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Blog de Ion de Andrade

Dilaceramento tático e crise estratégica, por Ion de Andrade

Dilaceramento tático e crise estratégica

por Ion de Andrade

O cenário incerto do curto prazo vem submetendo a esquerda a um jogo de tensões que torna difícil optar por uma alternativa unitária para enfrentar o governo ilegítimo. Vão e vêm as propostas de Fora Temer e Diretas Já e de Anulação do Impeachment e Volta Dilma. Porém o que parece despudoradamente consolidar-se é a permanência de Temer até 2018, o que nos obriga a um exaustivo enfrentamento do governo zumbi, indiferente às ruas, alimentados quase que unicamente pela hipótese Lula.

Esse cenário de incertezas contribui também para a permanência de Temer fato que vai nos levando para a quarta fase do luto como o vê Elisabeth Kubler-Ross, a depressão. Aos interessados, há muita coisa sobre as fases do luto de Elisabeth Kubler-Ross na internet.

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Dimensionando o retrocesso, o tempo e as forças em disputa, por Ion de Andrade

Foto: Reprodução

Recentemente assisti a um filme de Renato Tapajós de 2006 intitulado “Políticas de Saúde no Brasil: Um Século De Luta Pelo Direito à Saúde”.

O filme estabelece um paralelo entre a história do Brasil no século XX e a evolução dos diversos modelos assistenciais que atravessaram a nossa história. Os últimos fatos mostrados tocam à oitava Conferência Nacional de Saúde e à criação do SUS.

Interessante ter visto esse balanço histórico de um século, soldado por inúmeras vitórias populares, das quais o SUS é parte, à luz dos dias de hoje.

Obcecados pelo presente, como estamos hoje, e não sem razão, o filme retrospectivo me permitiu :

a) dimensionar o retrocesso atual à luz da história,  

b) dimensionar as forças em disputa ontem e hoje e

c) perceber, para além da tristeza e dores do momento que a luta social se desenrola em longos períodos de tempo e que as vitórias são a obra de um ator social que vence o tempo, que é maior que a singularidade dos indivíduos e que é transcendental. Leia mais »

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Redes sociais e catarse coletiva, por Ion de Andrade

Redes sociais e catarse coletiva

por Ion de Andrade

Para além da imensa capacidade de comunicação e organização que proporcionam, as redes sociais permitem a expressão das frustrações coletivas de forma socialmente inócua.

Cada vez que uma injustiça é cometida, seja ela de natureza política ou dessas que assombram o nosso cotidiano a nossa primeira iniciativa é denunciá-la ou compartilhá-la nas redes sociais. Afora o aspecto positivo de difusão das informações que tocam ao interesse coletivo de forma maciça, não conseguimos dimensionar ainda se o vazio das ruas decorre de uma catarse que é a expressão privada e inócua da indignação de fato iludida de que possa ter caráter coletivo ou impacto político.

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O Estado Social como ponta de lança contra o golpe, por Ion de Andrade

Preparemo-nos para as manifestações monstruosas que devem vir com bandeiras amplas como a de plebiscitos revogatórios das Reformas

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Por Ion de Andrade

Se há algo nessa crise política que é uma chance para o Brasil é o fato de que as decisões tomadas pelo governo golpista são a um tal ponto ilegítimas que, mesmo que não venham a ser facilmente devolvidas ao lixo da história, deverão ser o objeto de algum processo de legitimação futura por exigência do próprio processo democrático.

Isso é verdade pois o projeto que está sendo implantado não é o que foi aprovado nas urnas, o processo de impeachment não sustenta cinco minutos de análise isenta, os Poderes viraram covis de bandidos que agem à luz do dia, a imparcialidade republicana virou uma piada, as Reformas prejudicam profundamente a maioria que é explicitamente contrária e a base social do golpismo se desfez, o que só não se manifesta mais explicitamente porque esses setores vivem do luto a fase da negação. A inação desses setores é apenas o prelúdio de uma reação mais forte, quando a realidade dos fatos lhes ceifar renda, emprego e oportunidades. Então essa ilegitimidade latente se tornará, em algum momento, explosivamente manifesta.

