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Coluna Econômica

Xadrez do elo desconhecido entre Temer e Yunes

Qual a razão do primeiro amigo de Michel Temer, José Yunes, ter entrado em pânico, quando seu nome apareceu em delação de executivo da Odebrecht, a ponto de procurar o Ministério Público Federal para uma delação sem sentido.

A jornalistas, Yunes disse que lhe foi solicitado por Elizeu Padilha – Ministro-Chefe licenciado da Casa Civil – que recebesse “documentos” em seu escritório. Os tais “documentos”, na verdade, eram propinas pagas pela Odebrecht e levadas até ele pelo notório doleiro Lúcio Funaro.

Aos jornalistas, Yunes declarou ter sido apanhado de surpresa. E, assim que se deu conta do ocorrido, procurou o amigo Temer, que o acalmou.

Ao MPF, declarou que nada disse a Temer.

De sua parte, Temer mandou informar os jornais que exigirá explicações de Padilha.

O que está por trás dessa dança dos lobos, tão desesperada e tão sem nexo?

Dias atrás o grupo Anonymous divulgou um pacote de documentos sobre negócios de Yunes, Temer e outros sócios. Leia mais »

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O primeiro amigo Yunes, a holding Maraú e o encontro dos bilionários

O dossiê  distribuído pelo Anonymous, com informações sobre supostos negócios entre o presidente Michel Temer e o primeiro amigo José Yunes é composto por 30 documentos, entre PDFs e Words, basicamente registros na Junta Comercial e em paraísos fiscais.

Versam sobre uma infinidade de holdings e off-shores, algumas delas com os mesmos sócios, outras entrelaçando-se nas relações societárias, algumas soltas sem que, de cara, se possa montar alguma ligação maior.

Como é um quebra-cabeça extremamente complexo, vamos desbastando pelas bordas para ver onde chega. Pode não chegar a nenhum lugar, mas pode chegar a paragens interessantes.

As holdings que surgem da papelada são as seguintes:

Greystone, Shadowscape e Yuni Co são offshores instaladas em paraísos fiscais. Leia mais »

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Pedro Passos ou a decadência dos industrialistas

Ao longo do século 20, o Brasil teve grandes industrialistas, empresários com visão nacional capaz de influenciar políticas públicas, desde os históricos Roberto Simonsen e Jorge Street até os recentes Cláudio Bardella, Paulo Cunha, Jorge Gerdau.

Aparentemente, este ciclo acabou.

Os presidentes da FIESP (Federação das Indústrias de São Paulo) e FIRJAN (do Rio de Janeiro) sequer são industriais. E o respeitado IEDI (Instituto de Estudos de Desenvolvimento Industrial) é uma sombra de um passado glorioso, sob a batuta dos últimos grandes industrialistas.

O artigo de hoje na Folha de Pedro Passos, sócio da Natura (https://goo.gl/UVKloQ) é a pá de cal em uma era. Não pelo artigo em si – um amontoado de argumentos primários – mas pelo histórico de Passos que, em tempos recentes, presidiu o IEDI.

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Janot e os inquéritos intermináveis contra Aécio

Não se pode acusar o Procurador Geral da República (PGR) Rodrigo Janot de imprevisível. Sua atuação tem ajudado a confirmar todos os cenários traçados pelo Xadrez sobre a maneira como trabalha os inquéritos contra seu conterrâneo, o senador Aécio Neves: empurrar com a barriga o máximo de tempo possível.

A delação do ex-senador Delcídio do Amaral criou uma dor de cabeça para Janot. Delcídio avançou uma série de acusações contra Lula, Dilma e o PT. Mas incluiu na delação denúncias contra Aécio. Como não poderia ignorar algumas denúncias e acatar outras, Janot foi obrigado a abrir dois inquéritos contra Aécio: um, sobre o sistema de propinas de Furnas; outro, sobre a falsificação de documentos para a CPMI dos Correios, visando ocultar o mensalão mineiro. Leia mais »

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Xadrez do PSDB no 2o tempo do golpe

Peça 1 – o fator Alexandre de Moraes

Analise-se, primeiro, a ficha de Alexandre de Moraes:

1.     Suspeitas de captar clientes entre grupos beneficiados por ele enquanto Secretário de Administração da gestão Gilberto Kassab na prefeitura de São Paulo.

