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Maria D'Apparecida: ainda insepulta em Paris, por Henrique Marques Porto

Maria D'Apparecida: ainda insepulta em Paris

por Henrique Marques Porto

A cantora Maria D'Apparecida faleceu, aos 82 anos, em seu apartamento em Paris no dia 4 de julho de 2017. Sua morte foi notícia aqui. Morava sozinha, não deixou dependentes, tinha familiares (por afinidade) residindo no Brasil. Morava há décadas na França, mas não pediu a nacionalidade francesa. Nasceu e morreu brasileira. Os jornais nada noticiaram. As colunas especializadas em música ficaram caladas. Sequer uma linha. As exceções foram o Blog do Nassif, as redes sociais, com os vídeos do sempre atento Luciano Hortêncio e, posteriormente, a coluna de Ancelmo Gois que, acionado por mim, publicou uma nota.

O Consulado Brasileiro em Paris entrou em contato comigo por telefone, depois de e-mail que enviei. Foi-me garantido que as providências necessárias estavam sendo tomadas. O Consulado acionou, inclusive, a Polícia Federal para localizar familiares no Brasil. Localizou, no Rio de Janeiro, um ‘familiar’ que é sobrinho por afinidade (pertence à família na qual Maria D'Apparecida, órfã muito cedo, foi criada). Acreditava-se que tudo estava sendo encaminhado. Parece que não é bem assim.

Aparentemente, o familiar encontrado nada fez –porque não pode ou porque não quis. Maria D’Apparecida deixou fundos bancários suficientes para pagar as despesas necessárias, seja qual for a decisão que se tome sobre seu funeral. Se os familiares não tomaram nenhuma providência, o Consulado Brasileiro em Paris, embora não possa exigir das autoridades francesas uma liberação antecipada do corpo, pode representar a família ausente.   

Ontem, dia 29, chegou ao Brasil a informação de que nada caminhou no sentido de dar à Maria D'Apparecida o funeral digno que ela e todos merecem. Seu corpo ainda está no IML de Paris. Desde 4 de julho! O IML já prorrogou mais de uma vez o prazo estabelecido pela lei francesa, que é severa.

A informação que Luciano Hortêncio e eu recebemos diz ainda que o último prazo dado pelo IML de Paris vai se encerrar em dois ou três dias. Maria corre o risco de ser sepultada em vala comum destinada aos indigentes. Perto de completar 60 dias, essa situação, que todos considerávamos encaminhada, já se aproximou das raias do absurdo e do desrespeito.

É necessário encontrar uma solução com a máxima urgência. Por décadas, Maria D'Apparecida divulgou na França e na Europa a Arte e a Cultura do Brasil. Cantou óperas, canções e gravou muitos discos. Recebeu prêmios do Governo da França, que a respeitava. Merece, também, o nosso respeito. Já passou da hora de o Ministério do Exterior agir. Se Maria D’Apparecida tiver o destino dos indigentes, será o Brasil que estará dando uma demonstração de sua própria indigência cultural e, também, moral.  

Não pode continuar insepulto e abandonado num necrotério o corpo dessa grande artista brasileira.  

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11 comentários

Comentários

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So estamos sendo humanos

Caros Luciano e Henrique agardeço a lembrança, mas nos temos feito apenas o possivel. O dia de hoje avançou um pouco mais. Amanhã termina o prazo ja estendido mais de duas vezes pelo IML parisiense. Sinceramente, so posso agradecer a eles que têm tido mais decência e respeito por Maria d'Apparecida que os que deveriam ter. Hoje telefonamos novamente la e garantiram que não enterrarão Apparecida em vala comum até que consigamos desbloquear a situação. Mas não temos o direito de requerer o corpo. Isto so é possivel com o pedido formal do Consulado. Esperamos que façam isso sem nos causar problemas. Peço ao sobrinho de Apparecida ou outro familiar que, se puder, venha a Paris urgente. Posso recebê-lo em minha casa. Se tudo correr bem amanhã, poderemos fazer a inumação nos proximos dias e Maria d'Apparecida vai, enfim, descansar em paz.

