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Análise

Da luta de classes à função do BNDES, entrevistas com Jessé Souza e Thiago Mitidieri

Jornal GGN - Duas entrevistas neste bloco: Jessé Souza falando sobre seu novo livro e Thiago Mitidieri analisando a situação do BNDES.

Jessé Souza e seu novo livro, “A elite do atraso: da escravidão à Lava Jato“, que chega esta semana às livrarias, concede entrevista a Luis Nassif. O professor de Ciência Política da Universidade Federal Fluminense, entendeu a importância de construção em perspectivas históricas das classes sociais que temos, um panorama da dominação e da precarização da vida de 80% dos brasileiros.

Jessé buscou entender como foi que a elite conseguiu cooptar a classe média? Este foi a jogada sofisticada desta elite nas primeiras décadas do século XX, mantendo uma coisa que vem desde o tempo da escravidão. E tudo baseado no ódio ao pobre.

A tese do livro é que isso não vem de Portugal, onde não havia escravidão, e a esquerda caiu nesse conto confuso pois foi colonizada pelo pensamento de direita.

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Estamos já em plena ditadura civil rumo à militar?, por Leonardo Boff

Foto: EBC

Por Leonardo Boff

Estamos já em plena ditadura civil rumo à militar?

O que vivemos atualmente no Brasil não pode sequer ser chamado de democracia de baixíssma intensidade. Se tomarmos como referência mínima de uma democracia sua relação para com o povo, o portador originário do poder, então ela se nega a si mesma e se mostra como farsa.

Para as decisões que afetam profundamente o povo, não se discutiu com a sociedade civil, sequer se ouviram movimentos sociais e os corpos de saber espcializado: o salário mínimo, a legislação trabalhista, a previdência social, as novas regras para a saúde e a educaão, as privatizações de bens públicos fundamentais como é, por exemplo, a Eletrobrás e campos importantes de petróleo do pré-sal, bem como as leis de definem a demarcação das terras indígenas e, o que é um verdadeiro atentado à soberania nacional, a permissão de venda de terras amazônicas a estrangeiros e a entrega de vasta região da Amazônia para a exploração de variados minérios a empresas estrangeiras.

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Golpe e ditadura militar seriam alternativas aos problemas atuais do Brasil? Por Ceci Juruá

Foto: Agência Brasil
 
 
Por Ceci Juruá
 
Certamente não, diz a quase unanimidade dos intelectuais e cientistas sociais do Brasil. E eu me incluo neste grupo, com a convicção de quem sempre lutou nas hostes democráticas.
Mas ainda, amparada no conhecimento de nossa história e na vivência e resistência a dois golpes de Estado, 1964 e 2016, eu me pergunto: golpe? Para quê? Para quem?
 
-Não há mais democracia O golpe já ocorreu, em 2016, destruiu o embrião democrático que minha geração pensou estar nutrindo, resultado da fertilização de quatro décadas em que: a)
organizamos os movimentos sociais pró-democracia, b) inserimos na Constituição de 1988 os tão sonhados direitos universais e os direitos trabalhistas e sociais, c) obtivemos avanços qualitativos nos setores da Cultura, Educação e Saúde, d) enfrentamos as desigualdades de renda e de oportunidades características do subdesenvolvimento.
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A histeria da nova extrema direita brasileira e os perigos à vista, por Bruno Lima Rocha

A histeria da nova extrema direita brasileira e os perigos à vista

por Bruno Lima Rocha

É urgente debatermos o conceito de hegemonia e colocar sobre o tabuleiro de possibilidades os diversos flancos abertos pelas esquerdas brasileiras para o avanço de facções retrógradas, ainda que disseminadas através de redes sociais e com linguagem pós-moderna. O caso citado abaixo materializa este conceito e o debate consecutivo.

No domingo, dia 10 de setembro, o Santander Cultural (operando como museu e com mostras permanentes no centro de Porto Alegre) encerrou de forma prematura a mostra Queermuseu – Cartografias da Diferença na Arte Brasileira. Prevista para durar até 08 de outubro – data consagrada como o martírio de Che Guevara na Bolívia -, a exposição de artes plásticas e visuais, tendo como curador o respeitadíssimo Gaudêncio Fidelis, foi o epicentro de mais uma polêmica conservadora na Província de São Pedro. Mais do que debater se as obras eram aptas ou não para visitação escolar, do ponto de vista estratégico, foi um momento singular na disputa pela legitimidade no espaço público brasileiro contemporâneo.

