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Os riscos de uma eleição sem Lula, por Fernando Horta

Os riscos de uma eleição sem Lula

por Fernando Horta

Muitos entendem uma eleição como sinônimo de “processo eleitoral”. Na verdade, dentro do momento sócio-político de uma eleição ocorre, também, um processo eleitoral, mas as coisas não são iguais.

Uma eleição é a refundação ritualística do pacto social gerador de um Estado democrático. É pela representação de um “passado presente” que a sociedade reconstrói e fortalece os laços de respeito e aceitação às regras estabelecidas desde aqueles que já não estão mais entre nós. A eleição é também um júbilo histórico, em que se reafirma que um grupo de pessoas (no nosso caso, mais de 200 milhões) têm mais coisas em comum do que atritos e diversidades.

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Quando a História não é suficiente?, por Fernando Horta

Foto: New York Times

Por Fernando Horta

O século XX não foi o século dos historiadores. O prestígio que a História gozou durante os últimos três mil anos foi eclipsado, no século XX, por uma série de ramos do saber que se diziam detentores de fórmulas para prever o futuro. Até o XIX, o homem olhava para o passado para entender-se, para se referenciar e os historiadores ocupavam – ora com religiosos, ora com filósofos – os postos de “conselheiros” (formais ou informais) do poder político. No século XX, a História foi entendida como “não boa o suficiente”, sendo substituída pela economia, ciência política, relações internacionais, publicidade e outros tantos ramos do saber que prometiam “resultados concretos”, ou ao menos a concretude através de um cientificismo matemático.

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Leis que "pegam'' ou "não pegam" no Brasil de sempre, por Fernando Horta

“Africanos Livres: A abolição do tráfico de escravos no Brasil” é obra recém lançada pela professora e historiadora Beatriz Mamigonian. Uma obra riquíssima para quem quer entender a escravidão brasileira do século XIX, quando o país já discutia, há algum tempo, questões de representação e ideias liberais já faziam parte corrente nos círculos políticos. Para quem não é historiador, pode parecer estranho o liberalismo conviver ao lado da escravidão, e de forma tão cortês. Mas, na realidade, o liberalismo não apenas aceitou a escravidão no Brasil, nos EUA e em círculos europeus no tocante à África, como, no século XIX, apoiou toda sorte de ideologias segregacionistas e de superioridade racial. Muitos acham que o nazismo “surge” na Alemanha, com o verbo “surgir” quase pipocando no texto e trazendo o sentido de surpresa. Nada mais errado. O nazismo é o ponto mais visível de uma série de ideias de supremacia civilizacional do homem branco e da Europa que, se não tinham fulcro direto em teóricos liberais, conviveram harmoniosamente com estes por muito tempo.

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Distritão, distrital e porque alguns estão tão felizes com isto, por Fernando Horta

Distritão, distrital e porque alguns estão tão felizes com isto

por Fernando Horta

Dilma Rousseff iniciou 2014 falando em fazer uma reforma política profunda. Logo no início, ela tentou emplacar o decreto 8243, que nada mais era do que aumentar o nível de participação da democracia. Veja que antes do golpe tínhamos uma democracia representativa e estávamos lutando para passarmos para uma democracia participativa. Agora, lutamos por democracia, qualquer uma, para começar.

Se você pegar as propostas de Dilma em 2014 terá uma noção mais clara do motivo do golpe parlamentar. A discussão sobre a Reforma Política deveria ser feita de forma aberta, consultando-se as universidades, promovendo debates públicos e com grande cobertura da mídia. Está sendo feita às escondidas, por uma série de parlamentares mal preparados, mal assessorados e até mal-intencionados.

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A Estética do fascismo, por Fernando Horta

A Estética do fascismo

por Fernando Horta

Os regimes fascistas e nazistas foram os primeiros a entenderem a importância dos meios de comunicação de massa para a política. No final dos anos 20 e início dos anos 30, o rádio se constituía na grande novidade da tecnologia transformada em produto pelo capitalismo. O rádio, paulatinamente, diminuía de tamanho físico e se tornava um aparelho fundamental na vida das pessoas, em tempos de paz e, mais importante ainda, em tempos de guerra.

O nazismo foi ainda mais além, reconhecendo, na segunda metade dos anos 30, a importância da comunicação, em todas as suas áreas. Hitler e Goebbels, por exemplo, conceberam a necessidade de uma comunicação efetiva, que transmitisse mais do que apenas o texto ou a narração. Contrataram a cineasta alemã Leni Riefenstahl porque, diziam eles, precisavam “aliar a arte à política”. Eis o ponto. Riefenstahl criou uma estética para representar o nazismo. Uma estética embebida em sentidos políticos e sociais que são replicados até os dias de hoje.

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Noves fora..., por Fernando Horta

Noves fora...

por Fernando Horta

A saída de Temer era de duvidoso ganho para os trabalhadores.

