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O fim do poço ainda está distante, por Marcio Valley

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O fim do poço ainda está distante

Gostaria muito de acreditar que estamos nos aproximando do fundo do poço, momento que forçaria a composição das forças políticas adversárias como meio de salvação geral. A ideia de que as hecatombes são unificadoras é óbvia. O ser humano sempre se une na tragédia. Um dos maiores avanços civilizatórios jamais testemunhados na face da Terra, senão o maior, ocorreu logo após o encerramento de duas de nossas maiores barbaridades: as grandes guerras mundiais que mantiveram o mundo em suspenso durante meio século.

Na mitigação do lucro insano, a humanidade desabrochou e floresceu como nunca dantes. Nascia a preocupação social com sua política de bem-estar. Época dos baby boomers, dos Trinta Gloriosos da França e até dos cinquenta anos em cinco de JK. Os poderosos descobriram que um mundo menos indigno era melhor para os negócios... Mas isso durou um espirro histórico, uns quarenta anos, logo esqueceram e retornaram à ciranda da loucura financeira. Por paradoxal que seja, o boom civilizatório pós-Segunda Guerra e o atual caos político brasileiro possuem algo em comum, ainda que em sentidos inversos: o medo da esquerda. Explico.

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Palhaço!, por Marcio Valley

do blog do Marcio Valley

É assim que me sinto após esse julgamento do TSE. Um palhaço. Sinto em cheio, jogado na minha cara com violência, como se fosse o cassetete de um maníaco fardado quebrando na cabeça de um manifestante, o imenso papel de palhaço que faço nesse circo chamado democracia brasileira. Os insignes ministros, na verdade, não fizeram absolutamente nada que eu não soubesse de antemão que iriam fazer. Há tempos que os tribunais são absolutamente previsíveis: se for contra o PT ou algum político que se tornou cachorro morto (como Cunha), agilizarão o processo e condenarão; se for para beneficiar um político amigo ou contrariar alguém que não hesite em retaliar, retardarão até a prescrição ou absolverão. Para ser sincero, tampouco discordo tão veementemente assim do aspecto técnico do julgado. O problema das coisas, em geral, não é o "quê", mas o "quem" e o "como".

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Eleições diretas ou indiretas? Eis a questão, por Marcio Valley

Eleições diretas ou indiretas? Eis a questão

por Marcio Valley

Existem bons juristas que defendem a tese de que a perda de mandato ou cassação do diploma por decisão da Justiça Eleitoral não caracterizam a dupla vacância (presidente e vice) de que trata a Constituição ao determinar a eleição indireta (CF, art. 81, § 1º). Essa, inclusive, era a orientação geral seguida pela Justiça Eleitoral ao longo dos anos, que somente agora, casuisticamente, começa a ser questionada pela Procuradoria Geral da República.

Segundo esse entendimento, a dupla vacância somente ocorreria na situação de renúncia, impeachment ou morte. Por quê? Porque são fatos posteriores à eleição legítima. Dito de outro, somente mandatários eleitos licitamente ensejam a vacância do cargo para o qual foram eleitos.

Diferentemente disso, a declaração judicial de ilegitimidade da eleição desconstitui a própria eleição. Isso implica, por assim dizer, reconhecer a inexistência de eleição, de modo que não seria possível a existência de vacância de pessoas que nunca foram eleitas legitimamente.

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Efeitos da delação da JBS e a insistência no modelo "eles sabiam mas não tenho prova", por Marcio Valley