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Procedimentos

Maria Luisa e Luciano,

Fui me informar sobre os procedimentos em caso de falecimento na França Metropolitana e em Mônaco.

O registro do óbito deve ser feito no Consulado-Geral em Paris, medante apresentação de documentação etc e tal. Isso já deve ter sido feito. O familiar deve comparecer. Contudo, abro aspas para o copia-e-cola da página do Itamaraty:

"Excepcionalmente, na falta de cidadão brasileiro devidamente habilitado, o declarante do óbito poderá ser cidadão estrangeiro. A declaração também poderá ser feita por meio de preposto, quando devidamente autorizado pelo declarante por escrito, desde que constem os elementos necessários para a lavratura do óbito. Incluem-se nesses casos os agentes funerários autorizados pela família."

Se o familiar contatado nada fez, que pelo menos autorize outro a fazer. O próprio Consulado pode agir. Basta enviar a autorização.  

Abraço

Henrique

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Henrique Marques Porto

imagem de Jackson da Viola
Jackson da Viola

Infelizmente........

é uma situação muito comun para Brasileiros/as que vivem e acabam morrendo no exterior....os consulados e embaixadas brasileiros não fazem nada para repatriar corpos.......é um completo absurdo, mas é assim......lembro de um caso de uma moça não faz muito tempo que morreu na Italia e quem pagou o repatriamento foi a familia(italiana) do namorado da moça.......

Morava há décadas na França, mas não pediu a nacionalidade francesa. Nasceu e morreu brasileira

Pequena "implicância" inofensiva de minha parte:

Ter uma segunda nacionalidade em nada muda a "essencia" do ser Brasileiro....sendo que  uma nova nacionalidade não implica na perda da anterior....ela seria simplesmente binacional.....

voz como não se ouve mais......

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imagem de Marcio Freitas
Marcio Freitas

Maria D'Aparecida

Jackson da Viola

Você disse:
"Ter uma segunda nacionalidade em nada muda a "essencia" do ser Brasileiro....sendo que  uma nova nacionalidade não implica na perda da anterior..."

Acho que deveria trocar "essência" por "legalmente".
Legalmente não muda nada, mas na essência...
Ter outra nacionalidade muda é a essência. A decisão continuar sendo só brasileiro é pessoal e íntima.
 

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Não posso botar a viola no saco...

Caro Jackson!

 

Maria d'Apparecida Marques tinha situação financeira sólida. Há conta bancária em seu nome que cobre vários sepulatamentos, segundo se comenta. Não se está pedindo um tostão a quem quer que seja e sim que se dê um basta em tanta burocracia e se proceda a seu sepultamento com dignidade. Poderá perfeitamente ser em Paris. O que se pede é simplismente um sepultamento digno e não uma vala comum e anônima para uma artista que recebeu vários prêmios internacionais, sobretudo do Governo Francês.

 

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lucianohortencio

imagem de Jackson da Viola
Jackson da Viola

Não me lembro....

De ter feito comentario sobre as posses ou nao posses de Maria d'Apparecida Marques........simplesmente não sei.....entendi erradamente que era vontade dela ser enterrada no Brasil e dai vem o meu comentario.Acho que o minimo que pode fazer um pais é repatriar um cidadão seu morto em um outro pais....simples assim, meu comentario vai nesse sentido.Se a questão é ser enterrada na França, basta pagar uma funeraria, um lugar no ceminterio e pronto.....talvez falte um parente para fazer "les démarche administratives"?Talvez isso.....mas em todo caso, acho que eu não merecia a resposta "algo" agressiva de sua parte........se o post é "fechado" e privado, melhor não abrir para comentarios.....de minha parte,dou o assunto como encerrado....

