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Análise

A Guerra dos Turbantes, por Mário Maestri

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Enviado por Almeida

Do Diário Liberdade

A Guerra dos Turbantes

por Mário Maestri

Já tivemos a “Guerra das Laranjas”, no período colonial, com diversos mortos e, século mais tarde, já em plena República, a “Guerra das Lagostas”, essa felizmente apenas folclórica.

Vivemos agora, quando o mundo do trabalho conhece no Brasil ataque de intensidade inaudita, um novo e estranho confronto, a “batalha dos turbantes”, de conteúdo sobretudo ideológico e sentido não desprezível, já que expressa e alimenta a fragilidade do movimento social no Brasil. 

Em geral, os termos da declaração de guerra foram os seguintes. Eu sou negra, uso turbante. Tu é branca e necessariamente racista, mesmo quando não sabes. Portanto, tira a mão de meu turbante. Se não o fizeres, serás liquidada com a acusação de “apropriação cultural”, ou seja, adesão simbólica  à exploração racial e econômica que teus ancestrais realizaram aos meus, no passado, e que sigo sendo objeto, por parte dos brancos, no presente. 

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Roberto Simonsen e a falta de lideranças intelectuais e políticas, por Moacir de Freitas Jr.

Por Moacir de Freitas Jr.

Comentário ao post "Pedro Passos ou a decadência dos industrialistas"

É vendo artigos como estes citados pelo Nassif, os "patos" da FIESP e outras barbaridades, que fica claro para todos nós a falta que fazem líderes capazes de formular visões sobre o país e seus destinos. Meu trabalho de doutorado foi sobre a obra e o pensamento de Roberto Simonsen, a maior liderança intelectual e política dos industrialistas brasileiros da primeira metade do século XX, fundador da CIESP, da CNI, do SESI, da Escola Livre de Sociologia e Política e de tantos outros empreeendimentos voltados para formulação e prática de ideias sobre como o Brasil deveria modernizar sua economia, ingressando no capitalismo industrial e se libertando da política de importação/exportação. Em muito por seu trabalho, tais ideias tornaram-se a força hegemônica na sociedade brasileira daqueles tempos.
 
Simonsen antecipou conceitos que a CEPAL desenvolveria a partir de seu Manifesto em 1949, especialmente os de subdesenvolvimento, substituição das importações e os efeitos nefastos da então divisão internacional do trabalho que relegava ao Brasil (e à América Latina) o papel de exportadores de matérias-prima, entre outros. Ainda, Simonsen tinha a percepção de que as condições de vida dos trabalhores impediam o desenvolvimento brasileiro, na medida em que a remuneração pelo trabalho era tão baixa que não conseguia fazer girar a roda da economia de mercado. Discordava dos que afirmavam que o Brasil era um país "rico" argumentando que países ricos produzem sua própria riqueza, coisa que não fazíamos. 

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Governo Temer adota estratégia errada para retomar crescimento, por Laura Carvalho

 
Jornal GGN - Em sua coluna de hoje na Folha de S. Paulo, a economista e professora Laura Carvalho analisa a estratégia do governo federal para a retomada do crescimento econômico, que aposta nos incentivos ao setor privado e abandona o investimento público.
 
Ele pontua que esta aposta vem sendo realizada desde 2011 e não foi capaz de acelerar a economia, dizendo também que muitos países tem questionado a ideia do investimento privado como “motor de retomada em meio à recessão”.
 
A professora da USP afirma que são necessárias medidas com impacto na demanda, citando as contas inativas do FGTS, além de investimentos em infraestrutura, uma reforma tributária progressiva e uma política industrial estratégica. 

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PF prepara armação federal no caso do grampo clandestino, por Marcelo Auler

Do blog de Marcelo Auler

Armação federal (I)

por Marcelo Auler

Por cerca de um ano, o Departamento de Polícia Federal (DPF) escondeu o resultado da sindicância 04/2015 que investigou a existência de uma escuta clandestina na cela do doleiro Alberto Youssef, na Superintendência Regional do DPF no Paraná (SR/DPF/PR), descoberta em março de 2014, na primeira fase da Operação Lava Jato. Agora, com a participação do seu diretor-geral, Leandro Daiello Coimbra, e do corregedor-geral da instituição, Roberto Mario da Cunha Cordeiro,  aprontam uma verdadeira “Armação Federal”.

Como noticiou em CartaCapital desta semana – edição nº 940, nas bancas desde sábado (18/012) – Maurício Dias, na coluna Rosa dos Ventos, a culpa pela existência do tal grampo foi atribuída à parte mais fraca da história- “o mordomo”, na classificação de Dias. Ou seja, ao agente de Polícia Federal Dalmey Fernando Werlang que confessou ter instalado o aparelho. Mas, apesar dele explicar que cumpriu ordens da cúpula da Superintendência, isso não foi avalizado pelo sindicante. Assim, os delegados por ele nominados – Rosalvo Ferreira Franco, o superintendente do, Igor Romário de Paulo, o Delegado Regional de Combate ao Crime organizado, e Marcio Adriano Anselmo, então à frente das investigações da Lava Jato – poderão sair ilesos dessa história ainda muito mal contada/esclarecida.