do blog do Marcio Valley

A delação da JBS evidenciou a gritante diferença no modo de aplicação do instituto da delação premiada entre a Lava Jato de Brasília e a da República de Curitiba. Em Brasília, houve a primazia da inteligência no curso da operação e do sigilo das diligências. O vazamento, quando ocorreu, foi após a consumação das principais diligências e não antes ou durante, como age Moro, mais interessado nas repercussões políticas de suas ações do que em produzir justiça. Segundo analistas políticos, o vazamento possivelmente foi realizado por algum partidário de Aécio infiltrado na PF ou na PGR, como modo desesperado de alertar os companheiros de tunga e, assim, permitir a ocultação de provas.
As novas delações, ao lado de provocar talvez o maior terremoto político da história nacional, desmoralizam o modus operandi da República de Curitiba. A PGR de Brasília mostra para o Brasil como se faz investigação com base em delação premiada. Os delatores não foram presos preventivamente. Suas famílias não foram perseguidas. Não se apreendeu tablet do neto de ninguém. Não houve necessidade de tortura psicológica. As delações foram realizadas em sigilo.

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Alternativa única: eleições diretas, já!, por Marcio Valley

do blog do Marcio Valley

Aécio Neves. Jovem, playboy, bonito, milionário e senador da República. Altíssimas chances de ser eleito presidente da República em alguns anos. Um capital político impressionante. O que faz? Frustrado por perder a eleição, irrita-se como qualquer criança mimada e lidera o início do golpe contra a democracia a partir de bases absolutamente frágeis. Fortalece-se pelo apoio de instituições privadas e públicas hipócritas e desonestas. O voto dos eleitores é desprezado, jogado no lixo.

A democracia não foi criada à toa. Não gosta de ser desprezada e costuma, no seu tempo, revidar contra golpistas.

O que a "birra" de Aécio provocou? Uma cisão política no seio da população. O silêncio que os golpistas esperavam jamais chegou. A inquietação pública, a indignação popular, impede que a operação criada contra o inimigo, a Lava Jato, se aquiete. O principal juiz da operação tenta, de todos os modos, impedir a extensão da operação para os seus correligionários políticos. Em vão. A operação se espraia para outras regiões. A Lava Jato de Brasília, que não está sob a influência direta do juiz de Curitiba, procede como a República de Curitiba nunca antes procedeu. Age de forma inteligente, utilizando os delatores, sem alarde, sem vazamentos criminosos, e consegue obter provas em operações sigilosas. Grampeiam suspeitos, registram o número de série das notas de dinheiro entregues aos corruptos, colocam rastreadores nas malas de dinheiro. Tudo que não foi feito em Curitiba. Produzem-se provas incontestáveis.

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Bauman e o momento político brasileiro, por Marcio Valley

do blog do Marcio Valley

Impressionante a capacidade analítica do saudoso Zygmunt Bauman no que concerne ao desvelamento dos mecanismos que põem o mundo em funcionamento. Seus livros trazem incontáveis lições sobre os processos de formação e desenvolvimento das interrelações sociais, principalmente os que determinam as macrorrelações, mas aqui e ali também produzindo a narrativa dos micropoderes que se digladiam no cotidiano, o campo da realidade mais próxima dos humanos.

No livro Em busca da política (1), há um capítulo especialmente interessante (2), que trata do desenvolvimento do conceito de ideologia ao longo do tempo. Há muito ensinamento, ali, cuja apreensão serve perfeitamente ao propósito de compreender o momento político vivenciado no Brasil atual.

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A insanidade do apelo a Bolsonaro ou à intervenção militar, por Marcio Valley

do blog do Marcio Valley

A insanidade do apelo a Bolsonaro ou à intervenção militar

por Marcio Valley

Em dezembro de 2016, o site Brasil 247 reproduziu um artigo publicado no Estadão, de autoria do general Rômulo Bini Pereira. No artigo, assim declarou o militar:

Se o clamor popular alcançar relevância, as Forças Armadas poderão ser chamadas a intervir, inclusive em defesa do Estado e das instituições.

Elas serão a última trincheira defensiva desta temível e indesejável 'ida para o brejo'. Não é apologia ou invencionice.

Por isso, repito: alertar é preciso (1).

O artigo, portanto, era uma advertência do militar: cuidado que a Cuca vai te pegar. No texto, o general sustenta que um exemplo de desgraça política capaz de prejudicar o país e de exigir a atuação dos militares seria a invasão promovida na Câmara dos Deputados por um grupo de manifestantes. O exemplo é bisonho de tão superficial. O general percebe como desgraça uma situação absolutamente normal em qualquer ambiente democrático: a manifestação popular.

