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Blog de Guilherme Scalzilli

Por que tanta perplexidade?, por Guilherme Scalzilli

Por que tanta perplexidade?

por Guilherme Scalzilli

Havia razoáveis bases técnicas para o TSE rejeitar o pedido de cassação da chapa Dilma-Temer. O tribunal só prolongou a ação para garantir o afastamento da petista caso ele fosse derrotado no Congresso. Nessa hipótese, como vimos, a deposição beiraria a unanimidade da corte, mesmo que as suas fragilidades permanecessem.

Mas questões jurídicas são irrelevantes para entendermos a absolvição, que manteve o caráter político de todo o processo do impeachment. O TSE acaba de lançar a última pá de terra sobre o que restava da ilusão de legitimidade naquele episódio.

E o fez com um recado constrangedor aos fãs do salvacionismo judicial: se os mesmos critérios punitivos valessem para todos, não sobrariam governantes em exercício no país. Democracia é coisa séria quando não envolve petistas.

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Diretas já?

Desconfio ser inviável qualquer caminho para a eventual substituição de Michel Temer que fuja ao voto indireto. Sim, há medidas jurídicas e legislativas que poderiam dar substância constitucional à proposta. O problema é que ela não interessa às únicas esferas capazes de viabilizá-la. Leia mais »

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A Lava Jato continua seletiva e tendenciosa, por Guilherme Scalzilli

A Lava Jato continua seletiva e tendenciosa

por Guilherme Scalzilli

O esquisito imbróglio jurídico-midiático envolvendo Aécio Neves e Michel Temer suscitou declarações aliviadas em torno do suposto caráter apartidário da Cruzada Anticorrupção. Bobagem da grossa. E é curioso verificar o recurso a ela quando o viés tendencioso (para não dizer conspiratório) do aparato judicial se faz tão presente.

Um simples passeio pelas páginas sociais dos membros da Lava Jato bastaria para dirimir qualquer dúvida quanto à isenção de suas autoridades bravateiras. O uso de ferramentas de promoção ideológica revela o conceito que têm de suas responsabilidades e o tipo de ética profissional que adotam.

Mas poderíamos citar outras evidências. O recorte cronológico de Sérgio Moro na apuração do escândalo da Petrobrás, livrando FHC. A manipulação dos depoimentos, impedindo-os de chegar a tucanos graúdos. A exclusão de uma testemunha-chave na petição contra Geraldo Alckmin. O número irrisório de políticos do PSDB indiciados pelo STF. O incrível desprezo pelas suspeitas envolvendo José Serra.

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Greve contra o golpe, por Guilherme Scalzilli

Greve contra o golpe, por Guilherme Scalzilli

O alvo simbólico da greve geral foi o golpe parlamentar que empossou Michel Temer. As reformas forneceram um mote persuasivo às mobilizações, dando-lhes verniz apartidário, mas são indissociáveis do impeachment que as tornou ilegítimas. Reduzir a paralisação a pautas trabalhistas seria tão enganoso quanto ver na corrupção o único incentivo das passeatas de direita do ano passado.

Prova do subtexto político incontornável é a defesa apaixonada que as reformas recebem, na mídia corporativa, dos recentes porta-vozes do golpismo. O boicote do noticiário e as tentativas de enquadrar a greve nas bolhas ideológicas de praxe repetem os artifícios da propaganda jornalística do impeachment. Não mudou sequer a retórica salvacionista.

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A ética vitoriosa de Donald Trump, por Guilherme Scalzilli

Ilustração do Le Monde Diplomatique Brasil

A ética vitoriosa de Donald Trump, por Guilherme Scalzilli

Publicado na página do Le Monde Diplomatique Brasil

A perplexidade generalizada com o resultado das eleições presidenciais nos EUA deixou escapar um ponto simples e fundamental: o sucesso de Donald Trump não ocorreu apesar de sua figura polêmica, mas exatamente por causa dela. Em outras palavras, o machismo, a xenofobia e a intolerância do candidato fizeram parte de uma bem-sucedida estratégia publicitária.