Dois fatos do momento recente ilustram a dinâmica do processo: (1) em Natal um movimento grevista de médicos aspira a “concursos públicos” num contexto de Estado mínimo, de Reforma trabalhista e de terceirizações aprovadas e vigentes... e (2) o aumento dos combustíveis, segundo informou uma liderança do movimento dos caminhoneiros, só não gerou protestos para não beneficiar o PT (talvez também para evitar o vexame...). A verdade é que há cada vez mais setores que começam a suspeitar fortemente que foram feitos de otários.
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A onda democrática virá. Como conduzi-la?, por Ion de Andrade

Foto: Paulo Pinto/Agência PT

Por Ion de Andrade

Todos sabemos que estamos vivendo fase kafkiana da vida nacional. Essa fase produzirá efeitos e consequências políticas e uma crescente insatisfação social quanto mais esses efeitos venham a ser sentidos. Para citar:

  1. Na área de orçamentos públicos a PEC 55 congela por vinte anos setores vitais para a manutenção de níveis mínimos de civilidade nas áreas da previdência, da saúde e da assistência social, além de ciência e tecnologia e segurança pública.
  2. Na área trabalhista a lei das terceirizações precarizará enormemente vínculos trabalhistas já indignos e vulneráveis e a recente amputação da CLT nos dispensa comentar;
  3. Na área previdenciária a possível aprovação da Reforma ou de parte dela com toda a sua legião de inomináveis crueldades para com os trabalhadores pobres nos obrigará a trabalhar até  a morte;
  4. Na economia a desarticulação da cadeia do petróleo, a redução dos níveis de nacionalização das encomendas de máquinas pesadas, a destruição da indústria naval e da engenharia nacional já produzem a insatisfação em amplos setores do empresariado;
  5. No que toca ao Salário Mínimo o fim dos reajustes vinculados ao crescimento do PIB permitirão que a economia cresça e que o país prospere tornando os seus trabalhadores cada vez mais miseráveis; na área social o desmonte do pouco de Estado de bem estar duramente conquistado não será isento de consequências;
  6. Nos Poderes constituídos a adoção da festa da ilha fiscal como norma permite: (a) no Judiciário, a juízes, inclusive os que espalhafatosamente dizem combater a corrupção, o recebimento de salários nababescos e ilegais, enquanto a fome volta ao país, (b) no Legislativo a impunidade ostensiva, inclusive para crimes comuns como homicídios e tráfico de drogas, com total desfaçatez e (c) no Executivo a legitimação da advocacia administrativa pelo presidente da República que nem se dá mais ao trabalho de desmentir a mídia que o acusa da compra de parlamentares para escapar das denúncias que pesam contra ele;
  7. Na defesa a volta do Brasil à condição de anão militar o que poderá custar muito caro à nação;
  8. Na diplomacia a desmoralização completa do país no exterior;
  9. Na política interna e na mídia uma perseguição implacável às forças que poderiam reverter o quadro e, finalmente;
  10. Na política a adesão estóica das forças que produziram o golpe (com a justificativa da crise econômica e da corrupção) de um cenário incomparavelmente mais grave para o país e, em alguns casos,  para si mesmas o que exprime uma adesão desconectada da racionalidade e aponta para um adormecimento da crítica, grave e compatível com uma potencial fascistização desses setores.

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— Os cães ladram, Sancho! É que estamos avançando, por Ion de Andrade


Foto: Reprodução

Por Ion de Andrade

Incorporada à cultura do cotidiano esse diálogo de Miguel de Cervantes entre Dom Quixote e Sancho Pança, ilustra à perfeição o momento atual da crise brasileira. Sim, porque demonstra que, não fosse a relevância dos feitos da era petista, as forças conservadoras não teriam tido a “necessidade” desse esgarçamento sócio-político-econômico e moral com que nos brindou o golpe, a sua legião de monstros e a sua terra arrasada.

Sejamos claros, conscientemente ou não, (porque parte da tomada de decisões é intuitiva de todos os lados) esse preço, alto demais, só se tornou aceitável para a burguesia brasileira e seus aliados (sob a hegemonia que têm) pelo fato de que estavam todos eles profundamente convencidos ao nível das singularidades individuais, (pois da conspiração participaram muitíssimos e não só o topo), de que enfrentavam um verdadeiro esforço de guerra.

Portanto, esse esforço extremo, - de lançar a honradez às favas e condenar um inocente, de destruir tecidos inteiros da economia nacional, de favorecer a sujeição externa e as humilhações internacionais, de atuar pelo prejuízo de segmentos importantes da economia nacional, ou de reduzir o mercado de trabalho e o mercado consumidor- embora beneficiem economicamente o imperialismo, fazem parte do sacrifício de guerra para tentar enterrar de uma vez a única coisa que nesse caso urge inadiavelmente de ser enterrada: a Revolução Brasileira.