A votação do relatório negando prosseguimento à denúncia feita pelo Procurador Geral da República contra Michel Temer, nesta quarta, voltou a demonstrar a vergonha que sente o brasileiro de seu Legislativo. Deputados mal preparados, ignorantes, incapazes de pensar em outra coisa do que em seus bolsos e utilizando o tempo e o dinheiro do contribuinte de forma que – com certeza – fere o decoro parlamentar são a imensa maioria. O deputado Wladimir Costa, que já havia tatuado no corpo dizeres em homenagem a Temer, foi flagrado em fotografias de Lula Marques numa conversa profundamente ofensiva e machista durante o tempo da votação. O histriônico deputado, que havia recebido mais de sete milhões de reais em “emendas” do seu homenageado, é o símbolo da atual câmara baixa: baixa, ignóbil e argentária. Os brasileiros estamos enojados.

Como tinha previsto o senador Romero Jucá, Temer foi protegido pelo mesmo bando que babava ignorância na votação do afastamento de Dilma. As capacidades preditivas de Jucá deveriam já ter chamado a atenção de procuradores e policiais, no caso de estarmos com “as instituições funcionando”. De fato, Jucá disse que “Cunha está morto, esquece o Cunha”, e ele estava certo. A votação de hoje mostra uma câmara vil com ou sem liderança. Cunha é dispensável e deveria começar a se preocupar com sua situação, na prisão.

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As Dinastias do Poder e a Luta de Classes, por Fernando Horta

As Dinastias do Poder e a Luta de Classes, por Fernando Horta

A Ciência não é neutra. Nada, aliás, o é. Mas a Ciência, de todas as formas de aquisição de conhecimento, é a mais objetiva e a que tem tido os melhores resultados práticos. Desde 1620, quando foi publicado o livro Novum Organum de Francis Bacon, a estruturação de uma metodologia científica tem propiciado um intenso desenvolvimento da humanidade. A aquisição de conhecimento e sua validação atingiram também a própria Ciência que se critica e reconstrói a todo o momento.

É claro que vivemos um momento de anti-intelectualismo, em que o conhecimento consolidado precisa lutar por legitimidade com vídeos ou notícias apócrifas na rede mundial de computadores. E esta luta é inglória, pois o juiz frequentemente carece de ferramental cognitivo para fazer a função de julgar. Fica tudo na opinião pessoal, como se nada dali em diante pudesse ser verificado.

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A História como arma, por Fernando Horta

A História como arma

por Fernando Horta

No início desta semana, o chefe da CIA no governo Trump, Mike Pompeo, sugeriu que a agência estaria trabalhando com o México e a Colômbia para depor o governo de Nicolás Maduro. A CIA tem inúmeras “covert actions” na sua história, e o que impressiona é que seu chefe tenha falado de uma delas. De fato, a ação na Venezuela não é mais “covert” há muito tempo. Tanto Capriles quanto Leopoldo López receberam auxílio logístico e até financeiro da CIA, faltava a confissão que Pompeo deu.

Muitos dirão que esta confissão demonstra, “mais uma vez”, que o Brasil também é alvo da CIA e que 2013-2016 seria, então, uma consequência da voracidade yankee. Eu creio que neste tipo de afirmação joga um papel forte o nosso complexo de vira-latas. Entendemos que sequer um golpe nós não temos capacidade de dar sozinhos. É muita falta de fé na nossa direita e nas nossas elites.

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Os Muros, por Fernando Horta

Os Muros, por Fernando Horta

A humanidade, de tempos em tempos, é acometida por um medo irracional de seu semelhante. Desde as muralhas construídas nas primeiras Cidades-Estado da Mesopotâmia, passando pela Muralha da China, pela Muralha de Adriano, o Muro de Berlim e chegando aos atuais muros da Cisjordânia, de Belfast, e a tentativa feita por Trump, na fronteira dos EUA e México. Existem inúmeros outros, com certeza. Em todos os continentes, em todas as culturas, em todos os tempos. Na prática, os muros sempre serviram para proteger algo que algumas pessoas julgavam valioso, de quem era julgado desprezível ou dispensável. Desde razões religiosas, econômicas e até, mais recentemente, culturais são invocadas para consecução material do nosso ódio ao outro: o muro.

Temos inúmeros muros no Brasil. Qualquer condomínio fechado, ou casa com cerca elétrica, é uma reprodução em miniatura deste ódio atemporal que cultivamos. Mas, como a História mostra que os meios mais baratos de contenção não são os físicos, existem muros, de palavras, de valores e até de vazios. Brasília é um bom exemplo. Quem conhece sua urbanística atual percebe que imensos espaços vazios afastam as populações mais pobres dos núcleos ricos ou de onde se exerce poder. Portanto, o muro pode ser de concreto, de pedra ou de vazios. Continuam sendo muros, cujo objetivo é separar e evitar que aqueles que estão fora, entrem.

