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Blog de Ion de Andrade

De como a Coreia do Norte inaugurou o mundo multipolar, por Ion de Andrade

De como a Coreia do Norte inaugurou o mundo multipolar

por Ion de Andrade

A Coreia do Norte parece mais um país saído de um universo ficcional inverídico: é uma espécie de monarquia que sobreviveu ao... comunismo. Parecem quadrinhos dos anos cinquenta (ruins). Para além disso, o pouco que nos chega não nos permite firmar opinião clara, mas a imaginamos como um... estalinismo monárquico... (um esdrúxulo conceito). Não sabemos se haverá guerra entre esse país e os EUA. Até aqui não houve e parece que há muito a considerar antes que os Estados Unidos desfiram um ataque preventivo.

Sun Tzu n’A Arte da Guerra diz que os maiores generais não são conhecidos, porque ninguém soube das guerras que eles ganharam sem lutar. A guerra até aqui não havida entre a Coréia do Norte e os Estados Unidos, à qual a mídia ocidental não vem dando qualquer relevância (sinal que é importante), parece estar sendo vencida de forma esmagadora pela Coreia do Norte. Essa “não guerra” está definindo parâmetros cruciais para os próximos conflitos e para o futuro e bem que poderia constar nos livros de história como o evento de inauguração do mundo multipolar. O meu acompanhamento pobre vem sendo feito pelo Google, com “North Korea” e selecionando a “última hora”. Sem querer prever o que virá, a ênfase das notícias vêm saindo da guerra propriamente dita e migrando para os aspectos morais do regime de Piong Yang, sinalizando a meu ver uma perda de temperatura. O episódio envolvendo um estagiário americano preso por lá e devolvido quase morto à família não permite, é verdade, alimentar muitas ilusões sobre o regime. Porém, no contexto das relações internacionais esse “não conflito”, ainda que se converta num conflito de verdade, parece configurar uma virada decisiva na história contemporânea.

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Obras na avenida Engenheiro Roberto Freire em Natal: Plebiscito Já!, por Ion de Andrade

Obras na avenida Engenheiro Roberto Freire em Natal: Plebiscito Já!

por Ion de Andrade

O presente artigo é uma síntese de discussões ocorridas num grupo de especialistas e entidades dos movimentos sociais e comunitários de Natal a que incorporei outras ideias originadas de discussões externas a esse grupo, tais como a ideia do “Plebiscito já” e a do “Projeto Futurístico para a cidade”, como propõe a Carta de Natal dos movimentos sociais e comunitários da cidade (clique aqui para conhecer o documento).

A avenida Engenheiro Roberto Freire ladeia o Parque das Dunas, o segundo maior parque urbano do Brasil e permite uma vista de rara beleza sobre o Morro do Careca, um cartão-postal da cidade. As obras que o governo do estado do Rio Grande do Norte pretende iniciar mudariam para pior, segundo a opinião de diversos especialistas, o turismo, a economia e a moradia na região mais turística do estado, local onde os moradores prezam por sua qualidade de vida.

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A esquerda e a questão republicana, por Ion de Andrade

A esquerda e a questão republicana

por Ion de Andrade

Raramente um fato aparentemente tão desimportante quanto o episódio que envolveu Miriam Leitão num vôo foi alvo de tanto interesse público. Por que? O que houve por trás disto que justificou tamanha atenção. Sabe-se que o que atrai a atenção dos passantes num acidente de trânsito é que ele encerra uma verdade que deve ser entendida por razões de sobrevivência. Se um fato, aparentemente menor, atraiu tanta atenção é porque algo tem a ensinar.

Habituada a agredir petistas e pessoas ligadas ao campo progressista em enterros, internamentos hospitalares, restaurantes e nas ruas, a turba fascista em que se converteu a direita tradicional no Brasil, nunca recebeu reprimenda de nenhuma das suas organizações políticas de referência e, como quem cala consente, essa expressão de ódio tornou-se o comportamento normal, o modus operandi daqueles que aspiram a governar e estão governando o Brasil. Como já disse alguém, no Brasil não temos esquerda e direita, mas Casa Grande e Senzala, o que insere esses ódios novos a uma velha tradição nacional que relega aos de debaixo, o pó.