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Moraes deve ter se surpreendido com docilidade da sabatina, por Bernardo Mello Franco

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Jornal GGN - Alexandre de Moraes, indicado para a vaga de Teori Zavascki no Supremo Tribunal Federal, pode ter se surpreendido com a docilidade dos senadores que o sabatinaram ontem (21), na Comissão de Constituição e Justiça. 
 
A opinião é de Bernardo Mello Franco, que afirma que os parlamentares governistas conseguiram deixar a comissão esvaziada. Moraes, que deixou o PSDB há duas semanas, estava à vontade em uma sabatina da qual ninguém esperava muito rigor.

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Por que é a hora de falarmos de Lula?, por Wadih Damous

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Do blog de Marcelo Auler

Por que é a hora de falarmos de Lula?

por Wadih Damous

O estado de degradação moral, de corrompimento institucional e de dissolução social do Brasil, com destruição de ativos estratégicos em escala nunca dantes vista, é consequência da ruptura do consenso político construído após a ditadura militar e consolidado com a Constituição de 1988.

A ruptura se deu num processo iniciado com o chamado caso do “mensalão” e se completou com a destituição da Presidenta Dilma Rousseff. Para rasgar o voto de 54 milhões de eleitores, recorreu-se fraudulentamente ao instituto constitucional do impedimento. Armaram-se os golpistas com uma maioria de ocasião no parlamento, cevada com recursos públicos desviados por Eduardo Cunha e sua organização de trombadinhas espalhados por partidos sem conteúdo programático nem militância espontânea. O impedimento foi dinamizado pelos perdedores das eleições de 2014 e só logrou ser bem-sucedido graças à omissão imprópria do Ministério Público e do Judiciário.

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Roberto Freire é ministro que se confundiu a si mesmo, diz jornalista portuguesa

 
Jornal GGN - Em artigo publicado no portal português Público, a jornalista e escritora Alexandra Lucas Coelho comenta a entrega do Prêmio Camões, concedido em parceria entre Brasil e Portugal, para o escritor Raduan Nassar, na semana passada. 
 
Raduan fez um discurso crítico ao governo de Michel Temer, e o ministro da Cultura, Roberto Freire, respondeu irritado à fala do premiado. Para Alexandra, o caso mostra como Freire não consegue distinguir Estado e governo, “confundindo-se a si mesmo”.
 
Ela ressalta que quem escolhe o premiado é um júri independente. “Os premiados do Camões não são escolhas de nenhum governo”, afirma, derrubando um dos argumentos de Freire, que “sumirá da história”. 
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Leve Leite: como a subnutrição intelectual ataca a subnutrição orgânica

O espanto do presidente do Banco Mundial Jim Yong Kim, com a destruição, no Brasil, de políticas sociais bem sucedidas, é recorrente nos círculos mundiais envolvidos com a questão da miséria.

Nesse processo de demolição, há a inegável contribuição dos jornalões, e sua acachapante dificuldade em tratar de temas contemporâneos com um mínimo de profundidade. Na era rápida da Internet, das opiniões fluidas e das ideias encapsuladas, cria-se uma miscelânea conceitual, muitas vezes um simulacro de intelectualismo, com algumas expressões da moda a serviço de nenhum raciocínio, que contribui para a má imagem dos jornais nos círculos acadêmicos e para o trabalho de desmonte de políticas públicas bem sucedidas..

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Na pós-verdade, a economia também oscila entre o fato e a versão, por Marcio Pochmann

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Por que o mundo tem que acabar?, por Wilson Ferreira

por Wilson Ferreira

Diariamente o mundo acaba diante dos nossos olhos, seja no cinema na atual safra de filmes-catástrofe, em séries de TV sobre Nostradamus, previsões “científicas” de algum tipo de futura catástrofe ambiental ou em algum “hoax” descrevendo cometas, asteroides ou planetas errantes que cairão sobre a Terra. A última, foi sobre um pedaço do Planeta X que supostamente cairia no último dia 16. Por que o mundo tem que ser destruído? No passado, todas religiões possuíam uma Escatologia: alguma narrativa sobre o fim dos tempos onde os maus seriam punidos e os bons salvos. Mas essas religiões se tornaram “líquidas”: sob os escombros das antigas religiões salvacionistas viraram pastiches que se rendem ao utilitarismo das necessidades do presente: “teologia da prosperidade”, “cabala do dinheiro” ou o islamismo dos homens-bomba. Esqueceram-se do futuro. Por isso, essa nova religião “líquida” e ecumênica precisa criar uma nova Escatologia, uma narrativa midiática sobre o “fim dos tempos” que junte convicções eco-ambientais, geofísica e astrofísica. A “Neoapocalíptica” como estratégia de marketing.