2.     Estimulador da violência inaudita da PM paulista contra estudantes secundaristas, inclusive permitindo o trabalho de grupos de P2 contra adolescentes.

3.     Autor de um plano de segurança condenado unanimemente por todos os especialistas no tema.

4.     Acusação de plágio em suas obras e uma resposta ridícula, na sabatina do Senado: a de que manifestações em sentenças de Tribunais superiores (no caso, da Espanha) não contempla direito autoral. Ora, ele copiou as manifestações sem aspas – isto é, apropriou-se do texto copiado.

5.     Nenhuma dúvida sobre a parcialidade com que irá se conduzir no Supremo Tribunal Federal (STF).

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Xadrez do novo tempo da Lava Jato

Peça 1 – o papel da Procuradoria Geral da República

Justiça que tarda é justiça que falha. Nunca o ditado foi tão oportuno para explicar como a Lava Jato vem tratando os casos mais delicados, dos políticos com prerrogativa de foro.

A revelação dos papéis do Ministro Teori Zavascki por Elio Gaspari (https://goo.gl/kLfH6l) traz um dado concreto sobre algo que o Xadrez vem indicando há tempos: por estratégia ou insuficiência, ou por receio de chegar até seus aliados, a Procuradoria Geral da República (PGR) está tocando os inquéritos com extrema morosidade.


 

Desfazem-se alguns mitos.

Mito 1 – que os atrasos na Lava Jato se devem ao acúmulo de processos no STF.

Não é verdade. Mal comparando com uma empresa, confronta-se a capacidade instalada de julgamento do STF com a quantidade de inquéritos potenciais da Lava Jato. Na prática, o que ocorre é que o STF trabalha com capacidade ociosa, devido à morosidade com que chegam as denúncias provenientes da PGR.

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Xadrez da contagem regressiva para 2018

Peça 1 – o jogo das expectativas sucessivas

Uma das retóricas recorrentes dos “cabeças de planilha” é a criação das expectativas sucessivas. Monta-se uma política monetária e fiscal que mata qualquer possibilidade de recuperação da economia e vende-se o mito da “lição de casa”. Ou seja, se cortar o leite da merenda escolar, a aposentadoria dos velhinhos, as políticas de renda mínima, se atingirá a prosperidade eterna, na qual todos ganharão.

Aplica-se o arrocho, e nada. Alega-se então que a lição de casa não foi suficientemente radical. Aplica-se nova rodada de cortes em cima dos direitos dos mais fracos, e nada. Até o momento em que o tecido social se esgarça, a paciência geral se esgota, as distorções econômicas se avolumam e o plano vai por água abaixo – por uma crise cambial, por uma crise fiscal, por terremotos sociais, por uma reação política.

Consumado o fracasso, a culpa é atribuía à falta de vontade dos pecadores, que não ousaram cumprir a penitência até o final.

Já se chegou a esse estágio.

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O Xadrez do “nosso” Sérgio Moro e a máfia dos transplantes

Peça 1 – o Sérgio Moro anti-tucano

“Pau que dá em Chico dá em Francisco”, diz o Procurador Geral da República Rodrigo Janot. Mas não dá em Aécio, Serra, Alckmin, Aloisio – porque não são Chico nem Francisco.

A parcialidade do Procurador Geral da República e da Lava Jato, leva parte da opinião pública a procurar um juiz de direito para chamar de seu, alguém que tenha a mesma parcialidade de Sérgio Moro, o mesmo espírito persecutório, o exercício permanente do sadismo blindado pelos instrumentos de Estado,  contra os que são enquadrados como adversários.

Que sirva de aviso para tucanos e petistas o que se passou em Poços de Caldas, no episódio conhecido como “a máfia dos transplantes”.

Lá, o alvo foi tucano, o ex-deputado federal Carlos Mosconi, ligado a Aécio Neves. E o Sérgio Moro de Poços foi o juiz de direito Narciso Alvarenga Monteiro de Castro.

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Xadrez da saudade de Lula

Peça 1 – a nostalgia de Lula

Como era previsível, há total incapacidade das forças que planejaram o golpe em montar qualquer projeto minimamente competitivo para 2018.