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O ponto de convulsão social com a greve geral, por Marcio Valley

Do blog do Marcio Valley

O movimento das placas tectônicas na crosta terrestre é produzido pelo acúmulo de tensão entre elas que, em determinado momento, alcança um nível insuportável e determina o terremoto que faz as placas se moverem, uma para cima e a outra para baixo. Esse movimento, ao mesmo tempo que destrói parte da superfície do planeta, faz surgir uma nova, produzindo uma reacomodação das forças e inaugura um novo tempo de paz geológica. Até que novo terremoto a interrompa.

As forças que movimentam os poderes da sociedade agem de forma similar. Ocasionalmente, um terremoto social produz uma modificação no cenário dos macropoderes que dominam a política. Entendam que não uso a palavra "política", aqui, como sinônimo de "política partidária-eleitoral". A verdadeira política é muito mais ampla e certamente seus maiores centros de poder não se encontram em Brasília. Um ou outro se localiza em bairros elegantes de cidades brasileiras, como o Jardim Botânico, no Rio de Janeiro.

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Lula é o “ladrão de estimação” do povo? Por quê?, por Marcio Valley

Por Márcio Valley

O que houve com a Lava Jato? Será que os antipetistas estão corretos na afirmação de que, ao finalmente alcançar políticos do PSDB, a isenção dos operadores da Lava Jato estaria demonstrada?

A resposta, claramente, é não. Primeiro, porque todas as suspeitas e acusações eram conhecidas desde antes do impeachment de Dilma Roussef, e foram devidamente sonegadas ao distinto público, escondidas pela Lava Jato e pela mídia, para não atrapalhar o clima antipetista criado entre os cidadãos, assim colaborando para a conclusão do projeto golpista antidemocrático. Segundo, porque o envolvimento do PSDB nas delações é produto inescapável de uma reação popular que possivelmente surpreendeu os golpistas. A mídia alternativa e as redes sociais não deram trégua na denúncia da parcialidade e da motivação política da PF, da PGR, da Justiça Federal e dos tribunais superiores a Sérgio Moro. O golpe ficou mal na foto e sucumbiu. A resiliência da esquerda indignada tornou inevitável a degola de correligionários do golpe, inclusive para aplacar a denúncia internacional do golpe e da parcialidade da Lava Jato, além de servir como justificativa para a inescapável prisão de Lula e o seu impedimento à candidatura em 2018. Terceiro, porque as notícias sobre a corrupção do PSDB não são colocadas em destaque nos grandes jornais, mas apresentadas timidamente com pequenas chamadas. Quarto, porque Sérgio Moro, a principal figura da Lava Jato, continua a não tomar providências significativas em relação à corrupção praticada por políticos do PSDB. Quem tem tomado a iniciativa, contra os tucanos, é a Polícia Federal e a PGR, ainda que com menos folêgo do que com relação ao PT.
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Neoliberalismo de Temer é o saudosismo da selvageria, por Márcio Valley

Neoliberalismo de Temer é o saudosismo da selvageria, por Márcio Valley

Vontade é uma disposição íntima para realizar determinada ação ou omissão. A vontade somente se concretiza materialmente se encontradas, externamente ao agente, as condições ideais para tal. Poder, portanto, é a capacidade de produzir tais condições ideais de materialização da vontade. Em outras palavras, poder é a capacidade decisória unilateral de realização da vontade. Quanto maior a possibilidade de concretização das vontades do agente, maior o seu poder.

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Professor, há momentos em que precisamos escolher o lado certo da História, por Márcio Valley

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Por Marcio Valley
 
 
Caro Leandro Karnal,
 
Como seu (ainda) admirador, não poderia deixar de criticar, não somente o encontro com Moro, como as justificativas que você apresenta supostamente para “quem gosta de você”.
 
