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Blog de Augusto Diniz

“Xadrez de como a Globo caiu nas mãos do FBI”: dois acréscimos

O relato de Luis Nassif intitulado “Xadrez de como a Globo caiu nas mãos do FBI” é bastante esclarecedor sobre o que ocorre de sujo no mundo do futebol, tendo o Brasil como epicentro. Faria, porém, dois acréscimos de informações ao apresentado.

Um se refere ao mandado de busca e apreensão, no dia 6 de junho último, na residência do vice-presidente da CBF e prefeito de Boca da Mata (AL), Gustavo Feijó. A operação da Polícia Federal, intitulada “Bola Fora”, investiga financiamento ilegal de campanha para o pleito de 2012 paga pela entidade ao cartola – algo em torno de R$ 500 mil. Ele se candidatava pela primeira vez ao município e ano passado foi reeleito.

O assunto era público desde outra operação, chamada “Durkheim”, realizada em 2012, pela PF, na casa do então presidente da Federação Paulista de Futebol e vice-presidente da CBF, Marco Polo Del Nero. Leia mais »

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Um dos grandes cavaquinhistas do País lança choros autorais, por Augusto Diniz

Um dos grandes cavaquinhistas do País lança choros autorais

por Augusto Diniz

Não é raro ler em um encarte de CD de música brasileira o nome de Márcio Almeida relacionado na ficha técnica. Afinal, trata-se de um dos maiores cavaquinhistas do País.

Agora, Hulk, como é chamado, lança seu primeiro álbum instrumental com todas as composições de sua autoria. São ao todo 11 músicas no ritmo do maxixe, um tipo musical incorporado pelo choro quando o gênero ainda engatinhava no País, na virada do século XIX para o XX – não à toa o álbum se intitula “Maxixe carioca”.

Márcio Hulk Almeida é fiel nesse resgate, revelando um instrumentista criterioso e aplicado – associado ao seu inegável talento em tocar cavaquinho.

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Gustavo Feijó é um peixe pequeno da CBF, por Augusto Diniz

Foto Diário Arapiraca

Gustavo Feijó é um peixe pequeno da CBF

por Augusto Diniz

A denúncia que levou a realização da “Operação Bola Fora” nesta sexta-feira (9/6), com mandado de busca e apreensão na residência do vice-presidente da CBF e prefeito de Boca da Mata (AL), Gustavo Feijó, é antiga – embora se tenha dito que a ação foi um desdobramento da CPI do Futebol do ano passado.

De fato, Feijó é um dos que foram pedidos indiciamento a Procuradoria Geral da República pelo relatório da CPI de autoria de Romário. Mas se trata de apenas um item - nesse caso, de financiamento de campanha - entre as várias irregularidades da entidade apontadas no documento.

Uma operação também da Polícia Federal, chamada “Durkheim”, em 2012, fez busca e apreensão na casa de Marco Polo Del Nero – na época ele era presidente da Federação Paulista de Futebol e um dos vices da CBF.

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Léo Castro ergue a bandeira do samba no Vale do Paraíba, por Augusto Diniz

Léo Castro ergue a bandeira do samba no Vale do Paraíba

por Augusto Diniz

Léo Castro lança seu primeiro CD intitulado “Vai que vai” com um repertório consistente de samba. O músico de São José dos Campos (SP) pretende com o trabalho impulsionar o gênero no Vale do Paraíba paulista.

Embora a região seja conhecida pela musicalidade em festas sincréticas ao longo do ano, com congadas, moçambiques, jongos, violeiros e outros ritmos mais contemporâneos, o samba tradicional ainda tenta fincar raízes na localidade.

“Fui influenciado pela Folia de Reis que se realizava no bairro em que nasci”, lembra. “Mas o samba tradicional em São José dos Campos não existe”, lamenta, citando que as iniciativas promovidas são amadoras. 