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Golpe: a anatomia e a fisiologia de um desastre, por Ion de Andrade

Golpe: a anatomia e a fisiologia de um desastre

por Ion de Andrade

No golpe os fisiológicos queriam Impunidade e os ideológicos as Reformas: os primeiros serão presos. Por que ainda defendem Reformas que não somente não sobreviverão ao tempo como acentuarão a sua condição de bandidos?

A abordagem do golpe como à de um acidente aéreo, ideia apresentada nalgum post desse mês, que infelizmente não encontrei de novo para citar, embora alegórica, pois o golpe foi uma trama, permite visão de conjunto e da relação (ou não) entre si das múltiplas causas que o produziram. Permite também entendê-lo de forma mais aprofundada com vistas a evitar, ainda que num futuro distante, que se repita, interrompendo o processo democrático novamente. O golpe não foi acidental. Foi proposital. Mas poderia não estivessem reunidas todas as circunstâncias sombrias que o acompanharam, não ter tido êxito.

Sem querer ser exaustivo vou alinhar de forma muito simplificada um encadeamento de interesses que finalmente resultaram no golpe e fazer um balanço do cenário atual, onde os diversos que compõem o golpismo, perderam o controle da situação.

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Podemos fazer mais?, por Ion de Andrade

Foto: Paulo Pinto/Agência PT

Por Ion de Andrade

Entrando na discussão de Fernando Horta e Luis Felipe Miguel

As discussões na esquerda e no campo democrático em torno da agenda de um próximo governo Lula vêm tendo o mérito de induzir a uma reflexão sobre alcance e limites da era trabalhista e fazem parte de um exercício de balanço autocrítico mas também diagnóstico desse período, cuja compreensão é crucial para que possamos ir adiante. Vou abordar aqui três vertentes que me parecem representativas da formulação da esquerda e do campo democrático da atualidade e eu as criticarei construtivamente em busca de horizontes de consenso e retomada. Então vou abordar essa temática do "fazer mais" por um ângulo diferente dos meus predecessores.

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Com um Presidente investigado no cargo, o STF patrocina a advocacia administrativa, por Ion de Andrade

Com um Presidente investigado no cargo, o STF patrocina a advocacia administrativa

por Ion de Andrade

O crime de advocacia administrativa, segundo o artigo 321 do Código Penal Brasileiro, se define como "patrocinar, direta ou indiretamente, interesse privado perante a administração pública, valendo-se da qualidade de funcionário."

A gravidade das denúncias apontadas pela PGR, ouvidas por todos e acolhidas pelo STF, não seriam, em absoluto, de natureza a permitir que um funcionário público, mesmo de baixo escalão, pudesse permanecer no cargo.

O que faz o ser humano acuado e com o horizonte de liberdade cada vez mais estreito? Se defende desesperadamente com todas armas que estiverem ao seu alcance. Se tiver poder terá a seu dispor o arsenal correspondente. Mas o que, então, está à disposição de um Presidente da República?  Todo o Poder Executivo em especial as instituições responsáveis por investigar e punir o crime pelo qual está sendo investigado. É como se as galinhas fossem julgar a raposa que cuida do galinheiro.

Cabe ao presidente, por óbvio, escolher o Ministro da Justiça que por sua vez, em seu nome, poderá mudar as chefias da Polícia Federal a seu favor. Coincidentemente o Ministro da Justiça acabou de ser mudado, fato que coincide com o que, noutra gravação, sugeriu Aécio Neves. Onde estamos?

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Mística do poder legítimo, “Diretas Já” é Excalibur!, por Ion de Andrade

Foto - Poder 360

Mística do poder legítimo, “Diretas Já” é Excalibur!

por Ion de Andrade

Ou de por que não podemos abrir mão das diretas

Em um ano a base de apoio do golpe foi reduzida a escombros. Nem mesmo a ditadura às vésperas de sua derrocada conseguiu tamanho isolamento. A desmoralização do governo é tal que os custos do apoio que a sua base política ainda insiste em lhe emprestar serão politicamente incalculáveis. Quantos dos que apoiam Temer serão reeleitos?

