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Cinema

Curta da Semana: "The Disappearance of Willie Bingham" - quando a justiça é privatizada, por Wilson Ferreira

por Wilson Ferreira

A atual agenda internacional das privatizações toma conta da grande mídia e do discurso de políticos e economistas. Preocupado com o alcance e consequências dessa panaceia que toma da opinião pública, o diretor australiano Matt Richards imaginou um futuro próximo no qual as privatizações alcançariam o sistemas judiciário, prisional e o próprio Estado de Direito. Resultado: o Direito e a Justiça viram commodities. E os limites entre a civilização e a barbárie começam a desaparecer. Combinando sci-fi, horror e humor negro, o curta “The Disappearance of Willie Bingham” (2015) mostra num futuro próximo na Austrália a “Amputação Progressiva”, nova forma de punição criada por um sistema judiciário privatizado que substitui a pena de morte, no qual a concessionária busca formas socialmente “sustentáveis” de punição: traga lucro para a empresa gestora, sirva de exemplos para “escolas problemáticas” e satisfaça o impulso de vingança das vítimas.

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A noite, a insônia e a vingança em "Animais Noturnos", por Wilson Ferreira

por Wilson Ferreira

“Animais Noturnos” (Nocturnal Animals, 2016) é uma delicioso conto de vingança. Não pelo sabor da violência da vingança em si, mas pelo caminho pela qual ela trilha: a insônia e as memórias. Ao fazer uma adaptação do livro de Austin Wright, o diretor Tom Ford produz mais um filme de uma recorrente mitologia gnóstica que envolve a insônia e a noite no cinema – momentos em que as ilusões e as aparências do dia são dissolvidos pelo silêncio noturno. A privação do sono como desencadeador daquilo que queremos esquecer: as diversas camadas de realidade do presente e do passado – culpa, remorso e as oportunidades perdidas de uma protagonista que esqueceu o idealismo da juventude em troca de uma vida materialmente bem sucedida como empresária do mercado de arte. Até receber os originais de um novo romance, um thriller brutal sobre uma família perseguida por uma gangue no Oeste do Texas que a fará fazer uma acerto de contas com suas escolhas na vida.

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"Animas Noturnos" (Nocturnal Animals, 2016) - trailer legendado
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Canal europeu lança documentário sobre o recuo da democracia no Brasil

Por Xandra Stefanel
 
 
“Uma crise profunda”, “uma cativante radiografia das mudanças em curso, entre o recuo democrático e a resistência”. É assim que o canal público de TV franco-alemão ARTE descreve o documentário Brésil – Le Grand Bond Arrière, do francês, Brasil – O Grande Passo para Trás, que apresenta os protagonistas do golpe contra a presidenta Dilma Rousseff, as consequências alarmantes para a população brasileira e o movimento de resistência popular que vem ganhando força.
 
Com pouco mais de 55 minutos de duração, o filme dirigido por Frédérique Zingaro e Mathilde Bonnassieux mostra ao público europeu o quanto o Brasil retrocedeu em tão pouco tempo. “Menos de um ano e meio de sua eleição, apesar das 54 milhões de pessoas que lhe depositaram sua confiança para um segundo mandato, alguns celebram, outros denunciam um golpe de Estado, mas, em todo o país, a sensação é de mal-estar. Os deputados que deveriam representar e trabalhar pelo futuro do Brasil votaram em nome de suas famílias, de seus filhos, de suas mulheres e de suas religiões, e não em nome do povo ou do país. Pela primeira vez, o povo viu a verdadeira cara de seus políticos”, narra o documentário já nos primeiros minutos.
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Em "Mãe!" o conflito cósmico no psiquismo de cada um de nós, por Wilson Ferreira

