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Análise

A direita francesa abriu as portas para os alemães, por André Araújo

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Por André Araújo
 
Charles Maurras (1868-1952)  foi um célebre ativista da direita francesa anterior à Segunda Guerra. É extraordinária a semelhança ideológica daquele momento de inflexão da História da França, quando fanáticos da anti-política abriram o caminho para a derrota francesa, sua ocupação pela Alemanha por  quatro anos e o posterior renascimento francês pelas mãos de De Gaulle.
 
O líder ideológico dessa direita raivosa era Charles Maurras, um pensador com grande número de seguidores, que achava a Revolução Francesa um erro histórico que desviou de seu caminho a “França dos 40 reis” em sua grandeza milenar. Maurras criou um movimento, a AÇÃO FRANCESA,  anti-democracia e anti-progressista, ideologicamente confusa mas com todos os cacoetes da direita enraivecida, movimento catalisador de um larga faixa da da classe média tradicionalista e de parte da alta burguesia, que protagonizou um processo de acirramento de ânimos que precedeu à invasão alemã de 1940.

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Os presos da "lava jato", o voyeurismo e a atriz global, por Lênio Luiz Streck

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Atores do filme da Lava Jato com procuradores da força-tarefa da operação

Enviado por hugo1

Do Conjur

 
por Lênio Luiz Streck

Subtese: “Voyerar” presos é o mesmo que fazer selfie em velório.
O colunista Mauricio Lima (revista Veja) conta — notícia não desmentida — que os atores Bruce Gomlevsky e Flávia Alessandra, que representam os delegados Marcio e Erika no filme sobre a "lava jato", foram a Curitiba para filmar nas dependências da Polícia Federal. Feitas as tomadas — o local fora fechado para isso — o grupo da filmagem teve a “jenial” ideia de olhar alguns presos da "lava jato". Foram levados pelos carcereiros a visitar as celas de Eduardo Cunha, Palocci etc., mas a maior atração querida pelos atores e membros da equipe de filmagem era Marcelo Odebrecht. Este, segundo a matéria, escondeu-se para não ser visto (ou filmado). Depois de alguns minutos, a atriz, à socapa e à sorrelfa (socapa e sorrelfa são por minha conta) conseguiu ver o troféu.

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E se Gilmar estiver se capitalizando para ser candidato?, por Janio de Freitas

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Jornal GGN - Em sua coluna de hoje na Folha de S. Paulo, Janio de Freitas analisa a possibilidade de Gilmar Mendes, ministro do Supremo Tribunal Federal, estar se capitalizando para ser visto, “na contabilidade política do PMDB & sócios”, como candidato à Presidência, lembrando que o partido de Michel Temer tem poucos nomes com condições de disputa real em 2018. 
 
Janio fala sobre dois traços marcantes da personalidade de Gilmar: sua identificação com a direita e a atração pelo poder. “Um candidato confundindo-se com o Supremo e oferecendo à direita um candidato sem as botas militares de Bolsonaro, pode imaginar-se como um presente para o PMDB, DEM, PP e cia”, afirma.

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A esquerda, a carne e o pragmatismo masoquista, por Igor Fuser

Enviado por Marcelo Soares Souza

Por Igor Fuser

No blog Outras Palavras

Na campanha eleitoral de 2014, a Friboi fez um donativo de 200 mil reais, declarados, em favor de Jair Bolsonaro, candidato a deputado federal no Rio de Janeiro. O mesmo frigorífico foi um dos maiores anunciantes da mídia burguesa durante todo o período em que os principais veículos de imprensa, rádio e TV do país levaram adiante a campanha golpista.

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DOI-CODI 2017: A polícia política da Lava Jato, por Sergio Saraiva

Por Sergio Saraiva

“Se pensas que burlas as normas penais, insuflas, agitas e gritas demais, a lei logo vai te abraçar, infrator com seus braços de estivador”.

A reportagem do caderno Poder da Folha de S. Paulo de 24 de março de 2017 descreve o método de perseguição ao blogueiro Eduardo Guimarães e às suas fontes jornalísticas. Traz também dados do inquérito da Polícia Federal que levou à detenção de Eduardo, acusado por ter antecipado – em um furo de reportagem – a condução coercitiva do presidente Lula.

“Se tu falas muitas palavras sutis E gostas de senhas, sussurros, ardis, a lei tem ouvidos pra te delatar nas pedras do teu próprio lar”.

Interessante é percebermos que a Policia Federal parece, nesse caso, atuar como polícia política. Não parece que o vazamento em si seja mais do que um mote para o constrangimento de adversários do “regime imaginário de poder” que a Lava-Jato passou a representar.

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Singer: Lava Jato vaza delações para inflar protestos convocados pela direita

 
 
Jornal GGN - O uso de delação já conhecida de Marcelo odebrecht como se fosse um vazamento fresquinho, às vésperas da manifestação pró-Lava Jato marcada por movimentos de direita para o domingo (26), reafirma a tese de que a imprensa ajuda a força-tarefa a criar motivos para levar pessoas às ruas. Mesmo se for preciso desrespeitar o lema de que "notícia velha não vende", aponta o cientista político André Singer.
 