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Desgastes impulsionam fim da parceria exclusiva CBF-Globo, por Augusto Diniz

Desgastes impulsionam fim da parceria exclusiva CBF-Globo

por Augusto Diniz

O fato da CBF assumir a produção pela TV de dois amistosos da Seleção Brasileira na Austrália, em junho, e negociar com outras emissoras os direitos de transmissão que não a Globo, seu tradicional e antigo parceiro, é mais um capítulo do desgaste na relação entre ambas nos últimos tempos.

A CBF pretende com isso fechar a transmissão das partidas pelo celular e pela web com grupos diferentes, modelo repudiado pela Globo (ela sugere pacote completo) - mas inevitável para a entidade abrir novas possibilidades no futebol, com um mercado esportivo migrando e buscando audiência cada vez maior na internet.

Foi curiosa essa informação ter sido divulgada poucos dias depois da prisão do ex-presidente do Barcelona, Sandro Rosell, na Espanha. Ele e o ex-presidente da CBF, Ricardo Teixeira, são suspeitos de terem lucrado US$ 15 milhões com a venda de direitos de TV para jogos amistosos do Brasil, segundo a Justiça.

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A cartilha do bamba Emersson Ursoo, por Augusto Diniz

A cartilha do bamba Emersson Ursoo

por Augusto Diniz

Emersson Ursoo acaba de lançar seu sétimo CD solo. Trata-se de “Cartilha do samba”. O novo álbum está sendo lançado junto com outro CD do músico chamado “Rebento de bamba” – este trabalho havia sido lançado ano passado somente na plataforma digital e agora sai em formato físico.

O cantor, compositor, instrumentista, produtor e ativista do samba – basta acompanhá-lo nas redes sociais para entender o que estou dizendo (além de usar a internet com maestria na divulgação de seu trabalho), é exemplo de artista independente, que se autogere muito bem em associação com a competência musical – os dois discos recém-lançados são expressões do gênero a flor da pele.

Com esses atributos Emersson Ursoo segue a trilha de Cadeia dos tempos modernos. É a cartilha de um bamba a ser seguido.

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Os “rolos” de Sandro Rosell no Brasil, por Augusto Diniz

Foto - Reprodução

Os “rolos” de Sandro Rosell no Brasil

por Augusto Diniz

O ex-presidente do Barcelona, Sandro Rosell, tem problemas - muito além dos expostos pela mídia brasileira - que o levou a prisão na Espanha, dias atrás, por escusos negócios com Ricardo Teixeira relacionados aos amistosos da Seleção Brasileira. Embora a imprensa por aqui aborde o caso como lavagem de dinheiro de forma genérica, na Europa o assunto é tratado de maneira mais específica: principalmente cobrança de comissões ilegais de diretos de televisão de jogos do time do Brasil – como a TV Globo detém esses acordos, não precisa dizer o acanhamento dos jornalistas tupiniquins em expor o assunto.

Sandro Rosell foi dirigente da ISL na Espanha na década de 1990. A empresa de marketing suíça, ligada a Fifa, abasteceu os bolsos de João Havelange e Ricardo Teixeira naquela época de forma sistemática – fato que resultou na expulsão de ambos dos quadros da entidade máxima do futebol.

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CD de Renato Milagres supera desafio imposto pelo parentesco, por Augusto Diniz

CD de Renato Milagres supera desafio imposto pelo parentesco

por Augusto Diniz

Renato Milagres levou mais de 10 anos para lançar seu primeiro CD solo. Nesse tempo encarou muita roda de samba e fez algumas participações em discos. Era visível a preocupação em realizar um trabalho com primazia.

Mas havia outro motivo além de se lançar bem no mercado fonográfico – já que isso todos os artistas devem ter em sua primeira experiência em CD. É que seu tio é hoje o maior sambista do País: Zeca Pagodinho. E era inevitável a comparação.