Isso significa que o republicano soube reproduzir a imagem de liderança que as pesquisas qualitativas demonstraram ser mais atraente para seu público-alvo. O risco de incorporar tal personagem nunca seria assumido, numa campanha bilionária, com centenas de profissionais envolvidos, se houvesse qualquer perspectiva de fracasso. Leia mais »

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A Lava Jato está no forno, por Guilherme Scalzilli

A Lava Jato está no forno, por Guilherme Scalzilli

O pior efeito colateral das delações dos executivos da Odebrecht é a credulidade que inspiram no público. Ávidas pelo teor escandaloso das narrativas, as pessoas deixam de contextualizá-las, isto é, de tomar a sua própria divulgação como parte de um fenômeno mais amplo e relevante do que o teor dos relatos.

Por que só agora vêm à tona os conhecidíssimos elos criminosos de certas figuras? Por que nada surgiu quando essa cáfila agenciava um golpe parlamentar em nome da moralidade? E por que os depoimentos apareceram de uma vez, sem o conta-gotas personalizado que outrora serviu para destruir reputações?

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O que as ruas nos dizem

É justificada a ironia dos críticos da Lava Jato diante do fracasso das passeatas promovidas pelo fã-clube de Sérgio Moro. Mas convém não desvirtuar o vínculo das recentes manifestações com as hordas golpistas que desfilaram no ano passado.

A baixa adesão atual está longe de significar que o apoio aos justiceiros arrefeceu. Ela mostra, pelo contrário, que os protestos de outrora é que não serviam como demonstrações de respaldo à causa anticorrupção. Leia mais »

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Os limites de Moro, por Guilherme Scalzilli

Os limites de Moro, por Guilherme Scalzilli

O melhor exemplo da tolerância que Sérgio Moro desfruta na cúpula do Judiciário, na imprensa corporativa e nos círculos favoráveis ao impeachment foi dado pelos debates sobre a condução coercitiva de Eduardo Guimarães. Embora os comentários repudiando o arbítrio de Moro tenham sido quase unânimes, a maioria usou adjetivos virulentos e radicalizados contra o blogueiro, reservando eufemismos suaves para o juiz, sempre com loas à importância da Lava Jato.

Culpar a vítima constitui vício antigo, de triste e reincidente memória. Mas o que chama a atenção é a condescendência geral com a atuação de Moro, como se o juiz estivesse a salvo da rigidez absoluta que ele próprio impõe a seus desafetos. Ou, ainda pior, como se o episódio ficasse restrito à simplória questão do sigilo de fonte, convenientemente transformada em foco hegemônico das críticas.

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O "isentão" e a neutralidade ideológica, por Guilherme Scalzilli

O "isentão" e a neutralidade ideológica, por Guilherme Scalzilli

Publicado no Observatório da Imprensa

Em meio à polarização que inflama os fóruns digitais, ganhou notoriedade uma linha argumentativa supostamente avessa a todos os flancos que porventura participem dos debates. A tendência, calcada no repúdio indiscriminado à esfera política, atrai descontentes que não querem se comprometer com programas e legendas. A eles ficou associada a alcunha “isentão”, que já entrou para o léxico informal da mídia brasileira.

Cabe esclarecer que não estamos no âmbito da relutância, da ambiguidade, da incerteza, do desinteresse e de outras reações compreensíveis diante de algum tema espinhoso. O diferencial do “isentão” reside tanto na postura incisiva, polêmica e amiúde raivosa nos debates políticos quanto na superfície retórica de objeção aos mesmos comportamentos. É uma espécie de hooligan da (falsa) neutralidade.  Leia mais »
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Sobre a união das esquerdas, por Guilherme Scalzilli

União das esquerdas

Por Guilherme Scalzilli

No cenário eleitoral de 2018, há dois setores relevantes do campo progressista: os grupos que orbitam ao redor de Lula e aqueles antipáticos à sua proeminência. Ambos os flancos são inconciliáveis, pois têm como diferencial privilegiado a figura do ex-presidente e as posturas antagônicas que ele provoca.