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Contra o golpe: Unidade estratégica e liberdade tática, por Ion de Andrade

Foto: Agência Brasil

A inviabilidade do governo Michel Temer está escancarada. Pouco há por ser feito porque a derrocada parece ter sido metodicamente construída por atores internos e externos ao governo golpista.

Enxergando os fatos retrospectivamente o contraparentesco entre Moreira Franco e Rodrigo Maia, preenche de maus presságios a barca furada comandada por Temer. Uma pergunta guia para entendermos a profundidade da conspiração é: - Por que Moreira Franco seria contra a acessão do seu genro à Presidência da República? Moreira é o articulador político de quem, além de si mesmo? Nesse cenário de mudança de hegemonia no comando do golpe, Moreira Franco é, surpreendentemente, o eixo estável e fixo em torno do qual gira a roda da política.

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Construir uma Alternativa à crise política, por Ion de Andrade

Foto Danielo Shutterstock

Construir uma Alternativa à crise política

por Ion de Andrade

Em 1984 o PCB lançava o livro "Uma Alternativa Democrática para a Crise Brasileira". Por meio daquele conjunto de propostas o partidão pretendia alinhar um amplo leque de forças e assegurar a transição e a consolidação da democracia no Brasil. Lançado nas movimentações em favor da sua legalização o texto exprimia a visão do Comitê Central.

A “Alternativa”, como passou a ser chamada, representava o eixo central da política do partido e norteava o trabalho da militância em todas as searas, provendo um importantíssimo alinhamento entre a macro e a micropolítica, o que permitiu a um PCB microscópico uma influência política maior naqueles anos. A formulação do partidão teve ainda relevância, apesar do seu esfacelamento, enquanto fundamentação teórica e política para a complexa engenharia que deu vida à constituição de 88.

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De como a Coreia do Norte inaugurou o mundo multipolar, por Ion de Andrade

De como a Coreia do Norte inaugurou o mundo multipolar

por Ion de Andrade

A Coreia do Norte parece mais um país saído de um universo ficcional inverídico: é uma espécie de monarquia que sobreviveu ao... comunismo. Parecem quadrinhos dos anos cinquenta (ruins). Para além disso, o pouco que nos chega não nos permite firmar opinião clara, mas a imaginamos como um... estalinismo monárquico... (um esdrúxulo conceito). Não sabemos se haverá guerra entre esse país e os EUA. Até aqui não houve e parece que há muito a considerar antes que os Estados Unidos desfiram um ataque preventivo.

Sun Tzu n’A Arte da Guerra diz que os maiores generais não são conhecidos, porque ninguém soube das guerras que eles ganharam sem lutar. A guerra até aqui não havida entre a Coréia do Norte e os Estados Unidos, à qual a mídia ocidental não vem dando qualquer relevância (sinal que é importante), parece estar sendo vencida de forma esmagadora pela Coreia do Norte. Essa “não guerra” está definindo parâmetros cruciais para os próximos conflitos e para o futuro e bem que poderia constar nos livros de história como o evento de inauguração do mundo multipolar. O meu acompanhamento pobre vem sendo feito pelo Google, com “North Korea” e selecionando a “última hora”. Sem querer prever o que virá, a ênfase das notícias vêm saindo da guerra propriamente dita e migrando para os aspectos morais do regime de Piong Yang, sinalizando a meu ver uma perda de temperatura. O episódio envolvendo um estagiário americano preso por lá e devolvido quase morto à família não permite, é verdade, alimentar muitas ilusões sobre o regime. Porém, no contexto das relações internacionais esse “não conflito”, ainda que se converta num conflito de verdade, parece configurar uma virada decisiva na história contemporânea.

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Obras na avenida Engenheiro Roberto Freire em Natal: Plebiscito Já!, por Ion de Andrade

Obras na avenida Engenheiro Roberto Freire em Natal: Plebiscito Já!

por Ion de Andrade

O presente artigo é uma síntese de discussões ocorridas num grupo de especialistas e entidades dos movimentos sociais e comunitários de Natal a que incorporei outras ideias originadas de discussões externas a esse grupo, tais como a ideia do “Plebiscito já” e a do “Projeto Futurístico para a cidade”, como propõe a Carta de Natal dos movimentos sociais e comunitários da cidade (clique aqui para conhecer o documento).

A avenida Engenheiro Roberto Freire ladeia o Parque das Dunas, o segundo maior parque urbano do Brasil e permite uma vista de rara beleza sobre o Morro do Careca, um cartão-postal da cidade. As obras que o governo do estado do Rio Grande do Norte pretende iniciar mudariam para pior, segundo a opinião de diversos especialistas, o turismo, a economia e a moradia na região mais turística do estado, local onde os moradores prezam por sua qualidade de vida.