Em artigo na Folha deste sábado (25), Singer lembra que em março de 2016, às vésperas do impeachment de Dilma, a Lava Jato também provocou uma série de vazamentos à imprensa com o intuito de criar o clima ideal para os protestos de rua.
 
O GGN, à época, fez um levantamento exclusivo em cima da cobertura midiática de toda a Lava Jato até aquele momento e mostrou que a operação nunca vendeu tantas capas de jornais como nas semanas que antecederam o impeachment. Leia mais aqui.
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Doria e os coxinhas à paulista, por Maria Cristina Fernandes

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Jornal GGN - Em sua coluna no Valor Econômico, Maria Cristina Fernandes fala sobre o jantar ofercido para João Doria. na casa de Lucília Diniz, irmão do empresário Abílio Diniz. Lá, o prefeito paulistano foi tratado como “a esperança do Brasil” pela anfitriã, jurando que seu candidato para a presidência da República é seu padrinho político Geraldo Alckmin, governador do Estado de São Paulo.
 
Entretanto, Fernandes diz que a candidatura de Doria ao Planalto é imbatível, pelo menos no Jardim Europa. A jornalista argumenta que Alckmin não pode mais ignorar a viabilidade da candidatura de seu aliado, correndo o risco de ser alijado do jogo.

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Ataque em Londres: mais um atentado que não aconteceu, por Wilson Ferreira

por Wilson Ferreira

Mais um atentado, desta vez em Londres com atropelamento em série de civis e invasão dos jardins do Parlamento Britânico por um homem armado com duas facas. O local é ao mesmo tempo icônico e sincrônico: escolhido pelos roteiristas para as cenas mais espetaculares do filme “V de Vingança”, cuja famosa máscara foi inspirada em Guy Fawkes, líder da “Conspiração da Pólvora” no século XVII – considerada a primeira “False Flag” da História, que pretendia mandar pelos ares o rei junto com o Parlamento como parte de uma propaganda de guerra. Novamente o ataque revela as mesmas recorrências e anomalias dos atentados desde o ataque ao WTC em 2001: a execução final do vilão, o “lobo solitário”, as conclusões rápidas da mídia e da polícia e a “coincidência” de 72 horas antes do ataque exercícios antiterror foram realizados no rio Tâmisa, com lanchas rápidas, resgatando hipotéticas vítimas civis. Assim como aconteceu no atentado “real”. Mais uma vez, o atentado “não aconteceu”: foi uma forma de meta-terrorismo para irradiação midiática.

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Caso Guimarães: a liberdade de expressão e o exercício da vendeta

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É sintomática a maneira como alguns jornalistas tentam se prevalecer da condução coercitiva a que foi submetido o blogueiro Eduardo Guimarães. Endossam a arbitrariedade, um atentado evidente à liberdade de expressão – da qual nós, jornalistas, somos os principais defensores e beneficiários – meramente por uma questão pessoal: em algum momento sentiram-se atacados por Eduardo – que, saliente-se, não é figura fácil.

Mas não é a simpatia de Eduardo que está em jogo: é a liberdade de expressão.

O episódio é exemplo maiúsculo do tamanho minúsculo de pessoas que, por sua imagem pública, deveriam ser trincheiras da liberdade de expressão. Mostra o maior problema brasileiro, a ampla superficialidade e desconhecimento de pontos centrais da construção democrática. Mais que isso, é demonstração de uma mesquinharia, contra um adversário ameaçado, que conspira contra o caráter dessas pessoas. Como bem observou Hilde Angel, “as pessoas não gostam de quem tripudia” sobre a desgraça do adversário.

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A avassaladora Operação Abafa da Carne Fraca, por Janio de Freitas

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Jornal GGN - Em sua coluna de hoje na Folha de S. Paulo, Janio de Freitas fala sobre as reações à Operação Carne Fraca, deflagrada na última sexta-feira (17). Para ele, a estratégia para abafar as acusações foi tão avassaladora que “se confunde com os indícios que buscar negar”.
 
Janio ressalta que o governo Temer, ao lado de empresários, tem se esforçado para passar a tese de que as irregularidades apontadas pela operação são desvios pontuais. Entretanto, se o problema no setor era pontual, o colunista questiona porque o esquema vai de fiscais a políticos, com “altos gastos no financiamento/compra eleitoral”. 
 
O jornalista também afirma que os danos causados pela operação às exportações de carne não podem impedir o desenvolvimento das investigações. Uma política inteligente, em vez do abafa suspeitoso, até atrairia a proximidade dos importadores com as investigações e análises.

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Austericídio e outras maldades, por Paulo Kliass

da Carta Maior

Austericídio e outras maldades

por Paulo Kliass

Não tendo sido eleito para o imenso estrago que está promovendo, o governo parece preocupados apenas em cumprir à risca o mandato recebido do financismo.