por Wilson Ferreira

Com “Mãe!” (Mother!, 2017), o diretor Darren Aronofsky (“Pi”, “Fonte da Vida” e “Noé”) confundiu crítica e público: enquanto os distribuidores classificavam o filme como “terror” ou “mistério” para o público, os críticos tentam entendê-lo como alguma coisa entre Polanski e De Palma. Mais uma vez, o diretor desafia a todos com sua hermética simbologia herética e gnóstica com incursões pela mitologia judaica, cabalística e cristã. A novidade é que “Mãe!” alcança o nível mais alto de abstração da carreira cinematográfica de Aronofsky ao transformar um casarão em metáfora do centro do conflito da Cosmologia gnóstica: a tensão entre Sophia (o Feminino Divino) e o Demiurgo (a divindade inferior com os seus agentes, os Arcontes). Conflito que acompanha o mundo desde a sua Queda, Criação, Destruição e Recomeço. E o mistério que envolve os moradores daquele casarão (um poeta e sua esposa) como a parábola de como essa tensão cósmica se reflete no psiquismo de cada um de nós.

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"Mãe!" ("Mother", Darren Aronofsky, 2017) - trailer legendado
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Blade Runner 2, por Fábio de Oliveira Ribeiro

Blade Runner 2, por Fábio de Oliveira Ribeiro

A muito esperada sequência de Blade Runner não desaponta. Além de cenas de ação bem coreografadas, o filme brinca com temas sérios.

A erotização do cotidiano e a transformação do sexo em mercadoria ocorre em três planos. Prostituição de replicantes, compra e venda de amantes virtuais holográficas e a superposição de ambas numa cena que evoca um fenômeno psicológico bem conhecido: a idealização da parceria e a projeção desta na pessoa com quem nos relacionamos.

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A capilaridade do Poder em um boteco no filme "O Bar", por Wilson Ferreira

por Wilson Ferreira

Por meio da violência, excesso e humor negro, “O Bar” (“El Bar”, 2017) do diretor espanhol Álex de la Iglesia (conhecido como o “Tarantino espanhol”), é o reflexo dos tempos atuais onde temos a sensação de que a qualquer hora tudo pode vir abaixo. O que poderia acontecer em mais uma manhã rotineira e aborrecida em um bar de Madrid? Repentinamente, um grupo fica preso em um boteco, olhando pela vitrine um cenário semi-apocalíptico. Aos poucos, as pessoas aparentemente normais desse grupo vão se tornando cruéis, misóginas, violentas e fascistoides. Mas o filme evita cair no clichê de uma suposta fatalidade da “natureza humana” – na verdade o bar é um microcosmo no qual os indivíduos, quando confrontados com uma situação de crise com seus medos e reações, simplesmente replicam o discurso que o Estado e a mídia descrevem a própria sociedade. Foucault chamava isso de "capilaridade" ou "microfísica do Poder". Filme disponível no Netflix.  

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"El Bar" (Álex de la Iglesia, 2017) - trailer
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O Jovem Marx, por Fábio de Oliveira Ribeiro

O Jovem Marx

por Fábio de Oliveira Ribeiro

O filme O Jovem Marx já está disponível no YouTube com legendas em português.

Quatro coisas chamam atenção no filme. A primeira é a simetria inversa dos dois casais. Sempre sem dinheiro, o judeu Marx é casado com Jenny von Westphalen, aristocrata alemã que trocou o luxo pela pobreza. Filho de um rico industrial inglês Engels se casa com Lizzie Burns, irlandesa pobre que se recusa a abandonar sua condição.

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Wokesploitation é a fronteira final do reality show em "Esta é a Sua Morte"

Wokesploitation é a fronteira final do reality show em "Esta é a Sua Morte"

Por Wilson Ferreira

Depois de explorar as mazelas do sexo e da vida, a última fronteira da TV é a morte. Mas não a das vítimas, mas daqueles que querem dar cabo das suas próprias vidas. Depois de décadas de críticas e sátiras cinematográficas ao gênero televisivo do reality show, “Essa é a Sua Morte” (2017) evoca a tendência atual do “Wokesploitation” – chamar a atenção das injustiças da mídia e sociedade por meio da hiper-violência e muito sangue, como na franquia “Uma Noite de Crime”. Mas é um reality show sobre suicidas endividados através do viés “camp”, “trash” como fosse uma típica “soap opera” norte-americana. Um filme que vai além da crítica ao reality show: mostra a fase terminal da TV, agora obcecada em procurar de forma tautista “a realidade do real” numa sociedade na qual a morte se tornou mais lucrativa do que a vida, seja no sistema econômico quanto no político.