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A esquerda e a questão republicana, por Ion de Andrade

A esquerda e a questão republicana

por Ion de Andrade

Raramente um fato aparentemente tão desimportante quanto o episódio que envolveu Miriam Leitão num vôo foi alvo de tanto interesse público. Por que? O que houve por trás disto que justificou tamanha atenção. Sabe-se que o que atrai a atenção dos passantes num acidente de trânsito é que ele encerra uma verdade que deve ser entendida por razões de sobrevivência. Se um fato, aparentemente menor, atraiu tanta atenção é porque algo tem a ensinar.

Habituada a agredir petistas e pessoas ligadas ao campo progressista em enterros, internamentos hospitalares, restaurantes e nas ruas, a turba fascista em que se converteu a direita tradicional no Brasil, nunca recebeu reprimenda de nenhuma das suas organizações políticas de referência e, como quem cala consente, essa expressão de ódio tornou-se o comportamento normal, o modus operandi daqueles que aspiram a governar e estão governando o Brasil. Como já disse alguém, no Brasil não temos esquerda e direita, mas Casa Grande e Senzala, o que insere esses ódios novos a uma velha tradição nacional que relega aos de debaixo, o pó.

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Golpe: a anatomia e a fisiologia de um desastre, por Ion de Andrade

Golpe: a anatomia e a fisiologia de um desastre

por Ion de Andrade

No golpe os fisiológicos queriam Impunidade e os ideológicos as Reformas: os primeiros serão presos. Por que ainda defendem Reformas que não somente não sobreviverão ao tempo como acentuarão a sua condição de bandidos?

A abordagem do golpe como à de um acidente aéreo, ideia apresentada nalgum post desse mês, que infelizmente não encontrei de novo para citar, embora alegórica, pois o golpe foi uma trama, permite visão de conjunto e da relação (ou não) entre si das múltiplas causas que o produziram. Permite também entendê-lo de forma mais aprofundada com vistas a evitar, ainda que num futuro distante, que se repita, interrompendo o processo democrático novamente. O golpe não foi acidental. Foi proposital. Mas poderia não estivessem reunidas todas as circunstâncias sombrias que o acompanharam, não ter tido êxito.

Sem querer ser exaustivo vou alinhar de forma muito simplificada um encadeamento de interesses que finalmente resultaram no golpe e fazer um balanço do cenário atual, onde os diversos que compõem o golpismo, perderam o controle da situação.

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Podemos fazer mais?, por Ion de Andrade

Foto: Paulo Pinto/Agência PT

Por Ion de Andrade

Entrando na discussão de Fernando Horta e Luis Felipe Miguel

As discussões na esquerda e no campo democrático em torno da agenda de um próximo governo Lula vêm tendo o mérito de induzir a uma reflexão sobre alcance e limites da era trabalhista e fazem parte de um exercício de balanço autocrítico mas também diagnóstico desse período, cuja compreensão é crucial para que possamos ir adiante. Vou abordar aqui três vertentes que me parecem representativas da formulação da esquerda e do campo democrático da atualidade e eu as criticarei construtivamente em busca de horizontes de consenso e retomada. Então vou abordar essa temática do "fazer mais" por um ângulo diferente dos meus predecessores.

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Com um Presidente investigado no cargo, o STF patrocina a advocacia administrativa, por Ion de Andrade

Com um Presidente investigado no cargo, o STF patrocina a advocacia administrativa

por Ion de Andrade

O crime de advocacia administrativa, segundo o artigo 321 do Código Penal Brasileiro, se define como "patrocinar, direta ou indiretamente, interesse privado perante a administração pública, valendo-se da qualidade de funcionário."

A gravidade das denúncias apontadas pela PGR, ouvidas por todos e acolhidas pelo STF, não seriam, em absoluto, de natureza a permitir que um funcionário público, mesmo de baixo escalão, pudesse permanecer no cargo.

O que faz o ser humano acuado e com o horizonte de liberdade cada vez mais estreito? Se defende desesperadamente com todas armas que estiverem ao seu alcance. Se tiver poder terá a seu dispor o arsenal correspondente. Mas o que, então, está à disposição de um Presidente da República?  Todo o Poder Executivo em especial as instituições responsáveis por investigar e punir o crime pelo qual está sendo investigado. É como se as galinhas fossem julgar a raposa que cuida do galinheiro.