E as ruas inverteram a tomada de iniciativas para o campo da oposição. A tomada de Brasília por dezenas de milhares de brasileiros vindos dos quatro cantos do Brasil é prenúncio de que outras virão. A possibilidade de que a nossa distante capital seja palco de manifestações volumosas de gente de todas as lonjuras é nova e alvissareira. Significa que finalmente consolidou-se como capital política 57 anos depois de fundada. Doravante nem a capital será refúgio seguro para políticos habituados ao marasmo daqueles espaços imensos e vazios onde talvez creiam poder tudo.

Porém no nosso campo ainda não se desenhou uma estratégia comum para construir o Fora Temer, nem o pós Temer. Diretas já? Anulação do Impeachment? Negociação de uma plataforma e de um nome de compromisso para a retomada da democracia com suspensão das reformas?

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Mas afinal, quem são os juízes envolvidos?, por Ion de Andrade

Mas afinal, quem são os juízes envolvidos?

por Ion de Andrade

As delações de Joesley Batista produziram na nossa surrada república uma situação que beira o surrealismo. A Rede Globo, destino principal da publicidade do gigante que é a JBS, aderiu, ao lado do seu mega-anunciante, protagonismo de aliado, contra o já impopular governo Temer, filho seu.

Ferido de sua imensa impopularidade e ilegitimidade esse governo Temer ruma inevitavelmente para o abismo. Essa derrocada se dá de forma espetacular, uma rara implosão pública catastrófica, que consegue colocar em segundo plano o mergulho aos abismos do próprio Aécio Neves, senador e presidente do PSDB, partido que comandou a cassação de Dilma por pedaladas fiscais. Mas não apenas o senador mineiro ficou em segundo plano nesse cenário de guerra total que a rede Globo abriu contra Temer. Citados e  sem identificação formal, há a figura de dois juízes comprados pela JBS. Ontem Paulo Henrique Amorim perguntava quem seriam esses juízes.

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A fala de Nassif em Natal e o papel das universidades no Projeto Nacional, por Ion de Andrade

A fala de Nassif em Natal e o papel das universidades no Projeto Nacional

por Ion de Andrade

No dia 12 de maio tivemos, no auditório da reitoria da UFRN em Natal, palestra de Luis Nassif sobre o momento atual e os riscos para a democracia no Brasil. O evento foi promovido pela Associação de Docentes da UFRN, a ADURN/Sindicato. O auditório estava lotado e se fizeram presentes, dentre muitos outros, a Senadora Fátima Bezerra, a deputada federal Zenaide Maia, o deputado estadual Fernando Mineiro, dentre inúmeras outras lideranças e autoridades atestando a importância da formulação de Nassif no contexto nacional e do GGN como grande fórum para a retomada da democracia no Brasil.

Com uma visão rica e abrangente, Nassif apontou inicialmente para a estratégia do assassinato de reputações como método de destruição da viabilidade política das lideranças da esquerda mundo a fora e dos líderes que encarnam projetos nacionais, proscritos da globalização e hoje esmagados e submetidos à governança do capitalismo global. Citou diversas lideranças internacionais que passaram pelo mesmo calvário de perseguição político-judiciária que hoje morde Lula.

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As redes sociais e o fascismo, por Ion de Andrade

As redes sociais e o fascismo

por Ion de Andrade

A provável derrota de Marine Le Pen na França, precedida de derrotas emblemáticas do fascismo na Europa, como as da Áustria, Holanda e do plebiscito regulando a naturalização facilitada na Suíça, faz crer que nessa rodada chegamos a um teto. Na França, no entanto, o rastro de ódio deixado por Marine Le Pen, cria ambiente político inédito desde a segunda guerra mundial.

Dito isso, e é o que precisa ser enfatizado, a extrema direita cresceu enormemente nesses últimos anos, alcançando na Europa cifra que poderia situar-se em diversos países na casa dos 30% do eleitorado ou mais. É verdade que não se trata de fenômeno universal, que nem todos os países estão igualmente tocados e que os fascismos europeus constituem movimento que estranhamente sequer tem identidade comum. E há os movimentos semifascistas de cunho nacionalista como o que produziu o Brexit na Inglaterra por exemplo que compartilha com os outros fascismos europeus o medo/xenofobia do estrangeiro, uma forte base rural ou de setores urbanos de baixa renda e o fato de ter surfado uma onda de ódio, rara naquele país.

