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Geopolítica

Lavagem de dinheiro e a hipocrisia do Sistema Financeiro Internacional, por Bruno Lima Rocha

Por Bruno Lima Rocha

Lavagem de dinheiro e a hipocrisia estruturante do Sistema Financeiro Internacional 

O tema da lavagem de dinheiro ganha volume e importância nas ações de Cooperação Juridica Internacional e obedece à agenda de projeção de poder em termos securitários vindo do Império. Iniciando na década de ’80, e desenvolvido em paralelo ao esforço de apoio aos mudjahiddin do Afeganistão lutando contra a ocupação da União Soviética, a circulação de ativos não rastreáveis ocupou a agenda das agências de inteligência, redes de terrorismo, narcotráfico, tráfico de armas e atividades complementares a segurança avançada dos Estados líderes – como em operações de cobertura e financiamento dos contras da Nicarágua, treinando em Honduras. O inimigo global do “ocidente” estava sendo derrotado e,  automaticamente, os alvos permanentes tinham de ser modificados.

A partir da década de ’90 do século XX, na esteira da tentativa de mundializar as bases institucionais do pós-consenso de Washington, os Estados Unidos conseguiram fazer aprovar uma série de medidas, antes passando por debate conceitual, onde caracterizavam as formas de estruturação do crime organizado. O próprio conceito de organização criminosa implica em certa complexidade de tipo empresarial, e com boa capacidade de gerenciar recursos. Destas tarefas, uma parte sempre delicada é transformar recursos obtidos de forma ilegal em legais e tangíveis, resgatáveis de alguma forma, podendo ser transformados em fatores de acumulação não apenas nominal.

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De Lula à Síria: um novo mapa, por Rogério Mattos

do Teoria e Debate

De Lula à Síria: um novo mapa

por Rogério Mattos

Enquanto a China faz projetos de, ainda em 2020, chegar ao lado escuro da Lua1, de obter os preciosos recursos em mineração que sua superfície sem atmosfera fornece (fala-se do hélio-3 e da fusão nuclear), no Ocidente se vive mais de uma década lombrosiana em suas relações políticas cotidianas (lembrar do 11/9, do inencontrável Bin Laden, do Ato Patriota, das guerras no Afeganistão, no Iraque, na Líbia e na Síria), das “intervenções humanitárias”, do tipo de guerra que se constituem as “sanções econômicas”, do “direito penal do inimigo”, do “lawfare”, e, em uma situação de guerra total, de perseguição aos “monstros e degenerados”, aos terroristas ou corruptos (a depender do enquadramento geográfico daquele que fala), como os cidadãos tingidos pela nostalgia da nobreza ou pelas promessas da burguesia ascendente, ainda no século 19, perseguiam os supostos delinquentes, os vagabundos ou celerados para falar numa linguagem que qualquer um entende – no caso brasileiro, todos os de origem humilde ou os que a estes representam, que tomaram o poder e ousaram dividi-lo com o resto da população, aumentando-lhe a qualidade de vida e as perspectivas futuras. A crise atual, como não deixa de ser evidente ao espectador minimamente atento, guarda relação direta com as infrações contínuas dos direitos fundamentais garantidos em inúmeros pactos internacionais.

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A direita israelense em pânico, por Alastair Crooke

Sugestão de Ricardo Cavalcanti-Schiel

no blog do Alok

A direita israelense em pânico

por Alastair Crooke

no ConsortiumNews, traduzido pelo Coletivo Vila Vudu para o blog do Alok

Uma delegação de alto nível da inteligência israelense visitou Washington, semana passada. Em seguida, o primeiro-ministro de Israel Benjamin Netanyahu apareceu em Sochi, durante um fim de semana de férias do presidente Putin, onde, segundo alto funcionário de Israel (citado no Jerusalem Post), Netanyahu ameaçou bombardear o palácio presidencial em Damasco e anular todo o processo de cessar-fogo de Astana, se o Irã continuar a "ampliar seu poder sobre a Síria". Leia mais »

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Embaixador americano na Síria: al-Assad ganhou a guerra. Sua saída agora é impossível

Embaixador americano na Síria: al-Assad ganhou a guerra. Sua saída agora é impossível

no Los Angeles Times

tradução de Ricardo Cavalcanti-Schiel

No inverno gelado do sul da Síria, em 2011, uma pichação de um escolar dizendo “É a sua vez, doutor” ― uma gozação que conclamava a saída do presidente Bashar al-Assad ― ajudou a provocar uma guerra civil feroz, que deixou centenas de milhares de mortos e milhões de pessoas deslocadas.