Cabe ao presidente, por óbvio, escolher o Ministro da Justiça que por sua vez, em seu nome, poderá mudar as chefias da Polícia Federal a seu favor. Coincidentemente o Ministro da Justiça acabou de ser mudado, fato que coincide com o que, noutra gravação, sugeriu Aécio Neves. Onde estamos?

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Mística do poder legítimo, “Diretas Já” é Excalibur!, por Ion de Andrade

Foto - Poder 360

Mística do poder legítimo, “Diretas Já” é Excalibur!

por Ion de Andrade

Ou de por que não podemos abrir mão das diretas

Em um ano a base de apoio do golpe foi reduzida a escombros. Nem mesmo a ditadura às vésperas de sua derrocada conseguiu tamanho isolamento. A desmoralização do governo é tal que os custos do apoio que a sua base política ainda insiste em lhe emprestar serão politicamente incalculáveis. Quantos dos que apoiam Temer serão reeleitos?

E as ruas inverteram a tomada de iniciativas para o campo da oposição. A tomada de Brasília por dezenas de milhares de brasileiros vindos dos quatro cantos do Brasil é prenúncio de que outras virão. A possibilidade de que a nossa distante capital seja palco de manifestações volumosas de gente de todas as lonjuras é nova e alvissareira. Significa que finalmente consolidou-se como capital política 57 anos depois de fundada. Doravante nem a capital será refúgio seguro para políticos habituados ao marasmo daqueles espaços imensos e vazios onde talvez creiam poder tudo.

Porém no nosso campo ainda não se desenhou uma estratégia comum para construir o Fora Temer, nem o pós Temer. Diretas já? Anulação do Impeachment? Negociação de uma plataforma e de um nome de compromisso para a retomada da democracia com suspensão das reformas?

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Mas afinal, quem são os juízes envolvidos?, por Ion de Andrade

Mas afinal, quem são os juízes envolvidos?

por Ion de Andrade

As delações de Joesley Batista produziram na nossa surrada república uma situação que beira o surrealismo. A Rede Globo, destino principal da publicidade do gigante que é a JBS, aderiu, ao lado do seu mega-anunciante, protagonismo de aliado, contra o já impopular governo Temer, filho seu.

Ferido de sua imensa impopularidade e ilegitimidade esse governo Temer ruma inevitavelmente para o abismo. Essa derrocada se dá de forma espetacular, uma rara implosão pública catastrófica, que consegue colocar em segundo plano o mergulho aos abismos do próprio Aécio Neves, senador e presidente do PSDB, partido que comandou a cassação de Dilma por pedaladas fiscais. Mas não apenas o senador mineiro ficou em segundo plano nesse cenário de guerra total que a rede Globo abriu contra Temer. Citados e  sem identificação formal, há a figura de dois juízes comprados pela JBS. Ontem Paulo Henrique Amorim perguntava quem seriam esses juízes.

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A fala de Nassif em Natal e o papel das universidades no Projeto Nacional, por Ion de Andrade

A fala de Nassif em Natal e o papel das universidades no Projeto Nacional

por Ion de Andrade

No dia 12 de maio tivemos, no auditório da reitoria da UFRN em Natal, palestra de Luis Nassif sobre o momento atual e os riscos para a democracia no Brasil. O evento foi promovido pela Associação de Docentes da UFRN, a ADURN/Sindicato. O auditório estava lotado e se fizeram presentes, dentre muitos outros, a Senadora Fátima Bezerra, a deputada federal Zenaide Maia, o deputado estadual Fernando Mineiro, dentre inúmeras outras lideranças e autoridades atestando a importância da formulação de Nassif no contexto nacional e do GGN como grande fórum para a retomada da democracia no Brasil.

Com uma visão rica e abrangente, Nassif apontou inicialmente para a estratégia do assassinato de reputações como método de destruição da viabilidade política das lideranças da esquerda mundo a fora e dos líderes que encarnam projetos nacionais, proscritos da globalização e hoje esmagados e submetidos à governança do capitalismo global. Citou diversas lideranças internacionais que passaram pelo mesmo calvário de perseguição político-judiciária que hoje morde Lula.

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As redes sociais e o fascismo, por Ion de Andrade

As redes sociais e o fascismo

por Ion de Andrade

A provável derrota de Marine Le Pen na França, precedida de derrotas emblemáticas do fascismo na Europa, como as da Áustria, Holanda e do plebiscito regulando a naturalização facilitada na Suíça, faz crer que nessa rodada chegamos a um teto. Na França, no entanto, o rastro de ódio deixado por Marine Le Pen, cria ambiente político inédito desde a segunda guerra mundial.

