta sexta-feira 17, o escritor Raduan Nassar subiu ao palco montado no Museu Lasar Segall, em São Paulo, para receber o Prêmio Camões de 2016, honraria concedida pelos governos do Brasil e Portugal e um dos principais reconhecimentos da literatura em língua portuguesa. Nassar ofereceu à plateia o seguinte discurso:
 
Excelentíssimo Senhor Embaixador de Portugal, Dr. Jorge Cabral.
 
Senhor Dr. Roberto Freire, Ministro da Cultura do governo em exercício.
 
Senhora Helena Severo, Presidente da Fundação Biblioteca Nacional.
 
Professor Jorge Schwartz, Diretor do Museu Lasar Segall.
 
Saudações a todos os convidados.
 
Tive dificuldade para entender o Prêmio Camões, ainda que concedido pelo voto unânime do júri. De todo modo, uma honraria a um brasileiro ter sido contemplado no berço de nossa língua.  
 
Estive em Portugal em 1976, fascinado pelo país, resplandecente desde a Revolução dos Cravos no ano anterior. Além de amigos portugueses, fui sempre carinhosamente acolhido pela imprensa, escritores e meios acadêmicos lusitanos.

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Lista de Livros: Por uma outra globalização (Parte II), de Milton Santos

Seleção de Doney

Lista de LivrosPor uma outra globalização: do pensamento único à consciência universal (Parte II), de Milton Santos

Editora: Record

ISBN: 978-85-0105-878-2

Opinião: excelente

Páginas: 174 

     “O território não é apenas o resultado da superposição de um conjunto de sistemas naturais e um conjunto de sistemas de coisas criadas pelo homem. O território é o chão e mais a população, isto é, uma identidade, o fato e o sentimento de pertencer àquilo que nos pertence. O território é a base do trabalho, da residência, das trocas materiais e espirituais e da vida, sobre os quais ele influi. Quando se fala em território deve-se, pois, de logo, entender que se está falando em território usado, utilizado por uma dada população. Um faz o outro, à maneira da célebre frase de Churchill: primeiro fazemos nossas casas, depois elas nos fazem... A ideia de tribo, povo, nação e, depois, de Estado nacional decorre dessa relação tornada profunda.”

*

     “A consciência da diferença pode conduzir simplesmente à defesa individualista do próprio interesse, sem alcançar a defesa de um sistema alternativo de ideias e de vida. De um ponto de vista das ideias, a questão central reside no encontro do caminho que vai do imediatismo às visões finalísticas; e de um ponto de vista da ação, o problema é ultrapassar as soluções imediatistas (por exemplo, eleitoralismos interesseiros e apenas provisoriamente eficazes) e alcançar a busca política genuína e constitucional de remédios estruturais e duradouros.

     Nesse processo, afirma-se, também, segundo novos moldes, a antiga oposição entre o mundo e o lugar. A informação mundializada permite a visão, mesmo em flashes, de ocorrências distantes. O conhecimento de outros lugares, mesmo superficial e incompleto, aguça a curiosidade. Ele é certamente um subproduto de uma informação geral enviesada, mas, se for ajudado por um conhecimento sistêmico do acontecer global, autoriza a visão da história como uma situação e um processo, ambos críticos. Depois, o problema crucial é: como passar de uma situação crítica a uma visão crítica – e, em seguida, alcançar uma tomada de consciência. Para isso, é fundamental viver a própria existência como algo de unitário e verdadeiro, mas também como um paradoxo: obedecer para subsistir e resistir para poder pensar o futuro. Então a existência é produtora de sua própria pedagogia.”

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carolina para chico buarque, por romério rômulo

carolina para chico buarque

por romério rômulo

 

vou encontrar carolina

no branco do meio dia

no branco daquela pele

pétala de roseiral

num verso que me fogueia.

 

ser carolina é fatal.

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Catarina e Jarirí - uma paixão sobre-humana, por Cafezá

Catarina e Jarirí - uma paixão sobre-humana

por Cafezá

Incuantu eiles tavam ispéranu inditráizi  du galinheru, Rafaé Cascudo priguntô pá mestre Bódim:

- Mestre, u qui ucê falô pás galinha qui dexô éilas tão calmas?

- Nada di importanti, Rafaé. Ieu falei prélas sabê qui a mia vóz num éira di bicho cumedô, di um gambá, pur exempro. As galinha têm bãos zuvidos, éilas cunhece os grunhido di tudos os animar inimigos déilas.

