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Ressurreição de Tolstói e o Brasil hoje, por Urariano Mota

Ressurreição de Tolstói e o Brasil hoje

por Urariano Mota

Para mim, a palestra de Rubens Figueiredo foi o ponto luminoso da Bienal Internacional do Livro de Pernambuco. Ali, ele nos falou sobre Ressurreição, o imenso e mais caluniado romance de Toltói. Na ocasião, o tradutor e escritor Rubens Figueiredo nos afirmou: 

“Ressurreição focaliza o sistema judiciário e prisional da Rússia. Mas não há como atenuar o caráter opressivo e discriminador da sociedade, em todo o mundo”. Ou como nos informa na Apresentação do livro: “A reputação de romance de tese e de cunho evangélico foi útil no curso das polêmicas ideológicas do século XX, a fim de desviar a potência crítica que o livro contém” – a da crítica mais profunda ao sistema de justiça sob o capitalismo, podemos ver. 

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Justiça às avessas, por Frei Betto

Foto: Reprodução

Por Frei Betto

O ator de filmes pornô, Alexandre Frota, declarou em programa de TV, em 2015, que estuprou uma mãe de santo até ela desmaiar. Como era de se esperar, Eleonora Menicucci, então à frente do Ministério das Mulheres, repudiou a apologia ao crime.

Em maio de 2016, o ministro da Educação do governo Temer, Mendonça Filho, recebeu em audiência Alexandre Frota, para ouvir propostas para a educação básica e defender o projeto "Escola sem partidos" (exceto os conservadores).

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Suicídio do reitor: “Agora, é claro, não aparecerá responsável”, por Marcelo Auler

Por Marcelo Auler

Preocupado em não descumprir a ordem judicial que o impedia de acessar documentos do caso em que foi envolvido e de voltar à Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) – à qual esteve ligado nos últimos 12 anos e desenvolveu uma “carreira meteórica” até ser eleito reitor –  Luis Carlos Cancellier de Olivo, 59 anos, o Cau,  isolou-se em casa, após deixar o presídio na tarde de sexta-feira, dia 15 de setembro.

Temia, como admite seu irmão mais velho, Acioli, descumprir a ordem do juízo: “ele morava a cerca de 20 metros da universidade. Atravessava a rua e entrava na universidade. Ou seja, se atravessasse a rua descumpria a ordem e corria o risco de ser preso”, resume o primogênito da família, 67 anos, doutor em engenharia mecânica e aeronáutica pelo ITA que, mesmo aposentado, continua a residir em São José dos Campos (SP).

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Lava Jato, o caso do reitor e a banalização do mal, por Luis Nassif

Assim como o Ministro Luís Roberto Barroso, o reitor Luiz Carlos Cancelier de Olivo, da Universidade Federal de Santa Catarina, era advogado. Como Barroso, também era professor. E, da mesma maneira que Barroso, defendia a Lava Jato.

Havia diferenças. As opiniões de Cancelier eram restritas ao seu entorno; as de Barroso ecoam pelo país e servem de ração vitaminada para o fortalecimento da convicção dos pittbulls do direito, de que todos os abusos serão perdoados.

A Lava Jato era para ser o teto, o momento excepcional em que se poderiam cometer todas as atrocidades legais, porque a serviço de uma missão santa: a destruição de um partido político. Mas depois de provar carne fresca, quem trará de volta as hienas para o cercado das restrições legais?

Analise-se essa delegada Erika Marena.

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Eleições democráticas na Venezuela, por Marcelo Uchôa

Foto: Jornal Económico
 
 
 
Por Marcelo Uchôa
 
Com perplexidade o mundo vem assistindo a uma profunda transformação na geopolítica da América Latina nos últimos anos. Se a virada do século XX para o século XXI consolidou a democracia como regime estruturante na maior parte das nações e a ascendência de governos populares alinhados a pautas sociais e nacionalistas, o cenário atual apresenta, como reação ao desenvolvimento, a inclusão social e ao empoderamento geopolítico de certos países obtidos no período, uma onda de retrocesso pensada, no continente, a partir do exterior, pelo mercado financeiro e potências hegemônicas, e posto em prática através dos tradicionais aliados regionais, isto é, aristocratas da mídia, do judiciário, do parlamento e das classes políticas descomprometidas com o povo e a soberania dos próprios países.
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Carta ao General Mourão, por J. Carlos de Assis

Foto: Divulgação

Por José Carlos de Assis

CARTA AO GENERAL MOURÃO

Prezado General,

                Condenado pelo imperador a suicidar-se, Petonius escreveu-lhe um bilhete dizendo que dele havia perdoado tudo, até os crimes, menos o de ter sido obrigado a ouvir e fingir aplaudir seus poemas medíocres e maçantes. Digo algo similar sobre sua palestra no Instituto Rio Branco. Concordo com muitas coisas que disse, inclusive na sua ênfase na crítica a instituições republicanas moribundas, mas não me venha ditar regras em economia. Meu caro general, sendo economista político há mais de 40 anos, nunca me meti em estratégia militar. Respeitemo-nos, portanto.