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Imagens

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Não é falta de interpretação de texto, por Adriana Marino

do Psicanalistas pela Democracia

Não é falta de interpretação de texto

por Adriana Marino

Reorientação. Re-orientação. (re)orientação. Está escrito e assinado pelo juiz do Distrito Federal, Waldemar Cláudio de Carvalho, que profissionais da Psicologia poderão promover “estudos ou atendimento de (re)orientação sexual” (sic.). Se o restante da liminar apenas reitera o que o Código de Ética e as normas do Conselho Federal de Psicologia, bem como repete demais diretrizes nacionais e internacionais sobre o tema, como a própria Constituição Federal e a Organização Mundial de Saúde, não haveria o porquê dessa liminar. O que precisa ficar claro, então, encontra-se neste termo: “reorientação sexual”.

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A esquerda e a ameaça da conciliação no Brasil pós 2018, por Ricardo Graz

É crucial nos valermos de nossa experiência e do exemplo de outras sociedades para evitar repetir erros. Com Lula sob risco de ser preso politicamente para ser anulado, a esquerda tem lições valiosas a reter da história econômica recente (Foto Ricardo Stuckert)

do Brasil Debate

A esquerda e a ameaça da conciliação no Brasil pós 2018

por Ricardo Graz

O debate sobre a posição do ex-presidente Lula numa possível eleição em 2018 suscita uma análise crítica sobre riscos socioeconômicos da chamada conciliação como forma de garantir estabilidade política ao país. Caso esta conciliação suponha manter políticas econômicas neoliberais, a eleição representará a complementação do golpe jurídico-parlamentar de 2016. Significará o êxito de um retrocesso sem precedentes ao qual o Brasil foi submetido em curtíssimo espaço de tempo, do tamanho de uma intervenção de natureza colonial, cuja aceitação pela sociedade brasileira merece reflexão sobre o estado de letargia a que a nação parece ter chegado e sobre os caminhos de superação que a esquerda deve oferecer.

O físico Carl Sagan se notabilizou descrevendo o comportamento de sociedades pré-científicas que se guiavam por crenças de fácil assimilação que mobilizavam as populações. Exemplo famoso dessas crenças é a de povos que, tomados pelo pavor de que o eclipse do sol fosse motivado por uma entidade que devoraria o astro, iam às ruas fustigá-lo com sons de tambores e gritos, e comemoravam como salvadores da lavoura quando o eclipse terminava.

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A democracia e Poderes na visão de Montesquieu para entender política atual


Foto: Divulgação

Por Alberto Nasiasene

Não chegou até Montesquieu e ficou parado em Maquiavel 

Comentário à publicação "Sem um Estado forte, outro Poder mandará, por André Araújo"

O autor do artigo confunde Estado forte, com executivo forte. No meu entender, erro crasso, em se tratando do mundo político democrático e constitucional em pleno século XXI. É preciso ir muito além de Maquiavel e, pelo menos, chegar a Montesquieu e o Espírito das Leis que define a tripartite separação de poderes que o Brasil incorporou em sua cultura política republicana desde o final do século XIX.

Importante ressaltar que o executivo no presidencialismo constitucional que vivemos há décadas, de modo algum pode ser comparado com o Príncipe de Maquiavel. Além disso, não se pode esquecer que Maquiavel, que viveu no século XVI, estava exilado de sua cidade Estado (coisa que não temos em nosso contexto), Florença. Portanto, esta história de homem forte de um Estado forte confundido com o poder executivo, só uma única vez se concretizou, no livro de Maquiavel. Entretanto, é bom não esquecer que este livro foi escrito para bajular a família Médici (os detentores do capital financeiro desta casa italiana que fizeram o mecenato que é parte do Renascimento e dois papas; afinal, os Medicis eram os banqueiros que finaciavam o Vaticano, que, na época, dominava territorialmente todo o centro da Itália e nada se parece com o Vaticano de hoje).