Em primeiro lugar, deixo claro que considero ser absolutamente um direito de qualquer pessoa tecer amizades com quem quer que seja, assim como expor as opiniões que possui. Claro que nossas amizades e nossas opiniões são capazes de provocar reflexos na opinião do outro e, na verdade, apreciamos as pessoas, e delas nos tornamos amigos, muito em função de nossas posturas frente à realidade, assim como em decorrência das pessoas que nos cercam. Somos como nos apresentamos. Para um Zé Ninguém, a repercussão dos posicionamentos será quase nenhuma e poucos se importarão sequer em criticar. Apenas passarão a manter uma distância segura. Para os que vivem o dilema da fama, para as figuras públicas, a conta é muito maior. Se a opinião de um famoso possui uma incrível densidade e poder de persuasão coletiva, por isso mesmo exigindo responsabilidade ética para sua emissão, que dizer da palavra de um intelectual?

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A conduta ética é seguir a lei?, por Marcio Valley

Do blog do Marcio Valley

Vivemos num mundo no qual convivem, não muito pacificamente, vários modelos de capitalismo, desde o mais soft e inteligente - que compreende a necessidade de mitigar as agruras dos desfavorecidos como meio mais saudável de manutenção da paz social - ao mais sórdido e predatório, que se orienta exclusivamente a partir da visão estreita da pilhagem, ainda que isso redunde na necessidade do uso desmedido da violência do estado, dentro ou fora do próprio território, e gere um estado de conflito social por tempo indeterminado. O primeiro, soft, possui bases fincadas na estratégia de médio e longo prazo, inclusive no que concerne à captura do lucro, enquanto o segundo segue o instinto dos animais de rapina, lançando-se sobre a carniça com foco apenas no presente. Apesar de existirem os dois modelos, em variados gradientes, é o capitalismo em sua vertente ultraliberal que vem vicejando nas últimas décadas, forjando, desde pretensas uniões transnacionais paridas à fórceps, a intervenções geopolíticas que violam o direito de autodeterminação dos povos, isso sem mencionar as lesões gravíssimas que provoca à ordem ambiental. Para consecução de seus objetivos, atua militarmente ou através da criação de instabilidades nacionais, como está ocorrendo no Brasil pela via do golpe antidemocrático de 2016.

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A esquerda precisa centrar no legislativo, por Marcio Valley

do blog do Marcio Valley

A presidência de coalizão era, continua sendo e será ainda por muito a única alternativa política no Brasil para o exercício do poder executivo. Trata-se de um arranjo maquiavélico, de fato, possuindo o mesmo efeito bumerangue pontificado por Maquiavel sobre as tropas compostas por mercenários: um dia elas se voltam contra o contratante. Afinal de contas, às vezes a intermediação deixa de ser necessária ou conveniente e os mercenários resolvem tomar a liderança daquele a quem mantinham no poder. A força física é dos mercenários e não do comandante.

Não havia qualquer outro caminho político para o PT governar senão aderir ao modelo existente. Isso continuará assim pelo tempo que demorarmos a providenciar uma reforma política consistente, que consiga de algum modo evitar a eleição de um presidente sem base de apoio do próprio partido ou da chapa que o elegeu.

A ideia de redução do número de partidos não é boa. Qualquer ação no sentido de impedir a criação de novos partidos se constitui em traição à liberdade e à democracia. Aos novos partidos e aos partidos pequenos cabe apenas, quando muito, a limitação ao acesso a certos direitos, como financiamento público e presença nas telecomunicações, que devem ser proporcionais à representação política alcançada junto aos eleitores.
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O Efeito Dunning-Kruger na qualidade do debate político, por Marcio Valley

do blog do Marcio Valley

O primeiro atributo necessário à pessoa que busca um conhecimento honesto sobre qualquer assunto é a humildade de reconhecer a própria ignorância. O segundo é admitir a existência de um sem números de pessoas - sábios, pensadores e cientistas - que se debruçaram sobre o tema exaustivamente e, a partir de uma reflexão profunda, produziram e divulgaram obra do pensamento através da qual exteriorizam, não somente os contornos, a superfície, mas uma visão de profundidade sobre todos os aspectos da questão, alguns inclusive apresentando as respostas possíveis para a solução do problema. O terceiro é aceitar os ensinamentos desses sábios para, a partir deles, construir uma identidade intelectual própria sobre a matéria.