Essas divergências espelham narrativas opostas sobre fenômenos decisivos da política brasileira recente. Uma delas envolve a natureza golpista do impeachment e o papel do PT no processo. Outra, a ideologização do Judiciário e as “excepcionalidades” da Lava Jato, incluindo o justiciamento ideológico de Lula.

O conflito de versões é inevitável, assim como a cizânia resultante. A esquerda antipetista vê tantas dificuldades em se afastar dos seus apoios velados ao golpe e aos inquisidores judiciais quanto o PT em coadunar com as forças que tentam destruí-lo. Especialmente porque a discórdia está inserida numa dinâmica de responsabilização mútua pela tragédia administrativa e moral que acomete o Poder Executivo.

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Privilégios, por Guilherme Scalzilli

Privilégios, por Guilherme Scalzilli

Há algo muito esquisito na metamorfose que vem sofrendo a percepção pública acerca do STF. Menos de um ano depois de servir como alicerce moral do golpe, a corte virou uma espécie de paraíso da delinquência política. E quem o diz é a própria claque da Lava Jato, com suporte da mídia corporativa.

A demonização marqueteira do foro privilegiado, que já alcança o nível de campanha civilizatória, só pode ser tomada como afronta à idoneidade do tribunal. Caso contrário, o julgamento dos egrégios ministros, com a rapidez e o rigor que lhes cabem, seria visto como a grande arma da cruzada anticorrupção.

O que teria mudado nesse curto período? Como foi possível se deteriorar tanto a imagem de uma instituição festejada há pouco pelos mesmos setores que ora a desqualificam? E ainda hoje tais interesses não continuam sendo protegidos pelo STF?

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Diferentes diferenças

A nomeação de Lula à Casa Civil, em março passado, tinha potencial para impedir o golpe parlamentar contra Dilma Rousseff. Tanto que foi sabotada, numa artimanha duplamente ilegal, e a conspiração teve êxito. Leia mais »

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Conspiração, por Guilherme Scalzilli

Conspiração

por Guilherme Scalzilli

É inútil esperar grandes revelações sobre o episódio que vitimou Teori Zavascki. Jamais saberemos toda a verdade, seja pelas dificuldades técnicas e materiais de qualquer apuração do tipo, seja porque a improvável descoberta de indícios criminosos dificilmente chegaria aos seus eventuais autores, menos ainda aos mandantes.

Resta-nos uma espécie de disputa narrativa em torno da própria incerteza com a qual teremos de conviver. Mesmo sem esperança de sanar as suspeitas plausíveis, sugiro que as protejamos dos rótulos paranoides que elas recebem de crédulos e cínicos. Duvidar é sempre o caminho menos alienante.

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Balanço do Golpe VI

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É necessário resistir à Cruzada anticorrupção

Publicado na página do Le Monde Diplomatique Brasil


Enquanto a esquerda brasileira busca novas agendas e programas, o tema da corrupção vem ganhando protagonismo cada vez maior nos seus debates. Vejo essa tendência com perplexidade e desalento, pois a considero um erro conceitual e estratégico grave, que pode mesmo inviabilizar a sobrevivência do progressismo organizado no país.

Chamo doravante de Cruzada o amplo repertório subjetivo que acompanha a pauta anticorrupção nos moldes atuais. O termo abarca tanto o viés místico da plataforma quanto seu imaginário bélico, ambos tendo como principal símbolo a operação Lava Jato, apesar de não restritos a ela. A qualificação busca espelhar também o uso sectário do programa, o hábito de desqualificar seus críticos por suposto apoio a alas “infiéis”. Leia mais »

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A cidadania criminalizada, por Guilherme Scalzilli

A cidadania criminalizada

por Guilherme Scalzilli

As figuras antipáticas e impopulares de Anthony Garotinho e Sérgio Cabral embotam os significados de suas prisões. Mas a identidade dos personagens (e até sua inocência) tem pouco a ver com o aspecto mais preocupante dos episódios: o exibicionismo punitivo esvaziado de conteúdos jurídicos ou morais.