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Lista de Livros: Por uma outra globalização (Parte I), de Milton Santos

Seleção de Doney

Lista de LivrosPor uma outra globalização: do pensamento único à consciência universal (Parte I), de Milton Santos

Editora: Record

ISBN: 978-85-0105-878-2

Opinião: excelente

Páginas: 174

     “A máquina ideológica que sustenta as ações preponderantes da atualidade é feita de peças que se alimentam mutuamente e põem em movimento os elementos essenciais à continuidade do sistema. Damos aqui alguns exemplos. Fala-se, por exemplo, em aldeia global para fazer crer que a difusão instantânea de notícias realmente informa as pessoas. A partir desse mito e do encurtamento das distâncias – para aqueles que realmente podem viajar – também se difunde a noção de tempo e espaço contraídos. É como se o mundo se houvesse tornado, para todos, ao alcance da mão. Um mercado avassalador dito global é apresentado como capaz de homogeneizar o planeta quando, na verdade, as diferenças locais são aprofundadas. Há uma busca de uniformidade, ao serviço dos atores hegemônicos, mas o mundo se torna menos unido, tornando mais distante o sonho de uma cidadania verdadeiramente universal. Enquanto isso, o culto ao consumo é estimulado.

     Fala-se, igualmente, com insistência, na morte do Estado, mas o que estamos vendo é seu fortalecimento para atender aos reclamos da finança e de outros grandes interesses internacionais, em detrimento dos cuidados com as populações cuja vida se torna mais difícil.

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O Humanismo está morto. Viva o Individualismo à Brasileira!, por Sebastião Nunes

O Humanismo está morto. Viva o Individualismo à Brasileira!

por Sebastião Nunes

Socratião, expulso a vassouradas por Xantipa, reuniu-se na Ágora com seus parças para mais uma sessão de papo furado e bebedeira: Platião, Fedontião, Antistião e Cebestião. Seu maior pobrema (como dizem os mineiros) era compreender os sofismas usados pela Estupidez para virar o país de cabeça para baixo, botando o Individualismo em cima e o Humanismo embaixo. Difícil de entender? Por isso tantos sabichões sebastiúnicos reunidos na Ágora onde, apesar da balbúrdia, era possível pensar. Não dava para pensar era com Xantipa na cola, brandindo aquela horrorosa bassoura (como diziam os antigos) de bruxa malvada.

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Epílogo, de Charles Baudelaire

Enviado por Gilberto Cruvinel

 

Tradução de Manuel Bandeira


De coração contente escalei a montanha,
De onde se vê – prisão, hospital, lupanar,
Inferno, purgatório – a cidade tamanha,

Em que o vício, como uma flor, floresce no ar.
Bem sabes, ó Satã, senhor de minha sina,
Que eu não vim aqui para lacrimejar.

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a arte morre de manhã, como num beijo, por romério rômulo

a arte morre de manhã, como num beijo

por romério rômulo

 

1.

cada vida tem seu punhado de mortos,

suas canções de desapego.

a todo instante a luz fisga

e arremata.

 

fosse a vida um punhado de amores

o homem cavaria a terra

e mostraria seu fígado sem mácula.

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Lista de Livros: O homem que amava os cachorros, de Leonardo Padura

Seleção de Doney

Lista de LivrosO homem que amava os cachorros – Leonardo Padura

Editora: Boitempo
ISBN: 978-85-7559-445-2
Tradução: Helena Pitta
Opinião: ruim
Páginas: 592

     “A dor e a miséria figuram entre aquelas poucas coisas que, quando repartidas, tornam-se sempre maiores.”

*

     “O ódio é uma doença incontrolável.”

*

     “O olhar de Liev Davidovitch, no entanto, tentava ver para lá dos edifícios, das igrejas pontiagudas, das mesquitas arredondadas: tentava ver a si próprio naquela cidade (turca) onde não tinha um único amigo, um único seguidor de confiança. E não se encontrou. Sentiu que, naquele preciso instante, começava o seu exílio: verdadeiro, total, sem ter onde se agarrar. Para além da família e de alguns poucos amigos que lhe tinham reiterado a sua solidariedade, era um homem aflitivamente só. Seus únicos aliados úteis numa luta que devia iniciar (como?, por onde?) continuavam isolados em campos de trabalho ou já tinham claudicado, mas permaneciam todos dentro das fronteiras da União Soviética, e a relação com eles ia se apagando com a distância, a repressão e o medo.