É perfeitamente saudável questionar o trabalho intelectual de pensadores e cientistas, todavia exigindo-se, primeiro, o conhecimento da obra criticada e, segundo, uma capacidade técnica própria - cognitiva e intelectual - para produzir conclusão contrária, a ser demonstrada de forma racional e lógica. O "achismo", nesse campo, é inadmissível. Pode-se dizer caber a qualquer um não aceitar determinada conclusão, mas não se pode aceitar essa recusa como refutação. É apenas pirraça intelectual que, se não freada pela humildade, transmuta-se em mera arrogância autoritária.

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O golpe da burocracia, por Marcio Valley

do blog do Marcio Valley

A burocracia público-administrativa brasileira, não eleita pelo povo, que acessa o poder sem um voto sequer, sem participação popular no processo de escolha e por uma via que somente pode ser considerada avaliadora e meritocrática em momento estanque no tempo - a época da prestação do concurso público - está obtendo sucesso em derrubar um governo eleito democraticamente e em reduzir as garantias e liberdades individuais.

Em outras palavras, o ano de 2016 entra para história nacional como o ano em que a burocracia deu um golpe civil no Brasil.

Supremo Tribunal Federal, Procuradoria Geral da República, Justiça Federal do Paraná e Polícia Federal, ao dar suporte institucional a uma decisão altamente discutível adotada por parlamentares em grande parte corruptos, a eles se une para realizar uma ruptura institucional e cassar o voto de mais de cinquenta milhões de eleitores brasileiros.

Apoiada pela mídia, cujos interesses corporativos são evidentes, a burocracia tenta disseminar a falsa ideia de que o processo é técnico. Todavia, essa mensagem somente é recepcionada por parcela do eleitorado. A outra parcela, igualmente relevante em número, discorda do processo.

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Gilmar Mendes e a extinção do PT, por Marcio Valley

do blog do Marcio Valley

Estudo acadêmico sobre o perfil dos "antipetistas puros" (excluídos os "impuros", ou seja, os que manifestam sentimentos positivos em relação a outros partidos) chega à seguinte conclusão: antipetistas não são conservadores; tendem a ser relativamente ricos; acreditam que o PT administrou mal a economia; manifestam sentimentos anticorrupção (desde 2006); e, mais importante, possuem atitudes negativas contra políticas de ação afirmativa que beneficiam afrobrasileiros. (extraído de Ciência Política, Sentimentos partidários e antipetismo, 2016, pág. 12)

Em paralelo, uma pesquisa do Vox Populi, de junho de 2015, sobre os limites do antipetismo na intenção de voto dos eleitores demonstrou que o eleitorado "potencial" do PT soma 48% dos eleitores, superando os 39% que não votariam no partido (Carta Capital, Os limites do antipetismo).

Eis aí uma possível explicação para a intenção do ministro Gilmar Mendes de requerer a extinção do PT: a farsa de que o PT é a origem de toda a corrupção brasileira somente foi recepcionada pela parcela rica da população, que abomina o discurso da generosidade e de redução das desigualdades sociais.

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O lobo do autoritarismo, por Marcio Valley

 

do blog do Marcio Valley

Como realizar uma análise crítica, isenta, sobre as ocorrências sociais, eventos antecedentes e possíveis consequências?

Possivelmente, o melhor instrumento para essa análise é a interpretação sistemática, focando o comportamento da totalidade para entender as ações individuais.

Dentre os diversos mecanismos disponibilizados pela hermenêutica jurídica para a análise da aplicação do ordenamento legal a interpretação sistemática se destaca, pois tal método leva em conta a inserção do dispositivo legal a ser aplicado na totalidade do conjunto normativo de um dado território.

