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Literatura

Lista de Livros: O Poder do Mito (Parte II) – Joseph Campbell com Bill Moyers

Enviado por Doney

Lista de Livros: O Poder do Mito (Parte II) – Joseph Campbell com Bill Moyers

Editora: Palas Athena

ISBN: 978-85-7242-008-2

Organização: Betty Sue Flowers

Tradução: Carlos Felipe Moisés

Opinião: regular

Páginas: 242

          “A diferença entre um sacerdote e um xamã é que o primeiro é um funcionário e o segundo é alguém que teve uma experiência. Na nossa tradição é o monge que procura a experiência, enquanto o sacerdote é aquele que estudou para servir à comunidade.

          Eu tive um amigo que assistiu a um encontro internacional das ordens meditativas católico romanas, que teve lugar em Bangkok. Ele me contou que os monges católicos não tinham dificuldade em compreender os monges budistas, mas o clero das duas religiões é que era incapaz de entender um ao outro.

          A pessoa que teve uma experiência mística sabe que toda tentativa de expressá-la simbolicamente é imperfeita. Os símbolos não traduzem a experiência, apenas a sugerem. Se você não teve a experiência, como saber de que se trata? Tente explicar o prazer de esquiar a alguém que viva nos trópicos e nunca viu neve. É necessário que haja experiência para apreender a mensagem, alguma pista – do contrário você não ouve o que lhe estão dizendo.”

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Visitando um megahipermercado virtual sociopolítico no ano de 2099, por Sebastião Nunes

Visitando um megahipermercado virtual sociopolítico no ano de 2099

por Sebastião Nunes

Minha boneca da Emma Watson parou de funcionar. Inerte na cama, fez com que eu me sentisse viúvo. Desesperado, telefonei para o centro de manutenção da Apple na Califórnia, mas tudo o que consegui foi o telefone da revenda em São Paulo.

Liguei para lá.

– Minha boneca da Emma Watson parou de funcionar – disse eu. – Não fala, não anda, não toma banho, não cozinha, não lava, não passa, não beija, não trepa, não faz nada. Até parece uma daquelas bonecas japonesas vendidas em 2017. Que devo fazer?

– Infelizmente, meu caro senhor, as peças de reposição de sua boneca deixaram de ser fabricadas. Mas tenho ótimas notícias.

E antes que eu abrisse a boca continuou:

Os novos chips desenvolvidos no Vale do Silício, e que acabam de ser lançados mundialmente, clonam com absoluta fidelidade qualquer pessoa de qualquer época.

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Vargas não é um boi, por Urariano Mota

Vargas não é um boi

por Urariano Mota

Em tempos de ameaça de golpe militar, é fundamental retomar a história com a narração do horror da ditadura:

"Ele sabe com a consciência mais desperta que vive as suas ultimas horas. Diferente do jovem em Olinda, ele pode fugir antes dos tiros, evadir-se, para assim impedir que o seu corpo inche, se alargue a tal ponto que não entre em um caixão. E por que não o faz? “Eu conversei com ele, disse que ele fugisse”, anotou Gardênia no diário. Mas Vargas lhe respondeu na sala do apartamento do Edifício Ouro: “Fugir não podia, ele me disse. Pela segurança da esposa e da filha”. E voltou a advogada: “Eu pedi que ele deixasse a criança sob meus cuidados. Ele me falou que não ia levar Nelinha para uma aventura, porque ela era uma pessoa frágil e seria também assassinada. Aí seria pior, porque a menina ficava órfã”. A primeira observação é a  consciência de que será morto, porque ele resiste a que Nelinha seja “também assassinada”. E assim o dano seria maior: a frágil Nelinha mais a orfandade da filha. E resolve ficar e se fincar.  A segunda observação é a que dá o tamanho do terror nos olhos de Vargas: ele é um homem sozinho, está sem partido. Vargas segue na contramão: desvinculado, está só, sabe que vai cair, não tem apoio, isolado se encontra. Isso mostra a medida da infâmia, ele está sem organização clandestina, mas ainda assim será divulgado como um terrorista, que desejava o fim da democracia no Brasil. Daí vêm os seus olhos de índio crescidos, a pele morena sem cor, o rosto de varíola pálido. 