Não há uma estratégia para superar a crise econômica, mas apenas um projeto ideológico de desmonte do Estado de bem-estar.

O chamado mercado pouco está se lixando para as consequências futuras desse desmonte. Conseguiu-se uma maioria pontual para alterações na Constituição e é o que basta para despertar o espírito animal dos empresários. Demanda, desemprego, instabilidade política são detalhes irrelevantes para esses cabeças de planilha.

Têm-se, então, a seguinte anti-fórmula política dos grupos de poder:

1.     Um modelo cujo caminho para o paraíso consiste na eliminação de direitos sociais, deterioração dos serviços públicos e desmonte das políticas industriais.

2.     A não entrega do combinado: a recuperação da economia. Sequer a elaboração de uma utopia qualquer, capaz de dar sobrevida ao arrocho.

Por outro lado, a intensa campanha negativa da mídia logrou apagar da memória recente da opinião pública os anos de glória do segundo governo Lula. Com o aprofundamento da crise e a ampla incapacidade dos grupos de poder de recriar o sonho, já está havendo uma volta das lembranças dos anos dourados. A ofensiva contra a Lava Jato desnudará de vez a hipocrisia nacional.

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Xadrez de Paulo Hartung, o projeto piloto de Temer

Peça 1 – o fator Espírito Santo

Trava-se no Espírito Santo a primeira grande batalha de desmonte do estado brasileiro. O governador Paulo Hartung é o candidato ao teste piloto.

A crise fiscal do Estado não é de sua responsabilidade, mas da política econômica que começou com o pacote Joaquim Levy e foi agravada pelo boicote pré-impeachment e pela política econômica de Michel Temer, uma política suicida que não tem como objetivo a superação da crise, mas o uso da crise para o desmonte do Estado.

Posto ante o dilema da crise fiscal, a fórmula Hartung segue apenas o mainstream do Congresso, mídia e governo Temer. Foi incensado como exemplo do governante responsável poucos dias antes de consumado o desastre. Sua estratégia consistiu em:

·      Precarização dos serviços públicos e dos direitos sociais;

·      políticas de incentivos à atração de empresas sem avaliação custo-benefício.

·      nenhum diálogo com os setores afetados e despreocupação em amenizar os efeitos dos desmanches.

Hartung tornou-se um projeto piloto, um Michel Temer de laboratório. Se for derrotado pela PM o movimento se alastrará por todo o país. A rebelião da Polícia Militar é apenas o ensaio perigoso -- porque em uma corporação armada – das reações do funcionalismo público.

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Alexandre Moraes, a Transcooper e a advocacia administrativa

Há uma confusão sobre os serviços prestados por Alexandre de Moraes a uma cooperativa de vans supostamente controlada pelo PCC. O problema não são os clientes em si. Não se está demonizado a atuação do advogado que, como tal, pode defender Deus e o diabo, mas o possível uso do escritório como forma de contrapartida a favores conferidos aos clientes, enquanto titular de cargo público. Especialmente depois que se constata, em inúmeros episódios, que uma das formas mais reiteradas de corrupção política é a contratação de escritórios de advocacia ligados a autoridades, como acontece nos tribunais superiores, incluindo o próprio Supremo Tribunal Federal (STF), no Tribunal de Contas da União.

Como Secretário da Kassab, responsável pela regulação do transporte coletivo, Moraes tomou uma série de medidas polêmicas, algumas de amplo interesse da Transcooper – cooperativa supostamente controlada pelo PCC. Assim que deixou o governo e assumiu o escritório de advocacia, foi premiada com as ações cíveis da Transcooper, 123 apenas no Tribunal de Justiça de São Paulo, segundo os últimos levantamentos.

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Xadrez da fórmula Temer-Gilmar para a Lava Jato

Peça 1 – a descriminalização do caixa 2

O GGN foi o primeiro órgão de mídia a antecipar a estratégia política em relação a Lava Jato: a separação dos pagamentos em financiamento eleitoral via Caixa 2 e a propina propriamente dita (o pagamento em troca de um retorno objetivo, em geral percentual sobre obras públicas). A estratégia consistiria em descriminalizar o caixa 2 no segundo tempo do jogo.