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Sob a batuta de piratas, nasce um novo Brasil

do Blog do Marcio Valley

No Brasil, vice-presidentes não são eleitos, sendo apenas integrantes da chapa vitoriosa. Pode não ser desejável, mas nossa tradição política não é de valorização da figura do vice de qualquer coisa, que em geral é apena um elemento decorativo, seja no âmbito federal, como em estados, municípios e mesmo em condomínios residenciais. Poucos lembrarão quem era o vice do prefeito ou do governador no qual votou. O mesmo fenômeno, com um grau talvez um pouco menor, ocorre quanto ao candidato a vice-presidente.

Quantos lembrarão quem era o vice nas chapas de Geraldo Alckmin ou José Serra à presidência? Ou quem era o vice de Marina nas eleições em que foi candidata? Sem titubear, cravo que o número desses privilegiados...

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Sem votos

As ilusões construídas por Jabor

do blog do Marcio Valley

No Estadão de hoje (17/5), o ex-cineasta Arnaldo Jabor comete um texto intitulado "As ilusões perdidas". Trata-se de um rebotalho, um vomitório, composto por um mix de egolatria, iconoclastia e aparente frustração inconfessa acerca de si mesmo.

Nele, como de hábito, Jabor se autoidolatra, coisa que muito aprecia fazer, simultaneamente à pretensão de desqualificar toda e qualquer mente que erga bandeiras em prol do movimento político de esquerda. Dada a excepcional qualidade de várias das mentes que pensam a esquerda, como Noam Chomsky, Zygmunt Bauman, Marilena Chauí, Fernando Morais, Luís Fernando Veríssimo, Fábio Konder Comparato, Bandeira de Mello, Ladislau Dowbor, Marcio Porchman, David Harvey, Slavoj Zizek e inúmeros outros, a tarefa jaboriana não é nada fácil. Hércules ficaria invejoso.

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Sinuca de bico

do blog do Marcio Valley

Os adeptos do jogo de sinuquinha sabem bem o que é uma sinuca de bico. É quando a bola branca se encontra posicionada de tal forma que impede que a bola do jogo seja atingida diretamente. Nesse caso, o jogador tem que utilizar a tabela, ou seja, atingir sua bola em dois ou mais toques. É sempre uma situação difícil de sair, mas não impossível, dependendo muito da habilidade do jogador. Jogadores pouco habilidosos tendem a perder a jogada, enquanto jogadores experientes conseguem usar bem a tabela e sair da dificuldade.

Fica a indagação: Dilma é uma jogadora habilidosa? Conseguirá usar a tabela e sair da dificuldade do processo de impeachment?

O tempo dirá, mas os primeiros sinais são de que sim, ela aparenta ser habilidosa.

Essa conclusão é extraída de seus 

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Golpe de hoje, esperança do amanhã, por Marcio Valley

do blog do Marcio Valley

O desenho do golpe esperado ocorreu: o processo de impeachment vai prosseguir no Senado.

O partido que lidera o golpe, o PMDB forneceu um total de 59 votos favoráveis ao golpe e dois contra. O PMDB do Rio colaborou com nove votos a favor do processo e dois contra. Um massacre.

O "líder do governo", Leonardo Picciani encenou, de modo pouco convincente, o papel de homem fiel ao governo do qual é líder, votando contra o impeachment, logo após ter orientado seus liderados a votar a favor.

No dia 08 de dezembro de 2015, em texto publicado no blog, esse resultado foi previsto, inclusive em relação ao desembarque maciço do PMDB.

O texto não foi bem aceito, muito provavelmente, e de modo compreensível, porque não era o momento para pessimismos, ainda que fundados em realidade patente e cristalina (talvez ainda não seja). Eis o link: http://marciovalley.blogspot.com.br/2015/12/o-impeachment-passara-dilma-... e o trecho que previa o comportamento do PMDB no golpe:

"(PSDB e PMDB) Estarão juntos, sem dúvida alguma, no impeachment da Dilma.