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O cidadão contra a Lei, por Fernando Horta

O cidadão contra a Lei

por Fernando Hora

Desde o Império Romano se tem claro que o Estado dispõe de tantos meios e recursos que é preciso dar-lhe um limite. Lá, no Velho Continente, depois da Revolta do Monte Sagrado (494 a.C.) os plebeus ganharam o direito de terem um representante seu no Senado. A figura recebeu o nome de “Tribuno da Plebe”, também para que ficasse claro que ele não era (nem nunca poderia ser) senador. As fontes falam em algo entre 4 e 10 representantes da plebe. O número jamais faria frente ao número de senadores, mas o Tribuno tinha dois importantes poderes: tinha poder de veto e sua casa era inviolável. O poder de veto dava ao Tribuno uma oportunidade de barganhar em favor da plebe e a inviolabilidade de sua casa o protegia das artimanhas do Estado e de opositores.

Esta percepção, da possibilidade do abuso do poder, vai ir e voltar durante a Idade e Média e Modernidade, tornando-se sólida apenas após a Revolução Francesa. Era preciso proteger o cidadão do Estado. Os direitos individuais, tornados, ao longo do século XIX e XX, pétreos e, em seguida, aumentados para os “direitos humanos”, têm por função também tal proteção. Para dizer pouco, esta é a pedra-de-toque da construção de todo o arcabouço político e social norte-americano.

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O golpe de Schroedinger, por Fernando Horta

O golpe de Schroedinger, por Fernando Horta

Numa das mais célebres passagens da física contemporânea, o físico Erwin Schroedinger, construiu uma experiência hipotética, em 1935, com uma caixa, radioatividade e um pobre gato. Segundo a mecânica quântica, diversos estados da matéria coexistem no mesmo momento. Como, em realidade, temos que olhar para as partículas que formam a matéria, o mundo seria um, se estas partículas assumissem um estado de matéria, ou seria outro, se assumissem um estado de energia, por exemplo. Como esta dualidade se daria em nível subatômico, qualquer interferência externa seria suficiente para alterar esta realidade, para constituir um universo ou outro, dentro de tantos possíveis. Leia mais »

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Com Supremo, com tudo, por Fernando Horta

Com Supremo, com tudo

por Fernando Horta

Em março de 2016 vazava uma conversa entre o ex-presidente Lula e a presidenta Dilma Rousseff em que Lula dizia, em alto e bom som, que temos uma “suprema corte totalmente acovardada”. Não vamos rediscutir a ilegalidade do vazamento, a falta de punição aos agentes públicos que vazaram o áudio ou ao fato de que os governos de Lula e Dilma terem indicado quase todos os ministros desta corte. De fato, se Dilma tivesse continuado seu governo e a PEC da Bengala não tivesse sido aprovada, Lula e Dilma teriam indicado 10 dos onze ministros do STF. Apenas Gilmar Mendes seria a exceção.

Este cenário também deve ser levado em conta para entender a inércia da corte quanto ao golpe.

Mas para quê, afinal, serve o STF?

Existem estimativas de que o STF custe R$ 1,7 milhão de reais por dia ao povo brasileiro. Um tribunal caro para um judiciário que está entre os mais caros do mundo, chegando ao valor anual de quase 80 bilhões de reais, o que representa algo como 1,3% do PIB. Segundo números do judiciário, ele próprio arrecadou apenas R$ 45 bilhões, sendo deficitário, portanto.

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A Estrada do Desespero, por Fernando Horta

A Estrada do Desespero, por Fernando Horta

Em 2008 ocorreu a maior crise da história do capitalismo. Só para a economia norte-americana estima-se um prejuízo de vinte e dois trilhões de dólares e mais de três milhões de empregos[1]. O prejuízo no mundo todo é ainda difícil de calcular mas estima-se que seja mais quinze trilhões de dólares[2]. Os estudos científicos falam numa queda de mais de 50% do comércio global[3]. Este efeito foi ainda piorado pela crise do Euro em 2010[4], na desaceleração do consumo chinês[5] e pelo fim o super ciclo das commodities em 2013[6]. Para se ter uma ideia, os principais parceiros comerciais brasileiros são a China, a União Europeia e os EUA (nesta ordem[7]) e todos reduziram seus consumos.

Se o prejuízo material da crise de 2008 supera o da crise de 1929[8], a percepção social não chegou a tanto. Em 29, houve caos social, pânico econômico, suicídios diversos e a geração de uma percepção de que o capitalismo estava errado em essência. Duas ideologias opostas passaram a atacar o capitalismo internacional de forma muito clara: o nazi-fascismo e o socialismo soviético. A força de ambos os discursos vinha da própria realidade econômica, a URSS simplesmente não sofreu abalo algum com os efeitos de 29 e seguiu crescendo a taxas bem altas e a Alemanha, após ter sua economia destroçada entre 29 e 33, conseguiu com Hitler atingir o pleno emprego e retomar o crescimento. As duas fórmulas atacavam a percepção do individualismo e do capitalismo transnacional, mas davam soluções diferentes. Enquanto o modelo nazifascista trabalhava com a ideia central de “pátria” e reafirmava a necessidade de um “capitalismo nacional” o modelo soviético propunha a negação tanto da ideia de nação quando da de capitalismo.