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A desagregação do golpismo, a Lista de Facchin e a restauração democrática, por Ion de Andrade

Imagem - STF Notícias

A desagregação do golpismo, a Lista de Facchin e a restauração democrática

por Ion de Andrade

Ou de como o cenário atual pode tornar-se prelúdio de uma volta à normalidade.

A desagregação do golpismo e a Frente Antagônica

A luta contra a ditadura exigiu mais de vinte anos para a formação de uma força social capaz impor-se a ela. A Frente Democrática apontou para a Constituinte como forma de implantar em definitivo a democracia no Brasil.

Mais de meio século depois, cá estamos nós praticamente devolvidos ao ponto de partida, porém, diferentemente do que ocorreu em 64, a velocidade com que o atual governo de exceção se desagrega é extraordinária.

Isto sugere hegemonia mais curta do que os mais de vinte anos que durou a ditadura militar. Apressar o fim desse regime nefasto ao Brasil e aos brasileiros é a mais importante tarefa do momento e a ela nenhuma outra se sobrepõe. Leia mais »

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A morte do ministro Zavascki: um recado claro ao STF e ao Judiciário, por Ion de Andrade

Por Ion de Andrade

A morte do ministro Teori Zavascki, ainda que tenha sido um acidente e não um assassinato, não poderá ser tratada com banalidade pelo STF.

Intencional ou não o seu desaparecimento alivia e beneficia a muitos e o ganho secundário com a sua morte não pode, sob qualquer hipótese, ser permitido aos investigados.

A inação do STF no enfrentamento desse problema significará conviver com outro maior e mais grave: os juízes que ousarem confrontar os poderosos coronéis da direita serão eliminados como moscas. Mesmo a confirmação do acidente não eliminará o sentimento de que se tratou de um atentado, e o recado, real ou simbólico, estará dado. Em outras palavras a morte de Zavascki beneficia os alvos das delações da Odebrecht no processo da Lava Jato do ponto de vista prático, como também beneficia os seus iguais, de hoje e do futuro, do ponto de vista simbólico.

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A Saúde Pública, os médicos e os super-ricos, por Ion de Andrade

por Ion de Andrade

O governo Temer vem desferindo continuamente alguns duríssimos golpes contra a saúde pública e contra os médicos sob silêncio geral de entidades que deveriam, por dever de ofício, exprimir-se contrariamente com veemência. Duas exceções ao silêncio: a redução pelo Ministério da Saúde do número de profissionais médicos nas UPAs (de quatro para dois no mínimo) e o glorioso projeto dos planos de saúde para pobre, visando aliviar a Atenção Básica, receberam notas negativas por parte de algumas entidades.

Mas a representação política de uma categoria tem a obrigação de antever no cenário político e econômico o que pode efetivamente ameaçar os interesses estratégicos para o exercício profissional, devendo ir para o enfrentamento tanto na macropolítica quanto na micro.

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Um compromisso das forças vivas da Nação que guie a política, por Ion de Andrade

Por Ion de Andrade

Estou entre os que não acreditavam no golpe e sofri pesada ressaca com esse desfecho. Subestimei a correlação de forças e a tradição golpista das nossas elites. E cá estamos nós, lançados num cenário imprevisível, no qual o golpe e o "golpe no golpe" é que estão na ordem do dia.

Do nosso lado nos debatemos entre os que acham que os problemas se deveram a uma condução errada por parte do governo Dilma no varejo da política, e os que acham que há muito o que ser aprendido num contexto que teria sido devido, em grande medida, a uma insuficiência da esquerda para o enfrentamento de uma crise de hegemonia bem mais profunda.

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Saúde, direito dos planos, dever dos mais pobres, por Ion de Andrade

Por Ion de Andrade

Pode um ministro da saúde ameaçar a ordem constitucional?

Na semana passada o ministro da Saúde Ricardo Barros foi a público, em entrevista à BBC, dar como inviável o princípio constitucional da saúde como direito de todos e dever do Estado. A suposta falta de recursos estaria na raiz do problema. Os planos de saúde, mais baratos e com menor cobertura, seriam a solução.

É evidente que o Ministério da Saúde já teve ministros preocupados com o financiamento da saúde, como foi o caso de Adib Jatene, que propôs a criação da CPMF, além de outros que militaram pela inclusão dos recursos oriundos do pré-sal na saúde, ou pela regulamentação da emenda 29 que estabelece a vinculação de recursos das três esferas de governo para um processo de financiamento mais estável do SUS. O atual ministro não pertence a essa família honrosa de ministros, aliás de muitas e variadas origens partidárias.