                Vou começar por nossa discordância fundamental no campo econômico, para depois destacar alguns pontos em que, de certa forma, concordamos. Ao contrário do que o senhor pensa, o Estado não é uma dona de casa. O Estado, ao contrário da dona de casa, não só pode mas deve gastar mais do que arrecada, sobretudo em situações de depressão. A propósito: a dona de casa também faz isso quando compra a crédito. Portando, o senhor seguiu uma analogia vulgar disseminada pelos neoliberais que querem o equilíbrio de contas do Estado exclusivamente para pagar juros extorsivos, como é o nosso caso.

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A ilusória “desglobalização”, por Boaventura de Sousa Santos

Imagem: Adrian Paci, Centro de Permanência Provisória (2007)
 
 
Por Boaventura de Sousa Santos 
 
 
Em círculos acadêmicos e em artigos de opinião nos grandes meios de comunicação tem sido frequentemente referido que estamos entrando num período de reversão dos processos de globalização que dominaram a economia, a política, a cultura e as relações internacionais nos últimos cinquenta anos. Entende-se por globalização a intensificação de interações transnacionais para além do que sempre foram as relações entre Estados nacionais, as relações internacionais, ou as relações no interior dos impérios, tanto antigos como modernos. São interações que não são, em geral, protagonizadas pelos Estados, mas antes por agentes econômicos e sociais nos mais diversos domínios. Quando são protagonizadas pelos Estados, visam cercear a soberania do Estado na regulação social, sejam os tratados de livre comércio, a integração regional, de que União Europeia (UE) é um bom exemplo, ou a criação de agências financeiras multilaterais, tais como o Banco Mundial e o FMI.
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O STF diante do “banco de corrupção de políticos”, por Jeferson Miola

 
Foto: EBC
 
 
 
Por Jeferson Miola
 
Lúcio Funaro, o operador da Organização Criminosa [OrCrim] integrada por Temer, Cunha, Padilha, Moreira Franco, Geddel [PMDB] & outros criminosos que, com o auxílio do PSDB presidido por Aécio Neves, conspirou contra o mandato da Presidente Dilma para tomar de assalto o poder, revelou que Eduardo Cunha funcionava como um "banco da corrupção de políticos".
 
O operador da OrCrim revelou que "todo mundo que precisava de recursos pedia pra ele [Eduardo Cunha] e ele cedia os recursos, e em troca mandava no mandato do cara, era assim que funcionava".

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Compromisso constitucional, por Oscar Vilhena Vieira

Foto: Lula Marques/Folhapress

Jornal GGN - Oscar Vilhena Vieira, doutor pela USP e Universidade de Oxford, citou em artigo na Folha, divulgado neste sábado (14), duas obras que ajudam a desmistificar a ideia de que há direitos sociais demais previstos na Constituição de 1988 e isso seria parte do motivo do rombo nas contas públicas. Vieira aproveita para lembrar que aos 29 anos, a Constituição vem sofrendo ataques.

"A questão que se coloca, porém, é se neste momento de crise devemos reafirmar nosso compromisso constitucional, nos concentrar na remoção dos verdadeiros obstáculos à 'construção de uma sociedade mais justa', ou simples e cinicamente abandonar o projeto de nação concebido pela Constituição?"

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Fim da História ou transição ao socialismo?, por Ion de Andrade

Por Ion de Andrade

Tempos de perplexidade, a ideia de transição para algo que vá além dos marcos do capitalismo parece, desde a queda do muro de Berlim, caminhar para os livros de mitologia. Parte da esquerda abandonou a ideia do socialismo o que exprime, após um século de revoluções precedido de outro de “luzes” teóricas, a ideia de que estaríamos rendidos a um “fim da história”, à vitória total de um capitalismo que teríamos apenas que humanizar.

Entretanto, a explosão de interesses por obras como “O Jovem Karl Marx” ou a popularidade de Zizek, mostram que as brasas não estão frias e que o socialismo continua atraindo o interesse de muitos. Esses interessados intuem que o declínio contemporâneo das ideias do socialismo é passageiro, continuam socialistas e aguardam fatos novos ou novas concepções que possam repor a engrenagem em marcha.

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O filme Vazante e a escravidão, por Urariano Mota

O filme Vazante e a escravidão

por Urariano Mota

Sobre Vazante, o crítico Inácio Araujo, da Folha de São Paulo,  escreveu no  texto, que a partir do título “Submersa em esteticismo, obra aplaina horror da escravidão” é um achado:

“O filme de Daniela Thomas buscou reconstituição esmerada de 1821, atores estrangeiros, referências iconográficas precisas, locações cuidadosamente escolhidas. E, no entanto... deixa escapar qualquer possibilidade de retratar com força o tráfico e a sociedade escravocrata, a opressão étnica e patriarcal.