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De tudo um pouco, menos justiça, por Fernando Horta

De tudo um pouco, menos justiça

por Fernando Horta

Não diferem, em essência, a epistemologia que norteia o trabalho do historiador daquela que deveria nortear um juiz. De fato, seus trabalhos são muito semelhantes. Ambos criam narrativas sobre o passado através de um corpo de provas previamente recolhido. Pesam-se as importâncias de cada narrativa, seus pontos de apoio, suas falhas, incongruências para, no fim, oferecer uma explicação sobre uma ausência que fazemos – à força – presente. É a vontade do historiador que traz o passado de volta. Isto já se tem muito claro na historiografia. O peso dos fatos históricos é dado por quem reconstrói a narrativa. Os juízes – alguns – ainda parecem viver no mundo da “verdade absoluta”, como se eles fossem observadores distantes e plenos de um passado perfeitamente apreensível. E sobre a narrativa deste passado, não exercessem qualquer deformação.

Existem, entretanto diferenças entre os ofícios, nem tanto a de “responsabilidade” como dizem alguns. Se é verdade que alguns juízes tem a responsabilidade sobre a vida ou morte de certas pessoas (suas liberdades, posses e etc.) também é verdade que o historiador a tem sobre a memória de civilizações inteiras. Quando um historiador erra, engana-se ou deixa de fazer seu trabalho, milhões perdem sua existência, ainda que em forma de memória. E o passado costuma ser repetido. Mas, enquanto a sentença de um juiz tende a ser plena no momento e totalmente desimportante no futuro, a narrativa histórica trilha o caminho inverso. Uma sentença judicial de cem anos é totalmente desprezível como tal, uma narrativa historiográfica que sobreviva por cem anos tem uma força que sentença alguma jamais terá.

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Muito alto, muito perto, por Fernando Horta

Muito alto, muito perto

por Fernando Horta

No dia 1º de maio de 1951, Getúlio Dornelles Vargas discursava para os trabalhadores após voltar a presidência, desta vez por meio de eleição. O último mandato de Vargas não seria terminado em função de seu suicídio e é marcado pela aproximação do presidente das massas trabalhadoras. No texto original do pronunciamento, Vargas faz apelos à sindicalização e ao apoio a ele, pois sabia que o parlamento tinha a maioria nas mãos da oposição. A UDN (partido de oposição bastante violenta na época) tinha conquistado a maior quantidade de cadeiras e Vargas tinha consciência de que além desta oposição interna, também experimentaria a internacional. Afora a linguagem da época, o conteúdo do discurso é bastante atual:

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Abominável sociedade, por Fernando Horta

Abominável sociedade

por Fernando Horta

Em junho de 2001, o Jornal Nacional veiculava uma série de reportagens que viria a ser premiada. Marcelo Canellas e Lucio Alves apresentavam a “Fome no Brasil”. O dado revelado era que uma criança morria de fome no Brasil a cada cinco minutos. Em pleno “milagre neoliberal”, como gostam de citar alguns intelectuais e políticos de direita no Brasil, uma criança morria a cada cinco minutos no Brasil. Vou repetir, porque penso que o número deveria ser usado em qualquer discussão sobre política e economia de agora em diante. Ao começar a ouvir qualquer argumento dos defensores desta hipocrisia de direita, pare e escreva “em 2001, aos sete anos do governo FHC, uma criança morria de fome a cada cinco minutos no Brasil”. Repita ou escreva, não importa, mas sempre comece por esta informação. Em seguida, olhe a ginástica retórica que o interlocutor fará e avalie se ela se encontra no campo da ignorância ou da mácula moral insanável. Qualquer das duas opções, é uma conversa que não vale à pena.

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Os ratos, por Fernando Horta

Os ratos, por Fernando Horta

Comparar frações é uma das coisas mais complicadas de se fazer sem uma metodologia própria. O que é menor 7/8 ou 6/9? 7/12 avos ou 3/5? Fica sempre muito difícil sem um parâmetro, uma metodologia que nos possa servir para tornar as coisas “comparáveis”. Michel Temer é uma fração de presidente, Rodrigo Maia outra fração, como presidente da Câmara. Qual o menor?

Temer, da última vez que concorreu como candidato às proporcionais (em 2006), recebeu 99.046 votos para deputado por São Paulo. Ficou em 54º lugar naquelas eleições. Só conseguiu entrar pelo famoso “quociente eleitoral”. Seu recorde foram 252.229 votos na eleição de 2002, quando ficou em sexto mais votado por São Paulo.