Apesar de todas as denúncias e polêmicas envolvendo a Operação Carne Fraca da Polícia Federal dominando o noticiário, a turma do comando econômico na Esplanada parece não perder de vista o seu foco principal. Insistem, persistem e não desistem de forma obstinada em continuar praticando todo o tipo de maldades contra a nossa população e procuram se aperfeiçoar na prática de um tipo vil de liquidacionismo entreguista. Leia mais »

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BRF, Friboi e a “ética” do livre-mercado, por Gustavo Henrique Freire

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Do Outras Palavras

Friboi, BRF e a “ética” do livre-mercado

No século XIX, velho barbudo já dizia: quem não se opõe à acumulação desenfreada do capitalismo não tem qualquer autoridade para criticar o escândalo das carnes

Por Gustavo Henrique Freire Barbosa

No capítulo de O Capital sobre a jornada de trabalho, Marx trata da adulteração do pão revelada pelo relatório do comitê da Câmara dos Comuns elaborado nos anos de 1855 e 1856 em Londres. Muito embora tenha reconhecido a irregularidade na produção de pães, o comitê, tratando com a “mais terna delicadeza o free trader que compra e vende mercadorias adulteradas to turn an honest penny (para ganhar um centavo honesto)”, concluiu que o livre-comércio abrangeria também o direito de comercializar produtos falsificados, levando o pensador alemão a tecer críticas mais do que pertinentes à incrível condescendência das instituições inglesas: “o inglês, tão apegado à Bíblia, sabia que o homem, quando não se torna capitalista, proprietário rural ou sinecurista pela Graça Divina, é vocacionado a comer seu pão com o suor de seu rosto, mas ele não sabia que esse homem, em seu pão diário, tinha de comer certa quantidade de suor humano, misturada com supurações de abscessos, teias de aranha, baratas mortas e fermento podre alemão, além de alune, arenito e outros agradáveis ingredientes minerais”1.

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A operação Carne Fraca e a mistificação do Brasil, por Mauro Santayana

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Do blog de Mauro Santayana
 
 
Pode não parecer, mas as causas e conseqüências da Operação Carne Fraca - são, como as de sua "mãe" institucional - a "mãe" de todas as operações, como se diria ao tempo da invasão do Iraque - claramente políticas. 
 
No Brasil, resolveu-se, no bojo da Operação "Tira-Dilma", vender à população uma série de mitos, começando pelo de que se estaria travando uma guerra sem tréguas contra a corrupção, cujo objetivo é "passar a limpo" o país. 
 
Essa estratégia exige que não apenas a principal "operação" fique permanentemente em andamento e evidência, mas também que outras "operações" semelhantes sejam executadas indefinidamente, em ritmo ininterrupto, obedecendo a uma tática não escrita, mas amplamente disseminada, destinada a alimentar certa mídia de factóides, para que ela cumpra o papel de exagerar e replicar essa impostura para a população, já que os resultados dessa "guerra", como demonstram os que foram colhidos até agora pela própria Operação Lava Jato, são mais ilusórios que reais. 

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Sobre a religião dos economistas de mercado, por Leonardo Segura Moraes

Toda crise exige soluções políticas na economia, as quais não são neutras ou apartidárias. Cada proposta revela sua devoção religiosa e a dos economistas de mercado é a da sustentação do capitalismo

do Brasil Debate

Sobre a religião dos economistas de mercado

por Leonardo Segura Moraes

Os economistas de mercado são pessoas curiosas. Preocupam-se com soluções possíveis desde que essas perpetuem as estruturas sociais dominantes. Como qualquer humano, esses seres têm medos, anseios e desejos, os quais, geralmente, estão representados nas distintas formas de espiritualidade. Concretamente, a religião desses economistas coloca o Mercado como rei dos deuses, cuja ânsia devoradora exige sacrifícios de tempos em tempos. Infelizmente, os sacrificados pouco importam para deus Mercado.

A edição de novembro e dezembro de 2016 da revista Rumos reporta uma síntese do debate entre vários economistas (de mercado) promovido pelo BNDES no intuito de discutir saídas para a atual crise brasileira e caminhos para o desenvolvimento. É bem verdade que nem todos ali se mostram tão comprometidos a deus Mercado, porém mesmo os mais céticos mantêm alguma crença.

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Voos de galinha, por Rodrigo Medeiros

Voos de galinha, por Rodrigo Medeiros

O debate sobre o “fôlego” da economia brasileira encontra-se na ordem do dia. Desde o início da recessão, a partir do segundo trimestre de 2014, muitas visões sobre a crise foram publicadas. Divergências, quando se trata de fenômenos complexos, são naturais, saudáveis e bem-vindas. Essa discussão é muito relevante quando buscamos debater reformas institucionais.

Em um instigante artigo publicado na “Finance & Development”, de junho de 2016, Jonathan D. Ostry, Prakash Loungani, e Davide Furceri, todos do Departamento de Pesquisa do Fundo Monetário Internacional (FMI), trazem reflexões sobre o neoliberalismo (aqui). Para os respectivos pesquisadores, “em vez de gerar crescimento, algumas políticas neoliberais aumentaram a desigualdade, comprometendo a expansão duradoura”. A agenda neoliberal se apoia sobre dois pilares básicos: a desregulamentação de mercados e a limitação da capacidade dos governos de gerir déficits fiscais e acumular dívidas.

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