Dito isso, e é o que precisa ser enfatizado, a extrema direita cresceu enormemente nesses últimos anos, alcançando na Europa cifra que poderia situar-se em diversos países na casa dos 30% do eleitorado ou mais. É verdade que não se trata de fenômeno universal, que nem todos os países estão igualmente tocados e que os fascismos europeus constituem movimento que estranhamente sequer tem identidade comum. E há os movimentos semifascistas de cunho nacionalista como o que produziu o Brexit na Inglaterra por exemplo que compartilha com os outros fascismos europeus o medo/xenofobia do estrangeiro, uma forte base rural ou de setores urbanos de baixa renda e o fato de ter surfado uma onda de ódio, rara naquele país.

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A desagregação do golpismo, a Lista de Facchin e a restauração democrática, por Ion de Andrade

Imagem - STF Notícias

A desagregação do golpismo, a Lista de Facchin e a restauração democrática

por Ion de Andrade

Ou de como o cenário atual pode tornar-se prelúdio de uma volta à normalidade.

A desagregação do golpismo e a Frente Antagônica

A luta contra a ditadura exigiu mais de vinte anos para a formação de uma força social capaz impor-se a ela. A Frente Democrática apontou para a Constituinte como forma de implantar em definitivo a democracia no Brasil.

Mais de meio século depois, cá estamos nós praticamente devolvidos ao ponto de partida, porém, diferentemente do que ocorreu em 64, a velocidade com que o atual governo de exceção se desagrega é extraordinária.

Isto sugere hegemonia mais curta do que os mais de vinte anos que durou a ditadura militar. Apressar o fim desse regime nefasto ao Brasil e aos brasileiros é a mais importante tarefa do momento e a ela nenhuma outra se sobrepõe. Leia mais »

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A morte do ministro Zavascki: um recado claro ao STF e ao Judiciário, por Ion de Andrade

Por Ion de Andrade

A morte do ministro Teori Zavascki, ainda que tenha sido um acidente e não um assassinato, não poderá ser tratada com banalidade pelo STF.

Intencional ou não o seu desaparecimento alivia e beneficia a muitos e o ganho secundário com a sua morte não pode, sob qualquer hipótese, ser permitido aos investigados.

A inação do STF no enfrentamento desse problema significará conviver com outro maior e mais grave: os juízes que ousarem confrontar os poderosos coronéis da direita serão eliminados como moscas. Mesmo a confirmação do acidente não eliminará o sentimento de que se tratou de um atentado, e o recado, real ou simbólico, estará dado. Em outras palavras a morte de Zavascki beneficia os alvos das delações da Odebrecht no processo da Lava Jato do ponto de vista prático, como também beneficia os seus iguais, de hoje e do futuro, do ponto de vista simbólico.

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A Saúde Pública, os médicos e os super-ricos, por Ion de Andrade

por Ion de Andrade

O governo Temer vem desferindo continuamente alguns duríssimos golpes contra a saúde pública e contra os médicos sob silêncio geral de entidades que deveriam, por dever de ofício, exprimir-se contrariamente com veemência. Duas exceções ao silêncio: a redução pelo Ministério da Saúde do número de profissionais médicos nas UPAs (de quatro para dois no mínimo) e o glorioso projeto dos planos de saúde para pobre, visando aliviar a Atenção Básica, receberam notas negativas por parte de algumas entidades.

Mas a representação política de uma categoria tem a obrigação de antever no cenário político e econômico o que pode efetivamente ameaçar os interesses estratégicos para o exercício profissional, devendo ir para o enfrentamento tanto na macropolítica quanto na micro.

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Um compromisso das forças vivas da Nação que guie a política, por Ion de Andrade

Por Ion de Andrade

Estou entre os que não acreditavam no golpe e sofri pesada ressaca com esse desfecho. Subestimei a correlação de forças e a tradição golpista das nossas elites. E cá estamos nós, lançados num cenário imprevisível, no qual o golpe e o "golpe no golpe" é que estão na ordem do dia.

Do nosso lado nos debatemos entre os que acham que os problemas se deveram a uma condução errada por parte do governo Dilma no varejo da política, e os que acham que há muito o que ser aprendido num contexto que teria sido devido, em grande medida, a uma insuficiência da esquerda para o enfrentamento de uma crise de hegemonia bem mais profunda.

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Saúde, direito dos planos, dever dos mais pobres, por Ion de Andrade

Por Ion de Andrade

Pode um ministro da saúde ameaçar a ordem constitucional?