O primeiro tempo foi o da destruição do PT e da destituição da presidente da República. O segundo tempo seria o do PSDB e demais autoridades com prerrogativa de foro.

1.     O caminho que está sendo montado é o de descriminalizar o caixa 2 sem permitir a retroatividade, para não beneficiar os réus do PT e os processos em andamento.

2.     Bloquear as delações que possam incriminar lideranças do PSDB nos esquemas de propinas.

3.     Montar uma estratégia de convencimento da opinião pública.

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Xadrez do conteúdo local e o desmonte de um projeto de nação

Peça 1 – Pedro Parente e as lições esquecidas

Em entrevista recente, o presidente da Petrobras Pedro Parente não viu diferenças entre empresas nacionais e estrangeiras. Deu como exemplo a indústria automobilística

Parente foi um dos grandes quadros gerados no serviço público. Depois, saiu para o setor privado, presidiu multinacionais do setor agrícola e se tornou um quadro da internacionalização. Deixou de ser um homem público. E, por tal, não se entenda apenas o brasileiro que trabalha no setor público. O Brasil já deu diversas vocações esplêndidas de empresários e executivos que, mesmo trabalhando apenas no setor privado, não perderam a dimensão de país: continuaram grandes brasileiros.

Não é o caso de Parente. Depois de uma carreira brilhante no setor público, inclusive como peça central para corrigir os estragos do “apagão”, foi para o setor privado, passou pela RBS, tornou-se presidente da Bunge e perdeu a dimensão de Brasil. Leia mais »

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Xadrez da criminalização dos fundos de pensão

Depois de arrebentar com o sistema de infraestrutura no país, o Ministério Público Federal prepara suas duas novas ofensivas: a desmoralização do BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social) e a criminalização dos fundos de pensão, através da Operação Greenfield.

Se não começar a ter um mínimo de discernimento, se não houver uma liderança bem informada, mostrando a importância de preservar setores, essa multiplicação de forças tarefas, com suas parcerias midiáticas, arrebentará com o que resta de perspectiva econômica do país.

Peça 1 – o papel dos fundos de pensão

Em todos os países desenvolvidos, os fundos de pensão são os principais investidores em projetos de infraestrutura, por suas características de longo prazo e rentabilidade estável.

Em economias desenvolvidas, o mercado de capitais é importante fonte de capitalização das empresas. Hoje em dia, nos Estados Unidos, o maior fator de renovação tecnológica são os chamados venture capital, investindo em startups (empresas recém-criadas).

No Brasil, embora ainda longe dos padrões internacionais, os fundos de pensão assumiram uma relevância enorme. Em abril de 2016, as 250 entidades tinham patrimônio total de R$ 721 bilhões, ou 12,6% do PIB nacional. Ou seja, em qualquer modelo econômico, são peças fundamentais para o financiamento da infraestrutura.

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Xadrez do candidato a Ministro do Supremo

Peça 1 – introito

Para melhor entendimento do governo Temer, considere-se, como ponto de partida, de que se trata de um grupo sem a menor compreensão dos rituais do poder. São mais amadores do que o PT em 2003.

Antes do golpe do impeachment, eram políticos cujo campo de atuação sempre foi o baixo clero da Câmara. Em outros tempos, havia deputados referenciais conduzindo por cima o baixo clero – como Delfim Neto, Paulo Maluf, Ulisses. Já o grupo de Temer se destaca entre os menores, como um dos seus, e sabendo distribuir parcimoniosamente os frutos das barganhas políticas e dos financiamentos obscuros.

Os senadores Romero Jucá e Renan Calheiros, poderiam ser considerados estadistas perto do núcleo de Temer: Michel, Geddel, Eliseu Padilha e Moreira Franco.

Prova maior foi a exposição de Temer aos manifestantes quando da visita a Lula ao Sírio Libanês. Qualquer governante com um mínimo de traquejo enviaria membros de seu staff pessoal para sondar o ambiente. A comitiva de Temer se baseou apenas em um telefonema ao hospital, para saber se havia manifestantes na porta.

Expôs Temer a uma enorme vaia.

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