Pois o cantor Renato Milagres, filho de Meco e tão envolvido no samba como seu irmão Zeca, pode respirar aliviado. O álbum “Ofício sambista” (gravadora Mins Música), disponível nas plataformas digitais e em formato físico, é um trabalho cuidadoso e tem ótima qualidade musical. E Renato Milagres vai bem como intérprete.

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Zezé Perrella toma o lugar de Eurico Miranda, por Augusto Diniz

Zezé Perrella toma o lugar de Eurico Miranda

por Augusto Diniz

Eurico Miranda carregou por muito tempo a pecha de um inescrupuloso cartola-parlamentar – tinha motivos para isso. Agora, a bola passou para Zezé Perrella. O senador e ex-presidente do Cruzeiro personifica hoje a imoralidade na política e no futebol.

Ainda vice-presidente do Vasco, Eurico Miranda se tornou deputado federal em 1994. Apesar do cargo no clube carioca, mandava mais que o presidente. Foi nesse período que começou a acumular desafetos pelo seu jeito destemperado, e por apresentar métodos de gestão nada éticos.

Em 1998 foi reeleito deputado. Em 2001 quase perdeu o mandato por se tornar suspeito de evasão de divisas. No ano seguinte não conseguiu se reeleger, mas virou presidente do Vasco. Porém, já tinha acusações contra ele por desvio de recursos, crime eleitoral e enriquecimento ilícito, parte reunida no relatório de uma CPI do futebol realizada àquela época no Senado.

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Mais um da geração do Cacique de Ramos se vai, por Augusto Diniz

Mais um da geração do Cacique de Ramos se vai

por Augusto Diniz

A geração surgida no Cacique de Ramos – mais importante movimento de samba depois da Turma do Estácio (Ismael Silva, Bide etc. e depois Cartola, Nelson Cavaquinho...) – perdeu mais um membro. Dessa vez morreu o talentoso Almir Guineto (1946-2007) em decorrência de problemas renais nesta sexta (5/5).

E, assim, sambistas frequentadores do agrupamento artístico do Rio de Janeiro (RJ) que deu nova fase criativa ao samba a partir de 1980, com influências até hoje na música, vão saindo de cena.

Claudio Camunguelo (1947-2007), com sua estatura de estivador e a inseparável flauta, foi um dos primeiros. Elza Soares chegou a gravar um dos seus sambas.​

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Ritmos afros, canções e poesia na voz de Carol Ladeira, por Augusto Diniz

Ritmos afros, canções e poesia na voz de Carol Ladeira

por Augusto Diniz

O recém-lançado CD da carioca radicada em Campinas (SP), Carol Ladeira, é um mergulho no seu universo musical de ritmos e linguagens variadas. Este é o seu segundo álbum solo, mas a cantora já participou em grupo de três outros registros fonográficos de tradições populares e cantigas.

No caso desse novo trabalho “Mar de vento”, Carol dá ênfase nos ritmos afros, na poesia e na canção popular. A sutileza da voz continua a mesma.

As quatro primeiras músicas vão na cadência dos ijexás e afoxés: “Jangadeiro” (Chico Santana), “Peço a Olorum” (Carlinhos Campos, Diogo Nazareth, Rafael Yasuda), “Pontos de Iemanjá” (domínio público) e “Canto” (Gustavo Infante). A gravação de obra de domínio público é característica - no seu primeiro CD da carreira, “Quitanda” (2010), a cantora gravou duas de autores desconhecidos.

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“Sambas do absurdo” reúne Rodrigo Campos, Juçara Marçal e Gui Amabis, por Augusto Diniz

“Sambas do absurdo” reúne Rodrigo Campos, Juçara Marçal e Gui Amabis

por Augusto Diniz

Um trio talentoso se juntou para lançar “Sambas do absurdo”: Rodrigo Campos, Juçara Marçal e Gui Amabis. As oito faixas do disco foram compostas por Rodrigo Campos e Nuno Ramos. O primeiro fez as músicas e o segundo, as letras.