A banalização do encarceramento, a humilhação pública dos réus, a pantomima da soldadesca, a verborragia agressiva dos procuradores, eis que o teatro “excepcional”da Lava Jato vai sendo naturalizado, virando uma rotina de atitudes extremas desnecessárias.

Esse costume só existe graças ao limitado leque partidário da operação. Sua isonomia negativa espelha o recorte originalmente desigual, que também explica a tolerância que a operação desfruta na cúpula do Judiciário. Se tratamentos indignos pudessem atingir lideranças do PSDB, o precedente seria cortado na primeira tentativa.

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Balanço do golpe V, por Guilherme Scalzilli

por Guilherme Scalzilli

O poder da mídia

Os grandes veículos de comunicação participaram de duas maneiras no projeto golpista: dando unidade narrativa à pauta do impeachment e atuando como agentes coercitivos sobre os parlamentares que o materializaram.

A primeira estratégia pode ser resumida na construção de certo catastrofismo antipetista centrado em temas fortes como a corrupção, a crise econômica e o estelionato eleitoral. Em todos os casos, seguiu-se um padrão de conciliar o viés tendencioso do noticiário com o opinionismo ativista, alimentados mutuamente por enunciados comuns.

O moralismo seletivo, o terror econômico e a inédita preocupação com os eleitores criaram uma simbologia meritória para o impeachment. A ideia era amenizar o caráter fisiológico e hipócrita do golpe, dando enredo ao teatro salvacionista dos parlamentares. A falsa base jurídica do processo, com o suposto aval do STF, teve função similar.

A segunda estratégia lidou com a face propagandística do amplo empreendimento público e privado das passeatas pelo impeachment. Ali as corporações midiáticas empenharam todas as suas ferramentas mobilizadoras: divulgação de agendas, pautas temáticas, entrevistas com organizadores, artigos deles próprios, incentivos diversos.

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Balanço do golpe IV, por Guilherme Scalzilli

O papel do Judiciário, por Guilherme Scalzilli

A esquerda erra quando alinha o Poder Judiciário entre as forças responsáveis pelo impeachment. Essa aproximação obscurece a natureza parlamentar que define o golpe, dando-lhe um viés jurídico e meritório que ele não possuiu.

Dois episódios cruciais do impeachment nasceram de gravações telefônicas a cargo da operação Lava Jato: a de Romero Jucá e a conversa entre Dilma Rousseff e Lula. A primeira mobilizou as tropas que viabilizariam o golpe; a segunda anulou a última possibilidade que o governo tinha de barrá-lo.

Mas ambos os casos envolveram atos clandestinos, anexos à ilegalidade, próprios do terrorismo policial desses tempos “excepcionais”. Não tiveram o caráter institucional da perseguição a Lula, por exemplo, que segue uma agenda clara, sistemática e oficiosa. E foram ações auxiliares para um processo restrito ao âmbito legislativo.

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Pelo julgamento imediato de Lula, por Guilherme Scalzilli

por Guilherme Scalzilli

Publicado no Brasil 247

As acusações frágeis e especulativas contra Lula ficaram muito aquém do aporte logístico e dos custos financeiros, pessoais e legais da Lava Jato. Depois de todas as arbitrariedades e devassas, submeter o petista a juízo meramente político é uma constrangedora frustração de expectativas.

Embora útil para aliviar a decepção com Sérgio Moro e preparar o ataque a seu alvo principal, a prisão de Eduardo Cunha terá efeitos colaterais. Além de envolver o inventor do golpe e o governo ilegítimo, servirá como padrão comparativo para os delitos atribuídos a Lula, expondo a afoiteza e a leviandade dos indiciamentos.