Seis anos e meio depois, é cada vez mais crescente o consenso diplomático de que al-Assad, o oftalmologista de 51 anos, que há 17 herdou a liderança do país de seu pai, com quase toda certeza venceu todos os esforços militares para desalojá-lo. Agora, seus opositores internacionais têm que se ver diante da evidência da sua sobrevivência política, até que se decidam por algum novo rumo a tomar.

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O xeque-mate geopolítico de Putin na Síria, por Jon Hellevig

Enviado por Ricardo Cavalcanti-Schiel

no Russia Insider

O xeque-mate geopolítico de Putin na Síria

Por Jon Hellevig

Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu para o blog do Alok

O Estado Islâmico no Iraque e na Síria (ISIS) agoniza, isolado e caçado pelo Exército Árabe Sírio e aliados, que esperam dar por encerrada a história dessa organização terrorista, afinal, na cidade síria de Deir ez-Zor.

Com essa vitória já muito próxima, Putin terá afinal construído um xeque-mate geopolítico, e acertado golpe esmagador nos esquemas da Nova Ordem Mundial no Oriente Médio.

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A governança global do fluxo de ilícitos financeiros e a evasão de divisas, por Bruno Lima Rocha

A governança global do fluxo de ilícitos financeiros e a evasão de divisas

por Bruno Lima Rocha

O fluxo de ilícitos financeiros é uma das formas mais evidentes de evasão de divisas – fiscal ou em ativos – em escala mundo, transferindo recursos coletivos para a acumulação privada. Isso implica em concentração de riqueza e empobrecimento das sociedades. Ao contrário da imagem mais difundida, os chamados “paraísos fiscais” não são necessariamente ilhas ou territórios isolados, mas sim soberanias vinculadas às potências globais como EUA, Grã Bretanha (e Commonwealth), Suíça, Alemanha e China. Considerando que Estados com projeção mundial são, de fato, controladoras destas “jurisdições especiais” que escoam a riqueza do planeta, seria razoável que os instrumentos e instituições de fiscalização e governança não estivessem vinculados a estes países. Mas, como forma o padrão hegemônico no Sistema Internacional (SI), ocorre justamente o oposto. Há uma sobreposição de interesses, levando a uma evidente suspeição desta arquitetura de governança financeira.

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A cooperação internacional na visão de Herve Juvin, por Luis Nassif

Nesses tempos de redes sociais, de megabancos de dados, de informações circulando freneticamente, há um descompasso fundamental entre as ações políticas e a capacidade da academia e dos think tank dos diversos países em entender a tempo o que ocorre.

O tema da cooperação internacional entre a Justiça e o Ministério Público Federal brasileiro com o Departamento de Justiça norte-americano foi levantado pioneiramente aqui. Diversos Xadrez e artigos do André Araújo chamaram a atenção para o novo fenômeno global e suas implicações sobre a economia e a política brasileira.

Surpreendentemente, jamais houve, nem antes nem depois, uma discussão aprofundada do fenômeno seja nos partidos políticos, no MPF, no Instituto Fernando Henrique Cardoso ou Instituto Lula.

Algum tempo atrás, no Brasilianas da TV Brasil entrevistei o historiador Luiz Felipe de Alencastro, professor emérito da Universidade de Sorbonne, França. Indaguei como o tema estava sendo discutido na França e nos grupos de discussão de cientistas políticos. Ainda não haviam começado os estudos.

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Como retornam a países emergentes alunos de Universidades dos EUA? Por André Araújo


Foto: Divulgação

Por André Araújo

Comentário à publicação "Xadrez da influência dos EUA no golpe, por Luís Nassif"

A influência americana sobre corações e mentes não se dá por um plano estruturado de determinado governo ou Presidência, e sim por um sistema de atração intelectual que vem dos anos 20, com o cinema e a disseminação do "american way of life", como sendo o modo mais elevado de vida na Terra. Esse "imã" atrator funciona em qualquer governo americano, Democrata ou Republicano, é automático e os países emergentes caem na rede da aranha como insetos, sentem uma atração inexplicável para cair nessa rede, uma espécie de néctar: os induz a ser catequizados.