Na semana passada o ministro da Saúde Ricardo Barros foi a público, em entrevista à BBC, dar como inviável o princípio constitucional da saúde como direito de todos e dever do Estado. A suposta falta de recursos estaria na raiz do problema. Os planos de saúde, mais baratos e com menor cobertura, seriam a solução.

É evidente que o Ministério da Saúde já teve ministros preocupados com o financiamento da saúde, como foi o caso de Adib Jatene, que propôs a criação da CPMF, além de outros que militaram pela inclusão dos recursos oriundos do pré-sal na saúde, ou pela regulamentação da emenda 29 que estabelece a vinculação de recursos das três esferas de governo para um processo de financiamento mais estável do SUS. O atual ministro não pertence a essa família honrosa de ministros, aliás de muitas e variadas origens partidárias.

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Os médicos estão entre os mais prejudicados pela PEC 241, por Ion de Andrade

por Ion de Andrade

A PEC 241 que pretende congelar o SUS e outras áreas sociais e que ameaça a milhões, poderia ser interpretada como o ato mais lesivo que um governo poderia desferir contra a profissão médica. Dois fatos ainda limitam essa percepção entre os profissionais: não houve tempo suficiente para a  reflexão sobre o impacto dos malefícios trazidos por essa emenda e há verdadeira incredulidade de que um governo, apoiado maciçamente pelas entidades médicas, possa ter sido efetivamente capaz de jogar a uma bomba atômica contra tudo o que interessa à profissão, tanto nos aspectos relacionados ao trabalho médico. quanto nos relacionados ao capital.

Abaixo listei, sem querer ser exaustivo, dez motivos pelos quais a PEC 241 vai agredir frontalmente o exercício profissional médico. Antes, porém, vale posicionar algumas questões chaves, para quem não entendeu ainda o que está em jogo.

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Onde os custos do SUS explodirão nos próximos 20 anos?, por Ion de Andrade

por Ion de Andrade

Os custos do SUS explodirão nos próximos 20 anos... no colo dos estados e municípios, profissionais e pacientes

A PEC 241 se propõe a congelar os orçamentos públicos por vinte anos, corrigindo-os apenas pela inflação.

Essa matemática de gabinete é inteiramente inexequível. Os custos assistenciais terão, para as faixas etárias mais altas, 80% de acréscimo apenas pelo seu crescimento vegetativo. Isto significa que, daqui a vinte anos, se nenhuma outra variável mudar e tudo for igual a hoje, os custos da saúde serão 80% maiores para esse custoso e cada vez mais numeroso grupo de usuários.

A razão disto está no inexorável envelhecimento populacional do Brasil.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) prevê para os próximos vinte anos uma explosão inédita no número de idosos e a emergência de uma pgeração de centenários.

Apesar de oficialmente serem tidos por idosos apenas os que têm idade superior a 60 anos, os custos assistenciais começam a crescer a partir dos 40 anos.

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Sem objeto em 2015 o processo de impeachment é nulo de pleno direito

Por Íon de Andrade

As discussões no Senado vão consolidando a posição de que o processo em curso não se sustenta e é nulo de pleno direito.

Testemunha CONTRA Dilma Rousseff, o procurador do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (TCU) Júlio Marcelo de Oliveira admitiu na manhã desta segunda-feira (2), durante sessão da comissão especial do impeachment no Senado, que não houve crime de responsabilidade em 2015 por parte da presidente Dilma Rousseff.

Já anteontem a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) apresentou duas questões de ordem à Comissão Especial do Impeachment no Senado. Na primeira delas, a senadora pede a suspensão do processo na comissão até que as contas presidenciais de 2015 sejam julgadas pelo Congresso Nacional.

De fato, quando o pedido de impeachment foi acatado, o ano fiscal sequer tinha sido encerrado – a petição faz considerações a manobras contábeis praticadas pelo governo naquele ano. A senadora diz que o governo tem prazo constitucional de 60 dias após o início da sessão legislativa para apresentar a prestação de contas referente ao ano anterior, ou seja, o governo teve até o início de abril de 2016 para prestar as contas de 2015. O prazo é também posterior ao acatamento do pedido de impeachment pelo presidente da Câmara dos Deputados.

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A democracia será vitoriosa, por Ion de Andrade

Por Ion de Andrade

Desde a abertura por Eduardo Cunha do processo de impeachment no ano passado que as forças golpistas se posicionaram como derrotadas no cenário da derrubada do governo eleito. Diz Sun Tzu n'A Arte da Guerra: "Quem ocupa primeiro o campo de operações, esperando o inimigo, é aquele que se garante em posição de força; o que chega depois, lançando-se ao combate, já está enfraquecido."