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Os médicos estão entre os mais prejudicados pela PEC 241, por Ion de Andrade

por Ion de Andrade

A PEC 241 que pretende congelar o SUS e outras áreas sociais e que ameaça a milhões, poderia ser interpretada como o ato mais lesivo que um governo poderia desferir contra a profissão médica. Dois fatos ainda limitam essa percepção entre os profissionais: não houve tempo suficiente para a  reflexão sobre o impacto dos malefícios trazidos por essa emenda e há verdadeira incredulidade de que um governo, apoiado maciçamente pelas entidades médicas, possa ter sido efetivamente capaz de jogar a uma bomba atômica contra tudo o que interessa à profissão, tanto nos aspectos relacionados ao trabalho médico. quanto nos relacionados ao capital.

Abaixo listei, sem querer ser exaustivo, dez motivos pelos quais a PEC 241 vai agredir frontalmente o exercício profissional médico. Antes, porém, vale posicionar algumas questões chaves, para quem não entendeu ainda o que está em jogo.

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Onde os custos do SUS explodirão nos próximos 20 anos?, por Ion de Andrade

por Ion de Andrade

Os custos do SUS explodirão nos próximos 20 anos... no colo dos estados e municípios, profissionais e pacientes

A PEC 241 se propõe a congelar os orçamentos públicos por vinte anos, corrigindo-os apenas pela inflação.

Essa matemática de gabinete é inteiramente inexequível. Os custos assistenciais terão, para as faixas etárias mais altas, 80% de acréscimo apenas pelo seu crescimento vegetativo. Isto significa que, daqui a vinte anos, se nenhuma outra variável mudar e tudo for igual a hoje, os custos da saúde serão 80% maiores para esse custoso e cada vez mais numeroso grupo de usuários.

A razão disto está no inexorável envelhecimento populacional do Brasil.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) prevê para os próximos vinte anos uma explosão inédita no número de idosos e a emergência de uma pgeração de centenários.

Apesar de oficialmente serem tidos por idosos apenas os que têm idade superior a 60 anos, os custos assistenciais começam a crescer a partir dos 40 anos.

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Sem objeto em 2015 o processo de impeachment é nulo de pleno direito

Por Íon de Andrade

As discussões no Senado vão consolidando a posição de que o processo em curso não se sustenta e é nulo de pleno direito.

Testemunha CONTRA Dilma Rousseff, o procurador do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (TCU) Júlio Marcelo de Oliveira admitiu na manhã desta segunda-feira (2), durante sessão da comissão especial do impeachment no Senado, que não houve crime de responsabilidade em 2015 por parte da presidente Dilma Rousseff.

Já anteontem a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) apresentou duas questões de ordem à Comissão Especial do Impeachment no Senado. Na primeira delas, a senadora pede a suspensão do processo na comissão até que as contas presidenciais de 2015 sejam julgadas pelo Congresso Nacional.

De fato, quando o pedido de impeachment foi acatado, o ano fiscal sequer tinha sido encerrado – a petição faz considerações a manobras contábeis praticadas pelo governo naquele ano. A senadora diz que o governo tem prazo constitucional de 60 dias após o início da sessão legislativa para apresentar a prestação de contas referente ao ano anterior, ou seja, o governo teve até o início de abril de 2016 para prestar as contas de 2015. O prazo é também posterior ao acatamento do pedido de impeachment pelo presidente da Câmara dos Deputados.

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A democracia será vitoriosa, por Ion de Andrade

Por Ion de Andrade

Desde a abertura por Eduardo Cunha do processo de impeachment no ano passado que as forças golpistas se posicionaram como derrotadas no cenário da derrubada do governo eleito. Diz Sun Tzu n'A Arte da Guerra: "Quem ocupa primeiro o campo de operações, esperando o inimigo, é aquele que se garante em posição de força; o que chega depois, lançando-se ao combate, já está enfraquecido."

Os deputados, naquela altura, por voto secreto, foram, sem gente na rua ou articulação prévia, mais numerosos do que o terço suficiente para barrar o impeachment.