O álbum foi inspirado no ensaio sobre o absurdo, escrito por Albert Camus, na obra “O mito de Sísifo”, que discute a irracionalidade de forma inquietante, típica dos escritos do magistral pensador franco-argelino. O disco tenta captar esses elementos expostos por Camus.

Não é de hoje que os autores desse álbum se embrenham em trabalhos reflexivos na música. Os três CDs já lançados pele cantor e compositor Rodrigo Campos, também um cavaquinista de mão-cheia, trabalham contextos variados, tendo o samba como linha mestra (com imersões em outros gêneros) e composições criativas.

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Tiago do Bandolim chega “De soslaio”, por Augusto Diniz

Tiago do Bandolim chega “De soslaio”, por Augusto Diniz

Tiago do Bandolim registra em CD choros contemporâneos com participações nobres do gênero. A começar pelo pai do músico, Ronaldo do Bandolim. Tiago é filho de peixe.

Quem acompanha rodas de choro diz que a inconfundível virtuosidade de Ronaldo no Bandolim se identifica a quilômetros de distância. Pois Tiago segue o mesmo caminho. Este seu primeiro trabalho solo dá mostras disso.

O disco abre com a faixa-título “De soslaio” (Rodrigo Lessa). “Quis dar o nome do CD com este título pra dizer que estou tocando choro e samba, chegando ainda com olhar de lado, mas chegando junto”, diz.

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Nó em Pingo D’água volta a lançar CD, dessa vez de sambas memoráveis

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Por Augusto Diniz

Treze anos foi o tempo em que o grupo de choro Nó em Pingo D’água ficou sem lançar um disco próprio. O último interpretava músicas de Paulinho da Viola, em 2003 – antes, mais cinco discos foram produzidos pela banda surgida em 1979, sempre com intervalo de lançamento entre um e outro muito menor do que este último.

O novo CD do Nó em Pingo D’água, apresentado oficialmente ao público no final do ano passado, é batizado de “Sambantologia” - segundo texto da gravadora Biscoito Fino, o título combina samba, banto (etnia africana de forte ligação com o gênero) e antologia por tratar-se de uma coletânea dos diversos estilos que surgiram na história do samba.

O disco mantém a excelente qualidade musical do grupo, capaz de recriar músicas bastante conhecidas sem cair na pieguice. A introdução sofisticada em cada composição e a profundidade no trabalho instrumental na medida em que a canção avança continuam vivas.
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Sambista Chico Alves reúne em CD suas ótimas composições, por Augusto Diniz

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Imagem: Divulgação

por Augusto Diniz

Nem parece o primeiro CD solo. O sambista capixaba radicado em Niterói (RJ) Chico Alves mostra sua produção musical em mais de 20 anos de carreira, em gravações bem resolvidas no recém-lançado trabalho “Pra Yayá rodar a saia”. Conhecido nas rodas de samba carioca, o cantor e compositor apresenta no disco a riqueza criativa do gênero no Rio.

Em 2014, Chico já havia lançado o CD “Amigos e parceiros”, com 10 canções, somente com letras dele e melodia de Marco Pinheiro, mas a maioria das músicas foi gravada por outros intérpretes.

No CD “Pra Yayá rodar a saia” Chico Alves se apresenta como um cantor refinado. O disco tem participação de instrumentistas da linha de frente do samba, como Carlinhos Sete Cordas (violão), Rogério Souza (violão; ele também auxilia nos arranjos do disco), Marcio Hulk (cavaco) e Dirceu Leite (sopros).

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Magnu e Maurílio gravam sambas e fusões com o gênero, por Augusto Diniz

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Por Augusto Diniz

Mais dois membros do extinto grupo Quinteto em Branco e Preto lançam CD. Dessa vez gravaram a voz Magnu e Maurílio – o primeiro foi Yvison Pessoa, cujo texto sobre seu disco pode ser acessado aqui.