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STF: engasgos e tropeços mantêm a crise, por Walter Sorrentino


Foto: STF

Por Walter Sorrentino

A sessão de ontem (11 de outubro) do pleno do STF deliberou que o Poder Judiciário dispõe de competência para impor, por autoridade própria, medidas cautelares que não a prisão a deputados e senadores — mas, se essas medidas restringirem o exercício regular do mandato parlamentar, como o afastamento do cargo, caberá ao Congresso Nacional decidir, em um juízo político, se aplicará ou não a decisão judicial. O Ministro Marco Aurélio Mello foi o único a votar no sentido de que ao Judiciário não cabe aplicar a parlamentares as medidas cautelares.

Nesse ponto, o placar foi de 10 votos a 1. O julgamento, então, prosseguiu e terminou em 6 a 5, com o voto de minerva da presidente do STF, Ministra Cármen Lúcia. Uma sessão anterior da 1a. Turma do STF havia decidido impor ao Senador Aécio Neves o afastamento do mandato e o recolhimento domiciliar noturno.

Nesse episódio destacam-se, entre outros, alguns aspectos altamente didáticos. Mais do que decidir a favor ou contra o Senador Aécio Neves, o julgamento tratou de uma questão essencialmente de Estado, e resultado inverso agravaria, sem dúvida, o caos político-institucional instalado o país.

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A crise estrutural no Estado do Espírito Santo, por Rodrigo Medeiros

A crise estrutural no Estado do Espírito Santo

Por Rodrigo Medeiros*

Tendo acumulado passivos sociais e ambientais, o Estado do Espírito Santo precisa repensar os caminhos do seu desenvolvimento. A grave crise da segurança pública capixaba, que estourou em fevereiro, sinalizou para o fato de que devemos estar bem atentos para os problemas estruturais acumulados. Nesse sentido, diálogo, debate plural e responsabilidade social ganham um grande destaque na articulação de políticas públicas.

O documento construído pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), o “Atlas da Violência 2017”, mostrou que o Espírito Santo conseguiu reduzir sua taxa de homicídios entre 2005 e 2015, em 21,5%. Essa taxa, de 36,9 por 100 mil habitantes, ainda está acima da ruim média brasileira, que é de 28,9 por 100 mil habitantes. Esse dramático quadro é considerado como de guerra civil pelos especialistas no assunto. Portanto, não deveria causar espanto que a produtividade da economia não cresça nesse contexto de violência e que as instituições funcionem insatisfatoriamente (aqui).

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"Melhor que tivessem ficado caladas", diz Kennedy Alencar a associações que negam suicídio de reitor

Foto: Agência Brasil
 
 
 
Jornal GGN - O jornalista Kennedy Alencar publicou artigo nesta terça (10) criticando a postura de seis entidades de classe que representam setores que atuam na operação Ouvidos Moucos. Em nota, essas instituições disseram que a morte do reitor da UFSC, Luiz Carlos Concellier, foi uma "tragédia pessoal" que não deveria ser explorada por grupos que consideram o suicídio decorrência do abuso de autoridade.
 
"A reação de Cancellier foi a de alguém que se sentiu injustamente acusado e envergonhado pelo episódio ao qual foi submetido", disse Kennedy. "Melhor que as seis entidades tivessem ficado caladas. Elas deveriam usar esse caso para fazer uma autocrítica a respeito de eventuais abusos e linchamentos públicos. Realizam operações e dão entrevistas no dia seguinte fazendo um julgamento sumário dos acusados. Será que não valeria uma reflexão para saber se algum erro foi cometido?", disparou.
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A estética como política: às margens da literatura contemporânea, por Rogério Mattos

do Colunas Tortas

A estética como política: às margens da literatura contemporânea

Para Rancière, arte implica na constituição das formas de vida “comum”, passa pela constituição da voz àqueles que só podem murmurar ou fazer barulho.

Considerações sobre o texto de Jacques Rancière, A estética como política, publicada na revista Devires (volume 7, 2010), especificamente dos parágrafos transcritos abaixo.

por Rogério Mattos

A política, de fato, não é o exercício do poder, ou a luta pelo poder. É a configuração de um espaço específico, a partilha de uma esfera particular de experiência, de objetos colocados como comuns e originários de uma decisão comum, de sujeitos reconhecidos como capazes de designar esses objetos e argumentar a respeito deles. (…) O homem, diz Aristóteles, é político porque possui a palavra que partilha o justo e o injusto, enquanto o animal só tem a voz que indica prazer e dor. Mas toda a questão consiste, então, em saber quem tem a palavra e quem tem apenas voz. Em todos os tempos, a recusa a considerar algumas categorias de pessoas como seres políticos passou pela recusa a ouvir os sons que saíam de suas bocas como discurso. Ou passou pela constatação de suas incapacidades materiais para ocupar o espaço-tempo das coisas políticas. Os artesãos, diz Platão, não têm tempo para estar em outro lugar que não o de seu trabalho. Esse “alhures” onde não podem estar é, evidentemente, a assembleia do povo. A “falta de tempo” é, de fato, o interdito naturalizado, inscrito nas próprias formas da experiência sensível.

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