Em dezembro passado considerei que a oposição exposta e cercada pela sociedade civil seria esmagada, os via não somente com poucas chances de vitória, como também com pouca munição, mas subestimei a variável indignidade.

Chefiada por Cunha a oposição lançou-se perante tudo e todos como como uma força macabra, guiada pelo personagem mais identificado com a cobiça e com o dinheiro do Congresso Nacional. Deixou-se com isso impregnar e identificar pelas velhas imagens arquetípicas que, ao longo da história, assimilaram certos exércitos às forças mal. Mamon é um termo, derivado da Bíblia, usado para descrever a cobiça, nem sempre personificado numa entidade ou divindade, significa em hebraico, simplesmente “dinheiro”. Quando personificado representa o mal.

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Assediada e agredida na porta de casa, deputada Zenaide Maia (PR) emite Nota

Um grupo de pessoas extremamente agressivas veio hoje à minha casa com trio elétrico gritando palavrões, insultando minha família e soltando fogos de artifício. Aparentemente partidários do Cunha e do Temer e com atitudes que lembram a era Hitler, falavam sobre o processo de impeachment.

Eu já informei através da imprensa, há alguns dias, que estou afastada de minhas atividades parlamentares devido a um sério problema de saúde do meu filho, que tem deficiência.

A ocorrência de hoje ultrapassou todos os limites. Na ocasião, cheguei a sair à rua para pedir que parassem ao menos os fogos de artifício porque estavam afetando o meu filho, que está em recuperação de uma grave crise, há mais de quinze dias, como divulguei. Além de não ter sido ouvida voltaram a me dirigir insultos ainda mais desrespeitosos, sobretudo para uma mulher e mãe de família.

Atos desta natureza que atentam contra os direitos individuais são inaceitáveis e não podem, nem de longe, ser confundidos com liberdade de expressão ou de opção política - institutos democráticos que respeito e pelos quais lutei ao longo da vida. Leia mais »

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Temer, o rato que ruge, por Ion de Andrade

Por Ion de Andrade

O PMDB deixou o governo. Uma posição que será lembrada na história como traição à democracia.

Irremediavelmente dividido, a sua saída se dá sob essa ampla posição: “Quem ficar no governo não representa o PMDB". Esse é o maior lance que esse grupo ligado ao vice-presidente pode realizar na guerra de tudo ou nada em que embarcou para derrubar Dilma Roussef. A montanha pariu um rato.

A pressa nessa tomada de decisão exprime força ou fraqueza? Me parece que a angústia reina sobranceira no coração do vice-presidente. De fato, será realmente catastrófico para ele a perda na aposta do impeachment.

Diversos articulistas têm sinalizado para a dificuldade extrema para a oposição de alcançar os tais 342 votos necessários ao impeachment.

De fato é difícil, dificílimo aliás, sobretudo pelo fato de que os 171 necessários ao governo estão comprando a mercadoria “poder” no preço mais baixo. Um terço dos deputados são suficientes para levar o cesto completo. A oposição a está comprando no topo do preço. Precisa de doisterços para levar o mesmo cesto. E, apesar da saída do PMDB, no campo do governo o coração é grande e cabem também PMDBistas. Os mais dignos e mais democratas estarão com Dilma.

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PMDB: Caim, Caim, onde está teu irmão

Como já dissemos o PMDB não é base aliada, é governo. Isso decorre do fato de que o PMDB não é aliado de Dilma, é tanto quanto o PT, titular de um mandato fundador do governo.

Na política, o mandato é algo que tem uma dimensão de sacralidade. Fosse na Igreja poderia ser comparado ao casamento ou ao sentido de fraternidade.

Um mandato tem que ser honrado, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença. Num sistema em que o Poder emana do povo, como deve ser a democracia, nada há fora do acordo feito entre eleitos e eleitores por ocasião das eleições.

O Povo escolheu o PMDB para ser governo, trair isso desmoraliza o partido num momento em que (incrivelmente) pretende ser um novo polo de poder. A situação do país, no entanto, exige, ao olhos de todos, responsabilidade maior. A saída do PMDB pode produzir uma crise transitória de governabilidade para Dilma, mas inviabiliza moralmente a opção de um Temer irresponsável e egoísta no mais grave momento do Brasil. Aí está talvez um fato positivo. Leia mais »

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STF e Legislativo: Por procuração de Cunha, Sinédrio da democracia

É inacreditável a debilidade institucional do Brasil. O fenômeno que está em curso, será totalmente incompreensível no futuro.