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Fazer feira e não revolução, por Maíra Vasconcelos

Fazer feira e não revolução

por Maíra Vasconcelos

Como se não bastassem as debilidades, usar a palavra
para isolar as guerras de todos os dias
Não se banhar no mar de sangue, mas olhá-lo
como quem compra peixes na feira
ingenuamente acuado pelo ato modesto.

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Lista de Livros: O Poder do Mito (Parte I) – Joseph Campbell com Bill Moyers

Seleção de Doney

Lista de LivrosO Poder do Mito (Parte I) – Joseph Campbell com Bill Moyers

Editora: Palas Athena

ISBN: 978-85-7242-008-2

Organização: Betty Sue Flowers

Tradução: Carlos Felipe Moisés

Opinião: regular

Páginas: 242

“Os fados guiam àquele que assim o deseje; aquele que não o deseja, eles arrastam.” (Sabedoria romana)

*

“E aí está”, disse Campbell, “a suprema mensagem da religião: ‘Em verdade vos digo: cada vez que o fizestes a um desses meus irmãos mais pequeninos, a mim o fizestes’[Mateus 25,40].”

Homem espiritual, ele encontrou na literatura da fé os princípios comuns ao espírito humano. Mas esses princípios têm de ser libertados dos liames tribais, caso contrário as religiões do mundo continuarão a ser como no Oriente Médio e na Irlanda do Norte, hoje uma fonte de desdém e agressão. As imagens de Deus são muitas, ele dizia, chamando-as “máscaras da eternidade”, que ao mesmo tempo escondem e revelam “a Face da Glória”. Ele desejou saber o que significa o fato de Deus assumir tão diferentes máscaras em diferentes culturas, apesar de histórias semelhantes serem encontradas em tradições divergentes – histórias da criação, nascimentos virginais, encarnações, morte e ressurreição, segundos retornos, dias do julgamento. Ele apreciava a perspicácia das escrituras hindus: “A verdade é uma; os sábios a chamam por diferentes nomes”. Todos os nossos nomes e imagens de Deus são máscaras, ele dizia, referindo-se à suprema realidade que, por definição, transcende a linguagem e a arte. Um mito é uma máscara de Deus, também – uma metáfora daquilo que repousa por trás do mundo visível. Não obstante as divergências, ele dizia, as religiões todas estão de acordo em solicitar de nós o mais profundo empenho no próprio ato de viver, em si mesmo. O pecado imperdoável, no livro de Campbell, é o pecado da inadvertência, de não estar alerta, de não estar inteiramente desperto.”

*

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doutora querida, trate-me leão. por romério rômulo

doutora querida, trate-me leão.

por romério rômulo

 

belo juiz doutor, eu vos precedo

em temas, sobremodos de antemão:

vossas maneiras tais são os meus medos.

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Adão Ventura odiaria passar pela vida em brancas nuvens, por Sebastião Nunes

Adão Ventura odiaria passar pela vida em brancas nuvens

por Sebastião Nunes

As largas plantas amarelas dos pés, o negrume descorado da pele e a flacidez opaca do rosto indicavam que o poeta estava se despedindo.

Sentados em cadeiras de ferro pintadas de branco, eu e Jaime ajudávamos Adão a selecionar seus poemas inéditos na babel de infinitos manuscritos, espalhados pela cama também de ferro e também pintada de branco.

Amarfanhado, o lençol não dava conta de recordar os infinitos doentes terminais que tinham saído daquela cama para a autópsia, o necrotério, a cova e o esquecimento.

– O título será “Costura de Nuvens” – disse Adão, olhando para nós com seu ar de falsa insegurança. – Costura de Nuvens é um bom título, não é?

Mais que isso, era uma pepita de absoluta pureza da mina secreta de Adão.

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Hoje, lançamento do livro de Urariano Mota, em São Paulo

Jornal GGN - “A mais longa duração da juventude“, de Urariano Mota, faz entrada triunfal em São Paulo. O autor estará presente para uma noite de autógrafos hoje, às 19h, na Livraria Saraiva do Shopping Pátio Paulista, que fica na rua 13 de Maio, 1.947, piso Paraíso.

O mais novo romance de Urariano foi lançado pela editora LiteraRua, carrega a esperança de um amanhã melhor pelas mãos dos jovens, emd efesa de um país inclusivo e “que olhe por seu povo“. São mais de 300 páginas para construção desta esperança.

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Retalhos literários (I-IV), por Felipe Costa

Retalhos literários (I-IV), por Felipe A. P . L. Costa

Em tempos de nanismo político e cultural, nada como examinar (ou reexaminar) a obra viva de alguns gigantes do passado (retalhos extraídos do blogue Poesia contra a guerra).