Rodrigo Maia é um dos tantos “herdeiros políticos” que estão no nosso parlamento. O filho do ex-prefeito do Rio de Janeiro César Maia, começou sua carreira na Câmara em 1998 recebendo 96.385 votos. Depois, em 2002 teve 117.229, em 2006 198.770, e em 2010 caiu para 86.162 votos apenas. Nas eleições de 2014, afundou mais ainda com apenas 53.167 votos. Ficando apenas em 29º lugar entre os eleitos do RJ. Elegeu-se, também, pelo famoso quociente eleitoral.

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Entre violas e cartolas, o Brasil que se repete, por Fernando Horta

 

Entre violas e cartolas, o Brasil que se repete

por Fernando Horta

E não se pense que tudo isto aí é novo.

Enquanto hoje discutimos se brancos podem compor e cantar samba (que Noel Rosa não nos ouça), na década de 20, 30 e 40 o Brasil era sim dividido. Claramente, claramente dividido.

Quem usava cartola era cartola, quem tocava viola que usasse panamá.

O "malandro" (que era diferente do “mané”) era quem precisava da picardia para dobrar a lei e viver no seu limite. Fazendo isto, equiparava-se um pouco com quem tinha a lei sempre ao seu lado. O mané era aquele que nem tinha a lei por si (por sobrenome, cor ou posses), nem tinha a esperteza para viver com garbo à margem dela.

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Um pedido de desculpas, por Fernando Horta

Um pedido de desculpas

por Fernando Horta

Precisamos, a bem do convívio social, reconhecer quando somos incoerentes ou inconsistentes. Entender o outro é vital numa sociedade, especialmente em momentos de crise como estamos enfrentando.

Esta semana eu percebi o sentimento de repulsa, de impotência e indignação que os apoiadores do golpe no Brasil viveram durante todo o período de governos progressistas (de 2003 até 2014). A opressão do sistema social, político e jurídico deve ter sido insuportável para eles durante todos estes anos. E eu, inadvertidamente, não percebi o quanto era aterrador para a direita.

Desde o início do governo Temer eu tenho sentido, provavelmente, o que eles sentiram por quase 13 anos. Tenho anos de estudo, pós-graduações, experiência em diversos estados como professor e ainda assim tenho me sentido amarrado, sem reconhecer o meu país. Uma vontade imensa de sair gritando a indignação a cada direito perdido, a cada absurdo votado no congresso, a cada morte de pessoas vulneráveis, a cada cobertor retirado no inverno. Ver Mendonça Filho debatendo Educação com Alexandre Frota é simplesmente amedrontador. Ver Romero Jucá e sua desfaçatez falando em “votar reformas pelo Brasil” me engasga a garganta, me deixa enojado de uma forma que eu nunca tinha experimentado.

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Rezaram a missa sem o corpo presente, por Fernando Horta

Rezaram a missa sem o corpo presente

por Fernando Horta

“A explosão de vontade popular que o Partido dos Trabalhadores prometia ficou apenas na vontade. (...) Lula ficou muito aquém da expectativa. Esse malogro relativo complica bastante o futuro dessa legenda; se todo o carisma do líder metalúrgico não lhe trouxe o suporte que se esperava em São Paulo, como será a organização nos demais estados, onde não há Lulas disponíveis?”

O texto acima foi veiculado na Folha de São Paulo no dia 16 de novembro de 1982. Lula ficou em terceiro colocado, com pouco mais de 10% para o governo do estado. O PT fez 8 deputados federais e 12 estaduais no Brasil inteiro. Nenhum governador, nenhum senador. Os comentaristas políticos afirmavam que seria uma legenda “natimorta”. Se em dois anos que teve para se organizar o PT não tinha colhido bons frutos, a verdade é que nada ali indicava – segundo a mídia – que o partido “vingaria”.

Em 1989, Lula recebeu quase 12 milhões de votos para a presidência, fazendo pouco mais de 17% do total. Em 1994, Lula recebia 17 milhões de votos (27% do total) e em 1998 – antes de FHC liberar a crise do real – Lula recebia 21,5 milhões de votos perfazendo quase 32% do total do eleitorado. O PT, que havia recebido 3,1 milhão de votos para governador em 1986, recebeu 5,3 milhões em 1990 (elegendo seu primeiro senador) e em 1994 recebia 6,7 milhões de votos para governador, elegendo os dois primeiro governadores da sigla.

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A economia brasileira estrangulada, por Fernando Horta

A economia brasileira estrangulada

por Fernando Horta

Não existe meio espontâneo de redistribuição de renda no capitalismo.

Anote esta frase aí, ela é oriunda das teorias críticas do século XIX e foi retomada no final do século XX e XXI com a falência das teorias neoliberais. Mas guarde ela aí que nós vamos chegar a ela mais tarde.

