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Blog de cspimentel

As origens liberais do "Deus Mercado"

Claudio Santana Pimentel

 

O presente texto pretende apresentar a partir dos trabalhos de Peter Seele e Lucas Zapf, as origens liberais da noção de Deus Mercado. Minha intenção é expor a tese básica dos autores, a argumentação que a fundamenta e suas implicações e consequências. Dessa maneira, pretende-se contribuir para uma visão um pouco mais refinada da discussão ética em economia e de suas implicações para a sociedade, a partir de uma pesquisa pouco acessível ao público de língua portuguesa e que tende a ficar restrita aos especialistas. Leia mais »

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Seis filmes e a relação capital-trabalho, por Claudio Santana Pimentel

Seis filmes e a relação capital-trabalho

por Claudio Santana Pimentel

Tempos de incertezas, ou de crueis certezas que se impõem, reforçadas pela recente aprovação da reforma trabalhista, reforma que, como tem sido comum neste país, mais uma vez privilegia os interesses não dos trabalhadores, mas do capital.

As artes, e o cinema especialmente, propiciam oportunidades para refletir sobre a relação capital-trabalho; sobretudo, por ressaltar a assimetria entre trabalhador e patronato, a desigualdade entre o empregado e o patrão, cuja negação é a premissa interesseira do neoliberalismo e de seus representantes.

A presente lista apresenta alguns filmes que, de diferentes maneiras e mirando diferentes momentos históricos, oferecem subsídios para pensar essa relação além e contra a métrica neoliberal.

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Canções sobre um país injusto, por Claudio Santana Pimentel

Foto Divulgação documentário Os Donos da Rua

Canções sobre um país injusto

por Claudio Santana Pimentel

Muito se tem discutido, aqui no GGN, mas também em vários lugares, sobre porque razões o brasileiro comum permanece silencioso diante dos acontecimentos, especialmente nestes dois últimos anos, em que vê seus direitos serem vilipendiados ao mesmo tempo em que a democracia que garantia de alguma maneira esses direitos é . 

Superioridade moral? Cordialidade? Anestesia irreversível após anos submetidos ao tratamento midiático-midiótico dos grupos hegemônicos que controlam a comunicação? Servidão voluntária? Incompreensão da gravidade dos acontecimentos, mesmo daqueles que lhe atingem de maneira direta?

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Breve crônica de uma democracia e seu drama

por Claudio Santana Pimentel

 

Virada de século. Os portugas tomam posse de terras além-Atlântico. Terras essas habitadas por gentes que, devido ao equívoco de um navegador, foram apelidados "índios". Portugas e índios conviviam bem, os índios ajudando os portugas a levarem para suas embarcações, a princípio madeira, que deu nome à terra, e, com o passar do tempo, pedras preciosas.

As pedras preciosas fazem com que os portugas se aventurem mais ao interior das terras. Um historiador os chamaria "caranguejos", por viverem aferrados ao litoral. Os portugas começam também a plantar: cana-de-açúcar. Mais tarde, viria o café. Ainda mais tarde, a soja, o gado. Tudo para o estrangeiro. Apenas o necessário à subsistência permanecia para os locais. Leia mais »

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O único Maia digno de ser síndico do Brasil: Sebastião Rodrigues, o Racional

por Claudio Santana Pimentel

 

O primeiro vídeo abaixo mostra porque ele, Tim Maia, seria o único síndico que poderia tirar este país da crise.

Irônico, irreverente, debochado.

Festeiro.

E genial.

Apenas alguém com sua sensibilidade musical poderia levar isto - o Brasil - adiante.

Dando voz à cultura popular:

 

 

Ele que mostrou, em um de seus últimos trabalhos, um jeito "anti-João Gilberto" de cantar a já não tão nova bossa...

 

 

 

Fora todos os outros!

Para síndico do Brasil, Sebastião Rodrigues, Tim Maia, o Racional:

 

 

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Violência ou Martírio, de Valéria Camargo: um estudo sobre as fontes do Direito Islâmico

por Claudio Santana Pimentel

O controverso fenômeno dos atentados - geralmente adjetivados "terroristas" - que acontecem sobretudo na Europa, frequentemente é abordado de maneira superficial. O emprego irrefletido de expressões como "terrorismo islâmico"  pelo presidente ianque, Donald Trump, seu uso superficial do conceito de "choque de civilizações" desenvolvido por Samuel Huntington, apenas colabora para o aumento do preconceito e da discriminação. A incompreensão de setores reacionários da sociedade brasileira em relação à recente Lei de Migração, pode ser considerada exemplo próximo dessa mentalidade, que infelizmente parece hegemônica nos tempos atuais.  Leia mais »

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Montaigne: ensaiar a amizade

 

por Claudio Santana Pimentel

 