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Tudo bem plantar provas na casa de Lula, desde que verdadeiras

Reportagem de O Globo reduz a suspeita de que a Polícia Federal plantou documentos na residência de Lula, durante operação de março de 2016, a um debate sobre a "autenticidade" dos papéis
 
 
Jornal GGN - Uma reportagem divulgada pelo jornal O Globo nesta quinta (15) virou mais um capítulo na saga de conflitos alimentados pela velha mídia em relação ao ex-presidente Lula. O jornal reduziu as suspeitas de que agentes da Lava Jato plantaram provas em um dos endereços do petista a uma discussão jurídica sobre a "autenticidade" desses documentos. 
 
A informação, que tem potencial para criar um escândalo e macular as instituições envolvidas na persecução penal de Lula, virou questão secundária. É como se o jornal dissesse que tudo bem plantar provas na casa de Lula. O importante é que o petista não tenha condições de provar que esses documentos são falsos.
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Responsabilidade social: reflexões sobre o caso capixaba, por Rodrigo Medeiros

Responsabilidade social: reflexões sobre o caso capixaba, por Rodrigo Medeiros

O documento construído pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) merece maior reflexão entre nós. O “Atlas da Violência 2017” traz informações relevantes para a formulação de políticas públicas que prezem pela responsabilidade social. A publicação adota os dados do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, que traz informações sobre incidentes até ano de 2015. O dramático episódio da crise da segurança pública capixaba, de fevereiro deste ano, é citado como um exemplo da fragilidade das políticas públicas nesse campo.

O Espírito Santo conseguiu reduzir a sua taxa de homicídios entre 2005 e 2015, em 21,5%. No entanto, essa taxa, de 36,9 por 100 mil habitantes, está acima da ruim média brasileira, que é de 28,9 por 100 mil habitantes. Esse dramático quadro é considerado como de guerra civil pelos especialistas no assunto. Portanto, não deveria causar espanto que a produtividade sistêmica da economia brasileira não cresça nesse contexto de violência e tampouco que as instituições funcionem mal.

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A controvérsia da "Queermuseu", o software que detecta gays e a animação "Divertida Mente", por Wilson Ferreira

por Wilson Ferreira

O cancelamento unilateral da exposição “Queermuseu” em Porto Alegre após protestos de grupos neoconservadores; o desenvolvimento de um software por pesquisadores da Universidade de Stanford cujo algoritmo reconhece a orientação sexual e até a tendência política através das feições faciais de uma foto; e a animação da Pixar “Divertida Mente” (2015) cujo argumento foi inspirado em pesquisas psicológicas da CIA. O atual “revival” do bestiário pseudocientífico do século XIX (antropologia criminal de Lombroso, Eugenia de Galton etc.) favorecido pela escalada planetária do neoconservadorismo está criando bizarras ligações perigosas entre eventos aparentemente distantes no tempo e no espaço. O cancelamento do “Queermuseu” é mais uma amostra do “zeitgeist” do século XXI: como um zumbi que retorna dos mortos , o bestiário pseudocientífico anterior ao século XX retorna com roupagem high tech (algoritmos e Inteligência Artificial) ou sob o discurso da “nova política” das chamadas “revoluções coloridas”.

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De novo, Moro assumiu papel de acusador contra Lula, avalia Kennedy Alencar

Foto: Ricardo Stuckert
 
 
Jornal GGN - Após analisar o segundo depoimento de Lula a Sergio Moro, o jornalista Kennedy Alencar publicou um artigo apontando que, mais uma vez, o magistrado de Curitiba se comportou como membro do Ministério Público Federal e assumiu o papel de acusador, em vez de se comportar com a imparcialidade que demanda a figura de um juiz.
 
Para Kennedy, esse embate entre Lula e Moro foi mais "duro" do que o primeiro depoimento, sobre o caso triplex. Mas mesmo com o depoimento de Antonio Palocci detonando Lula como um "trunfo", a Lava Jato em Curitiba ainda não conseguiu deixar o ex-presidente "sem saída".
 