Os irmãos Magnu Souzá e Maurílio de Oliveira, ou os Prettos, como agora são chamados musicalmente, lançaram este mês o CD “Essência da origem”.

No disco, eles vão além do samba mais voltado às raízes que os caracterizaram no Quinteto, e trabalham com gêneros que eventualmente se combinam com o samba.

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Clubes criam grupo para negociar direitos na TV aberta, por Augusto Diniz

Clubes criam grupo para negociar direitos na TV aberta

por Augusto Diniz

Atlético-PR, Bahia, Coritiba, Palmeiras e Santos são cinco grandes clubes que fecharam com o Esporte Interativo as transmissões por canal fechado de seus jogos no Campeonato Brasileiro, a partir de 2019. Mas ficou de fora dessas negociações com o grupo norte-americano Turner, dono do Esporte Interativo, os direitos de transmissão no pay-per-view (PPV) e na TV aberta.

Agora, essas cinco equipes querem tratar em conjunto a forma de comercializar os direitos de transmissão nesses dois outros meios. O anúncio da criação do grupo foi feito pelo presidente do Conselho Deliberativo do Atlético-PR, Mario Celso Petraglia, nesta terça (21), em uma reunião do clube, e está disponível no YouTube aqui (a partir de 8 min). Na ocasião, o dirigente criticou a Globo, que mantém hoje o monopólio das transmissões, por conta da divisão de cotas aos clubes.

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Ex-Quinteto em Branco e Preto, Yvison Pessoa lança CD e lidera ONG

Ex-Quinteto, Yvison Pessoa lança CD e lidera organização não-governamental em São Mateus

por Augusto Diniz

Depois do fim do celebrado grupo de samba Quinteto em Branco e Preto, que marcou do renascimento do gênero em São Paulo, cada um tomou seu rumo. O percussionista Yvison Pessoa foi ousado e se manteve próximo às raízes: lançou um CD autoral no final do ano passado, o primeiro solo de um membro da banda que se desfez em 2014 (o segundo é dos irmãos Magnu e Maurílio, previsto para este mês), e passou a coordenador uma organização não-governamental, o Instituto Cultural de Tradição e Memória do Samba de São Mateus.

O disco, intitulado “Trajetória”, abre com um poema autobiográfico. O CD possui produção musical bem acabada. O grupo de acompanhamento é formado por um time criado nas mesmas bandas de Yvison, o “Casca”, como é chamado por amigos, e dá sintonia à proposta do autor de exaltar suas origens.

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Antes de ser campeã, Portela viveu o submundo das escolas de samba, por Augusto Diniz

Antes de ser campeã, Portela viveu o submundo das escolas de samba

por Augusto Diniz

A despeito da vitória da Portela no carnaval do Rio e sua importância para o mundo do samba, a agremiação de Oswaldo Cruz viveu no ano passado o submundo das escolas de samba.

Seu então presidente, Marcos Falcon, foi assassinado a tiros em setembro, em seu comitê de campanha – o dirigente era candidato a vereador do Rio. Quase um mês depois, um dos suspeitos da morte do ex-PM Marcos Falcon foi preso acusado de chefiar um grupo de milicianos.

O ex-presidente da Portela entrou na lista dos políticos assassinados no período pré-eleitoral na Região Metropolitana do Rio de Janeiro – mais de dez mortes já haviam sido contabilizadas. A situação fez com que, na época, o TSE pedisse a investigação da Polícia Federal dos assassinatos em série e a presença das Forças Armadas no dia das eleições. O sociólogo José Claudio Souza Alves, uma das referências no estudo da violência urbana no Rio, atribuiu os assassinatos a disputa por território de grupos paramilitares.

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Carnaval de rua de São Paulo é mais diverso e menos tradicional, por Augusto Diniz

Carnaval de rua de São Paulo é mais diverso e menos tradicional

por Augusto Diniz

A consolidação do carnaval de rua de São Paulo se mostra uma folia marcada pela diversidade de gêneros musicais, com ligação menos estreita às expressões e referências tradicionais da festa de Momo.