Durante a ditadura civil-militar (1964-1985), uma das mais perversas características econômicas do período foi a concentração brutal de renda feita pelos grupos mais ricos. Este conceito “concentração de renda” é sempre mais fácil de se compreender de forma estática. Num determinado momento, faz-se um estudo dos valores apropriados pelos diversos grupos sociais do montante da renda nacional. Ali se tem uma fotografia da distribuição de renda no país. É muito mais difícil, entretanto, reconhecer os processos pelos quais a renda é apropriada. Os canais que levam a esvaziar os bolsos dos mais pobres e encher os cofres dos mais ricos são escondidos em discursos suaves.

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Um lugar chamado Brasil, por Fernando Horta

Imagem: Fotos Públicas

Eu tenho um amigo que afirma, faz tempo, que o Brasil não é um país. O Brasil é um lugar. Um lugar aprazível, é verdade. Com praias, temperaturas amenas, lindas serras, muita natureza, diversidade geográfica, ecológica, étnica ... Um lugar até encantador, precisamos reconhecer. Mas a verdade é que não somos um país. Quando falam em “nosso país” existe uma diferença sutil no termo “nosso”. O “nosso” quando dito por quem tem um sentido coletivo é um nosso abstrato. Um nosso que quer dizer que não é de ninguém. E mesmo sem ser de ninguém é de todos. É um nosso que não aceita divisão. Um nosso que acredita que sempre cabe mais gente, gente diferente, gente igual, ... gente.

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E o general falou... por Fernando Horta

E o general falou...

por Fernando Horta

Eduardo Dias da Costa Villas Bôas é um grande acerto de Dilma, e só engrandece o país.

Uma vez, atendendo a um encontro no Itamaraty, tive a oportunidade de ouvir alguns dos mais importantes tomadores de decisão em Política Externa no Brasil. A certa altura do encontro, um coronel do exército brasileiro tomou a palavra e começou a falar em “dever”, “pátria”, “ideologia”, “esquerdismo”, “Venezuela” e terminava ligando “movimentos sociais” a “baderna”. Me recordo que a fala do coronel tornou a sala em que ocorria o evento, por alguns minutos, nauseabunda. Acredito que o mesmo discurso, hoje no Itamaraty, seria efusivamente aplaudido. Naquele encontro, em 2013, o breve, mas barulhento silêncio que seguiu ao coronel, foi cortado por um embaixador que disse textualmente: “Coronel, nós, democratas latino-americanos, quando vemos uma pessoa de uniforme, com este óculos “Top Gun” que o senhor tem no bolso, falar em “dever”, “ideologia” e “pátria” na mesma frase, nós temos um calafrio”. A fala do embaixador não apenas devolveu ao ambiente dinâmica como constrangeu o coronel de forma direta. O riso, mesmo contido, que tomou conta do salão ajudou a tornar o momento menos duro.

Nesta quinta feita (22), Villas Boas esteve no senado para falar sobre Relações Exteriores e Defesa Nacional. E o general não usou nenhuma das palavras acima, não usou clichês característicos das falas de oficiais mal preparados e deu um tremendo exemplo de um militar com alta capacidade analítica. O general usou conceitos como “identidade”, “imperialismo”, “anacronismo” e voltou a criticar o governo declarando que o Brasil está “à deriva, sem rumo”. O conhecimento do general a respeito de algumas questões teóricas de História impressiona tanto quanto suas posições a respeito do Brasil atual. Não me pegaria de surpresa se o comandante das forças armadas fosse substituído por Temer, pois claramente há um fosso entre o “ministério de notáveis” que cercam o vice-presidente e Villas Boas.

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Teleguiados sim, ingênuos não, por Fernando Horta

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Foto: Franco Bouly

Por Fernando Horta

Foi publicado pela Universidade de Oxford um estudo sobre a propaganda na rede feita no Brasil de 2013 até 2016. O autor é Daniel Arnaudo pesquisador da Universidade de Washington. O tema é ainda muito novo, grande parte das referências de Arnaudo ainda são jornalísticas, mas isto não tira a importância das informações contidas no documento.

Segundo o estudo, o Brasil tem uma população com quase 210 milhões de habitantes e apenas 26 milhões tem acesso regular à internet via computador. Isto poderia parecer pouco e jogar contra a tese de que a atuação nas redes sociais poderia influir na política brasileira. Ocorre que temos quase 250 milhões de celulares aptos ao uso da internet. Em qualquer ponto aberto estes aparelhos se conectam ainda que por um período de tempo curto e seus aplicativos fazem o resto. Neste sentido, privilegiam-se os textos em migalhas (curtos), memes e vindos locais (sites) previamente escolhidos. Apesar da imensa quantidade de fontes de informação na internet, estes 250 milhões de celulares buscam nos mesmos espaços, previamente delimitado, suas informações. Não há busca, não há pesquisa, não há diversidade. É quase um público cativo de determinados fóruns e sítios.