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O lado acertado de uma profecia ridícula, por Marcio Valley

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Coisas, marcas e pessoas, por Marcio Valley

do blog do Marcio Valley

Morre a atriz Yoná Magalhães, aos oitenta anos.

Não posso me afirmar um grande fã de sua carreira, que na verdade conheço pouco, mais dos tempos de criança, quando ainda assitia novelas em função do apreço dos meus pais por esse tipo de entretenimento. Naquele tempo as casas em geral somente tinham uma televisão, o que já era um luxo para poucos. Então, não havia escolha, quando o pai chegava a gente assistia o que ele queria.

Contudo, o sentimento de perda é real, pois o nome da Yoná é um dos muitos que me acompanharam por toda a vida, como Tonia Carreiro, Rede Globo, Silvio Santos e tantos outros. Esses últimos ainda continuam a existir como constituintes, células externas, da pessoa que sou, de minha própria existência.

Sim, porque tudo que tangencia a nossa vida torna-se, ela própria, um pedaço do que somos. E vejo, cada vez mais, alguns desses pedaços indo embora. Casas da Banha, Tv Tupi, Chacrinha, Cazuza, Michael Jackson, datilografia, telefone discado...

Tudo coisas, marcas e pessoas que, em algum momento, foram comuns aos meus sentidos. Eu os via, os ouvia, os tocava, enfim, os sentia. Onde estão? Foram-se, atropelados pelo tempo, pela modernidade, pelas doenças, pela incessante necessidade de novidades, enfim, pela inexorável finitude da existência. Quanto às coisas, e jamais pensei que diria isso um dia, estou ficando cansado da obrigatoriedade da renovação, do culto extremado à inovação.

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Eleição de 2018: atenção ao legislativo, por Márcio Valley

do blog do Marcio Valley

O comentarista Weden, em texto de sua autoria publicado no blog do Luis Nassif, ancorado no portal de notícias GGN, cujo link forneço (aqui), fala sobre o imenso capital político de Lula, sustentando que talvez não seja na presidência que ele poderá dar sua melhor contribuição em favor do país. Na opinião de Weden, numa conjuntura política em que se tem um legislativo reacionário e a necessidade de um presidencialismo de coalisão para obtenção governabilidade, o presidente eleito, qualquer que seja, se torna apenas um sócio do poder e, às vezes, nem isso.

Leia a íntegra aqui: blog do Marcio Valley

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Delfim Netto e o capitalismo inovador, por Márcio Valley

Por Márcio Valley

Bastante interessante esse pequeno artigo de Delfim Netto, publicado no GGN e cujo link disponibilizo aqui, sobre as condições sociológicas históricas que dão azo à formação do capitalismo. Destaco a parte em que ele pontifica que o capitalismo é apenas um momento no processo histórico, não podendo ser classificado, nem como natural, nem como eterno. Que ótimo que isso seja dito por um intelectual conservador, não é mesmo? Delfim corrobora o que costumo dizer: a honestidade intelectual dá sabor e veracidade à palavra, escrita ou falada, que, assim, clama por ser consumida. Nada mais detestável do que um texto sofista e tendencioso.

Tendo a concordar com Delfim com relação ao que Marx pensaria sobre o capitalismo atual, que provavelmente o entusiasmaria, embora mantendo a crítica da imoralidade e da injustiça que o permeia.

Não cabe negar que a situação da miséria e das condições de trabalho, hoje, aí incluído o ganho de renda e melhoria das condições higiênicas do ambiente de trabalho, é bastante superior ao testemunhado por ele em final do século XIX. Claro que tal melhoria levou mais tempo - um século - para alcançar uma parcela algo significativa e ainda não suficiente da população mundial do que seria desejável, já que sabemos que a concentração da riqueza é de tal magnitude que menos de um porcento da população mundial detém mais da metade da riqueza material e que existem bolsões gigantescos da mais degradante miséria em vários cantos do planeta, alguns totalmente esquecidos pelo restante da humanidade. Ainda assim não se pode negar ser um ganho considerável se cotejado com a experiência histórica dos séculos anteriores, no qual a miséria era a regra.