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O violão continuará a gemer indefinidamente até quando???


O corpo da artista brasileira MARIA D"APPARECIDA não consegue ser serenizado por estar insepulto no IML de Paris desde os primeiros dias de julho, quando faleceu.
A artista tinha condições financeiras sólidas e há que ser tomada alguma providência, quer por parte da família ou do Consulado Brasileiro em Paris para dar um fim nessa situação absurda para qualquer mortal, quanto mais para uma artista reconhecida internacionalmente, que chegou até a receber comenda do Governo Francês.
Rogo encarecidamente que essa postagem seja compartilhada em todas as páginas, blogs e onde quer que seja.
Sozinhos não temos forças, porém juntos seremos gigantes.
MARIA D'APPARECIDA MERECE SER SEPULTADA COM DIGNIDADE.

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lucianohortencio

Quero ouvir meu violão gemer, até me serenizar!!!

 

Novamente juntos eu e o violão
Vagando devagar, por vagar
Cantando uma canção qualquer, só por cantar
Mercê da solidão
Vadiando em vão por aí
Nós vamos seguir,
Outra rua, outro bar, outro amigo, outra mão
Qualquer companheira, qualquer direção
Até chegar em qualquer lugar
Qualquer que seja a morte a esperar
Jamais meu violão me abandonará
Se eu vivi, foi inútil viver
Já mais nada me resta saber
Quero ouvir meu violão gemer
Até me serenizar.

 

A quem interessar possa:

TOMEM TENTO, SENHORES!!

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lucianohortencio

Esforço louvável merece registro!

O esforço da nossa amiga Maria Luisa Souto Maior é digno de nota. Ela, juntamente com dois amigos brasileiros, têm corrido secas e mecas para dar um basta nessa terrível situação. Apesar disso, até agora NECAS!!!

Obrigado por esse post, amigo Henrique Marques Porto. Sei o quanto essa situação tem sido dolorida pra você e sua família!

MARIA D'APPARECIDA MERECE SEPULTAMENTO DIGNO!

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lucianohortencio

imagem de Halley
Halley

Homenagem Póstuma.

O mais incrível ( revoltante ) é que pode acontecer, caso ela seja "enterrada" como indigente, de daqui a alguns anos alguém aparecer fazendo um esforço enorme, um estudo detalhado pra tentar identificar os "restos" mortais pra fazer homenagens, sendo que agora bastava apenas uma autorização formal para que alguém reclamasse o corpo, já que foi dito que ela possui os recursos para pagar todas as despesas. Mas assim seria fácil demais ! Nesse país só pode se fazer algo se for muito desafiador. Por isso não se faz nada.

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imagem de Halley
Halley

Homenagem Póstuma.

O mais incrível ( revoltante ) é que pode acontecer, caso ela seja "enterrada" como indigente, de daqui a alguns anos alguém aparecer fazendo um esforço enorme, um estudo detalhado pra tentar identificar os "restos" mortais pra fazer homenagens, sendo que agora bastava apenas uma autorização formal para que alguém reclamasse o corpo, já que foi dito que ela possui os recursos para pagar todas as despesas. Mas assim seria fácil demais ! Nesse país só pode se fazer algo se for muito desafiador. Por isso não se faz nada.

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Maria Luisa Souto Maior

Caro Luciano,

Quero pedir desculpas por não ter mencionado Maria Luisa Souto Maior, que tem feito muito para resolver essa situação que vem nos incomodando. Realmente estou muito sensibilizado com esse absurdo que deve estar dificultando a última viagem da Maria D'Apparecida. O bom é lembrar que ela era mulher espiritualizada. Lutou muitas batalhas e venceu todas. Vencerá essa também. Mas a responsabilidade é nossa. Como dizia Pedro Nava: "A morte não é problema de quem morreu. É problema dos vivos."

Abraço,

Henrique 

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Henrique Marques Porto

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