Como é possível entender que um personagem que esteja com um pedido de cassação pela PGR, um processo de cassação na Câmara Federal e diversos processos no STF seja o mesmo que conduz o processo de impeachment da Presidenta da República sobre quem não paira nenhum processo?

Essa situação esdrúxula desmoraliza o Judiciário dando-lhe conotação de Poder impotente para coibir o ato mais grave contra as instituições republicanas do Brasil dos últimos 50 anos. De fato, o Judiciário permite que Eduardo Cunha, processe a Presidenta da República e ganhe tempo, seja esquecido e talvez escape do que pesa contra ele. Leia mais »

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PMDB não é base aliada, é governo: Deve estabilidade à nação, por Ion de Andrade

Por Ion de Andrade

Se há uma certeza em qualquer cenário é a de que o PMDB pode ficar no governo.

O PMDB ficará se houver impeachment quando deverá assumir o governo e poderá ficar se não houver.

A situação do PMDB é de maior estabilidade até mesmo que a do PT, que não ficará no governo, obviamente, se houver impeachment.

A saída do PMDB do governo faria eclodir num momento crítico da vida nacional uma crise de governabilidade para além da profunda crise política. Para nada, porque, de fato, após a votação do impeachment, ganhando ou perdendo, todos os partidos que hoje compõem a base aliada terão que rever as suas posições.

Essa reunião para a definição da permanência ou não do PMDB no governo responde portanto a condicionantes paroquiais da frustração de interesses de deputados e senadores por parte de um Executivo sitiado e atacado por todos os lados.

Mas o PMDB não é um partido da base. Compõe a chapa vitoriosa na eleição de 2014. É parte integrante do governo, quer queira, quer não. O mais sensato e honroso no plano do respeito à democracia, seria uma decisão institucional e consensual do PMDB de conceder a tranquilidade institucional de que o país precisa enquanto a crise do impeachment é resolvida, o que fortaleceria o partido em qualquer cenário.

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O STF e a democracia: hora de grandeza

Para além da gravidade da situação atual, passou como humorística a expulsão de Aécio e Alckmin da passeata da oposição, sob palavrões.

Esse cenário aponta para a continuidade da situação, que já sinalizei em outros artigos, de que esse movimento das ruas, que nasceu para ser massa de manobra, continua acéfalo e agora passou também a ser autofágico. Essa condição aumenta o seu sentimento de impotência e a sua irracionalidade, pois vem perdendo líderes e referências, uns atrás dos outros, devorados pelos escândalos que atuam como uma forrageira. Um caldo de cultura para fenômenos extremos ainda que espasmódicos e para a cronificação da crise. Agrega-se a isso a completa falta de noção política da Globo de rifar FHC para ser esquecida no affair do tríplex. Leia mais »

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Trégua pelo Brasil, por Ion de Andrade

Por Ion de Andrade

O agravamento da crise política coloca o Brasil e suas instituições diante de uma grave imprevisibilidade em relação ao curto prazo.

Não há necessidade de aprofundar a análise relacionada ao impasse que está posto que pode vir a mergulhar o país numa situação caótica com graves consequências para todos. Há crise profunda e forças fortes dos dois lados do tabuleiro.

As manifestações convocadas para hoje e os próximos dias devem portanto ser entendidas por todos os seus protagonistas, não como um momento de preparo para desdobramentos ainda mais graves, mas como uma expressão final de que as forças políticas estão convocadas a sentar-se para definir os rumos da volta à normalidade e em que termos isso ocorrerá.

A hora deve ser de grandeza no sentido de dar ao país o fôlego necessário a uma retomada da previsibilidade. Não é hora de egos, mas de foco no interesse maior.

Têm papel nessa trégua: o Ministério Público e o Poder Judiciário que podem retomar a normalidade processual, a mídia e a blogosfera de ambos os lados, que podem cessar fogo, os Partidos Políticos cujas lideranças devem encontrar alma nova para recompor saídas, o que implica em reconhecer a legitimidade dos mais ferrenhos adversários e sentar-se com eles para o diálogo e os movimentos sociais, tanto os que organizam os atos da direita como os que sustentam o governo, também para distender o ambiente que permitirá novos desenhos de saída.