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Bolsonaro cresce 74% na pesquisa e supera a marca histórica da extrema-direita, por Marina Lacerda

Bolsonaro cresce 74% nas intenções de voto e supera a marca histórica da extrema direita brasileira

por Marina Lacerda

As pesquisas sobre intenção de votos valem muito para se perceber os movimentos da opinião. A se considerar o último levantamento da CNT, na modalidade estimulada, Lula é ainda o grande vencedor. Isso porque, apesar da cobertura enviesada da mídia contra ele, e da cassada judicial e seletiva contra o ex-presidente e sua família, Lula cresceu 23%. É um fenômeno discutido por vários analistas, inclusive aqui no Portal GGN.

Com o avanço de Lula, Ciro caiu. Mas os grandes perdedores no movimento do eleitorado são Aécio Neves e Michel Temer. Aécio minguou em 36%, e Michel Temer 40%. O decréscimo é coerente com má avaliação do governo, que aumentou em 20% e que impacta os dois candidatos representantes do atual status quo político.

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Estado de exceção e criminalização da política, por Rogério Dultra

Do Cafezinho

 
Escrito por Miguel do Rosário

A luta contra o golpe demorará muitos anos, porque não será resolvida apenas com uma vitória eleitoral, em 2018, ou 2022, ou 2026.

Será preciso completar o processo iniciado com a Constituição de 1988 e democratizar os aparelhos repressivos do Estado, para onde refluíram todas as forças e energias reacionárias derrotadas pela volta à democracia.

Esse é o erro da mídia. A vitória de Lula em 2002 não foi apenas uma vitória do PT, e sim o momento culminante de um processo, tão antigo como a própria história brasileira, de afirmação de valores e virtudes nascidos da luta por liberdade e democracia. Esse processo estava nas letras improvisadas dos repentistas nordestinos, nas canções de João do Vale, nos raps agressivos dos Racionais MC, na literatura de Jorge Amado e Graciliano Ramos, no cinema de Glauber Rocha.

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Saudade do Lula é a memória do desenvolvimento, por Lindbergh Farias

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Saudade do Lula é a memória do desenvolvimento
 
por Lindbergh Farias
 
Da semana passada para cá vem surgindo na imprensa, nas redes sociais e no parlamento, da parte de apoiadores do governo Temer, uma avaliação de que o pior da recessão já passou e alguns indicadores econômicos, embora tenuemente, começam a reagir.
 
Como a avaliação de retomada da economia é insustentável, e no medo de queimar a língua, os analistas a soldo de Temer logo tratam de arrumar um bode expiatório para a hora na qual a realidade desmoralizar o diagnóstico: nós, da oposição, por fazermos oposição.
 
Não é sério. Esses analistas esqueceram de dizer que o tênue movimento de arrefecimento da inflação e dos juros básicos, na conjuntura de hoje, em vez de sinalizar a retomada, é muito mais indicador da profunda recessão que a política econômica do governo fez o Brasil mergulhar.
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Colocar um plagiário no STF é um insulto à memória de Teori, por Janio de Freitas

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Jornal GGN - Em sua coluna de hoje na Folha de S. Paulo, o jornalista Janio de Freitas afirma que a indicação de Alexandre de Moraes ao Supremo Tribunal Federal estava “dentro do esperável” do governo Temer, mas que a manutenção da indicação após as revelações de plágio é quase uma “agressão moral ao STF, se não ao Judiciário”.
 
O colunista afirma que os princípios da Suprema Corte, atualmente, são desrespeitados a partir de dentro, e que a indicação de Moraes intoxica ainda mais o Supremo, “com uma dose forte de impostura intelectual e jurídica”.

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A solução militar nos estados revela democracia doente, por Rafael da Silva Barbosa

O modelo neoliberal de ajuste econômico praticado no país vem impelindo os trabalhadores a situações extremas: sem direitos e sem margem para negociações. Greve geral, em vez de acordos. A intervenção militar começa a fazer sentido no imaginário da população

do Brasil Debate

A solução militar nos estados revela democracia doente

por Rafael da Silva Barbosa

Os recentes episódios de caos na segurança pública não são fenômenos etéreos, como “um raio em dia de céu azul”. Estão interligados pela quebra institucional do principal mecanismo democrático do país. Ao se retirar uma Presidente honesta eleita democraticamente, findou-se o desenvolvimento em curso da participação popular via voto direto. Talvez tenha sido isto o maior fator condicionante da atual crise institucional do País.

Como que “de repente” surgem em diversos setores da vida pública agentes que passam a duvidar das características básicas da jovem democracia brasileira? Se não respeitam nem a máxima democrática, o voto direto, o que vão respeitar?

Nessa situação, a primeira pergunta a se fazer é a seguinte: como uma negociação entre o executivo estadual e a categoria dos servidores públicos que, historicamente sempre foram resolvidas de forma a garantir o mínimo de segurança social, teve desfecho tão dramático jogando os estados amazonense, capixaba e carioca na desordem?

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