     Ao evocar aquela manhã de aspecto tão agradável, Liev Davidovitch recordaria sempre da urgência que experimentara de apertar a mão de Natália Sedova para sentir algum calor humano ao seu lado, para não asfixiar de tanta angústia diante da sensação de abandono que o acossava. Mas recordaria também que nesse momento tinha fortalecido a sua decisão de que, embora só, o seu dever seria lutar. Se a Revolução pela qual tinha combatido se prostituía na ditadura de um czar vestido de bolchevique, seria necessário nesse caso arrancá-la com raiz e tudo e semeá-la de novo, porque o mundo precisava de revoluções verdadeiras. Aquela decisão, estava ciente, o aproximaria ainda mais da morte que já o vigiava das torres do Kremlin. A morte, no entanto, podia ser considerada apenas uma contingência inevitável: Liev Davidovitch sempre pensara que as vidas de um, de dez, de cem, de mil homens podem e até devem ser devoradas se o turbilhão social assim o exigir para atingir seus fins transformadores, pois o sacrifício individual é muitas vezes a lenha que se queima na pira da revolução. Por isso lhe dava vontade de rir quando certos jornais insistiam em mencionar a sua “tragédia pessoal”. De que tragédia falavam?, escreveria. No processo sobre-humano da revolução não tinha cabimento pensar em tragédias pessoais. Sua tragédia, quando muito, era saber que para se lançar na luta não tinha à mão correligionários forjados no forno da revolução, nem meios econômicos e muito menos um partido. Mas restava-lhe aquela que sempre fora a sua melhor arma: a pena, a mesma que difundira as suas ideias nas colaborações entregues ao Iskrae que, já no seu primeiro desterro, o conduzira ao coração da luta, desde aquela noite de 1901 em que recebera a mensagem capaz de situar a sua vida de lutador no vórtice da história; a pena fora convocada para a sede do Iskra, em Londres, onde o esperava Vladimir Ilitch Ulianov, já conhecido como Lenin.”

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A linguagem banal de Bernardo Carvalho, por Miguel Nassif

A linguagem banal de Bernardo Carvalho

por Miguel Nassif

Bernardo Carvalho já disse repetidas vezes, em diversas entrevistas, que a linguagem poética não faz parte da sua linguagem, que o que lhe interessa, de fato, é a linguagem que tenta furar a linguagem: uma linguagem banal, desprovida de estilo; uma linguagem contra a literatura como instituição, logo seca, feia, rarefeita, pobre, tosca, truncada, áspera. Ao escritor carioca interessa desautorizar a língua, se sentir estrangeiro através da "implosão da linguagem pela simplicidade". Carvalho, que começou sua carreira como jornalista e estreou na literatura aos 33 anos com a coletânea de contos Aberração, abraça o lugar da contradição e do paradoxo (e das tensões que isso gera) como possibilidade de que daí, desse lugar "meio desconfortável", surja alguma verdade. No limite do literário e na urgência de, através da antiliteratura, "fazer literatura de verdade", o autor se agarra à estranheza de uma linguagem supostamente esvaziada de poesia e falsamente banal – que é, apesar do aspecto rudimentar, fruto de um trabalho minucioso – para desbravar o espaço do não domesticado.

A ideia de fazer literatura contra parece ser uma constante em sua produção. Carvalho resiste, quase quixotescamente, à hegemonia da literatura como expressão da experiência, do realismo psicológico e verossimilhante. Apesar de seus romances serem, no fundo, bastante realistas, essa recusa reflete em alguns artifícios que ele adota, por exemplo, em seu último romance, Simpatia pelo demônio, onde os personagens se escondem atrás de codinomes (Rato, chihuahua, Palhaço), em forma quase de fábula. O narrador só tem o ponto de vista do Rato como referência, de modo que os outros personagens não passam de telas foscas onde o protagonista projeta suas vontades, escarafunchadas à exaustão nas sessões de psicanálise; é uma romance sobre o terrorismo na acepção mais comum do termo e o terrorismo nas relações amorosas, não menos político e devastador que o primeiro. Em Reprodução – livro de abordagem bastante teatral, construído sobre extensos monólogos que emulam a linguagem automática da internet, onde se fala sozinho e o diálogo não é diálogo – o personagem principal, comentarista compulsivo e virulento de portais de notícia, é simplesmente o "estudante de chinês". Essa repulsa ao nome próprio aponta para a vontade de construir o que Carvalho chamou, numa conversa promovida pela Escola Letra Freudiana e posteriormente transcrita e publicada pela 7Letras, de personagens de papel, com os quais não há uma identificação psicológica e emocional imediata.

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Contracanto 22, por Marcos Bagno

Enviado por Gilberto Cruvinel

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