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PSDB e Lava Jato: rota de colisão

O juiz Moro não é um homem qualquer, dado a improvisos. A condução coercitiva de Lula, ilegal que é, teve como argumento público o fato de que os demais 116 depoentes antes dele também haviam sido conduzidos coercitivamente. Então, como poderia Lula querer ser tratado de forma diversa?

Este detalhe significa que cada um dos 116 depoentes cujas conduções coercitivas precederam à do ex-presidente estavam, na verdade, um a um, preparando e encenando o cenário da sua prisão. Tudo ali foi fruto de planejamento longo e minucioso, exceto o desenlace.

A prisão de Lula pretendia criar o ambiente de aniquilação da esquerda, sendo na verdade a conclusão da grande primeira etapa da Lava Jato. Durante toda essa primeira etapa, a direita tradicional, mais suja do que pau de galinheiro, festejou cada capítulo da trama, elevando o juiz Moro a uma condição de nobreza sobrenatural.

Essa direita tradicional, os coronéis de sempre, pode, no entanto estar muito enganada com o que está no fogo. Leia mais »

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Quando o Rei cai, há xeque-mate, por Ion de Andrade

Por Ion de Andrade

Há no cenário atual do Brasil uma crise produzida pela tentativa de destruir o projeto de país construído nos últimos 60 anos. Trata-se de um esforço para varrer o legado de Vargas, o dos militares desenvolvimentistas e o dos trabalhistas. Os ataques coordenados ocorrem nas seguintes frentes: Leia mais »

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Crise da Odebrecht trava projeto de submarinos

Do Brasil 247

Ex-diretor da Agência Nacional do Petróleo, Haroldo Lima afirma que o projeto de construção de submarinos nucleares pelo Brasil corre o risco de abandono, em razão da crise decorrente da Operação Lava Jato, que prendeu Marcelo Odebrecht; "Todo esse projeto está dramaticamente ameaçado de ser paralisado, pelo que se sabe, por ser coordenado pela Odebrecht", diz ele; "Em decorrência, hoje, o clima em Itaguaí é de desânimo. Os homens em trabalho, que poderiam chegar a 9.000, estão reduzidos a 1.100, que se entreolham espantados, ante a hipótese de ali ficarem somente 80, protegendo aquele portento inconcluso contra furtos e roubos..."

247 – O projeto de construção de submarinos nucleares pelo Brasil corre o risco de ser completamente abandonado, em razão da crise enfrentada pela Odebrecht, cujo presidente, Marcelo Odebrecht, foi preso na Operação Lava Jato. Leia mais »

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Quanto vale para os governos a vida de um jovem negro? Por Ion de Andrade

Por Ion de Andrade

A cada mês somos confrontados e afrontados pelas ações policiais contra jovens negros que exprimem que revelam a permanência de uma violência racial atroz no Brasil.

O país esperava que a adoção de uma legislação mais dura de combate ao racismo e com as exitosas políticas de inclusão e de equidade tivéssemos algum declínio na ação exterminadora que o Estado promove contra os negros. Não foi assim.

Os repetidos episódios que ilustram esse massacre, dos quais só tomamos conhecimento dos casos mais extremos e extraordinários, tem produzido, por parte da sociedade sadia, sentimentos de indignação e também de impotência. Na verdade, todos se perguntam o que poderia ainda ser feito para que tal situação não se repita, ou se o problema tem solução.

Penso que o Brasil não pode deixar de buscar os meios pelos quais essa estatística macabra decline de forma rápida e definitiva.

Essa é a razão pela qual entendo como necessário a criação de um Programa Nacional de Proteção à Vida de Jovens Negros. Esse programa deveria atuar sobretudo junto aos órgãos repressivos para produzir uma maior capacidade de reflexão antes do ato de executar. Penso que deveriam ser produzidos, tal como tanto se fez com os acidentes de trânsito, spots de situações reais que se consumam com a execução de jovens que iam para o futebol, para a Igreja, para uma festa, para a universidade, etc. Peças publicitárias de situações reais, e deve haver aos montes, de injustiças cavalares perpetradas contra jovens pela única razão de serem negros.

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