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Por que Temer não cai?, por Fernando Horta

Por que Temer não cai?

por Fernando Horta

A razão principal da manutenção de Michel Temer na presidência é Lula. Não é segredo que o ex-presidente apresenta boas chances de vencer eleições (em 2017 ou 2018) ainda no primeiro turno. Diante disto, a direita e a classe média anti-lula (que não diminuiu um centímetro) veem na figura rota e estropiada de Temer um escudo contra Lula. Houvesse uma chance real de um candidato da direita de disputar o pleito e, creio, Temer já teria sido propriamente defenestrado.

Só esta avaliação, entretanto, não é suficiente. Temer perdeu o apoio do capital, tem a Globo contra si, suas reformas impopulares colocam trabalhadores de diversos setores contra o vice-presidente, e tudo isto se manifesta bem nas pesquisas de opinião que dão-lhe entre 3 e 4% de aprovação – com margem de erro de 3 a 4%. Ou seja, o governo Temer é a margem de erro. Depois da decisão do General Villas Boas de desautorizar o uso das forças armadas não se pode dizer que o exército esteja sustentando o vice. Mesmo que Etchegoyen se encontre com a versão norte-americana do 007 (o espião midiático), colocando isto em sua agenda pública.

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O divórcio da política e do capital: o caso Temer, por Fernando Horta

O divórcio da política e do capital: o caso Temer

por Fernando Horta

Desde a década de 50 até a de 70 a CEPAL (Comissão Econômica para América Latina e Caribe) tem pensado o desenvolvimento econômico da região. Especialmente na década de 70 duas grandes correntes se formaram. A “Teoria da Dependência” (defendida por André Gunder Frank, Celso Furtado e outros) dizia que o problema da América Latina (e do Brasil) era “capitalismo demais”. Afirmava que nós funcionávamos como a periferia de um sistema centralizado nos países ricos. Este sistema tinha como base a condição de manter áreas periféricas pobres, carreando as riquezas para o centro do sistema. Assim, pela própria dinâmica do capitalismo, nós seríamos sempre “subdesenvolvidos”. A solução seria romper com o sistema centro-periferia, através de um vigoroso processo de industrialização que dependia da proteção de mercados e dos investimentos estatais.

De outro lado, se formou a chamada “Teoria do Capitalismo tardio” (defendida por Cardoso de Mello, Fernando Henrique Cardoso e outros) que dizia que o problema da América Latina (e do Brasil) seria “capitalismo de menos”. Como nossas estruturas se formaram a partir de sistemas de trabalho escravistas, semi-servis e relações espúrias entre donos de terra e o Estado, nunca havia se consolidado, de fato, o capitalismo no continente. Sem ocorrer uma ruptura entre os antigos sistemas econômicos e o capitalismo, portanto. O subdesenvolvimento seria, assim, uma falha histórica da região e não um efeito sistêmico, como dizia a “Teoria da Dependência”. A solução seria um “choque de capitalismo” em que se internalizasse uma industrialização baseada no capital privado com a plenitude do livre-mercado.

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Críticas, temperança e o Brasil de hoje, por Fernando Horta

No final da década de 70 e início da de 80, existia uma série chamada “Ilha da Fantasia”. Ricardo Montalban fazia o papel do “senhor Roarke”, o anfritrião de uma ilha-resort que tinha seus encantos e uma boa dose de filosofia. Auxiliando o Sr. Roarke, Hervé Villechaize fazia o papel de Tatoo, um simpático faz-tudo que, normalmente, trazia a história para a realidade. Enquanto Roarke era o pensamento mágico das coisas que aconteciam sem explicação, mas sempre com uma finalidade, Tatoo era o fechamento materialista. Como um condutor dos indivíduos novamente à sua realidade. Desta viagem, os diversos indivíduos que se submetiam, levavam como prêmio apenas o conhecimento, que era desvelado em algum diálogo próximo do fim.

Na Academia somos treinados para vivermos uma eterna viagem à Ilha da Fantasia. A partir de uma determinada base de conhecimento teórico, deixamos o pensamento alçar voo para, em seguida, tentar captura-lo dentro da realidade objetiva, a qual nos cabe viver e conviver. Nas últimas horas eu publiquei quatro textos sobre o mesmo tema. Minha posição é que os EUA não são o “cérebro” articulador por trás das vicissitudes brasileiras desde 2013. Veja que não digo que não colaborou, não digo que não tenha se beneficiado, não digo que não tenha efetivamente participado de alguma forma, não digo. Apenas questiono uma linha de interpretação histórica que remonta à Guerra Fria. No primeiro texto (http://jornalggn.com.br/blog/blogfernando/nao-foram-as-listras-nem-as-estrelas) apresento uma série de argumentos teóricos que fazem parte das críticas que a própria ciência Histórica vem fazendo sobre si mesma. No segundo texto (http://jornalggn.com.br/blog/blogfernando/texto-2-o-velho-senhor-do-pijama-listrado) apresento uma série de argumentos mais empíricos voltados especificamente contra o senso comum.