Embora no carnaval paulistano existam bandas carnavalescas e grupos afros, alguns antigos outros mais recentes, onde exaltar a herança cultural do carnaval seja algo sagrado, com marchas e sambas predominando no repertório, o que se vê mais por aí são blocos de celebração às diversas divisões da música, seja brasileira ou de fora, com pouca relação ao legado da manifestação popular.

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Globo vive saia-justa no futebol, por Augusto Diniz

Globo vive saia-justa no futebol

por Augusto Diniz

O impedimento da Federação Paranaense de Futebol, provavelmente a mando da Globo, de transmissão pelo Youtube do jogo entre Atlético-PR e Coritiba pelo estadual, é tão anacrônico como achar que boa parte da mídia impressa não será engolida pela internet. A emissora e a FPF acertaram os direitos do campeonato sem tratar adequadamente com os donos do espetáculo – os clubes, que foram atrás de melhor retorno financeiro.

O Flamengo já havia no início deste ano feito jogo duro com a Globo e cobrou para o campeonato estadual mais pelos direitos de imagem do que os outros times grandes cariocas, e ainda pediu para que o dinheiro não passasse pela Federação de Futebol do Rio. E foi atendido.

A Globo corre para manter o produto futebol na casa com exclusividade – considerado um dos poucos a ter espaço na grade da TV no futuro próximo, por conta da internet (cita-se que na Europa a transmissão no Youtube de partidas de futebol já é uma realidade); e os clubes sabem disso.

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Douglas Germano: Bateria é o 'RG' da escola de samba e bloco não é prestação de serviço, por Augusto Diniz

Douglas Germano: Bateria é o 'RG' da escola de samba e bloco não é prestação de serviço

por Augusto Diniz

Com os blocos nas ruas e as escolas de samba fazendo os últimos ajustes para entrar na avenida, Douglas Germano, 48 anos, um dos mais profícuos compositores da atual geração do samba de São Paulo, fala sobre o carnaval.

“A ala das baianas e a bateria são o 'RG' (carteira de identidade) da escola. Motivo de orgulho e respeito”, diz no alto de quem convive com isso faz tempo. “A rigor são alas da comunidade. A comunidade é um seleto grupo ali de algumas centenas de pessoas que se conhecem pelo nome e frequentam a quadra o ano inteiro, não necessariamente do bairro”, conta.

Em 1982, aos 13 anos, Douglas desfilou pela primeira vez na bateria da Nenê de Vila Matilde – com ajuda do pai que era percussionista de conjunto de baile -, ficando por lá alguns anos. A partir de 1989, tocou cavaquinho na Águia de Ouro, fez samba-enredo para a escola e tornou-se mestre de bateria. Depois disso, passou a servir as duas escolas.

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Festival de marcha-rancho ocorre em meio à banalização do carnaval, por Augusto Diniz

por Augusto Diniz

Enquanto muitos blocos este ano em São Paulo devem se desgarrar de vez dos gêneros musicais que escreveram a história do carnaval (basta dar uma olhada na relação de blocos a desfilar na cidade), o Festival de Marcha-Rancho do Ó do Borogodó se mantém como um dos bastiões da tradição da manifestação popular. Em meio à crescente banalização da festa de Momo (com algumas exceções), o estilo que impulsionou por décadas multidões às ruas nos quatro dias de folia ganha fôlego nesse evento.

O 3º Festival de Marcha-Rancho do Ó deste ano conta com 18 músicas selecionadas na lista de apresentações. A grande ausência de 2017 entre os intérpretes das músicas compostas será a de João Borba, falecido ano passado, baluarte do samba paulista e de vozeirão inconfundível.