I. A família, a juventude, a cultura (1936)

Leon Trotsky (1879-1940)

Ainda que na URSS o marxismo seja, formalmente, a doutrina oficial, no decorrer nos últimos doze anos não foi publicada uma única obra marxista – tratando de economia, de sociologia, de história ou de filosofia – cuja tradução merecesse atenção. A produção marxista não sai dos limites da compilação escolástica, que nada faz além de repisar as velhas idéias aprovadas e utilizar as mesmas citações segundo as necessidades do momento.

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sem maria, eu nunca sou. por romério rômulo

sem maria, eu nunca sou.

por romério rômulo

 

1.

maria me disse: vou!

maria, eu lhe disse, vem!

só restaram nossos ecos

nossos amores além.

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Thomas Mann no Brasil (II), por Walnice Nogueira Galvão

Thomas Mann no Brasil  (II)

por Walnice Nogueira Galvão

A propósito da reedição de Thomas Mann pela Companhia das Letras, nunca é demais enfatizar a contribuição de Herbert Caro para a elevação do nível das traduções feitas no Brasil.

Já entre os críticos que mediaram a recepção do grande romancista alemão, destacam-se Otto Maria Carpeaux e Anatol H. Rosenfeld, ambos aqui chegados nos anos 30.

O eruditíssimo Carpeaux  inicialmente não manifestava muita afinidade com Thomas Mann, mas é bom lembrar que isso se deu quando essa obra ainda estava em andamento. Trinta anos depois, à medida que suas leituras acompanhavam o que Mann ia escrevendo, e culminando em Doutor Fausto, já tinha passado a admirador.  Afirmou várias vezes que Thomas Mann era ímpar na posição de maior autor alemão do séc. XX.

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Lista de Livros: O clube dos anjos – Gula, de Luis Fernando Verissimo

Por Doney

Lista de Livros - O clube dos anjos: gula, de Luis Fernando Verissimo

Editora: Ponto de Leitura (Objetiva)

ISBN: 978-85-7302-988-8

Opinião: muito bom

Páginas: 143


          “As histórias de mistério são sempre tediosas buscas de um culpado, quando está claro que o culpado é sempre o mesmo. Não é preciso olhar a última página, leitor, o nome está na capa: é o autor.”

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era um era dois era cem, para geddel, por romério rômulo

era um era dois era cem, para geddel

por romério rômulo

 

mais milhões de dólares armados

mais milhões de reais já embutidos

que meus olhos se viram fracassados

e meus dedos se deram por feridos

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Tristezas do Jeca: agonia e morte de dois escritores marginais brasileiros, por Sebastião Nunes

A cancela gemeu. Comprida trilha estreita, pavimentada de pedras irregulares, conduzia à pequena casa em ruínas. Entrei. Bafo de mofo.

Entrou comigo a multidão tristonha de fantasmas arrependidos. Fantasmas de poetas, ficcionistas, cineastas, músicos, atores, fotógrafos, pintores.

Lá dentro, em cima da cama tosca de madeira carcomida, o velho cabeludo estertorava. Sangue coagulado empapava a camisa branca puída. Hemoptise, buraco de bala ou faca, hemorragia gástrica. Eu não sabia o quê. A morte rondava.

Aos 69 anos – era julho de 2007 – José Agrippino de Paula agonizava.

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Felipe Pena e as Crônicas do Golpe

Jornal GGN – 31 de agosto fez um ano do golpe do impeachment da presidente eleita Dilma Rousseff. Neste dia, o escritor Felipe Pena lançou “Crônicas do golpe”, pela Editora Record, em primeira mão no Rio de Janeiro. Diz ele que perdeu amigos, espaços de trabalho e o convívio com parte da família. “O golpe não foi apenas político”, diz, “o golpe foi na cognição pública e nas relações pessoais e profissionais”.  E ele faz um registro destes 12 meses que sucederam o dia fatídico.

Diante de tudo isso Felipe Pena, que é escritor, jornalista, psicólogo e professor de roteiro da Universidade Federal Fluminense (UFF), considera que apenas fez a coisa certa. E, no caso dele, a coisa certa foi escrever. O que não foi fácil, considerando que escreveu em disputa com os vencedores a narrativa da História, ali, acontecendo.

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