Um observador da condição humana

Michel de Montaigne (1533-1592) nasceu em uma família burguesa que, devido ao poder econômico, ascendeu à nobreza, e se esforçava para conciliar a nova mentalidade dos tempos modernos que se anunciavam, marcada pela racionalidade econômica e pelo pragmatismo político, mas mantinha os valores e os símbolos ostentados pela aristocracia medieval. Recebeu uma educação esmerada, dentro desses padrões, com forte influência humanística; formando-se em Direito (1554), desenvolveu uma carreira até certo ponto bem sucedida, da qual se afasta, aparentemente, por indisposição de gênio, que o leva a uma vida relativamente reclusa, sobretudo após a morte de seu grande amigo, Etienne de La Boétie. Leia mais »

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Considerações sobre o Xadrez de Janot e o fundo do poço, por Claudio Santana Pimentel

Considerações sobre o Xadrez de Janot na estrada de Damasco e o fundo do poço, de Luis Nassif

por Claudio Santana Pimentel

Já que se trata de xadrez, e eu no máximo joguei damas, na infância, e mal, lá vai minha visão do que poderia estar por vir:

1. A direita, a esquerda e as mídias tradicionais

A inexistência de um único nome digno que pudesse liderar as forças reacionárias e reconduzi-las a um patamar de no mínimo respeito pelas regras do jogo democrático. Forças reacionárias que se esforçam para destruir os parcos avanços da Constituição Federal de 1988, e, na esteira destes, aqueles que vieram com o Plano Real (fim da hiperinflação - mas que, por outro lado, fez do Brasil o maior sustentador de rentistas internacionais do mundo, coisa que os governos do PT não conseguiram reverter e nem sequer parecem ter tentado enfrentar); os avanços do período Lula-Dilma, simbolizados na democracia de consumo, mas que foi incapaz de preparar e consolidar um modelo democrático de maior participação popular, o que teria sido a consequência mais feliz do espírito da hoje moribunda constituição;

A inviabilidade pelo lado da esquerda, de se unir em torno de um projeto nacional que tivesse por objetivo a restituição da ordem democrática e a possibilidade de avançar essa hoje pífia democracia;

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Bezerra da Silva e a delação no imaginário popular, por Claudio Santana Pimentel

Bezerra da Silva e a delação no imaginário popular

por Claudio Santana Pimentel

Se houve alguém que respondeu, e muito bem, à indagação de Spivak: "pode o subalterno falar?", foi Bezerra da Silva. Migrante nordestino que viveu no Rio de Janeiro, suas composições apresentam, não uma estetização da criminalidade, como alguns podem querer crer - imagino que essa perspectiva é muito mais aplicável ao Cidade de Deus de Fernando Meirelles (para quem a condição subalterna talvez não vá além de um objeto fílmico) - mas uma reflexão muito cuidadosa e criativa desde a perspectiva daqueles para quem o Estado não se faz presente, ao contrário, manifesta-se em sua ausência: na precariedade ou inexistência da escola, do posto de saúde, etc. Manifesta-se, por outro lado, enquanto presença na atuação da polícia, na figura emblemática do delegado, não raro, o único representante do poder público a quem o morador desassistido do morro pode apresentar sua voz, ainda que na condição de depoente, e frequentemente de suspeito. 

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Poesia e vida, trabalho e morte, na Farsa da Boa Preguiça de Ariano Suassuna

Claudio Santana Pimentel

 

A Farsa da Boa Preguiça, peça escrita por Ariano Suassuna em 1960, completa o ciclo de peças religiosas do autor, onde se destacam o Auto da Compadecida (1955) e A pena e a lei (1959). 

Decidi retomar a leitura de um aspecto dela, a visão do trabalho como exploração e gerador de morte, talvez nada mais atual num momento em que os direitos e garantias dos trabalhadores têm sido vistos, à luz do interesse dos donos do capital nacional e internacional (ou seria melhor dizer simplesmente internacional), como obstáculo aos seus lucros (ao desenvolvimento, dizem eles).  Leia mais »

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Mídia e ignorância, ou do desserviço à educação na telenovela brasileira

Claudio Santana Pimentel

Que a educação, e a arte de ensinar, é um desafio, ou mesmo um esforço de Sísifo, é realidade pra lá de conhecida por professores em todo o Brasil.

Concorremos, sempre em desvantagem, contra o fascínio provocado pelas diferentes mídias, e a depreciação que estas, às vezes de maneira implícita, às vezes escancaradamente, fazem em relação às formas, digamos, tradicionais de transmissão de conhecimento.

Mídias e educação formal não são necessariamente conflitantes ou excludentes: ao contrário, as mídias podem e têm sido cada vez mais usadas como recursos pedagógicos auxiliares.

Mas, por vezes, nos deparamos com situações que exigem a reflexão sobre de que maneira as mídias podem ser um instrumento de desserviço à educação. Daí o título "mídia e ignorância".

Como exemplo, a telenovela Novo Mundo, da Rede Globo. Não tratarei aqui dos interesses político-midiático-econômicos dessa empresa, já bastante discutidos no GGN. Leia mais »

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