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Mesmo cancelado São Luiz do Paraitinga deve ter carnaval

por Augusto Diniz

Mesmo com o cancelamento oficial pela prefeitura do carnaval de São Luiz do Paraitinga (SP), um dos mais tradicionais do País, alguns blocos prometem ir às ruas na cidade histórica. Pelo menos é o que circula entre músicos, artistas, foliões e comércio local do pacato lugar.

A nova administração municipal, antes da virada do ano, já ensaiava a não disposição de fazer o carnaval por falta de recursos e a dificuldade de encontrar patrocínio. Uma audiência pública foi realizada no dia 23 de janeiro pela prefeitura para mostrar a situação financeira difícil do município e a necessidade de priorizar setores essenciais. A Polícia Militar esteve presente ao encontro e até anunciou que coibiria as manifestações carnavalescas caso ocorressem.

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Railídia, cantora paraense, lança primeiro CD, por Augusto Diniz

por Augusto Diniz

Conhecida nas rodas de São Paulo, onde canta no grupo Inimigos do Batente, Railídia lança seu primeiro CD solo. “Cangalha” percorre os ritmos da região Norte, onde ela nasceu e se criou, e deságua no samba urbano, gênero que ela se firmou como cantora já morando na capital paulista.

São 14 músicas. “Mourão que não cai”, a primeira, é uma composição do versátil Douglas Germano, que remonta as influências de Railídia. Douglas é ainda autor do samba “Quarta-feira de cinzas” (canta com ela a música no CD) e parceiro da cantora na faixa-título “Cangalha”, uma lembrança de que música também é manifesto por dias melhores.

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Kleber Leite é hoje peça-chave para esclarecer a corrupção no futebol, por Augusto Diniz

Por Augusto Diniz

O relatório paralelo da CPI do Futebol explica que o Tribunal Regional Federal (TRF) da 2ª região (Rio de Janeiro e Espírito Santo) paralisou as investigações do MPF e PF do chamado Caso FIFA, impedindo também acesso da comissão aos documentos. Esse assunto já foi tema neste blog em algumas ocasiões (veja aqui).

O problema é que essa quebra inédita de tratado de cooperação internacional entre o Brasil e a Justiça americana, que no ano passado revelou os escândalos de corrupção no futebol envolvendo vários dirigentes, impediu o aprofundamento das investigações aqui no País em torno do tema – e também deixou uma lacuna na CPI.

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CPIs do futebol não servem para nada, por Augusto Diniz

CPIs do futebol não servem para nada, por Augusto Diniz

Quando no início dos anos 2000 duas CPIs do futebol funcionaram no Congresso, achava-se que algo poderia mudar no esporte mais popular do País. Mas o que se viu foi o aumento dos desmandos.

De 2015 para cá, duas novas CPIs do futebol ocuparam novamente a agenda dos nobres deputados e senadores, aproveitando a onda de megaeventos esportivos no País. As duas chegaram ao fim de forma melancólica.

A conclusão é que as comissões parlamentares de inquérito não servem para nada, a não ser dar holofote a políticos visando passar a impressão que defendem o interesse público – no fundo, eles querem manter-se em evidência para tirar vantagem em futuros pleitos eleitorais.

A primeira, criada em 2000, o relatório final já falava em evasão de divisas e lavagem de dinheiro de executivos da CBF. Discute-se muito o resultado dessa comissão. Propala-se que ela propiciou a recuperação de milhões pelo governo por meio de multas a clubes e a CBF, além de ter impulsionado a modernização de leis para o esporte. Vendo hoje, parece que isso não adiantou muito.

Em 2001, a CPI da CBF/Nike não teve votação do relatório final, que pedia indiciamento de vários dirigentes, por que a comissão, controlada pela Bancada da Bola, queria reprovar o documento.