O gênero televisivo reality show já foi desconstruído e virado ao avesso pelo cinema, desde o clássicos gnósticos Show de Truman e EdTV que suscitavam discussões espirituais e existenciais. 

Porém, o século XXI a tendência foi a desconstrução a partir do viés chamado “wokesploitation”: despertar a consciência crítica do espectador para as injustiças da indústria do entretenimento através da hiper-violência, sangue e tripas – forçar o espectador a abrir os olhos. Mas, paradoxalmente, oferecendo ao mesmo tempo o prazer voyeurista que é a essência do reality show.

 

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"Esta é a Sua Morte" (This is Your Death, 2017) - trailer legendado
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O estranho que se esconde no cotidiano em Survivor Style 5+, por Wilson Ferreira

por Wilson Ferreira

Cinco modos de sobrevivência. Um marido que não consegue matar a esposa; uma dupla de ladrões gays enrustidos; uma criativa que produz vídeos publicitários que só ela consegue gostar; um pai de família que pensa ser uma pomba depois de um show de hipnose mal sucedido; e um assassino de aluguel que faz a mesma pergunta a todos que querem contratá-lo: “qual a sua função na vida?”. Mas sobreviver a quê? Ao cumprimento obrigatório dos papéis familiares, de gênero, profissionais, familiares etc. Esse é o estranho e bizarro filme japonês “Survivor Style 5+” (2004) uma avalanche de alusões, referencias e metalinguagens de “O Iluminado”, “Laranja Mecânica”, Kubrick, Tarantino e Guy Ritchie. Onde, em questão de segundos, a narrativa vai dos extremos do assustador e da comédia. “Survivor Style 5+” revela não só como a cultura pop japonesa liquefaz toda a cultura Ocidental como também, através da estética do chamado “filme estranho” ("Weird Movies"), chama a atenção para o mal estar que coexiste no cotidiano não só japonês, mas da sociedade em geral. 

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"Survive Style 5+" (Gen Sekiguchi, 2004) - trailer
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A gnose de um fantasma em "A Ghost Story", por Wilson Ferreira

por Wilson Ferreira

Muitas religiões falam de um ponto entre a vida e a morte no qual vagam, entre os vivos, fantasmas daqueles que por algum motivo não conseguem deixar esse mundo. Mas “A Ghost Story” (2017) nos apresenta um fantasma diferente: um jovem morto prematuramente coberto por um lençol como um fantasma de Halloween. Um observador silencioso preso a uma casa que vê moradores chegando e mudando-se. Um filme sobre a percepção do tempo e a permanência. O que o prende naquela casa, silenciosamente observando os vivos? Talvez, os mesmos motivos que fazem os vivos serem prisioneiros dessa vida, sem jamais alcançarem a gnose. E como as questões nietzschianas como a morte de Deus e o eterno retorno permeiam a angústia existente tanto nos vivos como nos mortos. 

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"A Ghost Story" (David Lowery, 2017) - trailer
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O Assassino: o primeiro alvo, por Fábio de Oliveira Ribeiro

O Assassino: o primeiro alvo,

por Fábio de Oliveira Ribeiro

Este é um típico faroeste pós-moderno filmado com o objetivo de reacender a guerra fria entre os EUA e o Irã. Os índios malvados são iranianos que pretendem construir uma bomba nuclear. Um pistoleiro solitário psicopata, típico personagem dos filmes de John Huston, vai ter caçá-los usando ultra-violência.

Mas para fazer isto o herói terá que enfrentar outro pistoleiro norte-americano psicopata. Um que jogou o patriotismo na lata do lixo em troca do dinheiro.

Os iranianos malvados também são combatidos por iranianos bonzinhos. Como nos faroestes da década de 1960 o mocinho sempre é ajudado por índios que são mais do que apenas índios. Obviamente, como sempre ocorre num bom e previsível e melodramático faroeste espaguete, os aliados indígenas do herói morrem e o pistoleiro sobrevive.