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A faxineira e o delegado, por Marcio Valley

do blog do Marcio Valley

Imagine a seguinte situação absolutamente hipotética: você chega na sua mesa de trabalho e descobre que um colega comeu um bombom de sua caixa. O que você faria?

Se você for uma pessoa equilibrada e altruísta, você terá colocado a caixa de bombons à vista justamente porque queria que os colegas os consumissem.

Se você for só equilibrado, mas não altruísta, sorrirá pela sapequice do colega e não ficará demasiadamente aborrecido.

Se for um pouco exigente demais, irá no máximo considerar que houve um certo abuso e ficar chateado.

Se for um ranzinza cricri, irá se queixar diretamente com o colega.

Se além de ranzinza, for egoísta, irá se queixar ao chefe e pedir que ele admoeste o colega de trabalho.

Se for um celerado, um ególatra ou um completo retardado mental, você irá a uma delegacia policial registrar queixa pelo crime de furto.

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A república dos parvos ou por que a crise política não acaba?, por Marcio Valley

Por Marcio Valley

Por que a crise política se eterniza, por que não acaba?

É a pergunta que me tenho feito insistentemente ante a percepção de que o Brasil, ao contrário do que tentam fazer crer, não se encontra em situação econômica pior do que a que já esteve na maior parte de sua história. Só acredita nisso quem tem menos de cinquenta anos e não vivenciou a crise que parecia infindável e que durou do início da década de 1960 até o final da década de 1990, portanto por cerca de quarenta anos. Até quando contava cerca de quarenta anos de idade, cheguei a acreditar que jamais viveria num país com uma certa estabilidade financeira e com uma boa oferta de trabalho e renda para sua população. Afinal, sou do tempo em que, praticamente em todas as ruas do Centro do Rio de Janeiro, da porta de cada prédio jorrava, como uma enorme língua, imensa fila de pessoas candidatando-se a uma mísera vaga de emprego. Fui parte dessas línguas em várias oportunidades e arrepiava-me a ideia de ter que retornar à saliva de uma delas.

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O deputado e o motorista, por Marcio Valley

do blog do Marcio Valley

Lamentável a violência ocorrida no episódio no qual o deputado Takayama (PSC-PR), de 67 anos, acabou levando um soco do motorista do senador Delcídio do Amaral (PT-MS) nas vias de acesso ao Congresso Nacional.

Não é possível defender ou justificar qualquer violência, muito menos quando verificada a desproporcionalidade física entre os envolvidos. O deputado, afinal, é um idoso.

Porém, as imagens captadas pelo sistema de segurança da Polícia Legislativa do Congresso são inquestionáveis. Os vídeos, que foram divulgados, claramente comprovam que: (a) não houve manobra de risco acentuado por parte do motorista quando dirigindo; (b) o deputado inicia a agressão ao desferir um tapa ou um soco no motorista, que somente então revida.

Além disso, aparentemente as lesões derivaram mais da forma com que se deu a queda do deputado, do que propriamente do soco que recebeu.

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Consumismo, exacerbação do individualismo e estado social

do blog do Marcio Valley

Alguns pensadores afirmam que a evolução do ser humano ... Leia a íntegra aqui: blog do Marcio Valley

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O sistema político-econômico que se avizinha, por Marcio Valley

Por Marcio Valley

Do blog do Marcio Valley

Historicamente, nada é imutável e nada é insubstituível. Não fosse assim, a própria noção de história, entendida como a sucessão de eventos no tempo, seria seriamente comprometida e a previsão de Fukuyama não faria sentido algum. Por outro lado, em geral todas as mudanças são lentas e graduais, mantendo-se durante muito tempo pontos de intercessão entre os modelos antigo e moderno. Leia mais »

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