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Dunga é apenas um exemplo da decadência, por Augusto Diniz

por Augusto Diniz

Quando foi chamado para dirigir a seleção brasileira pela primeira vez, Dunga já era visto como falta de opção ao cargo de técnico no País do futebol. Como venceu a Copa América 2007 e a Copa das Confederações 2009, o ex-jogador mascarou a inexistência de um real comandante no Brasil para o time.

Veio então o fiasco de 2010 no Mundial, na derrota contra a Holanda. Apareceu na sequência Mano Menezes, que deu lugar a Felipão, de novo - foi um vexame, dessa vez na Copa no Brasil. Reconvocaram então Dunga - agora eliminado da Copa América logo na primeira fase.

É óbvio que ter dado de volta o cargo a Dunga não foi apenas pela falta de bons técnicos no Brasil – por favor, não me falem de Tite, a escola sulista que joga a criatividade do futebol brasileiro no lixo, embora de forma eficiente.

Dunga não é de bater de frente com o modelo autoritário da CBF. Felipão também não, assim como Parreira – este último chegou a dizer a célebre frase de que a “CBF é o Brasil que dá certo” (Meu Deus!).

Essa característica submissa virou padrão para estar ao lado da entidade, em meio à falta de técnicos de mentalidade moderna no País. Lá fora existe esse tipo, mas não interessa trazê-lo para cá – nem se sabe se daria certo tendo tanta intromissão no trabalho.

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Cronistas criticam CBF na cobertura do Brasileiro, por Augusto Diniz

Por Augusto Diniz

A Associação Brasileira de Cronistas Esportivos (Abrace) criticou duramente a CBF durante a realização de seu congresso, no final de maio, em Brasília. A entidade do futebol tem colocado, cada vez mais, obstáculo no trabalho da imprensa, na cobertura de jogos das séries A e B do Campeonato Brasileiro.

Há um direcionamento forte na CBF de privilegiar a emissora de televisão que compra direitos de transmissão destas competições, nas entrevistas com jogadores antes das partidas, durante os intervalos e no fim dos jogos, além do acesso aos estádios.

A prática vem atingindo as emissoras de rádio em cheio. As mesmas que dão mais espaço ao futebol há décadas, com extensos programas diários, muito mais do que a televisão. Portanto, são promotoras do espetáculo tanto quanto a TV.

A CBF tenta há algum tempo dar um padrão europeu ao futebol brasileiro nesse item. Lá, as emissoras que compram direitos de imagem da competição têm entrevistas e acessos exclusivos durante as partidas.

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Liga dos Campeões também sofre com a “espanholização”, por Augusto Diniz

Por Augusto Diniz

Depois do Campeonato Espanhol, em que apenas dois times se rivalizam (Real Madrid e Barcelona) e quase sempre ganham o título da competição, agora é a vez das Liga dos Campeões da UEFA sofrer o mesmo fenômeno.

Da temporada 2005/2006 para cá, Barcelona e Real Madrid triunfaram seis vezes no torneio, e outros times da Europa levaram o título em cinco oportunidades. Nos anos mais recentes, como a partir do torneio 2008-2009, os dois clubes espanhóis obtiveram a vitória máxima da Liga cinco vezes. E nas três últimas temporadas, o Real Madrid venceu duas vezes o torneio e o Barcelona, uma.

A prática de Real Madrid e Barcelona revezarem, na maioria das vezes, o título Campeonato Espanhol – e também quase todos os negócios que circulam em torno da competição, incluindo direitos de televisão e patrocínio – é considerada distorciva por especialistas do futebol, por não cria oportunidades de crescimento ou estabelecer barreiras de avanço às outras equipes.

No Brasil, esse fenômeno ganhou força quando se percebeu nas competições nacionais uma elevada concentração de recursos disponíveis para o futebol nãos mãos de poucos clubes, relacionada principalmente aos pagamentos de transmissão pela televisão e propaganda de empresas. Esta centralização passou a ser apelidada de “espanholização” do futebol brasileiro por conta da situação ocorrer de forma mais clara na Espanha.

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