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S.A.L. Fernando Horta

S.A.L. Fernando Horta

O S.A.L Fernando Horta (Serviço de Atenção ao Leitor) usa este espaço para informar o que se segue:

Acima serão encontrados dois textos. O primeiro, com título "A culpa é das estrelas" deve ser lido pelas pessoas que têm certeza de que os EUA são o principal agente nos fatos que assolam o Brasil desde 2013. O segundo texto, com título "O velho senhor do pijama listrado" deve ser lido por aqueles que têm dúvida.

Informamos que a leitura do texto não direcionado para o seu caso pode provocar vertigens, um certo desconforto e ira. Estes sentimentos podem vir a se tornar mais e mais fortes terminando com palavras ríspidas ou mesmo ódio latente pelo autor. O autor, desde já, informa que entende e que perdoa os nobres leitores. Já pede desculpas antecipadas pelos eventuais sentimentos em caso de descumprimento das indicações acima.

Grato.

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Texto 2 - O velho senhor do pijama listrado, por Fernando Horta

Texto 2 - O velho senhor do pijama listrado, por Fernando Horta

Em 2008, o prejuízo mensurado pela crise financeira foi de US$ 22 trilhões apenas nos EUA. Quando o mundo tentava sair da imensa crise, em 2010 houve a crise da dívida da zona do Euro. O comércio mundial teve um refluxo de quase 40% em valor.  O preço médio da gasolina no varejo norte-americano no período, que estava a US$ a 4,12 em junho, chegou a US$1,61 em novembro de 2008, para se estabilizar em US$2,86 até 2010. O desemprego nos EUA que estava na ordem de 5 a 6% em 2007, atinge 10% em 2008 e se mantem no patamar acima de 8% até 2012. Para piorar a crise econômica norte-americana, a dívida interna fez com que entre setembro e outubro de 2013 ocorresse o “shutdown” da máquina pública. Por 16 dias o governo dos EUA deixou de pagar salários e pensões a todos os funcionários públicos, em todo o país e no exterior. A situação só é contornada com a votação do aumento do teto da dívida pelo congresso no final de outubro.

A maioria dos analistas internacionais e historiadores concordam que a hegemonia política e econômica mundial exercida pelos EUA está em declínio. Não apenas pela percepção de que “nenhum império é eterno”, mas também pelo fato de que, nos últimos anos, uma série de escolhas mal pensadas colocou os EUA em situação delicada. Desde o atentado ao World Trade Center, em 2001, os norte-americanos vêm ignorando organismos internacionais, tornando as suas ações cada vez mais custosas no cenário mundial. As coligações contra o Iraque, contra o Afeganistão, Líbia e Síria promoveram não apenas um desgaste político, mas também um monumental aumento nos déficits internos. Até 2014 estimativas davam conta de que os EUA teriam gasto quase 4 trilhões de dólares com as campanhas militares, com um custo diário de mais de US$ 200 milhões de dólares.

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Texto 1 - A culpa é das estrelas, por Fernando Horta

Texto 1 - A culpa é das estrelas, por Fernando Horta

Em 2008, o prejuízo mensurado pela crise financeira foi de US$ 22 trilhões apenas nos EUA. Quando o mundo tentava sair da imensa crise, em 2010 houve a crise da dívida da zona do Euro. O comércio mundial teve um refluxo de quase 40% em valor. O preço médio da gasolina no varejo norte-americano no período, que estava a US$ a 4,12 em junho, chegou a US$1,61 em novembro para se estabilizar em US$2,86 até 2010. O desemprego nos EUA que estava na ordem de 5 a 6% em 2007 atinge 10% em 2008 e se mantem no patamar acima de 8% até 2012. Para piorar a crise econômica norte-americana, a crise da dívida interna fez com que entre setembro e outubro de 2013 tivesse ocorrido o “shutdown” da máquina pública. Por 16 dias o governo deixou de pagar salários e pensões a todos os funcionários públicos em todo o país e no exterior. A situação só é contornada com a votação do aumento do teto da dívida pelo congresso no final de outubro.

Toda esta situação leva a percepção estratégica dos EUA a posições mais conservadoras com relação à concorrência internacional e ao mercado de hidrocarbonetos. Os EUA mantinham através da NSA (National Security Agency) um programa de arapongagem mundial sobre toda comunicação que pudesse ser captada por redes ou satélites. O início do programa é em 2001 tendo como desculpa a luta contra o terrorismo. Apenas em 2013 que Edward Snowden revela ao mundo a situação. A rede BBC publicou que a espionagem sobre o Brasil teria começado em 2011 (ou antes, segundo o jornal) e que estaria focada na presidenta, em seus assessores mais próximos e em pessoas do alto escalão da Petrobrás. O propósito econômico e político foi denunciado por Dilma em duro discurso em setembro de 2013 na ONU, tendo a presidenta cancelado visita aos EUA.

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