O sumiço de Rodrigo Janot, que garantiu a preservação inicial dos justiceiros, é sintoma da encruzilhada em que a operação agora se encontra. O recuo da caça a Lula ficou impossível, mas seu desgaste institucional beira os limites aceitos pelas cortes superiores, às quais restará a dura tarefa de maquiar o caráter ideológico dos processos.

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Malufismo jurídico

Às vezes encontro uma curiosa distorção do apanágio malufista “rouba mas faz” (originado em Adhemar de Barros), aplicado a Lula. O malufismo é o último refúgio do petista, e variações equivalentes.

A acusação aos apoiadores de Lula remete a certa excrescência pragmática da política populista. Inaugurando obras, o sujeito pode afanar quanto quiser. São todos corruptos de qualquer forma, só importam os resultados práticos, etc. Leia mais »

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Balanço do golpe III

As ruas

Qualquer afirmação sobre o apoio popular ao impeachment é especulativa. As poucas estatísticas disponíveis aferem muito mais o alcance midiático do tema do que sua própria avaliação pela sociedade. O respaldo maciço a novas eleições, por exemplo, embaralha os sentidos possíveis da rejeição a Dilma Rousseff. Leia mais »

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O suave passeio de Jonas

Jonas Donizette (PSB) reelegeu-se prefeito de Campinas com larga margem. Seu vice é filho de José Roberto Magalhães Teixeira (1937-96), co-fundador do PSDB, que dá nome a anel viário, rodovia, escolas, avenidas e praças na cidade.

Veterano radialista, habilíssimo em comunicação, o prefeito recebe apoio antigo, sistemático e escancarado, creio até ilegal, de toda a imprensa corporativa campineira. Toda. Mídia esportiva, religiosa, informativa, musical, radiofônica, impressa, televisiva. Leia mais »

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Balanço do golpe II, por Guilherme Scalzilli

por Guilherme Scalzilli

A base parlamentar

A causa direta do golpe foi o desmoronamento do apoio a Dilma Rousseff no Congresso Nacional. O desgaste começou com o fracassado projeto de criar um “centrão” via PSD, ganhou cores vingativas após a chegada de Eduardo Cunha à presidência da Câmara e virou conspiração quando Michel Temer o substituiu no comando dos insatisfeitos.

Politicamente inapta, inflexível e mal assessorada, Dilma não soube (e em boa medida não quis) aplacar as pressões do fisiologismo. Suas concessões programáticas pouco aliviaram o problema, pois a aparência entreguista dos ministérios tenebrosos escondia uma relação esquizofrênica e autodestrutiva com as bases partidárias.

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Balanço do golpe I, por Guilherme Scalzilli

Balanço do golpe I, por Guilherme Scalzilli

Introdução

Os equívocos administrativos dos governos Dilma Rousseff são insuficientes para explicar o sucesso do golpe. Os péssimos índices sócio-econômicos, a corrupção e a impopularidade não abreviaram os mandatos de José Sarney e FHC, por exemplo.

A associação dos fracassos gerenciais de Dilma com a queda visa dar a esta um verniz meritório, criando pretextos para a negociata que os golpistas apelidaram “julgamento político”. A responsabilização da vítima esconde suas tentativas de resistência e, acima de tudo, os esforços sistemáticos da mídia, do Judiciário e do Congresso para sabotá-las.

A viabilização do golpe se deu no âmbito estratégico. O impeachment representou uma confluência de elementos que foram se articulando ao longo dos últimos três ou quatro anos, nem sempre de forma planejada, mas partindo de setores com o mesmo interesse.