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Mídia contamina fronteira entre sanidade e loucura em "O Sinal", por Wilson Ferreira

por Wilson Ferreira

Desde “A Noite dos Mortos Vivos” (1968), filmes sobre pragas zumbis e contaminações virais se consolidaram como um subgênero do terror com uma característica recorrente: o foco narrativo sempre está nos sobreviventes ou cientistas que tentam salvar o mundo através da racionalidade ou da coragem. “O Sinal” (The Signal, 2007) subverte esse cânone do terror: o que aconteceria se um filme se concentrasse no ponto de vista dos zumbis? Como eles veem a si mesmos? Para eles quais seriam as fronteiras entre normalidade e loucura? O resultado é um filme sem heróis: apenas pessoas normais que não possuem a menor consciência de que foram contaminados por um misterioso sinal transmitido pela TV e dispositivos de áudio como CD players e de comunicação como telefones e rádios. “O Sinal” apaga a fronteira entre a normalidade e a loucura. Mas não espere zumbis canibais se arrastando pelas ruas – apenas pessoas aparentemente normais e até com intenções altruístas. Mas de repente podem matar impiedosamente aqueles que supostamente estejam no caminho da sua felicidade.

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O Sinal (The Signal, 2007) - trailer
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Estrada para as estrelas

O Telescópio Espacial Hubble foi lançado em abril de 1990 https://pt.wikipedia.org/wiki/Telesc%C3%B3pio_espacial_Hubble. Uma espetacular inovação tecnológica do fim do século XX, o Hubble ainda não envelheceu. Aos 27 anos de idade o telescópio espacial se incorporou ao cotidiano de bilhões de pessoas que nasceram antes e depois dele ser colocado em órbita, tanto que raramente alguém se interessa pela evolução do conceito que possibilitou sua construção. Em geral as pessoas se interessam apenas pelas imagens que Hubble produziu e produz https://www.nasa.gov/mission_pages/hubble/main/index.html.

O Hubble é operado à distância. Isto certamente facilita a vida dos pesquisadores que, confortavelmente instalados na frente da tela do computador, realizam pesquisas utilizando-o para obter imagens detalhadas daquele pedacinho do céu que resolveram observar e mapear. Leia mais »

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"Onde Está Segunda?" faz elogio subliminar do controle populacional, por Wilson Ferreira

por Wilson Ferreira

Em sua época, filmes distópicos como “Farenheit 451” (1966) e “Planeta dos Macacos” (1968) foram denúncias de como a sociedade estaria próxima de futuros sistemas totalitários. Hoje, esse subgênero sci-fi entregou-se à crítica moralista, ao maniqueísmo e a pura propaganda subliminar da agenda científica dominante. A produção Netflix “Onde Está Segunda?” (What Happened to Monday, 2017) é o exemplo mais flagrante: em um futuro próximo no qual a explosão populacional levou ao esgotamento dos recursos do planeta e os alimentos transgênicos salvaram a humanidade da fome, a Natureza veio cobrar seu preço – o efeito colateral dos alimentos geneticamente modificados foi o explosivo nascimento de gêmeos, agravando o problema populacional. É criada a “Lei de Alocação Infantil”: cada casal pode ter apenas um filho. Os irmãos excedentes são confinados em ambiente criogênico. E os cidadãos são submetidos a vigilância implacável de uma agência. O filme deixa a tese do controle populacional fora de qualquer crítica. A Ciência chega ao Poder numa política de terra arrasada, sem qualquer discussão ou questionamento. Congelar crianças (pobres) excedentes? OK! O problema é apenas a cientista vilã que gerencia o processo: corrupta, má e ambiciosa. Filme sugerido pelo nosso leitor Dudu Guerreiro.

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"Onde Está Segunda?" (What Happened to Monday?, 2017) - trailer legendado
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Os Panteras Negras: Vanguarda da Revolução

Enviado por Almeida

Filme legendado de 2015

“Informantes da polícia, jornalistas, simpatizantes e detratores contribuíram para a realização deste [precioso] documentário sobre a história do Partido dos Panteras Negras”.

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