O sistema influencia muito mais as pessoas de origem simples, não influencia as pessoas de elite, que são, em geral, criticas do "american way of life", motivo de piadas nas altas rodas do mundo. Sobre mentes simples, o sistema produz um efeito religioso e os convertidos passam a agir como americanos, sem uma visão crítica dos muitos defeitos do "american way of life", um modelo de vida que tem pontos positivos e muitos, cada vez mais, pontos negativos.

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Xadrez da influência dos EUA no golpe, por Luís Nassif

A cada dia que passa fica mais nítida a participação de forças dos Estados Unidos no golpe do impeachment. Trata-se de tema polêmico, contra o qual invariavelmente se lança a acusação de ser teoria conspiratória. O ceticismo decorre do pouco conhecimento sobre o tema e da dificuldade óbvia de se identificar as ações e seus protagonistas. Imaginam-se cenas de filmes de suspense e de vilões, com todos os protagonistas  orientados por um comitê central.

Obviamente não é assim.

Um golpe sempre é fruto da articulação das forças internas de um país, não necessariamente homogêneas, e, em muito, da maneira como o governo atacado reage. No decorrer do golpe, montam-se alianças temporárias, em torno do objetivo maior de derrubar o governo. Há interesses diversos em jogo, que provocam atritos e se acentuam depois, na divisão do butim.

A participação gringa se dá na consultoria especializada e no know-how da estratégia geral.

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Curvar-se à prepotência dos senhores é decretar a própria morte. A Coreia do Norte aprendeu essa lição

Sugestão de Ricardo Cavalcanti-Schiel

no blog do Alok

A Coreia do Norte, RPDC, conhece as lições brutais da 'mudança de regime' à EUA e não se desarmará

por Neil Clark

Originalmente no Russia Today, traduzido pelo Coletivo Vila Vudu.

Será que a 3ª Guerra Mundial começará essa semana, por causa das ações belicosas de um presidente fanfarrão com corte de cabelo patético e seu sinistro estado bandido belicista armado com bomba atômica? Ou ainda é possível conter Donald Trump e os EUA?

Claro que na mídia ocidental, sempre a favor do que ordene o Departamento de Estado, é a Coreia do Norte e o governante norte-coreano que aparecem pintados como se fossem os doidos da hora. Mas você não precisa carregar tochas pela rua a favor do governo coreano, nem ser membro de carteirinha da Sociedade dos Adoradores de Kim Jong-un para saber que, dessa vez, o governo da Coreia do Norte está agindo muito racionalmente. Porque a história recente ensina que o melhor meio para conter ataques dos EUA e aliados absolutamente não é desarmar-se, fantasiar-se de John Lennon e pôr-se a fazer declarações sobre o quanto você deseja a paz. Nas circunstâncias presentes, doido é quem não souber que é preciso fazer exatamente o oposto.

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Por que a estratégia de Kim Jong-un é implacavelmente racional, por Federico Pieraccini

Foto Agência Brasil

Sugestão de Ricardo Cavalcanti-Schiel

no blog Mberublue

Por que a estratégia de Kim Jong-un é implacavelmente racional

Por Federico Pieraccini

Originalmente em Strategic Culture, tradução de Roberto Pires Silveira.

Para observadores dos dois recentes testes de mísseis intercontinentais pela Coreia do Norte, fica a impressão de que Pyongyang deseja aumentar ainda mais as tensões na região. Porém, uma análise mais cuidadosa mostra que a República Popular Democrática da Coreia está dando curso a uma estratégia que pode vir a ter sucesso para evitar uma desastrosa guerra na península.

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China já tem a alavanca para derrubar o petro-dólar, por Jim Willie C. B.

China já tem a alavanca para derrubar o petro-dólar

Por Jim Willie C. B.

no Russia Insider

Tradução de Ricardo Cavalcanti-Schiel

(os trechos entre colchetes são elucidações do tradutor)

Quando Pequim começar a comprar o petróleo saudita em yuan todo o equilíbrio geopolítico sofrerá uma maciça perturbação tectônica.