Neste processo, Lula é acusado de supostamente receber vantagens indevidas da Odebrecht.
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Os Acordos de Livre Comércio e a globalização do fascismo, por Franklin Frederick

Os Acordos de Livre Comércio e a globalização do fascismo

por Franklin Frederick

“Nos últimos anos tem havido uma tendência em direção à democracia e às economias de mercado. Isso diminuiu o papel do governo, algo que os empresários tendem a favorecer. Mas o outro lado da moeda é que alguém tem que ocupar o lugar dos governos e o setor de negócios privado me parece ser a entidade lógica para fazê-lo”. - David Rockefeller

“Mesmo nos países democráticos estamos muito mais envenenados pela mentalidade totalitária do que pensamos”. - Jean Guéhenno, Journal 1937

Saindo para o leste ou oeste da Suíça seria necessário atravessar, pelo menos, metade do planeta antes de atingir o oceano Pacífico. Esta distância por si só torna muito improvável o envolvimento da Suíça com a Aliança do Pacífico (Pacific Alliance-PA ) ou com a Parceria Trans Pacífico (Trans Pacific Partnership -TPP). No entanto, a multinacional suíça Nestlé está muito envolvida com a PA e com seus objetivos. A Nestlé também parece exercer uma forte influência sobre a política externa da Suíça e conseguiu fazer com que o governo suíço se envolvesse com a PA, segundo o que podemos apreender da "Primeira Reunião da Juventude da Aliança do Pacífico" realizada no Peru em 19 de maio de 2016.

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O Brasil está mesmo se recuperando?, por Emilio Chernavsky

O Brasil está mesmo se recuperando?

por Emilio Chernavsky

A divulgação no último dia 01/09 do crescimento de 0,2% do PIB no segundo trimestre em relação ao trimestre anterior levou o presidente Temer a afirmar que o "Brasil está crescendo, está se recuperando"[1], e a festejos e autocongratulações dos apoiadores do governo no Congresso e nos meios de comunicação. Podemos concordar com ele e com, por exemplo, a revista Exame, que anuncia que o "Brasil começa a consumar virada histórica na economia"[2]?

Após a inédita queda acumulada de quase 7,3% entre 2015 e 2016, o PIB em 2017 parece efetivamente ter parado de cair. Essa parada era, todavia, esperada, e não indica o início de um ciclo de crescimento. Isso porque, em primeiro lugar, o crescimento recente é muito pequeno em vista da queda acentuada nos trimestres anteriores, o que faz com que o PIB do último trimestre ainda seja menor que aquele registrado no primeiro trimestre de 2016, último do governo Dilma.

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Santos à espera do tsunami no feriado de sete de setembro, por Wilson Ferreira

por Wilson Ferreira

Cidade de Santos/SP. Feriado nacional de sete de setembro. Esse humilde blogueiro em mais uma caminhada pela cidade natal juntando lembranças da infância e juventude se confronta com uma sucessão de sintomas de um País psiquicamente doente. Ao redor do tradicional desfile cívico-militar na orla da praia, de singelas selfies de famílias com filhos e cachorros tiradas com soldados em trajes de ações de choques civis (talvez antevendo futuros distópicos) com reluzentes espadas a pessoas transtornadas gritando xingamentos contra Lula, Dilma etc.. Tudo isso ao lado de sem tetos e catadores de latas de alumínio nos jardins da praia replicando o mesmo ódio, dessa vez contra um escultor de areia acusado de fazer uma estátua da Dilma... A ex-presidenta falou em “calmaria que antecede o tsunami”. Mas talvez esse tsunami seja uma explosão de ressentimento sem direção ou sentido, apenas à espera de um gatilho sócio-econômico. Um tsunami bem longe da tradicional narrativa de “luta e resistência” tão apreciada pela esquerda.  

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Quanto vale a delação de Palocci? Por Ricardo Amaral


Fotos Públicas

Quanto vale a delação de Palocci? Nada

Por Ricardo Amaral

O depoimento de Antonio Palocci ao juiz Sergio Moro, tão festejado pela Globo, tem o mesmo valor jurídico da delação recentemente desmoralizada de Delcídio do Amaral: rigorosamente nenhum. Serve, como serviu o ex-senador, para dar verossimilhança à ficção contra Lula que a TV dirige e a Lava Jato encena. São atores que valem mais pelo currículo passado que pelas falas de hoje. Ícones de uma farsa.

Palocci está preso ilegalmente há quase um ano, condenado a 12 anos de prisão. Está sob controle de Sergio Moro e seus carcereiros. Assim como outros réus, desistiu de se defender e passou a acusar Lula, orientado pelos advogados de porta de cadeia que Moro arregimenta a peso de ouro em Curitiba. Com garantia de benefícios, orientam o cliente a mentir para preencher as lacunas das denúncias porcas do MPF.

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