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Lula também será vítima do "julgamento político", por Guilherme Scalzilli

por Guilherme Scalzilli

Publicado no Brasil 247

Jamais existiu a menor perspectiva de Lula ser tratado com isenção nos processos da Lava Jato. Sua condenação em primeiro grau é tão óbvia quanto o viés antipetista do Judiciário. "Não temos provas cabais, mas temos convicção", o mote da denuncia feita pelo Ministério Público, resume perfeitamente essa tendência. Leia mais »

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Dívida histórica

É importante manter e divulgar registros detalhados sobre o apoio de políticos, jornalistas, magistrados, empresários e até militantes de redes sociais ao golpe parlamentar contra Dilma Rousseff. Contribuir para essa memória equivale a manter a chama da resistência nos tempos sombrios que se anunciam. Leia mais »

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Golpe a Jato, por Guilherme Scalzilli

Golpe a Jato, por Guilherme Scalzilli

O país assiste passivamente à consumação do golpe parlamentar contra Dilma Rousseff. As audiências no Senado se transformaram em farsa legitimadora do processo, repetindo a eleição indireta que alavancou o regime militar de 1964. Antes e agora com aval do STF, da mídia corporativa e do empresariado.

Se algo desautoriza esse paralelo, não é a falta de arbítrio no caso atual. Abusando de suas prerrogativas e agindo em sintonia com a agenda do impeachment, o comando da operação Lava Jato sabotou cada esboço de resistência petista no Congresso. As gravações ilegais que antecederam o processo na Câmara e o indiciamento de Lula às vésperas da decisão no Senado dispensam comentários.

O tal “juízo político” dos senadores se resumiu a negociatas promovidas pelo banditismo interino. Grupos sem respaldo popular tomaram o governo de assalto e garantiram, no interior da máquina, que a invasão ficasse irreversível. E, pior, com estratagemas bem mais lesivos do que as manobras contábeis usadas contra Dilma.

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As medalhas de Lula e Dilma

Frustraram-se as previsões catastrofistas sobre os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Fica escancarado, mais uma vez, o caráter mentiroso, provinciano e irresponsável das bravatas apocalípticas. As desculpas dos seus propagadores (“não foi bem isso que eu quis dizer”) apenas reforçam, pelo gesto de explicar, a ridícula admissão do erro.

 

Parece incoerente criticar a politização boçal do evento e depois politizar o seu sucesso. A questão é que toda a cobertura midiática dos Jogos foi politizada, tanto nos ataques anteriores quanto na aparência neutra do patriotismo que dominou as transmissões.

 

Nada é mais escandalosamente partidário que omitir o papel dos governos Lula e Dilma na realização dos Jogos e, acima de tudo, na conquista de medalhas e marcas inéditas. Comemorar a superação de atletas humildes e esconder os programas petistas que os apoiaram rebaixa o cinismo jornalístico a uma desonestidade própria de estelionatários.

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Medalhas são mesmo prioridade?

Como em toda competição internacional, a turma do provincianismo vira-latas tentará desmoralizar os resultados da delegação brasileira nos Jogos Olímpicos do Rio. Agora, por motivos óbvios, com fúria redobrada. Leia mais »

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Emoções olímpicas, por Guilherme Scalzilli

por Guilherme Scalzilli

A simultaneidade abrangente da televisão diminui o fascínio grandioso da experiência nos Jogos Olímpicos, mas a presença nas competições impossibilita apreender algo além delas próprias. Paradoxalmente, a impressão de amplitude e diversidade fica mais nítida à medida que essas características se fazem menos apreensíveis.
 
O clima geral é festivo, deslumbrado e ordeiro. A sensação de segurança predomina, inclusive nas regiões sensíveis. Chega a soar surpreendente o baixíssimo número de ocorrências negativas registradas pela mídia. São inúmeras disputas simultâneas, multidões imensas circulando por centenas de quilômetros sem parar, pessoas de todas as nacionalidades, faixas etárias e motivações.
 
Sim, ocorrem problemas. No BRT, principalmente, que não se preparou para as responsabilidades assumidas pelo transporte rodoviário nos Jogos. Não existem mapas das linhas especiais no site da empresa, nem nas estações. Muitos funcionários dão informações desencontradas. Ninguém organiza as aglomerações nos horários de pico.

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