Os deputados, naquela altura, por voto secreto, foram, sem gente na rua ou articulação prévia, mais numerosos do que o terço suficiente para barrar o impeachment.

Em dezembro passado considerei que a oposição exposta e cercada pela sociedade civil seria esmagada, os via não somente com poucas chances de vitória, como também com pouca munição, mas subestimei a variável indignidade.

Chefiada por Cunha a oposição lançou-se perante tudo e todos como como uma força macabra, guiada pelo personagem mais identificado com a cobiça e com o dinheiro do Congresso Nacional. Deixou-se com isso impregnar e identificar pelas velhas imagens arquetípicas que, ao longo da história, assimilaram certos exércitos às forças mal. Mamon é um termo, derivado da Bíblia, usado para descrever a cobiça, nem sempre personificado numa entidade ou divindade, significa em hebraico, simplesmente “dinheiro”. Quando personificado representa o mal.

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Assediada e agredida na porta de casa, deputada Zenaide Maia (PR) emite Nota

Um grupo de pessoas extremamente agressivas veio hoje à minha casa com trio elétrico gritando palavrões, insultando minha família e soltando fogos de artifício. Aparentemente partidários do Cunha e do Temer e com atitudes que lembram a era Hitler, falavam sobre o processo de impeachment.

Eu já informei através da imprensa, há alguns dias, que estou afastada de minhas atividades parlamentares devido a um sério problema de saúde do meu filho, que tem deficiência.

A ocorrência de hoje ultrapassou todos os limites. Na ocasião, cheguei a sair à rua para pedir que parassem ao menos os fogos de artifício porque estavam afetando o meu filho, que está em recuperação de uma grave crise, há mais de quinze dias, como divulguei. Além de não ter sido ouvida voltaram a me dirigir insultos ainda mais desrespeitosos, sobretudo para uma mulher e mãe de família.

Atos desta natureza que atentam contra os direitos individuais são inaceitáveis e não podem, nem de longe, ser confundidos com liberdade de expressão ou de opção política - institutos democráticos que respeito e pelos quais lutei ao longo da vida. Leia mais »

Sem votos

Temer, o rato que ruge, por Ion de Andrade

Por Ion de Andrade

O PMDB deixou o governo. Uma posição que será lembrada na história como traição à democracia.

Irremediavelmente dividido, a sua saída se dá sob essa ampla posição: “Quem ficar no governo não representa o PMDB". Esse é o maior lance que esse grupo ligado ao vice-presidente pode realizar na guerra de tudo ou nada em que embarcou para derrubar Dilma Roussef. A montanha pariu um rato.

A pressa nessa tomada de decisão exprime força ou fraqueza? Me parece que a angústia reina sobranceira no coração do vice-presidente. De fato, será realmente catastrófico para ele a perda na aposta do impeachment.

Diversos articulistas têm sinalizado para a dificuldade extrema para a oposição de alcançar os tais 342 votos necessários ao impeachment.

De fato é difícil, dificílimo aliás, sobretudo pelo fato de que os 171 necessários ao governo estão comprando a mercadoria “poder” no preço mais baixo. Um terço dos deputados são suficientes para levar o cesto completo. A oposição a está comprando no topo do preço. Precisa de doisterços para levar o mesmo cesto. E, apesar da saída do PMDB, no campo do governo o coração é grande e cabem também PMDBistas. Os mais dignos e mais democratas estarão com Dilma.

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PMDB: Caim, Caim, onde está teu irmão

Como já dissemos o PMDB não é base aliada, é governo. Isso decorre do fato de que o PMDB não é aliado de Dilma, é tanto quanto o PT, titular de um mandato fundador do governo.

Na política, o mandato é algo que tem uma dimensão de sacralidade. Fosse na Igreja poderia ser comparado ao casamento ou ao sentido de fraternidade.

Um mandato tem que ser honrado, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença. Num sistema em que o Poder emana do povo, como deve ser a democracia, nada há fora do acordo feito entre eleitos e eleitores por ocasião das eleições.

O Povo escolheu o PMDB para ser governo, trair isso desmoraliza o partido num momento em que (incrivelmente) pretende ser um novo polo de poder. A situação do país, no entanto, exige, ao olhos de todos, responsabilidade maior. A saída do PMDB pode produzir uma crise transitória de governabilidade para Dilma, mas inviabiliza moralmente a opção de um Temer irresponsável e egoísta no mais grave momento do Brasil. Aí está talvez um fato positivo. Leia mais »

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