O governo chinês está extremamente agastado com a imposição do uso do dólar americano no pagamento de petróleo bruto no mercado global. Mas agora, as autoridades de Pequim finalmente conquistaram poder de influência para estabelecer um significativo acordo de pagamento de petróleo bruto em renmimbi (ou yuan). As negociações avançam há alguns meses, com escassa cobertura da mídia financeira, inclusive dos meios alternativos. Mas para que aconteça pode já não ser mais que uma questão de tempo, e seus efeitos serão de grande alcance e provavelmente devastadores.

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Jurisdições secretas e paraísos fiscais pós-2008, por Bruno Lima Rocha

Jurisdições secretas e paraísos fiscais pós-2008

por Bruno Lima Rocha

Com este texto, em paralelo à difusão do pensamento descolonizado e de base latino-americana, além das análises de conjuntura, abro outra coletânea. Nesta pesquisa de relevo, vamos observar as interseções entre a circulação do capital financeiro, a financeirização dos países, os mecanismos centrais de governança (ou de consentimento para estas operações) e o complexo mundo das offshores e “paraísos fiscais”. A temporalidade desta pesquisa de relevo é no “ocidente” globalizado e no capitalismo avançado pós-2008.

Entre os anos de 2007 e 2008, o capitalismo financeiro quase colapsou a economia do “Ocidente”. A partir de então, ao invés de um esforço de regulação do capital financeiro e redistribuição de riquezas, houve justamente o oposto. O planeta vê um elevado patamar de desigualdade somado com a interdependência financeira e um fluxo constante de evasão de capital, diminuindo em todas as sociedades a capacidade de gerar Bem Estar. Uma das bases estruturantes desta acumulação na forma de obrigações e capital digitalizado é o sistema de bancos privados operando em termos mundiais, e o emprego do artifício de trustes e holdings offshores, através de baixíssima fiscalização nos chamados “paraísos fiscais”. Ao contrário do que é difundindo, estes “paraísos” não estão localizados majoritariamente em pequenas ilhas, e sim diretamente conectados ao centro do capitalismo financeiro. 

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O fim da supremacia militar mundial dos EUA

Sugestão de Ricardo Cavalcanti-Schiel

The Saker: Para EUA, fim das "guerras a preço de ocasião"

Do blog do Alok, originalmente em The Unz Review.

Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu.

Com o golpe dos neoconservadores contra Trump agora já completado (pelo menos no objetivo principal, i.e., com Trump já neutralizado, o objetivo subsidiário, i.e., tirar o presidente da presidência, pode ser adiado para algum momento, não se sabe quando, no futuro), o mundo tem de lidar, mais uma vez, com situação muito perigosa: o Império Anglo-sionista está em rápida decadência, mas os neoconservadores voltaram ao poder. E farão de tudo, qualquer coisa que esteja ao alcance deles, para deter e reverter aquela decadência.

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Mudanças geopolíticas e a memória da guerra em torno da Coreia


Comandante da Frota Americana do Pacífico, Almirante Scott Swift, a bordo do USS Ronald Reagan em Brisbane, Austrália, 25 de julho de 2017 - Foto: Reuters

Enviado por Ricardo Cavalcanti-Schiel

Por Pepe Escobar

Na dúvida, bombardeie a China

Do blog do Alok

*Publicado originalmente em inglês no Asia Times, traduzido pelo Coletivo Vila Vudu

(Sobre os termos gerais do contexto geopolítico, ver: "Nova guerra fria: faz sentido?")

O colapso atual do mundo unipolar, com a emergência inexorável de quadro multipolar, está deixando correr solta uma subtrama aterradora – a normalização da ideia de guerra nuclear. A prova mais recente disso apareceu sob a forma de um almirante dos EUA que diz a quem queira ouvi-lo que está pronto a obedecer ordens do presidente Trump de disparar um míssil nuclear contra a China.

Esqueçam o fato de que guerra nuclear no século 21 que envolva as grandes potências será A Última Guerra. Nosso almirante, almirantemente chamado Swift ["rápido", "veloz"], só está preocupado com minúcias democráticas tipo "todos os membros das forças armadas dos EUA fizeram um juramento de defender a Constituição dos EUA contra todos os inimigos estrangeiros e domésticos e obedecer aos oficiais superiores e ao presidente dos EUA como comandante-em-chefe e chefe de todos nós".

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